Sonhos Distorcidos

5 Capítulo 4 - Descoberta, prazer sou Sakura


Notas iniciais
Estou impressionada, estão gostando muito dessa fic. Fico tão com isso.
Então vamos para o tão espera final de semana

O dia estava ensolarado e quente. E Sakura estava muito animada para colocar um certo plano em pratica, mas primeiro teria que escolher o que usar e como esconder sua real identidade.

— Droga! O que vou usar? – encarou o bolo de roupas em cima da cama, sem conseguir montar nada. – Não posso ir de casaco ou blazer. Vou comer uma pizza, não jantar com o presidente – jogou, sem dobrar, todos os casacos e roupas de frio dentro do closet.

Continuou com suas dúvidas internas. Pelo menos Sasuke não estava presente, ao menos no final de semana todinho. Ele havia recebido uma ligação urgente da família e ido, contra a vontade e nada, mais nada contente, para casa.

Por fim, pegou uma camiseta azul piscina e uma calça preta jeans. Ótimo. Agora só faltava arrumar o cabelo e colocar a peruca... Mas onde estava a peruca? Vasculhou pelo quarto, sem sucesso. Foi até o banheiro procurar, nada. Onde ela poderia estar? Não poderia ter sido raptada ou sair andando por ai. Foi até a varanda. Não era provável que a peruca estivesse ali, mas na via das dúvidas.

A notícia boa é que achou sua peruca. A má é que estava na boca de um gato no para-peito da varanda. Para que diabos um gato estaria com uma peruca na boca? Quais as possibilidades disso acontecer? 0, 000001? Mas não estamos em um comercial da Coca-Cola Zero e muito menos a possibilidade é para coisas boas.

— Vem cá gatinho bonitinho – andou até o gato preto lentamente. Pelo menos tinha chamado a atenção dele, mas agora ele estava mais na berrada da varanda, encarando-a com olhos felinos desafiadores. Parecia pronto para jogar a peruca se ela desse mais um passo. Sakura enrijeceu no mesmo instante no lugar. – Não gatinho. Você não pode fazer isso. Dá isso aqui para a Sakura, dá – esticou o braço para ele. Mas o gato birrento começou a abrir a boca para soltar, não para ela, mas para cair no jardim abaixo deles. – Não faça isso gatinho bonitinho. Eu preciso muito disso. Dê para mim, fofo.

Ficou alguns minutos tentando convencer o bichano a dar-lhe seus cabelos.

Uma batida na porta fez a garota parar de tentar negociar com o animal.

— Chay? Você está ai? É a Ino. Estamos atrasados para encontrar o Sasori-san e os outros. Abre a porta, por favor.

— Já vou Ino. Estou terminando de me arrumar. Espera só um momento ai fora – disse, procurando sua voz masculina interior e tentando reprimir o pânico que começava a lhe abater.

— Por que não abre? Eu fico no quarto enquanto se troca no banheiro – insistiu.

— Não. Eu gosto de me trocar no quarto. Não entre. Estou pelado – dizendo isso voltou atenção para o gato, estava somente a alguns passos dele, e ele mais perto de jogar a peruca.

Nunca vi um gato tão birrento como esse, pensou.

— Cansei bichano. Me dá essa peruca de uma vez, gato do inferno – sua voz saiu quase um sussurro, mas autoritária. Realmente cansada, ela se lançou para cima do gato, que soltou a peruca assustado e fugiu para a varanda do lado. – NÃO! – gritou, se lançou contra o para-peito, inclinando as mãos para pega-la.

— Tudo bem Chay? – perguntou Ino assustada com o grito. – Alguém gritou. Você está com uma garota ai dentro, é isso?

A rosada se apressou para arrumar o cabelo e tratar de colocar a peruca.

— Abre Chay. Eu quero entrar, agora – pegou na maçaneta, mas a porta estava fechada. – Abre!

— Claro que não Ino – falou abrindo a porta, ela entrou rapidamente, vasculhando o recinto com os olhos. Estranho. Mas ela lembrava muito uma namorada ciumenta histérica. Sinistro.

— Então, quem gritou?

— Foi a TV. Ótimo som em HD tevê – mentiu dando um sorriso falso. – Vamos? Você mesma disse que estávamos atrasados. – disse, ainda com a mão na maçaneta com a porta aberta.

