Sonhando com Malfoy

5 Capítulo 3| Parte 2



Aquela aula, apesar de intensa, parecia interminável para Hermione. Sua atenção escapava continuamente, perdida em pensamentos que insistiam em rondá-la.


Luna, que se sentava ao seu lado, perguntou mais uma vez:

— Está tudo bem?


Mas não estava. Embora Hermione tenha passado o dia todo tentando disfarçar, a inquietação em seu peito era evidente para quem soubesse observá-la.


Malfoy, como sempre, sequer a olhou uma única vez. Nem mesmo nos intervalos. Ele parecia sempre cercado pelos amigos, que iam até ele para perguntar como estava.


Era estranho. Doentio. Hermione se perguntava constantemente por que essas pessoas se davam ao trabalho.


Ela só queria ouvir a voz dele. Apenas uma única vez antes de ir embora para nunca mais vê-lo.


E isso estava prestes a acontecer. Ela iria embora. Para sempre. Não importava o quanto desejasse que as coisas fossem diferentes.


O Ministério da Magia havia decidido.


Observando-o à distância — suas costas, ou, às vezes, o belo perfil que vislumbrava de relance —, Hermione sabia que aquilo era tudo que teria dele.


Por vezes, não conseguia evitar os pensamentos… Como seria beijá-lo? Seus lábios finos, levemente rosados, com um pequeno arco acentuado, eram os mais bonitos que já vira. E frequentemente, ela se pegava encarando a fotografia que tinha dele em seu celular.


Era a imagem de Draco que ilustrava o livro de atletas de Hogwarts, onde fora registrado como o melhor jogador de Quadribol em seu último ano. Superara Potter, vencedor de todas as temporadas anteriores.


A fotografia não mostrava um garoto de 17 anos, mas um homem. Um homem que Hermione guardava em uma pasta escondida em seu celular.


Ela até comprara o livro para ter certeza de que aquela fotografia jamais se perderia.


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No fim das aulas, Hermione foi à biblioteca com Luna. Elas se acomodaram em um canto tranquilo e, por horas, discutiram a possibilidade de Draco ter mudado de curso. Luna insistia que isso não tinha nada a ver com Hermione, nem com o fato de ela ter machucado uma das seguidoras fiéis de Malfoy.


Após essa conversa, Hermione tentou convencer a si mesma:

“Está tudo bem. Eu estou bem.”


Nada aconteceria a ela. Bastava respirar fundo e acreditar que Draco tinha coisas mais importantes a fazer do que tentar machucá-la.


E então, mentalizou em silêncio:

“Vamos, Hermione. Reconheça sua insignificância. Malfoy não dá a mínima para sua existência.”


Ele já havia provado isso diversas vezes. Não se incomodava nem mesmo em fingir que ela existia. Era impossível esquecer o episódio em que ele simplesmente ignorou o aperto de mão dela por ela ser uma nascida-trouxa.


Preconceituoso.


Era uma pena. Hermione deveria detestá-lo. Deveria, ao menos, fingir que o fazia.


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Naquela mesma noite, Minerva McGonagall solicitou sua presença para o que chamou de uma “reunião particular”. Quando Hermione chegou ao gabinete da diretora, foi surpreendida com algo que jamais esperaria receber: um item mágico que povoava seus sonhos desde sempre.


Um vira-tempo.


Minerva entregou-lhe a relíquia com seriedade, dizendo:

— Gostaria que este artefato ficasse com alguém cuja sabedoria e responsabilidade podem preservar o legado de sua magia. Mesmo que, em breve, você não esteja mais no mundo mágico, ele permanecerá com você.


Hermione mal podia acreditar. Observava o colar de ouro maciço, cujo pingente era uma ampulheta rodeada por círculos que giravam suavemente em todas as direções.


A complexidade do funcionamento fascinava. Cada detalhe parecia projetado para capturar o tempo em sua forma mais pura.


— Devo adverti-la, senhorita Granger — continuou Minerva, com um olhar sério. — O vira-tempo tem regras que devem ser seguidas à risca. E algumas consequências são irreversíveis.



McGonagall dedicou algum tempo a ensinar Hermione a usar o vira-tempo, e ela estava completamente fascinada pelo objeto. Era uma honra inestimável tê-lo confiado a ela.


