Notas iniciais
Capítulo (ainda) não revisado.

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Kagome olhava entediada pela janela da sua sala de aula.


O mundo lá fora, frio, não chegava a perceber sua humilde presença dentro de si, ou, se percebia, não se importava. E a solidão que preenchia a garota era o seu pior castigo por ter dado as costas aos seus poderes espirituais.


– Vai ser um longo dia... – Pensou, com desgosto. Lá fora, uma pequena andorinha de penugem negra percorria os céus.


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Seus cabelos prateados balançavam com o vento, vez e outra se agitando, quando dava um novo pulo. Suas orelhas caninas logo ouviram uma voz masculina chamando-o.


– Inuyasha! – Olhou para trás, um amigo o chamava. Ou o que mais chegava perto de ser um amigo.


Diminuiu o ritmo, mas não parou, esperando que o outro o alcançasse.


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Um enorme lago de coloração azulada percorria a vista de quem passasse por ali, quase tocando o horizonte.


Perto de sua margem, um casal chamava a atenção, não por serem os únicos no local, mas por treinarem artes marciais ali.


Quase sem querer, Miroku a derruba, e aproveita a oportunidade para apontar seu cajado contra o pescoço dela.


– Desiste? – Diz, sorridente.


– Nunca. – Retruca Sango, levantando-se agilmente, enquanto se desviava de mais um golpe do namorado. Em suas costas, o logotipo da Academia de Artes Marciais Tendo era bem visível sobre o kimono branco.


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Na escuridão do espaço, uma gigantesca estrutura de metal, a Song of Nephelin, seguia sua trajetória, guardando seus segredos para si mesma.


Lentamente, outra estrutura de metal – bem menor que a Song, e de coloração azulada – se aproximava da estação, encostando-se discretamente na primeira, sem querer ser vista. Permitiu que duas sombras entrassem na gigantesca construção: uma menina de, aproximadamente, dez anos, pele clara, cabelos rosados, e olhos cor-de-mel; e uma adolescente, de pele branca, longos cabelos negros e olhos azul-caros.


Seus passos ecoavam pelos salões desertos.


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Abriu lentamente os olhos, vendo luzes confusas, como que cobertas por uma névoa. Sentiu o cansaço que tomava conta de seu corpo, ao mover lenta e pesadamente seu braço. Sem querer, sentiu-o tocar em algo frio e invisível, um vidro que impedia sua passagem para o mundo externo.


Percebeu a falta de oxigênio, vendo que não respirava. Inspirou, sentindo o perfluorocarbono preencher seus pulmões.


Forçou-se a acordar. Seu coração acelerou, enviando um pouco mais de adrenalina à corrente sanguínea, agitando-o apenas o suficiente para que pudesse realizar um pequeno encanto.


– Desperte. – Pensou, deixando a magia agir. Seu corpo pulsou por alguns instantes, colocando-o em seu ritmo normal. Notou que magia não o manteria acordado por muito tempo, estava exausto – provavelmente algum tipo de efeito colateral da droga que usaram para dopá-lo. Fechou os olhos, acumulando o pouco de magia que lhe restava.


Ao abri-los, notou que visão permanecia turva, então usou a magia restante para curvar os raios de luz, de modo que pudesse ver normalmente, mesmo imerso no estranho líquido respirável. Estava trancado em um vidro de, sendo otimista, três centímetros, em um quarto de metal, sem janelas ou mobília; no teto, uma entrada de ar e uma luz, que piscava mórbida, emitindo um estranho ruído de eletricidade. Ao seu lado, uma tela de computador emitia uma luminosidade contínua, que lida de certa forma, informava seus principais dados vitais.


– Estou numa espaçonave. – Concluiu, em pensamento. – Tentaram me manter desacordado até, talvez, chegarmos a um laboratório secreto. Ou não... Não acho que iriam me acordar novamente. – Não se lembrava de nenhuma face, nenhum nome, nenhuma razão. Apenas estava ali, isolado do mundo, numa gaiola de vidro.


