Sonhando com Malfoy

16 Capítulo 13 | A Volta



Hermione suspirou profundamente ao ouvi-lo dizer:


— Não quero que mais ninguém te veja assim.


Aquilo a atingiu no âmago. Sentiu-se amolecer de novo.


Então, sentou-se em um dos sofás.


De repente, lembrou-se de Astoria — de como ela a olhara, como se estivesse tomada por raiva.


E também das palavras que ele dissera da última vez em seu quarto: que não se casaria com ela.


Mas Astoria parecia não saber disso. Ou talvez não acreditasse. O bastante para odiar a proximidade entre eles naquele dia.


Hermione olhou para ele e também se recordou do momento em que ele dissera que ela nunca deveria tocá-lo.


De repente, questionou-se por que ele teria dito aquilo.


— Senta aqui. — pediu ela, baixinho.


Pensou em fazer tantas perguntas... Mas conteve-se.


Ele sentou-se ao seu lado, mantendo a distância de um braço.


Ela suspirou fundo, avaliando sua aparência com cuidado. Sua beleza era etérea. Nunca vira nada parecido — e de perto, era ainda mais surpreendente.


Levantou a mão, conjurando um feitiço para apagar as luzes. Deixou apenas acesa a de um abajur próximo, que iluminava parcialmente o rosto dele.


Havia algo de sombrio em suas feições perfeitas. Algo que ela não sabia nomear, mas que estava ali, presente naquela beleza imersa em sombras.


Se ele quisesse, ela sabia, poderia engoli-la por completo.


Desconfiava de que ele poderia matá-la com um estalar de dedos. Exalava tanto poder — e só agora ela percebia.


Como se, naquele momento, ele permitisse que esse poder emergisse.


Como se vivesse sempre... contido.


— Então eu posso tocar você? — perguntou ela num sussurro, franzindo o cenho.


— Não. — ele respondeu. — Você ainda não pode me tocar, mesmo que tenha feito isso a pouco. — E sorriu.


Ela suspirou, ainda ofendida. Sentia-se leve, flutuante — efeito da bebida, talvez.


— Astoria pode tocá-lo, suponho. — disse, sem conseguir se conter.


— Ninguém pode se aproximar de mim como você pode. — Ele a encarou. — Eu não quero perder o controle com você, Hermione.


Foi a primeira vez que ele disse seu nome.


Seu coração falhou por um instante. Hermione respirou fundo.


— Mas eu te toquei agora há pouco. — sussurrou. — Vai me afastar se eu fizer isso de novo?


— Se contenha, por favor... — ele sussurrou de volta.


Ela suspirou novamente.


— Não estou mais... tão bêbada. — disse, levantando-se.


Deu um passo até ele e sentou-se em seu colo. Sabia que podia sofrer alguma represália — e esperou por ela, por um momento, antes de perceber os músculos das coxas dele sob si. Ele não a empurrara.


Ela estava realmente louca. Tinha perdido a cabeça.


Talvez ainda estivesse bêbada, afinal. Mesmo com o risco de ser completamente humilhada, não se intimidou. Continuou com a manobra.


Seus olhos estavam quase no mesmo nível agora. Ela passou os braços ao redor do pescoço dele.


Malfoy a olhava, embalado pela luz fraca ao redor.


— Sinto que, se você não me tocar... — sussurrou. — Eu vou morrer.


Ele fechou os olhos, como se lutasse contra algo dentro de si.


— Hermione... — suspirou fundo antes de abrir os olhos. — Eu só vou te tocar quando você estiver sóbria. — Olhou-a nos olhos. — Eu prometo.




Ela o olhou, prestes a protestar. Mas respirou fundo, aproximando o rosto do dele, sentindo ainda mais intensamente o cheiro amadeirado e almiscarado.


Afundou o rosto em seu colarinho, sentindo o calor da pele dele contra a própria. Era a melhor sensação que já experimentara. Sentiu seu corpo se aquecer outra vez — o prazer tomando conta de cada parte de si.


Abraçou-o, beijando seu pescoço com firmeza. A pele dele era macia sob seus lábios. Ela não conseguiu se conter e o lambeu.


— Hermione… — ele gemeu em tom de repreensão, quase implorando. — Por favor, não seja travessa agora.