Ela achou estranho, mas não discutiu. Segurou mais firme sua bolsa preta, ajeitou seu vestido florido rodado, saindo em seguida.

Sasori já estava na mesa conversando animado com dois garotos e uma garota de cabelo azul. As duas andaram até a mesa, de vez de cadeiras era um sofá vermelho de couro recostado na parede. Todos estavam ali e ao verem as duas se aproximando deram mais espaço para elas.

— Oi gente – disse Sakura esboçando seu melhor sorriso para todos que retribuíram. – Essa é minha amiga Yamanaka Ino.

— Prazer – falou tímida, sentando-se ao lado da rosada.

Sakura e Ino foram apresentados a todos, um deles era um garoto ruivo que parecia um pouco estranho, junto com seus pierces e a cara de tédio, ele se chama Pain; namorado de Konan, a garota de cabelo azul com uma grande rosa branca no cabelo e por ultimo Deidara, aluno de desenho e escultura do segundo ano, um loiro com uma franja cobrindo um dos olhos azuis, ele parecia bem emo para o gosto dela. Pessoas estranhas, mas muito legais.

Em pouco tempo entraram em uma conversa anima, todos, incluindo Ino, que acabou de chegar, mas já fez amizade com a garota de cabelo azul.

— Vamos pegar as pizzas – disse Sasori se levantando do acento. – Me ajude Chay – pediu.

Ela estranhou. Por que precisava de ajuda para carregar quatro pizzas? Sem reclamar segui-o até o balcão.

— Gosta dela? – perguntou o ruivo depois de fazer o pedido a balconista.

— O que? Não. Ela é só uma amiga – respondeu atropelando as palavras. – Po-por que a pergunta?

— Você parece um pouco solitário. Só pensei que gostaria de ter uma namorada.

— Não me sinto solitário. E mesmo que pareço afeminado não preciso de uma mulher para me sentir melhor – disse com raiva. Merda! Por que acham que ela precisa de alguém? Ele não a chamou aqui para ficar com essa conversinha fiada, não é?

Ficaram um minuto em silêncio. Ele parecia constrangido pelo que falou, só não sabia muito bem o porquê, ta certo que ele é inglês e educado, mas adora ser brincalhão com os amigos. Mas era diferente com Chay, ele parecia frágil ao mesmo tempo em que parecia forte, doce e rebelde, além de muito imprevisível. São coisas que ele adoraria encontrar em uma garota, pena que nunca achou tudo isso em uma só e Chay é homem. Sem chances.

Mas ficou horrivelmente sentido por ter magoado-o.

— Olha, desculpe-me. Eu sei que muitos têm falado o quão afeminado você parece... – essa declaração não ajudava em nada –... mas só achei... bem eu pensei que...

Sakura o interrompeu, farta de tudo, mas ainda sim seu coração estava batendo descompassado e sua pele estava começando a queimar. O que isso significa?

— Tudo bem. Eu entendi. Não precisa tentar achar outras palavras. Sei muito bem o que falam de mim e não ligo – não era totalmente verdade.

A balconista voltou com os pedidos prontos, mesmo falando que eles poderiam ter ido para a mesa e esperar as pizzas, mas queriam esperar, afinal, não poderiam ter aquela conversa com todos.

— Eu só queria dizer... – foi interrompido mais uma vez pela garota, mesmo sentindo todas essas emoções sua raiva pela conversa era maior. Não via à hora do plano acabar.

— Vamos. Todos já esperaram demais – pegou duas bandejas com as mãos e começou a se encaminhar para a mesa, deixando um ruivo muito confuso e arrependido.

Não era seu gênero ser grosseiro com as pessoas ou se sentir muito culpado por algo, mas agora se sentia uma pessoa ruim. Merda! Tinha sido tão mal-educado assim? Talvez sutileza não fosse seu forte.

Pegou as outras duas bandejas e se encaminhou para a mesa. Quando chegou Chay já estava lá e parecia muito animado, como se não estivesse bravo com a conversa de minutos atrás. Ele sabia disfarçar seu desconforto, talvez desse fazer teatro.

