Sonhando com Malfoy

8 Capítulo 5 | Reencontro




Aqueles anos tinham cobrado de Hermione muitas decisões.


Ela precisava ser mais sociável, pois a vida entre trouxas era muito diferente. A sociedade estava evoluindo para não fazer distinções — todos eram capazes, todos buscavam igualdade em qualquer âmbito. Qualquer coisa diferente disso era vista com maus olhos.


Pessoas conservadoras ou que pensassem diferente do mínimo aceitável eram evitadas por ela e por seus pais. Sem dó.


Hermione queria se cercar de pessoas que buscavam a paz, fosse dentro de si mesmas ou ao seu redor.


Pessoas educadas e gentis se tornaram seu tipo favorito. Na universidade, acabou formando um pequeno grupo de amigos.


Lourdes e Mônica eram suas melhores amigas.


Lourdes queria ser cardiologista.


Mônica, cirurgiã ortopédica.


Hermione seguia firme com seus planos originais.


Havia também Simon, que já estava na residência e se especializava em neurocirurgia. Ele ajudava os alunos mais novos como uma espécie de monitor, o que lhe garantia pontos extras e honrarias na formação.


E, claro, ele estava obcecado por se formar com maestria. Depois de estudar sem parar por doze anos, queria ser um neurocirurgião brilhante e merecia créditos por isso.


Quando seus professores indicaram os alunos já formados para fazer a mentoria, Hermione se animou. Mas, ao conhecer os escolhidos, sentiu-se intimidada.


Três dos monitores eram homens lindos.


Especialmente Simon, que parecia interessado nela.


Mas Hermione sabia que ele era um galinha, que já havia se divertido com metade de Harvard. Precisava se proteger.


Seus olhos profundamente azuis eram um ponto positivo. E o fato de ele ter descoberto quem Hermione era só evidenciava ainda mais seu interesse. Queria conhecer seu pai. E reconhecia que ela poderia ser, no futuro, uma rival — afinal, seu próprio pai era um dos melhores no ramo.


Então, Hermione não podia confiar naquilo. O interesse dele era genuíno ou apenas estratégico?


Ela não queria descobrir.


Ou talvez simplesmente soubesse que suas intenções não eram puras.


Simon tinha cabelos castanhos muito claros, quase loiros. A pele sempre bronzeada denunciava sua origem grega e o fato de que viajava para lá sempre que possível. “Para tomar sol enquanto estudo”, dizia ele.


Seu rosto tinha um maxilar bonito e marcado. A nuca, vez ou outra, chamava a atenção de Hermione. Achava bonita.


Nucas sempre chamavam sua atenção. Especialmente as masculinas.


Então, é claro que não o considerava especial por isso.


Naquela manhã, Hermione pegou sua bolsa assim que terminou o café da manhã, vestiu seu trench coat off-white favorito, beijou Bichento na cabeça e saiu em disparada para o estacionamento.


Assim que entrou na via principal, seu telefone tocou. Atendeu e, automaticamente, o viva-voz do carro foi ativado.


— Deus, Harry é incrível na cama! — Lourdes exclamou do outro lado da linha.


O nome fez Hermione tremer.


Claro que ela não estava falando do seu Harry.


Ela se referia a Harry, o futuro ortopedista, filho de um aristocrata inglês.





— Bom dia, Loulou. — Hermione disse, sorrindo. — Bom saber que pelo menos uma de nós se divertiu muito.


Ela pensou que Lourdes estava muito diferente da garota tímida que conhecera. Felizmente.


— Bom dia, Onieee. — Lourdes riu do outro lado da linha. — Eu mal posso acreditar que ele realmente gosta de mim!


Ele não gosta. Hermione sabia. Mas como poderia explicar isso para sua melhor amiga trouxa? Para isso, precisaria dizer coisas que lhe foram proibidas.


— Vamos com calma, somos estudantes, precisamos nos concen…


— Eu sei, Onie, eu sei! — Lourdes a interrompeu abruptamente. — Será que você não pode relaxar um pouco? Estamos no fim do período, somos as melhores alunas, temos as melhores notas. Será que dá para ignorar a medicina só por um instante, Hermione Granger?