Mas ela não estava sendo. Apenas precisava dele.


Estava bêbada demais para reprimir qualquer impulso.


Beijara aquele pescoço, lambera aquela pele — tantas vezes sonhara com aquilo. Todas as vezes que observara sua nuca, perguntava-se sobre o sabor, o cheiro...


Sua mente estava seriamente comprometida, ela sabia. Mas agora que estava ali, não conseguia recuar.


Realizava um sonho. Um que não deveria sequer ter sonhado, mas que, mesmo assim, sempre a consumira em silêncio.


Agora, tudo que havia reprimido por tantos anos explodia em um frenesi incontrolável.


— Você é má. — ele sussurrou com prazer. — Como pode fazer isso comigo?


E os sons de prazer dele só a enlouqueciam ainda mais.


Mas Hermione sabia, bem no fundo, que aqueles impulsos não eram, de fato, dela. Que agir daquela forma poderia trazer consequências irreversíveis — ainda mais considerando quem ele era.


Ela precisava se conter. Sabia disso.


Então, contra a própria vontade, afastou-se suavemente, sentindo o corpo dele também tenso de desejo. Ela podia perceber o quanto ele lutava.


E, estando tão próxima, percebia que partes do corpo dele haviam despertado.


Ainda assim, ele não a tocava diretamente.


Ela o encarou e, com um fio de voz, disse:


— Acho que preciso ir.


Sabia que deveria voltar ao seu quarto. Precisava acordar, se manter sã.


Sabia também que não teria outra chance de vê-lo. Amanhã, teria que partir.


Mas ele lhe prometera dois de seus pensamentos… e mais um voto secreto. Quando será que ele o reivindicaria?


Olhou para ele. Ele a encarava com um desejo feroz. Seus olhos, por um instante, pareceram ter reflexos verdes. Hermione podia jurar que vira. Mas talvez fosse apenas a luz fraca, confundindo-a.


Nunca houvera qualquer cor nos olhos dele. Sempre aquele cinza profundo.


— Você quase me enlouquece e agora pede pra ir embora? — ele disse, com os olhos descendo até a boca dela. Hermione viu o desejo brilhar neles.


Ela também encarou os lábios dele, sentindo uma necessidade desesperadora de tocá-los. Mas sabia que deveria se segurar, já que ele não dera nenhum sinal de que a beijaria.


— Eu não pedi. — disse ela, ainda tonta de desejo, num sussurro carregado de paixão.


Era importante deixar claro para Malfoy que, enquanto estivesse ali, em seu colo, tomada por paixão, ela não o obedeceria como os outros.


Ali, eles eram iguais.


— Eu queria fazer você pedir pra ficar. — ele sussurrou, encostando o nariz no dela.


A raiva que exalava era a prova de que ele lutava contra si mesmo — não contra ela.


Estava dividido. Decidindo se a deixaria na segurança de seu quarto, do outro lado do castelo, ou se se entregaria por completo ao desejo que os envolvia.


Hermione respirou fundo, reprimindo a vontade de, agora tão próxima, encostar os lábios nos dele.


Sabia que esse gesto os levaria à combustão — profunda e avassaladora, capaz de incendiar todo o quarto.


Hermione ardia em febre.


Sentiu que precisava ir antes que morresse com aquela sensação agonizante — e também, para não vê-lo sofrer. Ele lutava para se controlar.


Talvez, para ele, ela fosse apenas uma maldita sangue ruim, e ele se culpasse por sentir atração.


Ela precisava se controlar. Agora.


“Você é uma mulher adulta, Hermione.” — dizia a si mesma, afastando-se daquele frenesi.


Ainda estava sentada em seu colo.


E desconfiava que, para ele, ela não pesava nada — já que ele não demonstrara desconforto nem por um segundo.




E ela estava sentada em apenas uma das coxas dele.


Fez menção de se levantar, mas ele a pegou no colo, segurando firme para que não caísse, e, antes que pudesse dizer qualquer coisa, eles aparataram de volta ao quarto dela. A luz suave do cômodo iluminado a recebeu. O espaço familiar a acolheu com gentileza.


Mais uma vez, ela tentou descer de seu colo, mas ele a levou até a cama, retirando seus sapatos enquanto a olhava nos olhos.