Conversa e pizzas não faltavam naquela mesa, talvez uma das mais animadas. Todos estavam se entendendo muito bem, até mesmo quem não era do grupo. Pain com sua cara de tédio e piercing assustava na primeira olhada, mas era o que mais falava e não perdia uma piada, Konan era mais contida, mas adorava brincar um pouco e rir. Sasori era bem divertido, mas o mais tímido. Quem diria que até os populares eram tímidos.

— Está sujo aqui – disse Ino ao lado de Sakura. Colocando o indicador no canto da boca. – Você sujou de mussarela.

— Onde? – passou a mão na boca, tentado limpar.

— Ainda esta ai. Espera – pegou um guardanapo, levando de encontro ao rosto da garota. – Pronto. Agora limpou – deu um sorriso, mas seus olhos tinham um brilho estranho, e parecia que Sakura não era a única a perceber. Sasori olhava a cena com uma feição feliz, mas com uma mistura de alguma outra emoção, que ela não sabia definir se era surpresa ou... ciúmes? Sem chances! Não é?

— O-obrigada – murmurou sem jeito.

O celular vibrou no bolso da calça da rosada. Sutilmente viu a mensagem mandada pela amiga por de baixo da mesa.

Já chegamos. Acabei de achar sua mesa. O plano entrara em pratica em 3... 2... 1...

— Não acredito. Chay, é você mesmo? – perguntou a garota de cabelo castanho-claro, olhos mel em um vestido preto tubinho de alcinha de arrasar, não sabia como ela entrou nele, pois parecia próprio para modelo, mas estava linda e chamando a atenção dos homens da lanchonete.

— Oi – disse com hesitação, estranhando ela.

— Você a conhece? – Perguntou Ino enciumada. Até os rapazes da mesa babavam pela garota.

— Não que eu lembre.

— Sou eu... Tenten. A gente namorou alguns meses... Nossa! Foi o melhor namoro da minha vida.

Sakura sentia todos os olhares para sua mesa, entreolhando dela para Tenten.

— CHAY! – gritou outra garota, em uma saia justíssima com uma regata branca. – Senti tanto a sua falta, você disse que iria ligar, mas não ligou. Olha, fui uma idiota. Eu me senti horrível, você foi o melhor homem que passou na minha vida – aproximou-se da mesa, mexeu em uma mexa do cabelo loiro preso em duas Marias-chiquinhas com o restante solto caindo nas costas.

— Oi Temari. Quanto tempo.

— Quem é você? – perguntou Tenten no mesmo tom de ciúmes de Ino há alguns instantes atrás.

— Temari, a ex-namorada dele. Quem é você? – a desafiou perguntando enquanto olhava para ela de cima a baixo com desdém.

— Ex-namora, também.

Outra garota, dessa vez em estilo mais fofa, com vestido florido armado veio vagarosamente até eles.

— O-oi Chay – falou tímida, olhando seus próprios pés, contorcendo a bainha do vestido. – So-sou Ri-Rin. Ta-talvez você não se lembre de mim, mas saímos a algumas semanas.

— Mais uma?! Não é possível. Que concorrência! – declarou Tenten, fuzilando as três.

As três começaram a discutir entre si. Na verdade quem discutia era Tenten e Temari, Rin só fazia careta e imitia um gemido estranho.

— Chega! – exclamou Tenten, calando as outras. – Chay. – pegou na mão da rosada e levantou-a, ficando de frente para as três – Querido, fale para essas duas que é a mim que você ama e quer voltar.

Ela arregalou os olhos. As coisas estavam se complicando. E ela estava muito contente por dentro, tudo estava indo ótimo.

— Que? Não. O que te faz pensar que ele gosta de você e não de mim? – Temari colocou as mãos nos quadris, assustadora e desafiadora.

— Porque, querida, é a mim que ele gosta. Tenho certeza. Fala para ela Chay.

— Eu.. bem... meninas, por favor – pediu, assustada. O que fez as duas ignorarem Sakura e voltarem a discutir entre si.

Até cada uma delas pegar o braço da garota e começar a puxá-lo com força, uma de cada lado. Só faltavam sair no tapa. O grupo da mesa já estava pronto para entrar na briga verbal das garotas, cansados daquela gritaria toda. Mas alguém foi mais rápido que eles, alguém que ninguém esperaria.

