Notas iniciais

Capítulo (ainda) não revisado.

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– Kagome! – A mãe gritava, batendo na porta. – Café da manhã!

A garota resmungou qualquer coisa, rolando na cama. Depois de pensar, durante dez minutos, se valeria a pena ir ao colégio naquele dia, levantou-se (pensando seriamente em matar aula) e foi tomar seu banho.

Enquanto a água quente aliviava o frio da manhã, se lembrava da aula anterior de física. Ele disse que ia dar uma aula de física moderna... Deve melhorar um pouco o meu dia...

Saiu de casa sem comer nada. Assim que fechou a porta, ouviu a mãe chamando. Antes de se virar, tomou um segundo para se controlar e não soltar uma reclamação.

– Lembre-se de que o seu avô quer vê-la. Falei que você iria para lá depois da aula. – Fechou os punhos, mas manteve a face serena.

– Tudo bem, mãe... – Quem olhasse, juraria que era a encarnação da calma, embora por dentro estivesse quase explodindo de ódio.

Não bastasse o péssimo dia de aula, sua mãe arranjava-lhe compromissos irrecusáveis, mesmo sem saber de seus planos. Juro que ainda fujo de casa. Mas antes preciso de um lugar para ficar. E de dinheiro.

Parou, por um instante, esperando o sinal abrir. Pensando bem, não é comum o vovô pedir isso... Ele sempre anda viajando e só fala comigo pela internet... Interrompeu seus pensamentos ao ver a discreta luz verde dizer “ande”. E, durante todo o trajeto, resolveu não reevocar o assunto.

Antes de ir ao colégio, passou primeiro no Fantasia Real, um pequeno sebo que ficava no caminho.

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A sorte resolveu dar um leve, muito pequeno e tímido sorrisinho a ela, entregando-lhe o livro que andara procurando a um mês, garantindo uma distração durante as tediosas horas de estudo forçado.

Nos últimos dois tempos, porém, guardou o surrado exemplar de Stephen Hawking na desgastada mochila jeans, puxando um envelhecido caderno de capa negra, o qual usava para anotações interessantes ou importantes. A aula de física prometia animar seu dia.

– Olá, turma! – O professor, o único que Kagome gostava. O único que ensinava o que ela queria aprender. Era meio careca (ainda tinha algum cabelo nos lados e atrás da cabeça) e um pouco gordo, o que o tornava, somente pela aparência, uma figura levemente cômica. – Hoje a aula será no áudio. Venham! – E saiu cantarolando: – É hora de encher suas cabeças ocas! / Vou lhes ensinar, / E no vestibular irão passar! / Entrem por essas portas / E seus sonhos irão se realizar! / Essas cabeças vazias como um HD novo / Serão cobertas por mim de ovo! – Por alguma razão, a garota sorriu. Não um riso aberto de quem vive uma vida feliz, mas um riso fraco de quem valoriza os momentos que pode.

A canção improvisada encheu os silenciosos corredores durante o tedioso trajeto.

Sem largar o caderno, seguiu o resto da turma, ignorando os comentários sarcásticos a seu respeito.

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Apertou um botão no controle, passando para outro slide, que mostrava a galáxia M106. Apertou novamente, e dessa vez, a Centaurus. Mais uma vez e a imagem curiosa da galáxia M104 apareceu.

– E esses são uns poucos exemplos que se podem encontrar com uma pesquisa rápida na net. E agora... – Apertou o botão mais uma vez, fazendo a tela escurecer e tocar uma música de suspense. – Chegamos ao momento crítico! Ao momento que todos esperavam! Aquele que todos queriam ver! À parte mais importante da aula! À... Bem, estou sem mais expressões. – Falou como se pedisse desculpas. Uns poucos alunos riram da piada (Kagome entre eles). Apertando o botão, continuou: – Agora vocês estão vendo duas galáxias em processo de colisão... – Virou-se, apontando o laser vermelho para o slide que destacava os seios de uma mulher. – Cuidado garotões, não fiquem muito animados, ein? – Piscou, maroto. O próximo destacava o corpo de um homem sarado na academia. – E nem vocês, garotas. – Piscou, retornando à aula.

O som agudo do sinal tocou, indicando o tão esperado fim das aulas do dia, e acordando os que dormiam nas salas (que não eram poucos).

– Muito bem, essa aula termina amanhã – anunciou o professor. – Sempre lembrando que essa será nossa última aula antes das provas, portanto sugiro que aproveitem para entender a matéria. E, claro, é uma aula opcional, não cobrarei presença. A matéria da prova irá até circuitos elétricos, vou poupar vocês um pouco. Mas isso não significa que vai ser fácil! – Fez uma pausa enquanto desligava e guardava a aparelhagem, ajudado pelos poucos alunos que presenciaram as aulas do dia – a maioria, diga-se de passagem, foi por obrigação. – Antes de irem embora, enfiem algum juízo nessas cabeças ocas e usem camisinha! Se eu vir uma garota grávida nessa sala, mato os dois!

Ótimo, pensou Kagome, aula opcional e sou obrigada a vir! Mesmo assim, não deixou de rir com o comentário costumeiro do professor.

Voltaram para a sala de aula apenas para arrumarem as mochilas, desacompanhados do professor, que decidira sair um pouco mais cedo por causa do aniversário da filha, ou algo assim.

Kagome arrumou as poucas coisas que havia tirado da mochila, colocando-as apressadamente em seus lugares.

Porém, antes que pudesse pensar em como juntaria dinheiro para enfim fugir de casa, por uma fração de segundo – tempo suficiente para sugá-la – as branas de dois mundos se encontraram, criando uma porta, uma passagem segura pelas dimensões extras.

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Notas finais

Glossário:
- Branas:

Um objeto, que parece ser um ingrediente fundamental da Teoria-M, que pode ter várias dimensões espaciais. Em geral, uma p-brana tem comprimento em p direçoes, uma 1-brana é uma corda, uma 2-brana, uma superfície, etc. (retirado do glossário do livro "O Universo em uma Casca de Noz",de Stephen Hawking.)