Notas iniciais
Olá, gente! Eu sou viciada em ballet, e sempre quis ler histórias nesse tema. Então resolvi escrever! Espero que gostem, fiz com muito carinho...

– Você entrou! Minha filha, eu tenho tanto orgulho de você! — Disse minha mãe entrando no meu quarto eufórica.

Eu estava desamarrando minhas sapatilhas de ponta, pois estava treinando fouettes de esquerda (um dos meus pontos fracos), e já estava exausta.

Então percebi do que ela estava falando. O "Colégio Preparatório Federativo de São Paulo". No momento apenas olhei para ela, sem saber se estava feliz ou preocupada com aquilo.

Minha mãe veio me abraçar, muito emocionada, enquanto eu tentava digerir aquilo.

Eu tinha passado o ano inteiro me preparando para entrar. Ela não tinha dúvidas que eu passaria, apenas pelo fato de eu ser uma ótima aluna no meu colégio atual. Minhas médias sempre variavam de 8 a 10, mas mesmo assim eu duvidava muito que passaria no teste devido ao nível da escola.

– Nossa, mãe, não sei nem o que dizer! — E eu não sabia mesmo. Aquilo significava que teria que estudar que nem uma louca. Já ouvi muitos boatos sobre aquele colégio, e teve muita gente que entrou em depressão depois que começou a estudar lá, muita coisa tensa acontecia naquele lugar...

Sem contar que prejudicaria meu treino diário de ballet. Eu teria que diminuir o tempo de aula, e talvez até os dias da semana...

– Irei fazer sua sobremesa favorita hoje! E a senhorita comerá sem culpa! — Minha mãe sorriu pra mim e logo depois saiu do quarto espalhando a notícia para meus irmãos, para a moça que trabalha aqui e para meu pai.

Eu tinha que compartilhar com as meninas e com o Rodrigo. Oh, meu Deus como eu irei sentir saudades!

Disquei o numéro de Rod primeiro. Quando estava caindo quase na caixa postal ele atendeu:

– Fala aí Polly, Polly! — Ele atendeu.

– Você não vai acreditar! — Eu disse sentando na cama empolgada.

– Aprendeu a fazer miojo! — Rodrigo chutou, brincando sobre meu desastre na cozinha.

– Eeeei! — Fingi estar brava. — Não, seu astrogildo! — Brinquei, lembrando de quando brincávamos na pré-escola que eu era um E.T e ele um astrogildo de outro planeta.

– Não acredito que você lembra disso. — Ele riu, e depois continuou sério. — Estou curioso, diga!

– Lembra daquele teste que fiz em novembro, mês passado? — Falei com cuidado.

– Aquele colégio de nerds e arrogantes? O que tem? — Perguntou ele, receoso.

– Eu passei — Enfim, disse.

Ele arfou. O telefone ficou alguns segundos mudo.

– Fico realmente feliz por você, Polina. — Ele disse com uma voz embargada. — Parabéns!

–Eer... Obrigada!

– Sentirei saudades, Polly, Polly... — E então, ele fungou forte e sua voz ficou ainda mais embargada.

– O senhor não vai achando que vai se livrar de mim tão facilmente, não, ouviu Rod? — Brinquei em partes, afinal uma amizade tão longa quanto aquele não seria destruída por uma mudança de colégio.

Ele riu e concordou.

– Minha mãe vai fazer algo diferente para o jantar, estou te intimando para vir aqui!

– Sim, senhora!

Desliguei, olhei para minha sapatilha, suspirei e entrei no banheiro.

Tirei minha roupa e me olhei no espelho. Eu tinha emagrecido muito do ano retrasado para este. Atingi um peso que nunca pensei que conseguiria. Tenho 1,63 m de altura e atualmente peso 50 kg. Antes do ballet, eu pesava 68 kg, e sempre tivera dificuldade de emagrecer, mas olhando no espelho, sorri, admirei meu corpo.

Entrei no banho e me perdi em devaneios. Tanta coisa aconteceu desde o ano que entrei no ballet até agora...

Então me lembrei da minha primeira aula de ballert: a professora disse que eu tinha os braços lindos e me fez fazer o port de brás sozinha para a classe. Eu quase morri de tanta vergonha. Eu tinha 13 anos, uma idade relativamente avançada para começar a estudar para virar profissional. Mas aquele era meu sonho secreto. Na dança, qualquer idade é válida quando se ama a arte e sente prazer nela. No entanto, para seguir carreira é preciso anos de técnica e mesmo assim as chances são bem precárias. Ainda mais aqui no Brasil.

Ainda no primeiro ano, chegando em casa chorando por não ter conseguido fazer algum passo, e depois indo treinar até conseguir (muitas vezes virei a noite e minha mãe quase me matou), fui para a aula intermediária e comecei a ter minhas primeiras aulas na ponta. A primeira vez que coloquei a sapatilha fiquei extasiada, com um pouco de dor, mas extremamente feliz. Foi a partir daquele momento que meus pés nunca mais foram os mesmo. Sempre estavam calejado e com bolhas. Mas valia a pena, completamente.

No segundo ano, comecei a fazer a aula avançada. Fiz meu primeiro solo: a variação de Les Sylphides e fiquei satisfeita comigo mesma.

Esse ano dançarei a variação do cisne branco e o pas de deux de o quebra-nozes. Confesso estar muito nervosa e ansiosa...

Desliguei o chuveiro e me preparei para o jantar. Depois, Rodrigo chegou e ficamos assistindo "De pernas para o ar 2"e rindo feito duas gralhas tontas até o jantar ficar pronto.

Aquela amizade não seria punida pelo o meu destino que estava quase certo: Passar numa faculdade pública de direito... Era o que o futuro me aguardava. E aquele amigo seria sempre a minha jóia preciosa.

Notas finais
Então, o que acharam? :3