Sonhando com Malfoy
12 Capítulo 9 | Respostas
Notas iniciais
Hermione sentia que seu coração sairia pela boca a qualquer momento. Estava exausta e quase se perdeu no caminho de volta para o hall, para então retornar à sua ala e finalmente repousar em seu quarto.
Assim que fechou a porta, encostou-se nela, arquejante. Nunca lhe ocorrera que um dia vivenciaria tal situação. Encontrar Malfoy, tê-lo ali, tão próximo, e perceber... aquele interesse. Mas não era uma mera curiosidade fútil. Não. O que o Lorde das Trevas queria com Potter? Ou, pior ainda... com ela?
Malfoy não era um homem que se movia sem intenção. Sua frieza, seu controle absoluto sobre os fios do tempo e do espaço, cada ato meticulosamente calculado. E ainda assim, Hermione não conseguia compreender sua motivação.
Potter era o centro de tudo. Sempre fora. Marcado pela cicatriz que todos temiam nomear, pelo evento que era proibido discutir. Mas... por quê? Por que tantos segredos? Por que tanta relutância em falar a verdade?
Hermione sempre esteve ao lado de Harry. Ele era seu melhor amigo, seu irmão de alma. E se Malfoy enxergava isso? Se compreendia que, para alcançar Potter, ela era a chave?
Talvez fosse apenas isso.
Ou talvez...
O pensamento a assolou como uma corrente fria. Seria possível que o interesse fosse nela? Por mais ilógico que parecesse, sua mente se recusava a descartar tal ideia. A maneira como ele a olhara, a forma como suas palavras foram proferidas, como se estivessem envoltas em uma camada de intenção velada...
Tentou afastar esse devaneio. Mas o temor de estar envolvida em algo maior, em algo que nem mesmo sua lógica implacável poderia decifrar, fez com que a noite se estendesse em vigília inquieta.
Quando finalmente adormeceu, a exaustão a venceu.
E ao despertar, um sobressalto percorreu-lhe o corpo. Havia dormido demais. Muito além do permitido. Seu olhar correu para o relógio e, por um instante, sentiu o pânico tomar-lhe a garganta.
Hermione olhou em volta. O quarto estava banhado pelo sol daquela manhã, mais uma primaveril naquele paraíso intocado.
Como explicaria à sua melhor amiga que passara toda a madrugada absorta no encontro com o "Lorde" daquela residência e, por isso, falhara em comparecer ao desjejum?
Aflita, permaneceu deitada em sua cama com dossel, percebendo que nada havia mudado. Apenas a inquietação crescendo dentro de si. A possibilidade de que ele pudesse ter algum interesse nela queimava-lhe os pensamentos.
Ainda que a noite não lhe houvesse proporcionado descanso, sentia-se tomada por uma energia ansiosa. Levantou-se, vestindo um biquíni e uma saia de renda preta que, diferentemente da anterior, não revelava tanto.
Estranhou que nenhum de seus amigos houvesse a procurado, apesar de já passar das dez da manhã. Intrigada, desceu as escadas até os corredores principais da ala sul, percorrendo os cômodos até o salão principal. Parecia ser a área comum do castelo, onde todos se reuniam, mesmo sem que tal regra houvesse sido declarada. Vibrava no ar um aviso silencioso: não perambulem pelo castelo. Mas podiam explorar a floresta, a praia e os jardins sem impedimentos.
Ao abrir a porta, encontrou apenas Harry. Ele fitava as amplas janelas voltadas para o jardim.
— Harry? — Hermione chamou, aproximando-se.
— Hermione! — O sorriso dele surgiu rápido antes de puxá-la para um abraço caloroso. — Estava te esperando.
Vestia suas roupas de banho.
— Desculpe pela demora — disse ela, sem graça. — Dormi demais... e nem me despedi ontem.
— Não se preocupe. Você parecia mesmo cansada — respondeu ele, tranquilo. — Dobby nos avisou que você havia voltado para o quarto.
Dobby a fizera um favor que ela não havia pedido.
Seria possível que Malfoy tivesse ordenado isso?
Um arrepio percorreu sua espinha.
— Claro — disse Hermione, sorrindo, ocultando o quanto aquela informação a abalara.