Ao fim da explicação, Hermione agradeceu calorosamente. Estava prestes a sair do gabinete quando a diretora a chamou novamente:

— Senhorita Granger?


Hermione se virou prontamente:

— Sim, professora McGonagall?


McGonagall mantinha os olhos fixos em seus documentos enquanto falava, a pena em movimento constante.

— Não deve contar a ninguém sobre a existência do vira-tempo, nem mesmo à sua própria sombra. Este segredo deverá morrer com a senhorita. E certifique-se de que a joia seja enterrada junto com você.


O tom casual da diretora contrastava com o peso de suas palavras. Hermione engoliu em seco e assentiu com firmeza.

— Eu prometo.


Deixou o gabinete quase saltitando de felicidade. O vira-tempo era, sem dúvida, a coisa mais preciosa que já possuíra.


Enquanto seguia pelo corredor em direção ao dormitório, avistou um grupo de garotas paradas perto do final do caminho. Eram sonserinas, ela presumiu, pois usavam broches em vez de uniformes. Nenhum rosto parecia familiar.


Antes que pudesse passar por elas, uma das quatro, uma ruiva de olhos amendoados, a chamou:

— Ei, Granger.


Hermione parou, avaliando a situação com cuidado.

— Sou Christine. Sei que Astoria gostaria que você fosse à festa da Sonserina, organizada pela irmã mais velha dela. E, pelo que sei, você não sai sem seus amigos. Então, eles também estão convidados.


Ela sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos. Hermione percebeu que havia esforço em suas palavras, uma tentativa de parecer amigável.


Hermione quase cedeu à vontade de perguntar por quê, mas apenas assentiu, retomando o caminho.


— Os detalhes foram enviados por iMessage. Parece que é assim que prefere, não é? É quase tão rápido quanto qualquer outro meio de comunicação bruxo. Gostei, Granger. Talvez você realmente não sinta falta da magia.


Dessa vez, o sorriso da garota pareceu genuíno, talvez pelo alívio de mencionar a partida iminente de Hermione.


— Ok — respondeu simplesmente. — Até.


Com uma reverência educada, Hermione seguiu para o dormitório.


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Ao chegar, notou o antigo relógio cuco em seu quarto e conferiu as horas, comparando-as ao seu iPhone. Para sua surpresa, ambos marcavam exatamente o mesmo horário.


O relógio de Hogwarts, encantado para nunca parar de funcionar, apresentara um comportamento peculiar no dia anterior: havia adiantado 15 minutos, mas logo retornara ao normal como se nada tivesse acontecido.


Intrigada, Hermione lançou um feitiço para decifrar o encantamento do relógio. A magia revelou que ele possuía duas digitais mágicas, provavelmente dos antigos usuários do quarto. Não havia nada de errado com ele.


Ainda assim, a dúvida permaneceu. Seria possível que ela, distraída ou sonolenta, tivesse interpretado tudo errado? Talvez. Afinal, como uma nascida-trouxa, era natural enfrentar algumas dificuldades que outros bruxos não compreendiam.


Mas algo nela relutava em aceitar essa explicação. Como uma das bruxas mais brilhantes de sua geração poderia cometer um erro tão trivial?


Por fim, decidiu encarar aquilo como um exercício de humildade.


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Depois de um banho quente e relaxante na antiga banheira, Hermione finalmente sentiu o cansaço tomar conta. Adormeceu assim que se deitou.


Na manhã seguinte, ao ver Luna, decidiu contar sobre o convite para a festa. Assim que ouviu a notícia, Luna ficou radiante.

— Nós temos que ir, Hermione!


Hermione tentou resistir, mas a empolgação da amiga era contagiante. Luna não descansou enquanto não arrancou um "sim".


Afinal, convites assim não eram comuns para elas. Sua pequena bolha social sempre fora composta apenas por Luna, Hermione, Rony e Harry.


Uma festa organizada pela Sonserina parecia algo completamente fora de sua realidade.



Harry e Rony sempre tiveram círculos grandes de amizade, graças ao talento para esportes e, no caso de Rony, pela extensa rede de conexões familiares.