— QUIETAS! – Gritou Rin, ofegante com o simples esforço de gritar. – Fiquem quietas. Deixe que o Chay decida ou fale alguma coisa.

Isso calou a todos. As garotas largaram os braços da rosada. Todos os olhares se voltaram para Sakura, esperando que falasse algo.

— Meninas. Todas vocês são lindas e vivi momentos muito bonitos com cada uma a sua maneira, mas não posso escolher nenhuma de vocês.

— Mas por quê? – perguntou as três em uníssono com voz chorosa.

— Porque... porque... – ela olhou para a mesa com os amigos, olhou cada um rapidamente, mas seu olhar pendurou em cima de Sasori e logo depois para Ino, para disfarçar a cor carmim da pele recém adquirida –... porque já gosto de outra pessoa. Não seria justo com nenhuma de vocês.

As três fizeram bico e fungaram, evitando que as lágrimas corressem. De queixo erguido, cada uma abraçou e deu um beijo na bochecha dela.

— Muito obrigada Chay, você realmente é um homem de verdade.

Dizendo isso lá se foram as meninas, embora e chorando melancólicas.

A atenção ainda estava na mesa dos Akatsukis, mas logo todos decidiram voltar a cuidar das suas vidas. Todos, menos as pessoas da mesa.

— O que foi isso Chay? – perguntou a loira incrédula.

— Minhas ex-namoradas. Elas vivem me seguindo para tentar voltar.

Ninguém estava acreditando nisso, se estavam, estavam muito perplexos para falar alguma coisa. Doidera!

— Ai Chay, eu ouvi falar que você era meio afeminado, mas pelo que acabei de ver e ouvir você é que tava escondendo o jogo. Parceiro me passa essa receita do seu azaro – falou Pain todo divertido, mas fora cutucado pelo cotovelo da namorada bem na costela. – Que foi? Só estava brincando.

— Brincando. Eu vou dar algo para você brincar, a sua cara inchada depois que te der uma surra.

Nossa, as garotas daqui são tão ciumentas e agressivas, isso estava a assustando. Também era assim?

O plano tinha dado mais que certo. Todos haviam visto e estava sendo a fofoca do campus. “Chay é o novo garanhão romântico do pedaço”. Não precisava de tudo isso, mas não podia evitar estar orgulhosa de si e das amigas, afinal, sem elas e o talento dramaturgo de todas não teria conseguido nada disso.

As duas despediram-se de todos. Sakura acompanhou Ino até a porta do alojamento feminino. Seu limite, vestida de homem, era até ali.

— Então, boa noite – deu um sorriso e rezou para que ela só dissesse um ‘boa noite’ também, a loira estava agindo de forma estranha à noite toda com ele e seu extinto feminino não estava gostando nada disso.

— Espera... Eu queria falar uma coisa – deixou seu olhar cair para o chão, mesmo estando só iluminada pela luz do poste ela parecia levemente corada. – E-eu queria dizer... que... – começou a mexer nas mãos, nervosa.

Deus. Por favor, que não seja p que estou pensando!

— Eu... eu... eu gosto de você Chay! – despejou de uma vez, fechando os olhos com força, como se ela fosse lhe estapear e ela só esperasse o impacto contra a pele. Uma resposta que não veio. – Não vai dizer nada? – abriu os olhos novamente, agora um pouco magoada.

— Hum. Bem, Ino, eu não quero que você confunda as coisas. Eu gosto de você também, mas como amiga, só isso.

— Mas, na lanchonete, você disse que gostava de alguém e olhou para mim quando disse. Eu tenho certeza. Eu vi – a voz da garota estava uma mistura de melancolia, junto com raiva demasiada.

— Eu disse aquilo para minhas ex irem embora. Desculpe se achou que foi para você. Só quero que não confunda. Eu gosto muito de você, mas como amiga.

Ela baixou a cabeça, impedindo que ela visse seus olhos. Sakura se sentia muito triste por falar cada palavra, mas era preciso, mesmo gostando muito da amiga, não poderia deixar que ela se iludisse. Por um instante pensou em tirar a peruca e revelar que na verdade era uma garota, tudo para não perde-la, mas desistiu, tinha vindo aqui para percorrer seu sonho, não podei fazer isso.

— Me desculpe Ino. Eu só não quero que sofra.