Olhou para a sua fraca face refletida no vidro. Parecia mais um morto-vivo do que um anjo. Suas asas, manchadas de marrom – de sangue e poeira – estavam limpas. Seus olhos cinzas – que enxergavam bem mais do que olhos humanos – transmitiam cansaço. Sua tatuagem...


Interrompeu seus pensamentos. Suas asas deveriam estar sujas de sangue e poeira. Não sabia como, mas era assim que deveriam estar, pelo menos, era o que dizia sua intuição. E intuições de anjos não têm o costume de serem errôneas.


– Um nome... preciso de um nome... – Mas, por mais que tentasse, não saberia dizê-lo.


Aliás, se alguém o perguntasse, não saberia dizer nada.


Pouco a pouco, seu corpo caminhou para o sono de que tanto precisava, sem o efeito dos fortes remédios.


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– Isso é estranho... – A pequenina menina olhou à sua volta, mas o resultado de sua análise não estava errado.


– O que foi, MOMO?


– Não há ninguém nessa nave, exceto os experimentos. – Pararam de andar.


– O que tem de estranho nisso?


– De acordo com meu banco de dados, a Song of Nephelin tinha duzentos e trinta e sete empregados, sendo setenta e dois oficiais militares. – Olhou para sua companheira. – E não há corpos, ou mesmo sinais de vida por aqui. Mesmo que todos fossem mortos e jogados para fora, haveria algum sinal, mesmo que pequeno, de sua passagem. Mas, pelas minhas leituras... Ninguém entrou nessa nave, há, pelo menos, treze meses.


– E antes disso? Se alguém esteve aqui e...


– Não posso dizer. Os erros aleatórios e as interferências humanas passam a ser significantes. Mas, considerando que essa nave só tem quinze meses de operação, é um erro bem baixo. Mesmo que usássemos os terminais de controle para ver os dutos de limpeza atmosférica, o resultado seria o mesmo.


–... Então vamos assumir que ninguém nunca pôs os pés aqui. Como os... – Tentou encontrar uma palavra melhor, mas não conseguiu. Não para o significado mais geral. –... experimentos vieram parar aqui?


– Não sei. – Os olhos de Sabrina estavam surpresos. Era a primeira vez que MOMO não conseguia descobrir algo. – Não há indícios de magia, de colunas UMN, ou mesmo de qualquer atividade além da nossa nesses últimos treze meses.


– E o erro das suas habilidades? Pode ser isso?


– Não. O erro de minhas leituras nesse espaço de tempo é muito pequeno.


– Pequeno quanto?


– Talvez uma célula passasse despercebida. Mas não acredito que seja o caso. – Ficaram em silêncio por alguns instantes, recomeçando a caminhada pelo gigantesco labirinto, o som de seus passos ecoando nos amplos salões de metal.


– MOMO, tem algum sistema de segurança ativo? Não quero dar trabalho desnecessário ao Jr.


–... Não. Não existem câmeras, detectores de movimento, ou mesmo sensores de presença.


– Estranho... muito estranho mesmo... – Escondia a emoção. Esperara muito por esse dia.


Alguns minutos depois, a pequena andróide aponta para uma porta.


– Naquela sala.


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– Podemos ir, então? – Uma estranha figura, de cabelos brancos, olhos azuis muito escuros, usando roupas de um peculiar couro azul, recebeu a jovem e a andróide na nave. – Eu o levo. – Disse, referindo-se ao jovem que Sabrina carregava.


– Não precisa. – O outro entrou guiando-as para suas cabines.


Andaram em silêncio por vários metros, atravessando algumas portas, até pararem em frente à que tinha a inscrição “L::9”.


– Deixe-o no meu quarto. Dividirei o quarto d. Se precisar de ajuda, estarei na ponte.


– Chamo se precisar. Obrigada. – Disse enquanto entrava no quarto do jovem que acabara de resgatar. – Depois de tanto tempo... É tão bom vê-lo de novo...!


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Notas finais
Glossário: - MOMO:

Sigla para Multiple Observative Mimetic Organicus.

- Song:

Canção.

- Song of Nephelin:

Canção de Nephelin.

- U.M.N.:

Sigla para Unus Mundus Network, rede que conecta o mundo, seja física ou virtualmente.