Notas iniciais
Me desculpem, eu estou uma semana atrasada na postagem, mas não é por relaxo meu, mas por falta de tempo e um bloqueio criativo do tamanho do Japão. A ETEC não está me dando muito tempo livre para poder sentar na frente do computador e escrever, mas consegui terminar esse capítulo ontem de noite, só para não deixa-los esperando mais.

Vou tentar ser mais rápida no próximo, mas me entendam.

Vi que algumas pessoas gostaram do ruivo do capítulo anterior, bem, agora vocês vão saber o nome dele.

Boa leitura!

Quando um elefante passou por cima de mim?, penso acordando aos poucos com uma dor insuportável por todo meu corpo, como se realmente um ou talvez até dez elefantes tivessem passado por cima de mim umas quatro vezes seguidas.

Todo o meu rosto queima de dor, mas sinto que tem bandagens diminuindo o ardor, o que é um alívio.

Solto um resmungo sofrido e ouso uma agitação perto de onde estou deitada.

Quando exatamente eu me deitei? Não sei a resposta e muito menos onde estou, sem contar que minha mente está uma confusão total.

– Você está bem? – alguém pergunta, se aproximando da onde estou.

Aparentemente não. Você não está vendo?, penso em dizer, mas nenhuma palavra sai da minha boca, apenas sinto um bolo enorme na garganta se inflando.

Tento me levantar para ver onde estou e quem é a pessoa que está ali, mas sou detida com duas mãos em meus ombros, fazendo com que eu volte a deitar.

– Você não pode se levantar até a enfermeira dizer que pode – um garoto de intensos olhos castanho-amendoados e cabelo ruivo desgrenhado senta ao meu lado na cama com muito cuidado para não encostar-se em mim.

– Você... e-eu conheço você – consigo dizer com a voz rouca e entrecortada.

Assim que vejo que ele da um meio sorriso sem graça para mim e forma covinhas nos cantos dos lãbios, eu me lembro que essas são as covinhas mais sexys que já vi na minha vida e como um macaco me dando um tapa na cara me lembro de tudo que aconteceu.

– É... me desculpe por tudo isso, não sabia que iria acabar assim – diz sem jeito e coloca a mão atrás da nuca, claramente envergonhado.

– Cookie... ela está bem? – ele fica surpreso com a minha pergunta e não é para menos, eu cai de uma árvore muito alta, fui arranhada pela gata que tentei salvar e agora devo estar na enfermaria por causa dela, mas eu tentei salva-lá, oras.

– Sim, Cookie está muito bem, como você pode ver – ele olha para os pés do meu leito e eu tento seguir seu olhar fazendo esforço para levantar a cabeça.

A gata persa dorme aos meus pés toda encolhida, ronronando de forma preguiçosa e parece não ter um arranhão ou parte quebrada.

Deixo um suspiro de alívio escapar entre meus lábios e volto a olhar o garoto ruivo que também está me olhando.

– Muito obrigada por ter salvado a minha gata – vejo que ele fala com sinceridade e realmente parece agradecido. – Só me sinto mal por ter acabado na enfermaria.

Dez pontos para mim. Acertei que estou na enfermaria, mas isso só indica que a queda não foi tão suave como um gato faria ao alcançar o chão.

– O que exatamente aconteceu? – pergunto, pois depois de um determinado tempo eu apaguei por completo.

– Você caiu da árvore e estava meio alto, então quando atingiu o chão você quase se expragatou como merda no asfalto, mas em nenhum segundo você soltou a Cookie, o que a ajudou a sair sem nenhum arranhão.

Estranho o exemplo que o ruivo usa, mas acho que esse provavelmente é o termo mais correto que algum de nós poderá achar por hora.

Ele me olha curioso e eu não entendo porque, isso me deixa nervosa e meio exposta, como se minha peruca tivesse caído e ele visse a touca que prende o meu cabelo, sendo assim, eu terei que dar um desculpa ninja.

– Por que está me olhando desse jeito? –pergunto encabulada.

– Por que você não soltou a gata quando caiu? – rebate a pergunta, de forma curiosa.

– Por quê? Bem, você pediu para salvar sua gata, óbvio que teria que devolve-l a você sã e salva e isso não inclui jogar a bichana no meio da queda iminente.