Não era como se Hermione não estivesse relaxando… Porque estava.


Que se danasse a medicina. Ela estava preocupada com Lourdes.


Precisava manter alguma proteção erguida para sua amiga. Para que ela não relaxasse tanto a ponto de investir nessa relação com Harry Prinsley, que estava fadada ao fracasso.


E Hermione teria que assistir tudo de longe, pois sabia que Lourdes encararia qualquer tentativa de alerta como inveja mal-intencionada. Ela era esse tipo de pessoa. Sempre desconfiada, sempre acreditando que todos ao seu redor sentiam uma inveja profunda dela. E Hermione não seria exceção.


— Acho que posso relaxar um pouco, sim. — Hermione respondeu, um tanto a contragosto.


Detestava saber o que sabia e simplesmente fingir ignorância. Mas, tecnicamente, precisava viver como qualquer outro humano comum. Completamente no escuro.


E se estivesse no escuro, talvez já tivesse cedido aos encantos de Simon.


Talvez estivesse realmente grata por estar desperta em um mundo onde todos os outros dormiam.


Onde os adivinhos eram charlatões insanos, inventando previsões absurdas que um bruxo de verdade jamais faria.


Quando Hermione olhava para sua própria gente, sentia um pouco de… tristeza. E nem sabia por onde começar.


Depois de quatro anos, já havia aprendido a aceitar sua realidade. Era um tempo considerável.


Aceitou que talvez jamais visse seus amigos novamente.


Aquela esperança deixada por Dumbledore morrera pouco a pouco. Nunca recebera notícias. Todas as suas tentativas de contato falharam miseravelmente.


Agora, só restava viver como quem precisava ser.


Por mais que fingir ser outra pessoa acabasse com ela.


Precisava ver certas desgraças acontecerem e ficar em silêncio. Porque o segredo precisava ser protegido.


Às vezes, ser trouxa, mas não ser, parecia uma maldição.


Despediu-se de Lourdes, sentindo que estava falhando com sua amiga. Falhando com sua própria lealdade.


Mas Lourdes não seria grata pelo conselho. Só ficaria irritada. E ponto final.


Quando chegou à universidade, percebeu que os olhares de Simon eram incessantes.


Estava cada vez mais óbvio para todos que ele a queria em sua cama. De qualquer jeito.


E aquele desejo… Hermione observou. Era genuíno.


Mas todo o resto, não.


Hermione nunca havia sido beijada. Mas já presenciara uma quantidade absurda de sexo nas festas da faculdade.


Médicos eram criaturas sexuais, afinal. Grey’s Anatomy não mentiu nem sequer uma vírgula.


Cansada da aula, saiu do auditório. Já havia estudado aquele conteúdo nos dias anteriores.


E precisava ficar longe dos olhares intensos de Simon. Ou de qualquer outro.


Foi para o laboratório, onde sabia que encontraria Mônica.


Mônica era sensata. Mais séria do que Lourdes já foi um dia.


Competente.


Filha de pais com uma vida mais simples, estava determinada a fazer aquilo dar certo. Mais do que qualquer coisa, queria estabilidade.


Não se deixava levar por qualquer homem.


E nunca ia às festas dadas pelos colegas de classe, em sua maioria esnobes e elitistas.





Hermione sentia que Mônica era um equilíbrio. Um ponto entre o mundo trouxa e o mundo bruxo.


Sabia que precisava evitar esse tipo de pensamento, mas, às vezes, sentia que Mônica percebia as coisas à sua volta com muito mais sensibilidade do que os outros trouxas — que, na maioria das vezes, só acreditavam no que podiam ver.


Ela amava Mônica. Também amava Loulou, mas Mônica fazia com que se lembrasse de uma parte sua que, às vezes, quase esquecia.


O lado que sentia tudo.


O lado que era mágico.


Aquele dia se arrastou.


Hermione percebeu que Simon estava vindo procurá-la e, antes que ele a alcançasse, escapou para uma sala qualquer, avisando Mônica que iria buscar um lanche para que continuassem estudando.