— Obrigada — sussurrou ela.


Era como estar dentro de um sonho. Engoliu em seco ao vê-lo ajoelhado à sua frente.


Passou por sua mente pedir que ele ficasse. Ou até mesmo... implorar.


Então ele se levantou.


— Boa noite, senhorita Granger — disse ele.


— Boa noite, senhor Malfoy — respondeu ela, num sussurro quase inaudível.


Ele fez uma breve reverência com a cabeça antes de aparatar, provavelmente de volta aos seus aposentos — ou assim ela imaginava.


Deitou a cabeça no travesseiro, esperando que o cansaço a levasse rapidamente ao sono profundo.


As luzes se apagaram e ela ficou ali, sentindo-se um tanto perdida com o que havia acontecido. Tentava medir o que era certo ou errado, tentando entender como havia cedido a impulsos tão tolos — impulsos que, no fundo, apenas deixavam claro o quanto ela… desejara aquele momento?


Nada do que fizera naquela noite fazia sentido. Ele estava com suas coisas — sua varinha, seus livros — e havia prometido devolvê-los.


Ele lhe dera um passe para rever seus amigos depois de tantos anos. Ela gostaria de agradecer, mas agora…


Bem, a noite havia terminado com uma tensão absurda. Hermione teve que reconhecer. Mas e o que aconteceria a partir de agora?


Ela sequer podia imaginar. Sabia apenas que precisava descobrir. E foi com esse pensamento que adormeceu, ainda vestida e maquiada após o casamento — algo que jamais faria se estivesse em seu juízo normal.



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Quando despertou na manhã seguinte, sentiu-se levemente tonta. A dor de cabeça crescente a desequilibrava, e logo veio a náusea. Não demorou a vomitar. Embora o estômago estivesse vazio, as ondas vinham fortes, sem controle.


Foi um completo pesadelo.


Preparou um banho demorado na banheira. Ainda era muito cedo para o desjejum, notou. Então aproveitaria o momento para se cuidar. Fez toda sua higiene facial e, depois, aplicou uma maquiagem leve e natural.


Vestiu um vestido rosa que moldava suas curvas. As alças eram finíssimas. Ela amava aquele vestido, e, mesmo antes de qualquer envolvimento com Malfoy, já o havia escolhido para usar naquele dia. E manteria seus planos.


Enquanto descia as escadas, sentiu a presença de alguém atrás de si.


Torcia para que fosse ele.


Mas, ao se virar, deparou-se com um Ronald Weasley visivelmente… irritado.


— Você nem se despediu — acusou ele. — Está tudo bem com você?


— Bom dia, Ron — disse ela, tentando soar bem-humorada. — Eu me senti mal — começou a explicar.


— Eu sei, o Dobby me contou — suspirou ele. — Devia ter me pedido ajuda.


Hermione o olhou, ainda absorvendo suas palavras.


— Não quis te tirar da festa — respondeu baixinho. — Ficou tudo bem?


— Eles partiram para a lua de mel logo após a meia-noite — respondeu, dando de ombros.


Bem, então não havia acontecido nada de extraordinário, supôs ela.


Hermione pensou em sua amiga, se perguntando onde estaria agora. Também começou a pensar em como poderia lhe enviar uma mensagem… Assim que tivesse sua preciosa varinha de volta.


A ideia a encheu de esperança, vibrando em seu corpo como uma expectativa latente. Estava, finalmente, perto de ter seus artefatos mágicos de volta.


E o preço — agora — parecia pequeno diante de todos os benefícios que teria com sua varinha nas mãos novamente.


Sem contar seus pensamentos tolos, que nem chegavam perto da realidade de ter... lambido Draco Malfoy. No pescoço. No seu precioso pescoço aristocrático.


Ao chegar à entrada do Grande Salão, onde todos tomavam café da manhã, ela o procurou.


Mas ele não estava lá.




Hermione revirou os olhos.

É claro que ele não faria questão de vir.

Sentou-se em seu lugar, ao lado de Rony, na última cadeira da mesa. Harry estava ao lado dele e a cumprimentou com um sorriso.

— Senhorita Granger — chamou uma voz feminina. Uma voz que ela não ouvia havia muitos anos.