– Você sabe que como gata ela teria caído em pé, certo?

– Eu caí de uma árvore, mas não sou lesado – falo emburrada. – Óbvio que sei, mas ela tem medo de altura, não poderia arriscar a vida dela.

– Nunca vi um desconhecido se importar tanto com um bicho de estimação que nem é seu... Aliás, eu nem sei seu nome.

É verdade. Eu nem sequer pensei em perguntar o nome dele. Acho que tenho um problema em lembrar-me de perguntar os nomes das pessoas que conheço. O que me lembra; eu não sei o nome daquele oriental imbecil e nem do cara de piercing que esbarrou comigo no corredor e me xingou descaradamente. Terei que investigar.

O ruivo ainda me encara, esperando que eu me apresente e saio de meus devaneios por alguns segundos.

– Chay. Eu me chamo Chay Mine. Prazer – estendo uma mão para ele e vejo que ela também tem bandagens cobrindo toda a extensão da pele.

– Prazer Chay. Pode me chamar de Mozart – ele aperta a minha mão sem hesitar, mas tem o cuidado de não apertar, o que agradeço, já que estou toda dolorida. – Você é novo?

– Sim e não. Eu ainda estou em fase de teste. Agora mesmo eu tenho que... AÍ MEU DEUS, EU TENHO QUE FAZER O EXAME PSICLOGICO! – grito em desespero, me lembrando e assustando até a Cookie e corda mal-humorada.

– O quê? – pergunta sem entender.

– Horas. Você tem horas?

Ele olha para o pulso e diz meio incerto as horas. Estou meia hora atrasada.

– Pelos poderes do lápis B 6, eu estou ferrada – digo jogando as cobertas de lado com dificuldade.

Cada músculo do meu corpo parece estar sendo posto em um moedor de carne, mas eu tento colocar os pés no chão e ficar em pé, mas tenho que me segurar no colchão da cama para não ir para o chão e cair literalmente como merda no asfalto.

– O que você está fazendo? Deite-se agora! – diz Mozart desesperado e ficando em pé também.

– Eu não posso ficar. Tenho que fazer esse exame, senão tudo que fiz até agora não terá válido de nada – digo indo em direção a porta.

– Você não pode! – Mozart grita para mim, mas já tenho aperto à porta e corro pelo corredor, sem saber a direção correta.

Meus pés estão descalços e a cada sofrido passo que corro pelo corredor pêssego do prédio sinto que uma parte de mim morre de dor.

Uma enfermeira vem em minha direção carregando uma bandeja de inox com alguns utensílios e me olha com uma expressão confusa e logo depois fica desesperada.

– O que você está fazendo em pé e correndo ainda por cima? Volte para a cama agora! – ela diz, mas eu a contorno e continuo correndo.

– Desculpe-me, mas tenho um compromisso agora – digo por cima dos ombros.

Ouso Mozart alcançar a enfermeira e dizer algo, mas não fico muito por ali para saber o que. Viro a esquina do corredor e continuo correndo. Vejo um elevador quase fechando as postas e no mesmo segundo eu me jogo para dentro. Aperto o botão do hall e uma daquelas músicas irritantes de elevador invade o ambiente; o que devia ser relaxante se torna uma tortura, mas do mesmo jeito me sento no chão e limpo as solas dos meus pés que também estão meio machucados.

A porta do elevador se abre lentamente, revelando um hall de entrada de um hospital e no mesmo segundo percebo que esse prédio todo que estou é a enfermaria, mas isso para mim é mais que o meu hospital do antigo bairro que morei.

Saio do elevador engatinhado, olhando para todos os lados a procura de alguém e justamente nessa hora passa uma enfermeira, rapidamente eu me escondo atrás de um vaso de planta e espero ela passar. Com um suspiro de alívio, eu começo a me levantar cautelosamente. Com ninguém mais a vista, eu corro para as portas de vidro automáticas do recinto e me jogo para fora.

Olho desesperada para todos os lados e vislumbro o Caminho de Tijolos Amarelos, antes que eu começasse a correr loucamente – se é que a minha situação atual aguenta um pouco mais disso – eu vejo um daqueles carrinhos que os seguranças de shopping costumam usar para fazer rondas.