— Vamos? — Harry estendeu a mão. — Nossos amigos nos esperam. Vou pedir que te sirvam o desjejum na praia.
Quando chegaram, Hermione avistou Gina entre Rony e Luna. Sentiu um alívio imediato; a preocupação com o aparente isolamento de Gina a consumia. Viu ali uma oportunidade de dissipar os receios dela, de provar que não havia nada a temer. Ela e Harry eram amigos. E assim seriam para sempre.
Uma grande barraca protegia-os do sol. Sobre uma pequena mesa, Dobby servia o desjejum de Hermione: frutas, café, pães. Hermione cumprimentou a todos com carinho antes de se sentar.
O horizonte, o céu azul resplandecente, a imensidão daquele lugar... tudo tirava seu fôlego. Então, de súbito, lembrou-se: o casamento seria no dia seguinte.
E com isso, veio um pesar. Teria que se despedir dos seus amigos. Mais uma vez. Por um longo tempo. Talvez para sempre.
A lembrança de Malfoy invadiu sua mente como um raio. Deveria falar sobre aquilo com eles?
Mas não. Não ali. Não agora. Não ousaria manchar aquele dia.
Gina parecia animada. Hermione esforçou-se para incluí-la em todas as conversas, garantindo que ela se sentisse parte de tudo. Não havia tempo a perder; faria o necessário para conquistar sua confiança.
O dia passou num piscar de olhos. Quando percebeu, o sol já mergulhava no horizonte, tingindo o céu com cores indescritíveis. Hermione conteve um lágrima teimosa. Estava grata. Mais do que deveria. A Draco Malfoy.
E, pouco a pouco, arrependeu-se de chamá-lo de mexeriqueiro.
Ela e sua boca grande...
Atravessada por um remorso repentino, perdeu-se nos próprios pensamentos.
Ele parecera tão interessado em conversar com ela... Tão genuinamente disposto.
Mesmo que o assunto fosse, no mínimo, peculiar. Mas ele não a interrogara, certo?
Inclusive, ela precisava admitir: escapara com vida.
Hermione ponderou, entre seus amigos, que Malfoy não era dado às interações sociais.
Claro que ainda desconfiava. Sempre precisava desconfiar...
Mas ali estava ela, intacta. Se ele realmente desejasse algo contra seu "precioso" Potter, já não o teria feito? Não era como se lhe faltasse acesso irrestrito a ele.
Porque claramente tinha.
Ainda assim... A ideia de que ele pudesse estar interessado nela beirava o impensável.
Era loucura.
Insanidade.
E por mais que tentasse racionalizar, não chegava a lugar algum. Dividir isso com seus amigos? Era um risco alto demais.
Hermione sabia que podia confiar em Goyle. Assim como sabia que Luna estava segura ao lado de seu futuro marido.
Luna era brilhante. Jamais se deixaria levar por uma simples paixonite.
Forte, racional, poderosa. Hermione confiava nela como em poucas pessoas. Atirar-se-ia de um precipício se Luna garantisse que era seguro.
E, ainda assim...
Ali estava ela. Pensando em como poderia se aproximar de Malfoy novamente sem comprometer tudo ao seu redor.
Ele dissera: "Estava esperando por você."
Se sua memória falha e trouxa não a estivesse traindo, foram exatamente essas as palavras.
De alguma forma, ele soubera que ela entraria naquele cômodo. Ele a esperava. Sozinha.
Seria possível?
Hermione não queria acreditar. Mas precisava vê-lo de novo. Precisava se certificar de que tudo estava sob controle. Que seus amigos estavam seguros.
E precisava admitir para si mesma que uma parte dela ansiava por entender o que ele queria dela.
E qual era o verdadeiro motivo de seu repentino (?) interesse.
— Quer acampar hoje? — Ron perguntou, arrancando Hermione de seus devaneios.
Ela piscou algumas vezes, voltando ao presente, e encontrou seus amigos sentados na areia, contemplando o anoitecer perfeito.
Percebeu tarde demais que havia se perdido completamente em pensamentos.
— Hmm... Não vejo por que não. — Hermione sorriu.
E, com isso, deu o aval que todos pareciam esperar. A barraca que Harry trouxera era espaçosa o suficiente para acomodá-los confortavelmente.
Eles acampariam em um campo próximo aos exuberantes jardins da propriedade...