Um minuto se passou e ela nada disse. Depois voltou a olhar para a rosada, com um sorriso forçado nos lábios e os olhos azuis brilhando com suas lágrimas.

— Tudo bem. Eu só queria te dizer, não esperava que correspondesse. Só queria que soubesse, mas acho que foi uma idéia ruim – deu um suspiro de derrota e deu as costas. – Boa noite Chay – abriu a porta do dormitório.

— Espera Ino – pegou na mão dela. – Posso subir para seu quarto?

Ela arregalou os olhos e ficou corada no mesmo segundo.

— O-o que...? Não! Eu achei que você era diferente dos outros, mas vejo que é idiota igual a todos! – vociferou tentando puxar o pulso das mãos dela.

— Não é nada disso que você está pensando garota. Tenho que te mostrar uma coisa. Ai você vai entender porque não pode ficar comigo. – Ela olhou-a desconfiada. – Por favor... – pediu, soltando o pulso da mesma.

Ino ficou olhando-a, apurando a idéia de sair correndo e gritando “tarado” por todos os corredores, mas ao olhar naqueles grandes olhos verdes algo dizia que ele realmente queria mostrar algo importante para ela.

— Não faça barulho nenhum. Se a monitora nos pegar estaremos fritos. Venha – disse indo na frente.

Era loucura? Sim, muita. Ela sabia que tinha dito que não iria fazer nada disso por causa do seu sonho, mas não queria perder uma amizade, nisso era igual a seu irmão, sempre prioriza as amizades e entes queridos.

O quarto de Ino era uma mistura incrível de cor-de-rosa, coisas fofas com toque rock, lilás, muito tecido por toda parte, desenhos de modelos com roupas deslumbrantes e manequins de toda forma. Estranho. Lembrava um pouco seu velho quarto, a diferença era só do lilás, as coisas de moda e do toque roqueiro, um toque que ela queria muito no seu quarto. Mas o quarto dela era igual a ela, uma menininha fofa.

— Pode se sentar onde quiser, na cama, em uma cadeira, num puff ou no chão – dizia atropelando cada palavra, estava nervosa, nunca antes um garoto colocara seus pés ali dentro.

O quarto parecia maior que o dela, mas com duas camas encostadas em extremidades opostas das paredes, uma mesa com computador no meio, uma coluna em forma de arco dava lugar a uma pequena sala de estar, com sofás, puffs, uma mesinha de centro e a tevê de tela plana. Não era tão simples assim.

— Cadê sua colega de quarto? – observou.

— Não sei. Ou foi para casa ou esta enfiada no quarto do namorado.

A loira se sentou na outra cama, do outro lado do quarto, ficou só observando Sakura andando pelo quarto e pegando um objeto aqui outro ali e dando uma olhadinha.

— Pode falar o que é logo?! Estou ficando irritada de ter que esperar.

— Hum. Claro – parou no meio do corredor, de frente para ela. – Olha Ino, o que vou falar e mostrar não pode sair daqui. Estou arriscando meu pescoço. Tudo bem?

Agora ela estava mais curiosa. Não é possível. Ele realmente é gay? É isso?! Pensou assustada.

Sakura respirou fundo. Já tinha chegado até aqui, não poderia mais dar para trás. Levou uma das mãos a cabeça, tirando a peruca, a rede de cabelo e os grampos, deixando as madeixas roses caírem como cascata pelas costas.

— Me chamo Haruno Sakura. Sou irmã gêmea do Chay... Rá – abriu os braços como se fosse uma surpresa, falando com sua voz feminina.

Ino ficou pasma e sem reação. Ficou olhando para a garota estranha a sua frente vestida de homem, ela só conseguia piscar, nada mais.

— Ino... fala alguma coisa, grita, desmaia, sei lá. Mas faz alguma coisa. Para de me encarar com esses olhos azuis que só piscam. Está me assustando.

Ela se levantou da cama, encaminhando-se até Sakura. Parou de frente a ela, sem dizer nada. Olhou-a de cima a baixo, pegou uma madeixa rosa, observando mais de perto e por último deu um tapa na face da jovem.

— Ai! – balançou a cabeça incrédula. Colocou a mão que segurava a peruca na bochecha ardente. – O que deu em você? Sei que é estranho e menti, mas não precisava me bater.