Mônica pediu pizza — qualquer uma — e Coca Zero.


Hermione comprou tudo antes de voltar ao laboratório, esperando o tempo suficiente para ter certeza de que Simon já teria desistido de esperá-la.


Ele se achava bonito demais para perder tempo com isso.


Por sorte.


Dividiram mais um lanche radioativo, como costumavam chamar as refeições que envolviam pizza e refrigerante.


E, quando terminaram o trabalho que precisavam entregar em um mês, saíram do laboratório.


Loulou não quis fazer o trabalho com elas, estava ocupada recuperando a matéria que perdera no dia anterior.


— Podemos ficar bêbadas hoje? — Hermione perguntou, enquanto se espreguiçava, ainda vestindo o jaleco obrigatório.


Mônica já o tirava, um sorriso travesso nos lábios.


— Sim, por favor, sim!


Saíram em disparada para o estacionamento, tomando cuidado para não serem vistas.


A noite já havia caído, e as luzes dos postes iluminavam o campus.


Hermione segurava a mão de Mônica.


Ela era a companhia que precisava naquele dia.


Um dia em que tudo parecia estranho.


Naquele dia, mais do que em qualquer outro nos últimos três anos, Hermione pensou neles.


Vislumbrou o rosto de Harry, mesmo que por poucos segundos.


Reprimiu a imagem do sorriso gentil, dos olhos ternos e lindos.


Dos óculos tão característicos.


Lembrou-se do seu melhor amigo.


E precisava parar de pensar neles.


Ou ficaria deprimida.


O inverno havia chegado de novo.


Junto com o fim do período.


Estava prestes a entrar de férias, um tempo que aproveitava para estudar por conta própria, assistir novelas coreanas e fazer uma ou outra pequena viagem.


Mas, quando Hermione chamava Mônica para beber, não era só beber.


Era tomar todo o vinho que conseguissem, sentadas em frente à lareira de seu espaçoso apartamento, cercadas por móveis tão antigos quanto o tempo.


O lugar tinha uma atmosfera mágica, nostálgica.


Dava a elas a impressão de que estavam voltando ao passado.


Hermione preparou tudo.


Pediu que Mônica fosse tomar banho e lhe emprestou uma roupa quentinha.


Enquanto isso, acendeu as velas na sala e a lareira, deixando o ambiente iluminado apenas pelo fogo.


Depois, foi até a varanda — que agora se parecia com uma pequena floresta — para regar suas plantas.


E encontrou uma carta.


Obviamente, do Ministério da Magia.


Assim que a tocou, a carta começou a falar baixinho, como se soubesse que não deveria chamar a atenção de Mônica:


“Senhorita Hermione Granger,


Venho, por meio desta, informar que o Ministério da Magia concedeu, em caráter extraordinário, um passe para o mundo mágico por exatamente vinte e três horas. A contagem poderá ser acompanhada através desta carta, a partir do momento em que cruzar o portal localizado na estação King’s Cross…”



— Eu sei onde fica. — Hermione interrompeu em um sussurro, temendo que sua amiga a escutasse.





A carta caiu em suas mãos.


Ao abrir os papéis, Hermione encontrou a autorização.


Mas a assinatura da pessoa que havia emitido aquele passe extraordinário...


Simplesmente não podia ser vista.


Um tipo de criptografia mágica difícil de decifrar.


Fazia tanto tempo que ela não tinha contato com uma magia assim.


Tanto tempo que nem sabia se ainda podia acreditar.


Mas a autorização estava ali.


E trazia um prazo.


Ela deveria ir a partir das nove horas da manhã.


Amanhã.


Uma sexta-feira.


Hermione teria aula.


Ela faltaria aula?


Nunca faltara na vida.


Nem em Hogwarts.


Nem em Harvard.


— Onie! — A voz de Mônica a chamou de volta.


Hermione ainda tentava processar o choque do que estava prestes a acontecer.


Ela prometera beber até cair com sua amiga.


Mas e se essa fosse sua única chance?


E se jamais tivesse outra oportunidade de ver Luna, Harry e Ron?