Havia tanto a explorar. Hermione ansiava por admirar as estrelas naquela noite, cercada por seus amigos. Mas, em seu íntimo, também esperava por ele. Tinha a esperança incerta de que, talvez, Malfoy a aguardasse novamente.
Mas como o veria se não jantassem juntos? Talvez tivesse que aceitar que aquela conversa jamais se repetiria. Quando estivera diante dele, sequer imaginara o peso daquele momento. Sentira-se assustada, incapaz de conter os tremores de seu corpo, sem saber se poderia confiar nele.
Todos voltaram aos seus quartos para se banhar e trocar de roupa. Jantariam e dormiriam no acampamento. Por mais que precisasse falar com ele... O que realmente lhe diria? O que exigiria dele?
Ele não lhe devia nada. Muito pelo contrário. Hermione lhe devia. E detestava sentir-se em dívida.
Ao chegar em seu quarto, atravessou as cortinas esvoaçantes e foi até a varanda. A vista se abria para os jardins, e, dali, podia ver o campo onde acampariam. Um cenário deslumbrante.
Hermione apressou-se a se arrumar, separando um cobertor e algumas guloseimas trouxas que sabia que seus amigos adoravam. Sentiu-se feliz por sempre estar preparada para agradá-los.
No entanto, esqueceu-se de trazer vinho. Repreendeu-se mentalmente e torceu para que alguém tivesse se lembrado. Um bom vinho tornaria tudo ainda melhor.
Encontrou-se com seus amigos no corredor e, juntos, seguiram para montar o acampamento. Em sintonia, Harry e Gina erguiam a barraca com a ajuda da varinha, enquanto Hermione, Luna e Ron se encarregavam de buscar lenha para a fogueira.
Ao voltarem, acenderam juntos a grande fogueira. Hermione montou cuidadosamente os palitos com marshmallows e derreteu o chocolate sem usar a varinha, apenas com magia bruta.
Ao servir os amigos, sentiu seu coração aquecer. Eles pareciam tão felizes com aqueles doces simples. No entanto, a bebida alcoólica passou despercebida por todos. Escolheram chá ou suco, algo que pediram a Dobby, para a decepção de Hermione.
Ela lamentou não ter algo forte para afastar aquela ansiedade que se instalava em seu peito desde que decidira falar com ele.
— Você está esquisita. — A voz de Harry interrompeu seus pensamentos.
Ele se aproximava, observando-a enquanto ela olhava para as flores lilases que refletiam o brilho da lua.
Hermione apenas queria sentir o perfume de lavanda, deixar que suas propriedades terapêuticas aliviassem a pressão em seu peito e, principalmente, evitar admitir que realmente estava estranha.
— Estou? — Ela se virou para ele com um sorriso leve.
— Sim. Mas não muito. — Harry sorriu de volta, desconfiado.
— Estava apenas observando o paisagismo desse jardim. É tão exuberante, parece uma pintura. — Hermione comentou, desviando o olhar.
Ela não estava de fato avaliando nada, mas poderia estar, se conseguisse se concentrar em qualquer outra coisa.
— Com certeza ele gastou uma fortuna para construir isso. — Harry analisou o jardim, os traços meticulosamente planejados.
— Não faz o estilo dele. — Hermione murmurou, mais para si mesma do que para Harry.
— E você sabe qual é o estilo dele? — Ele perguntou, a encarando com curiosidade, mas também com uma ponta de ressentimento.
— Apenas presumo, pelo que observei. — Ela respondeu com calma.
Harry suspirou, irritado.
— Ele construiu tudo isso. Quando chegou aqui, esse lugar estava vazio. Ele projetou cada detalhe.
Hermione ergueu as sobrancelhas, surpresa. Estava prestes a perguntar mais, mas percebeu que Harry não parecia disposto a continuar aquele assunto.
— Que interessante... — Ela tentou incentivá-lo.
— Não tem nada de interessante naquele ser sádico, Hermione. — Harry desviou o olhar para o jardim, visivelmente incomodado. — Certamente construiu isso para presentear a senhorita Greengrass.
— Ele vai se casar? — Hermione não conseguiu conter a pergunta.
— Um dia, sim. Sua família impôs isso, e nem mesmo ele pode escapar de um acordo assim. — Harry disse, o tom carregado de algo entre desprezo e resignação.