– Beleza. Vou nesse mesmo – digo já subindo em cima de um.

Não faço a mínima idéia de como liga esse troço, se é com chave ou automático. Por via das dúvidas, coloco a minha mão no painel e aperto todos os botões que tem. Nada acontece. Então faço uma ligação direta meio de qualquer jeito – sabia que prestar atenção nos atos ilegais do meu irmão um dia seria útil.

Imediatamente ligo o aparelho e dou no pé na velocidade máximo – ou o mais rápido que um carrinho desses pode chegar. Quando estou a uma distância considerável escuto alguém chamar o meu nome masculino, nem me dou ao trabalho de virar para ver quem é, óbvio que é a enfermeira junto com o Mozart.

O campus parece meio vazio em comparação com o que estava antes de tudo isso acontecer comigo. Só espero que não seja tarde de mais.

Pego outra rua do Caminho de Tijolos Amarelos e já posso avistar a catedral em tons pastel ou seja lá o que aquilo for.

Largo o carrinho na porta do prédio e corro para dentro. Andando pelos corredores desertos. Subo as escadas para o segundo andar e vejo no final do corredor uma mulher fechando uma porta.

– ESPERA! – Grito, começando a correr o corredor.

A mulher se assusta e para de fazer o que estava fazendo para encarar o garoto louco, todo enfaixado correndo em sua direção, ou seja, eu.

– Por favor, não feche ainda – digo, parando na frente dela e inclinando meu corpo para frente, apoiando minhas mãos nos joelhos.

– O que você quer? – pergunta ela mal-humorada.

– Exame psicológico... eu tenho que fazer – digo de forma ofegante.

– Está muito atrasado moçinho, eu já fechei o consultório. Você perdeu a sua oportunidade.

A mulher termina de fechar a porta e me dá as costas, se afastando de mim. Não a deixo ir embora, pego o cotovelo dela com força e a obrigo a parar.

– Por favor, eu tenho um bom motivo para estar tão atrasado – imploro.

– E qual seria? – ela afasta a minha mão de seu cotovelo e cruza os braços na frente do peito.

– Eu tentei ajudar um cara com a perna engessada a pegar a gata dele que tem medo de altura e se empoleirou em cima de uma árvore, mas acabei caindo quando estava descendo da árvore.

– Boa história, moçinho... só que não – ela volta a dar as costas para mim.

A psicóloga se afasta alguns passos de mim, mas para e atende o celular que toca no bolso de trás da calça. Fala por apenas um minuto e seus ombros caem quando ela dá um suspiro de derrota.

Eu fico olhando-a, quando de repente ela se vira e se encaminha em minha direção.

– Tudo bem, eu farei a sua entrevista, mas para ser justa com os outros participantes, você só terá metade do tempo estipulado, entendeu? – seus olhos cor de musgo me encararam de forma decidida.

– É tudo que eu preciso – dou um sorriso de orelha a orelha.

Ela pede espaço e volta abrir a porta de seu consultório.

Entro depois dela e sou recebida em uma sala muito aconchegante, com dois sofás brancos no centro, uma mesinha de centro, uma mesa de madeira de porte médio com uma cadeira de escritório atrás de si, perto da enorme janela quadrada. A pintura lilás com alguns pontos dourados dá sofisticação ao recinto, que é reforçada com o gesso nos cantos do teto.

A psicóloga jogou a bolsa em um dos sofás e vai se sentar em uma cadeira de palha dourada com almofadas bem confortáveis no assento. Uma cadeira ou poltrona, bem incomum, já que ela é presa ao teto, sem suporte algum no chão.

Eu observo a mulher mediana se sentar muito a vontade na cadeira, prender seu longo cabelo loiro em um coque bem alto, mas deixa algumas mexas cair nos ombros. Ajeita seu short branco e a blusa de mangas curtas vermelha. Depois coloca seus óculos de estilo geek com armadura preta e pega uma prancheta, enfim, olhando para mim.

– Não fique em pé ai na porta, sente-se – diz, olhando o sofá a sua frente. – Eu me chamo Emma e você é?

– Chay Mine – respondo calmamente depois de me sentar.