Ela precisava ir até a Toca.


Seu coração disparou.


Estava quase sem ar de tanta ansiedade.


Parecia um sonho.


Ou um surto.


Quando Mônica entrou em seu jardim, Hermione correu para abraçá-la, ainda segurando a carta.


— O que houve? — Mônica perguntou, rindo sem entender, mas retribuindo o abraço.


Hermione se afastou, os olhos brilhando.


— Pode me dar cobertura amanhã? Vou fugir pra ver uns velhos amigos.


— Claro.


Ela tinha a melhor amiga trouxa que alguém como ela poderia ter.


— Vamos beber! — Hermione exclamou, rindo. — Deixa só eu tomar banho!


E saiu correndo, dando pulinhos.


Ela nunca fora o tipo de pessoa que dava pulinhos.


Devia estar sonhando.


Devia estar louca.


Mas não importava.


Ela comemoraria.


Mesmo que isso pudesse atrapalhar.


Mesmo que não conseguisse dormir de ansiedade.





Mais tarde, elas se sentaram entre cobertas e travesseiros sobre o tapete felpudo, recém-limpo, em frente à lareira.


Seguravam suas taças de vinho, observando as chamas dançarem.


Hermione pedira a melhor pizza de Londres, sem se importar com as calorias.


Era feliz ali.


Feliz por aquele momento.


Feliz por ter ganhado um dia.


Conversaram pouco.


O silêncio entre elas era confortável.


Mas então, Mônica quebrou o momento:


— Você já foi apaixonada por alguém?


Hermione bebericou o vinho, refletindo.


— Se eu usar a lógica, a resposta é não.


Ficou um momento em silêncio.


Depois, continuou:


— Mas há um buraco em mim. Algo que sinto que falta, mas que não sei o que é.


Ela riu, balançando a cabeça.


— Não sei se isso faz sentido para você… Se é porque nunca me apaixonei ou porque existe algo em mim que está completamente perdido e, por isso…


— Mais do que você imagina. — Mônica interrompeu, enigmática.




Mas Hermione pensou que Mônica também tinha seu próprio buraco interior, algo que ansiava encontrar.


No caso de Hermione, era a magia.


A magia que fazia parte dela, dos seus amigos, daquele universo inteiro que fora obrigada a deixar para trás.


Ou pelo menos era assim que ela pensava.


Nunca desconfiara do que de fato acontecera em seu último dia em Hogwarts.





E, como previra, não conseguiu dormir.


As duas haviam bebido apenas uma garrafa inteira de vinho, mas a mente de Hermione estava inquieta demais para descansar.


Quando a manhã chegou, ela se arrumou com cuidado.


Vestiu uma meia-calça térmica sob um jeans preto, um suéter quentinho e, por cima, um trench coat.


Maquiou-se levemente para parecer corada e bonita.


E, naquele dia, decidiu usar os cabelos soltos.


Quando Mônica acordou, se vestiu rapidamente e tomou o café que Hermione já havia preparado.


Hermione a levou para a universidade de carro.


Levava consigo uma garrafa de vinho, um presente para os amigos que reencontraria naquele dia.


"De caráter extraordinário..."


No caminho, de repente, um pensamento lhe ocorreu:


E se isso não funcionar?


Olhou o relógio.


7h45.


Ainda faltava muito para a hora marcada, mas já estava chegando à estação.


Ao estacionar o carro em um local próximo, pegou sua bolsa Chanel Classic Flap, onde guardava o vinho, e caminhou até a plataforma.


Sentou-se ali, esperando pacientemente.


O fluxo constante de trouxas ia e vinha ao seu redor.


Alguns olhavam para ela, curiosos.


Ali, parada, à espera de algo invisível aos olhos deles.


Então, às 9h em ponto, Hermione se levantou.


Deu um passo à frente e, hesitante, estendeu a mão para tocar a parede.


Seu coração falhou algumas batidas quando seus dedos atravessaram a superfície sólida.


Era verdade.


Tudo era verdade.


No mesmo instante, sentiu a carta vibrar no bolso interno de seu trench coat, indicando que a contagem de tempo começara.


