Sonhos

2 Cena I – Ato II – O castelo


Notas iniciais
Mais um capítulo ^^

O portão preto grande, quase na altura de uma árvore, de ferro tinha, no topo, um brasão que parecia uma boca de leão engolindo uma cobra e uma fechadura em forma de coração, só que nele havia pequenos desenhos e letras, creio que em latim.

A chave, que somente eu tinha, encaixava-se perfeitamente na fechadura. Quando rodeie a chave, que tinha um lindo rubi, o portão fez um “clic” e abriu-se. Há ainda muito chão a percorrer.

A calçada de alvenaria já não pode mais ser vista, só pequenos pedaços que foram salvos da invasão do capim não mais cortado. As árvores não possuem mais o brilho de árvores bem cuidadas e as flores estão já murchas com aquela coloração marrom solitária.

Depois de andar muito, com o céu ainda nublado, cheguei em frente ao castelo. Enorme, cheio de janelas embaçadas, com poeira nos cantos, com suas torres já caídas e com seu aspecto triste e solitário. Um castelo que já foi belo, mas agora só resta a lembrança.

Sete degraus até a entrada da porta.

A porta era quase do mesmo tamanho que o portão. A maçaneta era feita de vidro, mas este estava tão empoeirado que não dava para notar do que era; somente eu que notara. Perto da maçaneta, uma belíssima aldrava com um desenho de dragão feito de ferro escuro. Eu não precisava bater, pois a porta estava sempre aberta a quem quisesse entrar e eu já havia entrado.

O castelo era magnífico por dentro, porém, creio eu, que já fora muito mais belo antigamente. No salão principal, o lugar onde eu me encontrava, havia uma enorme escada larga e com vários degraus feita de mármore que, é claro, estava marrom agora e outras muitas portas. O salão era enorme, dando a impressão de que era ali que ocorriam os bailes antigos. Quadro antigos com temas relacionados a mitologia grega enfeitavam as paredes e o chão, também de mármore, estava tão empoeirado que meus pés deixavam marcas brancas por onde eu pisava.

Quando entrei dentro daquele ilustríssimo castelo, senti meu coração acelerar e percebi que a tal hora estava chegando. Meu olhos ameaçavam soltar lágrimas e, por mais que eu detivesse, uma desprendeu-se dos meus olhos. Ela rolou pelo meu rosto lentamente, aproveitando a viagem antes de cair no chão e sentindo a dor que meu coração reclamava, e quando chegou ao chão fez um barulho. Um barulho muito mais alto do que uma lágrima seria capaz de fazer. Olhei para baixo e encontrei um diamante em forma de lágrima.

Oh, minha dor aumentou e minha cabeça doeu. Porque torturar-me antes de dar-me aquilo que, toda minha vida, eu neguei a existência e fugi?

Subi os degraus. Lentamente. Evitando que mais lágrimas caíssem. Puxando firme o ar. Sentia a brisa vinda de uma janela quebrada.

A escada se dividia em dois caminhos. O da direita: que dava para uma vista mais ampla do salão e às varandas, e o da esquerda: que dava em direção a um corredor escuro com várias portas. Fui para esquerda.

Ao chegar ao corredor, a escuridão percorria meu corpo, minha visão embaralhava-se, sentia tudo ao redor de mim rodar e rodar. As lamparinas começaram a acender-se uma por uma, da última até a que estava mais perto de mim. E a cada uma que acendia, ao seu redor, tudo transformava-se, tudo inovava-se.

As paredes deixavam de ficar empoeiradas, os quadros ficaram com um aspecto novíssimo, a madeira das portas ficou mais brilhante que verniz, os detalhes – dourados como ouro- deixaram de ser marrom, o chão de mármore ficou mais branco que a luz da lua.

Quando a luz perto de mim acendeu-se, o clarão foi muito forte, fazendo-me tampar os olhos com a mão e não ver o resto do espetáculo.

Notas finais
Beijos, :*