Eu já li algumas coisas de psicologia e sei que respostas rápidas e impensadas indicam nervosismo e eu não devo revelar isso a ela, pois se essa psicóloga for tão inteligente como acho que é, o meu segredo esta por um fio de ser descoberto.

– Ah, eu já ouvi alguma coisa a seu respeito que a Wendy me contou. – Tipo o quê? Que sou uma mulher e não um homem?, penso desesperada. – Você foi pego – ela diz se inclinando para frente.

Eu quase dou um salto do sofá ao ouvir ela e tento fazer um esforço sobrenatural para aparentar normalidade e não arregalar meus olhos.

– Como assim fui pego?

– A Wendy descobriu tudo.

Aí meu amado caderno de desenho, ferrou de vez. Agora virei bolinho de arroz enlatado, seja lá o que isso signifique.

– Não estou entendendo, senhorita – dou um sorriso sem graça para disfarçar meu desconforto.

– Não se finja de bobo Chay. A Wendy viu que você iria colar, mas decidiu te dar uma segunda chance porque ela sentiu algo de especial em você, o que significa que você fez uma das coisas mais difíceis do mundo; cativou a Wendy. Parabéns!

Meu coração só faltou cair para os pés ao ouvir que se tratava daquilo e não do meu segredo. Reprimo um suspiro de alívio e no interior da minha mente eu canto aleluia e dou graças a Deus.

– Só espero que você seja tão interessante quanto ela me disse. Bem, sem mais delongas, eu irei avaliá-lo e ver se está apto a fazer parte dessa academia. – Ela coloca os pés em cima do estofado e fica em posição de lótus me encarando. – Você parece um pouco tenso. Calma. Isso é só uma consulta, até parece que esta tentando esconder algo de mim – ela solta uma risada gostosa como aquelas de bebê.

– Imagina. Eu não tenho nada a esconder – a acompanho na risada, tentando tirar o nervosismo que se mistura com ela. – Eu não sei muito bem, mas no que essa consulta se baseia para a minha admissão? – pergunto depois que paramos de rir.

– Minha avaliação testa seu QI o QE, que é o seu emocional, seus pontos fortes e fracos, a relação com a sua família, o relacionamento com as pessoas, sua personalidade e outras coisas que implicam em sua admissão.

Em outras palavras: vou ser como uma agente do FBI e se você estiver escondendo algo irei descobrir. Você esta ferrado.

Sim, estou mais que ferrada. Tenho que tentar ser melhor que essa psicóloga e saber como mentir como um mestre.

Agora é tudo ou nada, Faye.

– Bom, para começarmos, me diga quantos anos você tem, que escola frequentou antes daqui, se namora e com quem vive.

– Tenho 16 anos de idade. Estudei na Academia Magnus, que é só para garotos. Não namoro.

Emma me olha, esperando que eu fale sobre a minha família e quando não digo nada ela levanta uma sobrancelha e se inclina mais para frente, obviamente mais interessada sobre o assunto.

– E sua família? – insiste.

– Não gosto de falar muito sobre minha família, pois é complicado – fecho um pouco a cara.

– Você entende que temos que falar de tudo se você quiser passar, não é?

– Sim entendo. – Dou um suspiro pesado e olho a mulher bem nos olhos. – Meus pais são divorciados. Meu pai vive em algum lugar na Inglaterra e minha mãe é quem cuida de mim e da minha irmã.

– Quantos anos têm a sua irmã?

– A mesma que a minha. Somos gêmeos – tento falar sem gaguejar ou hesitar. Tenho que demonstrar confiança ou ela desconfiara.

– Entendo. Então seria muito fácil para você trocar de lugar com ela?

Sim, penso, mas não respondo isso.

– Impossível – digo decidida.

– Por quê?

– Minha irmã gosta de ser uma Miss e começara a frequentar uma academia própria para isso, na Europa.

– Oh, que sorte a dela – ela sorri para mim.

– Muita – respondo, escondendo meu sarcasmo.

Ela me pergunta mais uma porrada de perguntas que tenho que responder tudo, até as mais constrangedoras e me dá duas folhas de papel. A primeira contém alguns exercícios lógicos, para avaliar meu QI e a segunda alguns situações e opções do que eu faria, para avaliar meu QE.