Hermione, por outro lado, tentou por anos estreitar laços com Gina, que parecia ser a pessoa mais próxima de sua idade. Apesar disso, Gina nunca demonstrou interesse em aprofundar a amizade. Ela tinha seu próprio círculo de amigos, que incluía até pessoas de outras casas, mas Hermione e Luna nunca foram parte dele.


Quando ainda eram crianças, Hermione e Luna tentaram algumas vezes se aproximar, mas sempre foram dispensadas educadamente. À medida que os anos passaram, as duas se tornaram inseparáveis, e a necessidade de serem aceitas por outros foi diminuindo.


Às vezes, Hermione pensava que a solidão social de Luna poderia ser sua culpa. Talvez fosse difícil para outros se aproximarem dela por ser amiga de uma "sangue-ruim".


Por isso, Hermione sabia que aquele convite para a festa da Sonserina não era sobre ela. Era uma oportunidade para Luna Lovegood. Hermione queria que a amiga aproveitasse esses últimos meses antes de sua partida para se conectar com outras pessoas.


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As festas da Sonserina na universidade eram famosas. Convidados de todas as casas participavam, e o evento era sempre extravagante. Pequenas tendas mágicas eram montadas no campo. Embora parecessem simples por fora, eram imensas por dentro, decoradas com espetacular atenção aos detalhes.


Ao longo da semana, Hermione viu as tendas ganharem forma. Trabalhadores contratados pelos Sonserinos cuidavam de cada detalhe. Não era surpresa que o responsável por financiar tudo, desde as bebidas até os serviços, fosse Malfoy.


Na sexta-feira, dia da festa, Hermione passou boa parte do dia tentando evitar olhar para ele. Contudo, lá estava ela, espiando sua nuca muito mais do que gostaria. O cabelo dele estava impecavelmente penteado, e pela primeira vez, ele usava uma camisa branca, sem o habitual trench coat preto. A gravata, é claro, era de um verde escuro brilhante.


Hermione não pôde evitar notar como o branco o deixava ainda mais bonito. Sentiu-se ridícula, desejando bater a cabeça na mesa de puro desespero.


Pare de olhar, Hermione. Apenas pare.


Com grande esforço, ela desviou os olhos e se concentrou em seu trabalho.


Naquela noite, ela e Luna começaram a se arrumar cedo. Hermione ajudou Luna com a maquiagem, enquanto a amiga lidava com o volumoso cabelo castanho de Hermione. As duas estavam deslumbrantes quando saíram para a festa.


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Ao chegarem à tenda principal, ficaram impressionadas. O espaço mágico era imenso, repleto de luzes vibrantes e música alta. Apesar do frio do lado de fora, a atmosfera interna era quente e confortável.


A música instrumental bruxa tinha um ritmo animado, e as luzes piscantes criavam um ambiente semelhante a uma boate trouxa. Todos ao redor dançavam com entusiasmo, mas Hermione e Luna se sentiram um pouco deslocadas. Elas não sabiam como acompanhar os passos elaborados e decidiram explorar outras tendas.


Encontraram uma menor e mais discreta, que parecia ser um karaokê. O espaço estava vazio, e as duas não resistiram à tentação de cantar. Pegaram o microfone e escolheram "Cupid".


Hermione e Luna adoravam karaokês trouxas, e as férias juntas frequentemente envolviam noites em bares onde podiam cantar e dançar. A música começou, e ambas se soltaram completamente, dançando e rindo no refrão, como faziam nos velhos tempos.


Por um breve momento, esqueceram o propósito de estarem ali: interagir com outras pessoas.


Quando terminaram, aplausos inesperados ecoaram pela sala.


Hermione e Luna olharam na direção do som e viram Goyle rindo animado com alguns amigos. Mais afastado, sentado em um sofá luxuoso, estava Malfoy. Ele ria discretamente, escondendo a expressão com a mão fechada junto ao rosto.


Hermione o observou por um instante. Ele parecia perfeitamente à vontade, como se fosse o dono do lugar. Vestia um terno impecável feito de um tecido mágico raro, produzido com a teia da Fada Sinistra, uma espécie de aranha em extinção.