Ela respirou fundo.


E passou pelo portal.




Do outro lado, a estação sempre lotada de bruxos estava completamente vazia.


O silêncio a envolveu.


Hermione sentiu um arrepio na nuca.


Aquilo a assustou um pouco.


E agora?


Deveria ir andando até a Toca?


Instintivamente, tocou o colar de rubi pendurado em seu pescoço.


O colar que era para Luna.


Hermione o usava todos os dias, para que nunca perdesse a oportunidade de entregá-lo.


Com o tempo, perdera as esperanças…


Mas uma faísca teimosa dentro dela se recusava a apagar.


E foi essa faísca que a trouxe até ali.


Um trem parou na estação.


Ela entrou, sentindo o coração bater forte.


Abriu a carta, na esperança de encontrar novas instruções.


E lá estavam.


Ela deveria dizer em voz alta a estação mais próxima do seu destino.


Nesse instante, sentiu o colar arder contra sua pele.


Hermione engoliu em seco.


Encontraria Luna.


E juntas, aparatariam para a Toca.


A essa altura, Luna certamente aparatava com segurança para qualquer lugar.


Respirou fundo.


— A estação mais próxima à aldeia Ottery St. Catchpole. — disse em voz alta.


No mesmo instante, o trem partiu.


A velocidade era alucinante, como se cortasse o tempo e o espaço.


Mas Hermione já esperava por isso.


E segurou-se firme.








Quando chegou à aldeia, o caminho lhe era familiar.


Já estivera ali algumas vezes antes.


Mas, naquela manhã, as ruas estavam desertas.


Poucas pessoas moravam na região e o frio rigoroso as mantinha dentro de casa.


Ali, a neve já cobria tudo.


Muito diferente de Londres, onde, apesar do frio, ainda não havia nevado sequer uma vez.


Atravessar a aldeia foi um desafio.


Hermione evitou as ruas principais, optando por atalhos isolados, onde a neve acumulada dificultava seus passos.


O vento cortante lhe castigava o rosto.


Cada rajada parecia atravessar seu suéter.


Por que, em nome de Merlin, escolhi um decote em V?


E, acima de tudo, por que esqueci um cachecol?


Ao se aproximar da casa de Luna, um turbilhão de sentimentos tomou conta dela.


Nostalgia.


Uma saudade tão forte que quase doía.


Subiu a colina com esforço, sentindo as pernas queimarem.


Cada passo afundava na neve, tornando a caminhada ainda mais exaustiva.


Por um instante, amaldiçoou sua escolha de calçado.


Usava uma bota Chelsea clássica preta, de salto grosso e estável, o que ao menos lhe dava firmeza no solo escorregadio.


Pelo menos tive a decência de não usar aquelas Auteuil de salto agulha…


Se tivesse cedido à vaidade, suas botas de verniz já estariam completamente destruídas.


E, com certeza, ela teria despencado colina abaixo.


Quando finalmente parou diante da casa cilíndrica de Luna, sentiu o coração disparar.


O grande portão separava Hermione das paredes escuras e excêntricas da casa de sua melhor amiga.


Por um segundo, hesitou.


O que deveria fazer?


Passara tanto tempo sem usar magia que, mesmo ali, na soleira do mundo bruxo, não sabia como chamá-la.


Decidiu pelo método mais óbvio.


— Luna! — gritou, segurando as grades do portão.


O som ecoou pelo ar gélido.


Por um moment

o, nada aconteceu.


Então, num piscar de olhos, Luna se materializou do outro lado do portão.


Os olhos arregalados.


O choque estampado em cada traço de seu rosto.


Ela olhava para Hermione como se estivesse vendo um fantasma.


Como se fosse uma alma que deveria ter seguido para… fosse lá onde as almas vão.


— Hermione? — Sua voz saiu num sussurro incrédulo. — É você mesmo?


As lágrimas já brilhavam em seus olhos.


— Sim, sou eu! Quem mais seria? — Hermione sorriu, chorando como uma boba.


Os lábios azuis de frio.


Mas o coração, quente outra vez.