Depois de mais algumas perguntas ela pede para que desenhe o que eu sento naquele momento, me dá uma prancheta e um estojo de pasteis secos. Fico algum tempo pensando no que posso desenhar, até que fecho meus olhos e deixo que meus dedos façam tudo por mim. A todo o momento eu sinto os olhos delas pregados em mim, só desviando por breves segundos para anotar alguma coisa na prancheta a sua frente.

– Acabei – falo sem desviar o olhar do desenho.

– Deixe-me ver, por favor – eu estendo a minha prancheta para ela, que pega e a estuda com olho olhos. – Isso é tudo que você esta sentindo, Chay?

Eu afirmo com a cabeça.

– Muito bem. Dá para ver que você está muito confuso em relação às coisas, mas aqui também está desenhado a confiança e o amor que você tem pela arte. De todos que entrevistei nenhum deles demonstrou essa paixão que você tem pelo seu sonho, mas, não consigo deixar de pensar que você esta escondendo alguma coisa de mim – diz ela, estreitando seus olhos avaliadores para mim.

– Amar a arte não é meu único motivo para tentar passar. Eu vim encontrar uma pessoa que me ajudou muito no passado e preciso agradecê-lo por tudo que me fez – digo com pura sinceridade.

Ela dá um meio sorriso para mim e coloca as duas pranchetas em cima da mesinha de centro.

– Deve ser uma grande pessoa, pela forma que você se refere, mas, infelizmente, a decisão de sua admissão não esta em minhas mãos – ela se levanta e ajeita as roupas.

– Como assim, não é você que decide? – pergunto sem entender mais nada.

Emma solta o cabelo e anda até a porta. Eu sigo cada movimento que ela faz, mas sinceramente me sinto presa em um pesadelo. Como assim não é ela que decide a minha admissão?

– A sua admissão ficou por conta dele – ela abre a porta e eu quase caio para trás quando vejo que o Mozart está entrando no consultório.

Me levanto em um pulo e fico encarando os dois com uma cara de monga sem senso de direção.

– Alguém pode me explicar o que esta acontecendo? Por que o Mozart esta aqui e onde esta o seu gesso na perna? – pergunto olhando para a perna dele, que antes havia um gesso cheio de assinaturas.

– Oi de novo, Chay – Mozart diz sem graça. – Eu ia te explicar antes que você saísse correndo da enfermaria, mas não deu tempo.

– Explicar o quê? E cadê o seu gesso, oh simpatia? – pergunto quase entrando em histeria e minha cabeça já começa a rodar.

– Tudo que você fez por mim fazia parte do teste psicológico, para avaliarmos se você é uma pessoa generosa e ajuda a quem precisa. Você mais que ninguém tem tudo isso e muito mais. – Ele vira o rosto e olha para Emma. – Ele realmente subiu em cima da árvore e pegou a Cookie, mas acabou caindo lá de cima.

– Ainda não estou entendendo muito bem – digo, sentando no sofá e segurando a cabeça entre as mãos.

– Chay – Emma chama a minha atenção e levanto a cabeça, ainda entre as mãos. – Eu sou na verdade uma professora de teatro, não a psicóloga e o Mozart é um dos meus alunos. Nosso trabalho é avaliar os novos alunos da academia e sempre fazemos esse teste de generosidade.

– Nunca achei que encontraríamos uma pessoa tão esforçada como você e por isso temos a honra de dizer que você passou. Parabéns!

– Você pode repetir isso, por favor – peço, com medo de meus ouvidos estarem me pregando uma peça.

Mozart sorri para mim e olha para Emma que também esta com uma expressão feliz no rosto e volta a falar.

– Chay Mine, você passou no teste de admissão da Academia de Artes Royal. Parabéns!

Não, meus ouvidos ouviram direitinho todas as palavras, não é por falta de cotonete.

Com certeza eu cairia se já não estivesse sentada, mas não consigo conter a emoção e as lágrimas começam a cair de meus olhos.

Enfim, eu passei, que dizer, o Chay passou.

VIVA EU!!

Notas finais
Acho que surpreendi a todos com esse final, não é? Só não morram do coração, por favor.

Espero que estejam gostando, pois ainda não acabou, na verdade, agora que tudo ficara mais interessante.

Não percam!