— Entendo. — Hermione respondeu, tentando esconder o incômodo que aquela ideia lhe causava.
Ela queria saber mais. Queria entender cada detalhe sobre Draco Malfoy. Mas Harry não parecia disposto a prolongar aquela conversa. Sua expressão revelava uma irritação mal disfarçada, talvez pelo evidente interesse dela no assunto.
— Vamos voltar para a fogueira. — Ele sugeriu, tocando de leve o cotovelo dela.
— Vai na frente, eu quero colher lavanda. — Hermione respondeu com um sorriso tranquilo. — Isso vai nos ajudar a dormir melhor, prometo.
Harry hesitou por um instante, como se ponderasse se devia insistir, mas por fim assentiu e seguiu de volta. Assim que ele desapareceu, Hermione afundou-se no mar de lavandas, deixando o aroma doce e terroso envolvê-la por completo enquanto colhia algumas flores.
Estava agora próxima de seu quarto e, ao erguer os olhos para o castelo, seu olhar foi instintivamente atraído para sua sacada.
E então ela o viu.
Draco Malfoy estava ali. Observava-a de cima, encostado languidamente na moldura da varanda, os braços cruzados sobre o peito, sua figura pálida contrastando com a escuridão da noite.
Havia algo quase insolente na maneira como a encarava. Um desafio silencioso. O brilho amarelado das luzes do quarto dela, acesas novamente — as mesmas que ela apagara antes de sair —, pareciam um recado claro.
Ele estivera ali.
Hermione não precisou pensar. Seus pés já se moviam antes que sua mente processasse a decisão. Começou a correr pelos jardins, desviando das plantas, atravessando os corredores até a entrada lateral que levava à ala sul. Seu coração pulsava forte contra o peito.
Draco Malfoy havia estado em seu quarto. No meio da noite. Um homem prometido a outra mulher.
Ou quase isso.
O que significava que ele não tinha qualquer interesse real nela. Certo?
Subiu os degraus de dois em dois, atravessando o último lance de escadas até seu quarto. E ao chegar diante da porta, pausou por um instante, inspirando fundo.
Ela estava pronta para encarar Draco Malfoy?
O tremor em sua mão denunciava seu total despreparo para aquele encontro.
Hermione estendeu os dedos longos, as unhas levemente cravadas na maçaneta fria antes de girá-la. Respirou fundo antes de entrar.
O ar ali dentro parecia diferente, mais denso. Uma eletricidade inquietante pairava ao redor, reverberando em sua pele. Por um momento, pensou que ele tivesse ido embora. Então, a silhueta alta emergiu da varanda, deslizando para dentro do quarto com a graça de um predador.
— O que diabos está fazendo no meu quarto? — Hermione questionou sem rodeios, tentando ignorar o arrepio que percorreu sua espinha.
O sorriso dele foi letal. Um esgar de pura soberba e diversão maldosa. O mesmo do dia anterior.
— Que pergunta fascinante, senhorita Granger. — A voz dele era um veludo impregnado de escárnio. — Talvez você ainda não tenha se dado conta, mas cada cômodo, cada mobília, cada partícula de poeira desta ilha me pertence. — Ele percorreu o olhar pelo quarto, como se o próprio espaço curvasse-se à sua presença. — Diga-me, por que eu deveria lhe prestar satisfações sobre o que faço em um dos meus aposentos?
A voz grave e envolvente parecia envolver Hermione em um feitiço próprio, ecoando por sua mente, pelas paredes, pelos ossos.
Ela sustentou o olhar, recusando-se a recuar.
— Talvez porque você o tenha cedido a mim durante minha estadia? — devolveu, com um arquejo de sobrancelha e um tom meticulosamente irônico.
Os lábios dele se curvaram levemente, mas o sorriso nunca alcançou os olhos.
— Eu não cedi nada a você. — A resposta sibilou, gélida.
Hermione ignorou a advertência velada e deu um passo à frente, desafiadora.
— Você me fez perguntas bastante indiscretas ontem. Posso retribuir a cortesia hoje? — Ela não esperou resposta. — Sua noiva sabe que você invade o quarto de mulheres trouxas indefesas no meio da noite?