O tecido brilhava levemente à medida que ele se movia, ajustando-se perfeitamente ao seu corpo. Era um traje extravagante, mas combinava com ele de maneira quase natural.


Hermione sentiu um calor subir por seu rosto e desviou o olhar rapidamente.


Aqui está a última parte betada com atenção aos detalhes e nuances emocionais:




Malfoy não olhava para elas, apenas para Gregory, tentando disfarçar um sorriso de escárnio.


— Já estamos de saída. — Hermione disse firme ao perceber que as mãos de Luna tremiam.


Ela sabia que a amiga nutria um medo irracional de Goyle desde os 13 anos, mas Luna nunca explicou exatamente o porquê.


Antes que pudessem se mover, Hermione notou pela visão periférica Malfoy fazer um gesto com a mão para Goyle, que imediatamente as interceptou.


— Esperem, meninas. Podem ficar. — Goyle se aproximou de Hermione, sua altura impondo uma presença que a fez sentir-se um pouco vulnerável, mesmo ele sendo alguns centímetros mais baixo que Malfoy.


— Por algum motivo, hoje, Malfoy não se importa que você esteja aqui. Talvez devesse distraí-lo cantando outra música trouxa ridícula. Ele estava se divertindo muito. Na verdade, todos nós estávamos. — Um sorriso cruel surgiu em seus lábios enquanto ele completava: — A "sangue-ruim" sabe como entreter seu mestre, não sabe? Com aquela dança tão... sexy.


Hermione percebeu que ele lançou um olhar significativo para Malfoy, como se estivesse enviando uma mensagem silenciosa, mas ela não sabia exatamente o que.


— Malfoy está curioso. Afinal, você ainda está aqui porque ele nutre alguma simpatia por Dumbledore, não é? — Goyle continuou com desdém. — É por isso que deixa a vagabunda de Potter vagar entre nós como se pudesse ser uma de nós, só para não magoar o velho amigo. Porque, afinal, Dumbledore é mestiço, e por alguma razão que eu realmente não entendo... Malfoy parece sentir pena de você também.


Hermione não moveu um músculo. Estava acostumada a ser chamada de "a vagabunda de Potter". Era algo que sussurravam pelos corredores desde que tinha 15 anos.


— Deveria demonstrar gratidão, sabia? Ainda está aqui porque Malfoy permite que esteja. — O tom de Goyle era cortante, como uma faca tentando abrir uma ferida.


Mas Hermione, como sempre, sabia como responder.


— Agradeça ao seu mestre por mim, senhor Goyle. É claro que eu jamais me dirigiria a ele diretamente por causa da inferioridade do meu nascimento. — Ela deu um sorriso frio. — Diga a ele que vou embora no final do período e que nunca mais precisará me ver. Mas até lá, continuarei sendo "a vagabunda de Potter", graças a ele. Muito obrigada mesmo.


Ela olhou nos olhos azuis de Goyle enquanto dizia isso, cada palavra carregada de sarcasmo e ironia.


Antes que ele pudesse responder, Hermione pegou a mão de Luna e saiu em disparada em direção ao castelo.



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Naquela noite, Luna dormiu no dormitório da Grifinória, ao lado de Hermione. Ambas estavam em silêncio, mas as palavras ditas mais cedo ainda pairavam entre elas, como um espectro invisível.


Quando Hermione estava quase adormecendo, ouviu Luna sussurrar na escuridão:


— O olhar dele escureceu no momento em que você disse aquilo.


Hermione virou levemente a cabeça, mas não respondeu.


— Quando você disse que continuaria a ser "a vagabunda do seu melhor amigo"... — Luna continuou, sua voz suave e pensativa. — Os olhos dele ficaram tão escuros que quase pareciam pretos.


Hermione sentiu um arrepio, mas permaneceu em silêncio.


— Sempre pensei que os olhos cinza claro dele indicavam a falta de uma alma. Como um morto-vivo, ele anda por aí sem estar realmente vivo. Mas naquele instante... seus olhos mudaram. Eles escurecer

am como se algo estivesse acontecendo dentro dele. Como se sua alma estivesse furiosa.


Luna parou por um momento antes de sussurrar pela última vez:


— Foi a primeira vez que senti que Malfoy poderia estar... vivo.