Sonhos

1 Cena I – Ato I – O dormir


Notas iniciais
Não liguem para o título do capítulo. Todos serão mais ou menos assim. É que eu acho bonito ^^

A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez

Habitam nosso espírito e o corpo viciam,

E adoráveis remorsos sempre nos saciam,

Como o mendigo exibe a sua sordidez.

Fiéis ao pecado, a contrição nos amordaça;

Impomos alto preço à infâmia confessada,

E alegres retornamos à lodosa estrada,

Na ilusão de que o pranto as nódoas nos desfaça.


O som da noite já fora atrativo para mim, mas agora não passa de uma triste anunciação da morte. Minha mente descansaria tranqüila em uma miserável noite. Hoje, minha mente leva-me a lugares impensáveis e mágicos. Oh, como eu gostaria que minhas fantasias se tornassem reais e eu poderia sair deste mundo gélido como as mãos do meu amado.

É um ciclo vicioso e um paradoxo. A morte é dolorida todas as vezes, mas é prazerosa. É algo único, uma libertação que até hoje não tive. Libertação que somente meu querido imortal deu-me, algo que ele roga em meus sonhos silenciosamente com os olhos suplicando saída.

Como é incrível a mente humana, que consegue criar enredos magníficos e caracterizar com detalhes mínimos algo que jamais fora visto. Como no meu caso. Seus olhos azuis cristalinos como o brilho de diamantes, seus lábios avermelhados, suas palavras perfeitamente ensaiadas sem nenhum erro, sua pele pálida, seus cabelos negros longos que descem como cascatas e suas cicatrizes nas costas, símbolo da guerra que ele lutara.

Ao deitar na minha cama, na noite tenebrosa, fecho os olhos e vejo aquilo que esperei o dia inteiro. Aos poucos, o perfume vem no ar, o teto se desprende do meu quarto, as pétalas de rosas vermelhas com seu perfume inebriante e enjoativo rodeiam-me vagarosamente, a grama vai invadindo o chão de madeira, o céu é nublado e escuro. Tudo é sonho. Até a invasão da morte.

As árvores altas e cheias de musgo perto demais estão de mim. Consigo sentir o cheiro de terra molhada e gotas de orvalho caem no meu lençol. As pétalas vermelhas que rodeavam-me vão se transformando, gradativamente, em pétalas negras mais escuras que o céu de uma noite sem lua. Era hora de ir ao encontro com a morte.

Saí de minha cama e comecei a andar por meios das árvores e animais perdidos. Quando, menos da metade do caminho, olhei para trás, minha cama já havia desaparecido. Andando por caminhos estreitos ora largos, podem-se encontrar milhares armadilhas naturais que eu, por tanto já ter vindo, não caio.

Aos poucos as arvores vão diminuindo e aparece o castelo.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^