Os olhos dele brilharam com algo perigoso. Malfoy cruzou os braços sobre o trench coat negro que esculpia sua silhueta esguia, seus músculos tensionando sob o tecido luxuoso. Sua resposta não veio em palavras, mas ressoou como um sussurro frio dentro da mente dela.
“Respondo quando responder o que perguntei.”
Hermione franziu o cenho.
— Repita a pergunta. — Desafiou, mantendo a compostura.
Ele não hesitou.
— Potter ainda a deseja?
Hermione piscou. A pergunta a desarmou, mas ela não se permitiria vacilar.
— O que quer dizer com ‘deseja’? — provocou, sabendo que a ambiguidade o irritaria.
Malfoy avançou dois passos. O espaço entre eles reduziu-se a centímetros.
“Responda, sangue-ruim. Sabe muito bem a que me refiro.”
A voz dele veio de novo, deslizando em sua mente como um toque gélido e autoritário.
Hermione sentiu o coração martelar contra as costelas. Os olhos acinzentados, antes de uma frieza cortante, tornavam-se agora um abismo escuro, consumindo-a inteira.
— Não. — A palavra saiu firme, mas seu olhar vacilou por um segundo.
E Draco Malfoy sorriu. Como se soubesse algo que ela ainda não entendia.
“Você ainda o quer?” — Perguntou pausadamente. Palavra por palavra, apenas com a mente.
— Não. — Respondeu num sussurro.
Ela nunca o quis. Ao menos, não da forma que ele imaginava.
Malfoy avançou, reduzindo a distância entre eles, inclinando-se até que seus lábios pairassem rente à sua orelha. Sua voz, baixa e cortante, trouxe consigo um arrepio inevitável.
— Eu não vou me casar com Astoria. — A confissão deslizou como veneno doce. — O quarto é seu. Trouxe um vinho de presente. Aproveite. Talvez, bêbada, você finalmente pareça uma pobre trouxa indefesa.
Ele se virou para partir, e Hermione, impulsionada pelo desespero de entender mais, ergueu a mão para detê-lo. Mas ele foi mais rápido. Sua reação foi tão súbita que, antes mesmo que seus dedos tocassem sua pele, ele segurou seu pulso com força.
A súbita rejeição a paralisou. O ar entre os dois ficou denso, carregado de algo desconhecido e perigoso.
— Não me toque, senhorita Granger. — Sua voz era um sussurro envenenado de raiva contida. — Se ousar me tocar, eu juro que vou fazer você quebrar.
As palavras ressoaram, ecoando no silêncio que se seguiu.
Hermione queria respostas. Precisava delas. Mas ele já havia decidido que aquele encontro terminara ali.
— Por favor… — Sua voz mal passou de um murmúrio, carregada de súplica.
Ele parou, sua presença dominando cada centímetro do ambiente. Poderia simplesmente aparatar e desaparecer sem uma palavra. Mas não o fez.
Isso precisava significar algo.
Draco a encarou com uma intensidade desconhecida. Um olhar indecifrável, quase inumano.
— Tenha uma boa noite. — Sua despedida soou quase como um aviso.
Então, ele desapareceu.
Hermione sentiu o impulso de correr atrás dele. Mas para onde iria?
Segundos depois, um ruído suave a trouxe de volta à realidade. Três batidas firmes na porta.
— Hermione? Está aí? — Harry chamou, a voz carregada de preocupação.
Ela respirou fundo, compondo um sorriso forçado antes de abrir.
— Sim. — Disse, a voz mais firme do que esperava. — Eu vim pegar um vinho!
— Isso é perfeito! — Harry se animou. — Por favor, diz que é aquele que você trouxe da última vez!
Eles passaram a noite na cabana com os outros, rindo e compartilhando goles do vinho. No final, adormeceram lado a lado.
Luna parecia radiante.
Mas Hermione sabia que Goyle não estaria. Pelas tradições, ele não pode
ria estar com ela naquela noite. E, portanto, não poderia se ressentir por estar ausente da reunião.
Esse pensamento deveria ser reconfortante.
No entanto, enquanto o sono a tomava, a última imagem em sua mente não foi o sorriso de Harry ou as risadas de Luna.
Foi ele.
E ela sabia que, cedo ou tarde, o confrontaria novamente.
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