— Você é mesmo mulher. Você é uma mulher. Meu Deus...! – afundou as mãos no cabelo, voltando a sentar-se a cama –... você é uma garota. Eu estou apaixonada por uma mulher... Então sou lésbica? – perguntou encarando o nada.

Sakura não achou que ela iria pirar tanto, nem que iria lhe dar um tapa e achar que é lésbica, mas tudo bem, isso é mesmo muita loucura.

— Ino, você não é lésbica, eu acho. Você só achou que eu era meu irmão, não a culpo – começou a andar até ela.

— Não. Não se aproxima! Eu não acredito que cai nessa. Você é louca ou o que? – levantou-se, estreitando os olhos com ódio. A situação estava fugindo do controle.

— Não. Eu só queria entrar para essa escola. Só isso.

— Não vou deixar você continuar com isso. Vou agora te desmascarar para o diretor, sua farsante.

Correu até a porta, alcançando a maçaneta.

— NÃO! – Gritou Sakura desesperada.

A rosada correu desesperada até a amiga. Rapidamente prendeu os braços da loira nas costas. Encostou todo o corpo dela na porta, trancada.

— Me desculpe ser grosseira assim, mas se fizer isso vai arruinar minha vida e terei que ir para uma Academia de Miss, na Europa. Eu não quero ir. Prefiro morrer primeiro.

— Eu... não tenho nada... haver com... isso – disse a garota empresada na porta, com dificuldade das palavras saírem com sua cara torta e ofegante.

— Só me escuta, por favor. Se depois que te falar minha história ainda quiser contar para o diretor não vou te impedir. Tudo bem?

— Ta.

Desprendeu os braços da mesma, indo se sentarem na cama, uma do lado da outra. Ino massageava o rosto machucado da porta, com muita raiva.

Sakura começou a contar toda a história. Falou que sua mãe nunca ligou para o que ela queria e sim ser uma Miss, o sonho dela, não da menina. Contou sobre o sonho que compartilhava com o irmão e que ele fora para o Japão por seis meses. Falou da idéia insana que teve depois que sua mãe não cumprira a promessa de mandá-la para a escola de artes.

— É isso. Me desculpe se menti. Mas menti por causa do meu sonho. Quero provar que sou capaz de fazer isso, mesmo assim – sua voz assumia uma melancolia desconhecida e seus olhos começaram a arder. Droga!

A loira não disse uma palavra enquanto ela contava tudo, mas continuava com a carranca raivosa.

— Você ainda quer contar?

— Quero – saiu correndo.

Sakura agarrou os longos cabelos dela, enquanto com a outra mão prendia os braços novamente atrás das costas. Encostou o rosto de Ino no chão, e colocou um joelho em cima dela para que não escapasse. Droga. Não tinha entendi nada do que disse?!

— SAI DE CIMA DE MIM! VOCÊ DISSE QUE NÃO IA IMPEDIR! – Gritou, mas seu grito foi abafado pelo tapete do chão.

— Que merda Ino. Você não entendeu nada do que eu te falei? – sem esperar resposta: – Eu confiei em você, me arrisquei para contar a verdade e agora você quer me entregar. Acho que me enganei. Você não era a amiga que pensei que era – declarou magoada.

— Ta bom.

— O que? – virou o rosto dela de perfil, para que pudesse falar melhor.

— Eu disse: Ta bom. Eu não vou contar. Eu te entendo e faria a mesma coisa.

— Ah Ino, eu sabia que você não era assim – estava quase chorando de felicidade, não tinha feito a escolha errada.

— Agora sai de cima de mim. Você é bem pesada, sabia disso?!

— Desculpe.

Ajudou-a a levantar-se.

— Você é muito violenta garota – repreendeu-a séria.

O clima estava um pouco tenso, mesmo a miga prometendo que não iria contar, elas sabiam que não seria nada fácil de agora em diante, com Ino sabendo do segredo, principalmente depois de ter sido violenta com ela. Uma coisa que surpreendeu Sakura, ela não sabia que sabia esses golpes.

— Acho... acho que agora sou sua cúmplice, Sakura – a loira estendeu a mão para ela, com um sorriso radiante.

Notas finais
Mereço comentarios? Tomare que sim...