Hermione não precisou erguer os olhos para saber de quem se tratava. Ela simplesmente sabia. Era Astoria. E ela continuou:

— Espero que tenha aproveitado sua estadia. Eu não sabia que ainda estava entre os vivos.

A frase, embora dita com suavidade, carregava uma ameaça velada que Hermione percebeu de imediato.

Astoria presumira que ela estivesse morta. Mas por quê?

E por que, naquele instante, Hermione teve o impulso de correr até Malfoy para contar-lhe o que ouvira?

Talvez esperasse que Dobby tivesse escutado tudo — e que relatasse.

— Senhorita Greengrass — Hermione respondeu no mesmo tom cerimonioso —, amei cada momento desta viagem. Também me intriga o fato de você ainda não ter falecido. É, de fato, uma surpresa.

Ela retribuiu a ameaça. Exatamente como fazia na adolescência. Estava em território inimigo, sim, mas fizera Malfoy gemer sob o efeito de um simples beijo — certamente sairia viva daquela situação.

Houve arquejos entre os convidados. Estavam chocados com a forma como Hermione respondera. Não com delicadeza, nem com o recato que se esperava dela.

Mas ela não precisava ser educada diante de tamanha provocação.

E o casamento já não podia ser arruinado.

— Que curioso o fato de a senhorita desejar a morte de uma sangue-puro — rebateu Astoria, com calma.

Hermione riu.

— Não desejo absolutamente nada em relação a você. Apenas devolvi a ameaça implícita nas suas palavras, senhorita. — Sua voz era educada, mas firme. — Afinal, morrer é um mal irremediável. Sangue-puro ou não, a senhorita também irá morrer — concluiu, pegando uma torrada com movimentos suaves e deliberadamente femininos. — Mais cedo ou mais tarde.

Sorriu ao finalizar.

Os convidados próximos ficaram visivelmente surpresos com a postura de Hermione e logo trataram de mudar o rumo da conversa.

Certamente, a fama de insolente a acompanharia para sempre. Mas como poderia calar-se diante daquela demonstração de superioridade disfarçada?

Astoria estaria com raiva porque seu prometido não a queria? Ou talvez porque preferisse uma mulher de sangue tão impuro quanto ela?

Uma nascida trouxa.

O que Hermione sempre seria.


Após a refeição, todos foram chamados a uma sala que lembrava um templo. Havia cadeiras elegantes aos montes, para que os convidados se acomodassem para o juramento.

Hermione, Harry, Rony e Gina sentaram-se nas últimas cadeiras, aguardando Draco Malfoy.

Mas ele não apareceu.

Dumbledore iniciou o ritual, e os votos foram dirigidos a ele.

O que aquilo significava?

Hermione não conseguia acreditar que Malfoy e Dumbledore estivessem tão envolvidos.

Quando tudo terminou, os convidados precisaram aparatar de volta o mais rápido possível. A ancoragem mágica que mantinha todos naquele local estava prestes a se esgotar, e se não partissem logo, poderiam ficar presos ali para sempre.

Hermione abraçou os amigos, inclusive Gina, e disse que, assim que possível, gostaria de recebê-los em casa. Cozinharia para eles.

Chorou ao se despedir e, em seguida, entrou no grande portal criado por Dumbledore especialmente para ela.

— Obrigada — disse a todos, com o pesar evidente de quem parte deixando um pedaço de si.

— Até breve, senhorita Granger — respondeu Dumbledore, com aquele tom carinhoso que sempre a encantava.

Ela o abraçou antes de partir e segurou a mão da professora McGonagall antes de também envolvê-la num abraço.

E então voltou.

Suas malas estaria

m em casa — ele havia prometido.

E tudo estaria exatamente como deveria estar.

Mas, ao aparatar de volta ao quarto de descanso no hospital, vestia um tubinho rosa de alças finas... no meio do frio violento de Londres.

Correu para trocar de roupa antes de concluir aquele dia.


Notas finais
Assim como prometido, aqui está o capítulo dessa história que estou amando escrever! Estamos chegando a fase final e tenho um anúncio a fazer para todas as minhas novas amigas que amam um DRAMIONE assim como eu. Me conte o que está achando! Te espero! Um abraço apertado. 🥰