Sonhando com Malfoy

4 Capítulo 3 | Parte 1


Notas iniciais
Gentil leitor, Eu dividi o capítulo em duas partes para o mesmo não ficar grande demais para um conto! Espero que gostem!

Perseguição








Hermione chegou a Hogwarts após as férias decidida a ser breve e formal, caso precisasse dar alguma explicação. O cenário político do mundo bruxo estava confuso, especialmente para os nascidos trouxas.


Os mestiços ainda eram aceitos, é claro, mas suas famílias precisavam se separar ou se mudar para o mundo trouxa, caso quisessem permanecer juntas.


Todos aceitaram essa condição em nome de um consenso: o desaparecimento da magia bruxa parecia iminente.


Os chamados "abortos" – bruxos de sangue puro sem magia – estavam se tornando cada vez mais comuns, deixando a comunidade bruxa em pânico. Afinal, o que era um bruxo sem magia, senão um trouxa? A única esperança desses abortos era se casar com um bruxo que tivesse magia. Um mestiço, por exemplo, seria uma boa escolha. Mas uma nascida trouxa como Hermione Granger? Essa hipótese era completamente descartada.


Ela era o que chamavam de "acidente". A magia havia se manifestado nela, mas a possibilidade de não ser transmitida à sua descendência era alta demais para ser considerada uma garantia.


Portanto, para muitos, ter alguém como Hermione entre eles era inadequado e perigoso.


E, em parte, Hermione compreendia isso. O desaparecimento da magia… Era assustador.


Quando chegou à estação de Hogsmeade, Harry a esperava com um sorriso caloroso. Ele parecia forte, com seu maxilar quadrado destacado, e os óculos redondos davam a ele um ar de inteligência. Vestido com roupas de linho em tons de marrom, seus músculos se evidenciavam sob a camisa de botões.


Harry era vários centímetros mais baixo que Malfoy, mas sua beleza e carisma o faziam se destacar. Malfoy era frio e distante, alguém que você só poderia admirar à distância. Mas Harry… Com ele, você podia sonhar e realizar.


Essa era a impressão que Hermione tinha.


Gina, embora não fosse uma amiga íntima, era alguém por quem Hermione nutria carinho. Ela ficava genuinamente feliz pelo casal, que, em sua opinião, era perfeito.


Ao descer do trem, Hermione correu para abraçá-lo, e Harry a rodopiou no ar com facilidade.


— O que você fez com o seu cabelo? — perguntou ele, bagunçando os fios no topo de sua cabeça.


— Deus, Potter, passei horas hidratando e arrumando! Por favor, não toque assim! — Hermione protestou, tentando reorganizar os cachos.


— Eu prefiro quando ele é volumoso e ocupa todo o espaço ao seu redor — comentou Harry, parecendo insatisfeito com os cachos mais alinhados e sedosos.


— Não diga bobagens! Gastei uma fortuna para deixar meu cabelo assim. Não se meta! — retrucou Hermione, pegando sua mala com o despachante do trem.


— Vou jogar toda essa quinquilharia trouxa fora. Você não precisa disso no cabelo. — Harry insistiu, provocando uma pontada de dor no coração dela.


— Harry, eu sou trouxa — respondeu Hermione, encarando-o com seriedade. — Não se esqueça disso. Por favor.


Diante da firmeza dela, Harry se calou. Hermione sentiu um vazio crescente dentro de si. Ela precisava se adaptar ao mundo trouxa, não ao bruxo.


Ao chegar ao castelo, eles viajaram para outra dimensão através dos grandes portões da ala Oeste. Foi a viagem mais bela que Hermione já fez. Embora rápida, ela teve um vislumbre de todas as dimensões mágicas ao mesmo tempo, em um fio encantado de tempo. Era lindo e assustador, mas, sobretudo, inesquecível.


Quando deu o primeiro passo na universidade, sentiu-se inteira novamente. Em paz, despediu-se de Harry, que saiu em busca de Rony para um treino de quadribol, e correu pelos corredores em direção à sua melhor amiga.


Era óbvio onde ela estaria: na biblioteca, concentrada em um livro sobre adivinhação, a arte que dominava com maestria.


Hermione a abraçou pelas costas, surpreendendo-a. A amiga sorriu, visivelmente feliz com sua presença.




— Ele fará o curso de Poções — sussurrou Luna.


Ao dizer "ele", Luna referia-se a Malfoy.


Ela havia se encarregado de descobrir, pelos meios tradicionais, em qual curso Draco entraria, já que qualquer tentativa de usar magia para espioná-lo seria inútil. Havia bruxos das trevas protegendo sua privacidade dia e noite, garantindo que ninguém ousasse investigar sua vida magicamente.


Hermione não conseguia entender por quê.


As Artes das Trevas eram proibidas, exceto em casos específicos, como proteção de famílias ricas. Mesmo assim, a prática não os livrava das consequências de seu uso.


Malfoy, claro, tinha os recursos necessários para comprar a lealdade de qualquer um que usasse magia para proteger seus segredos.


Luna descobriu a informação pela via mais segura: as fofocas em Hogwarts. Qualquer coisa que Malfoy fizesse rapidamente virava notícia.


Hermione não perdeu tempo e correu para o Salão Magistral da universidade, em busca de um atalho para a sala de Dumbledore. Ao longo dos intermináveis corredores, lamentou não poder aparatar. Embora sua magia fosse suficiente, seu sangue trouxa tornava o feitiço arriscado. Havia registros de nascidos trouxas que acabaram mortos ou mutilados ao tentar aparatar, e Hermione não estava disposta a correr o risco.


Quando finalmente encontrou o diretor, informou que faria o curso de Curandeira, mas apenas durante o curto período em que permaneceria na universidade.


A verdade era que ela estava esperando Malfoy se decidir. Assim que ele escolhesse um curso, ela optaria por outro, apenas para evitá-lo.


Hermione sabia que estava ficando cada vez mais difícil disfarçar seus sentimentos. Às vezes, pegava-se olhando para ele, mas, por sorte, ninguém havia percebido. Essa sorte, no entanto, não duraria para sempre.


Ela precisava se afastar antes que acabasse se colocando em uma situação constrangedora.


Hermione não era a única com uma queda por Malfoy. Muitas outras garotas o importunavam abertamente, e rumores indicavam que ele havia correspondido a algumas delas. Uma delas, Astoria Greengrass, era uma sangue-puro de beleza impressionante. Inteligente e perspicaz, Astoria era tudo o que se esperava de uma sonserina.


Pelo que diziam, as famílias de ambos estariam em êxtase com uma possível união, mesmo que fosse apenas uma possibilidade.


Mas Hermione sabia como o mundo mágico funcionava. As opções de casamento para Draco Malfoy eram cada vez mais restritas.


No primeiro dia de aula no curso de Curandeira, Hermione sentiu olhares críticos. O curso era composto majoritariamente por alunos da Lufa-Lufa e Corvinal, com poucos grifinórios e praticamente nenhum sonserino.


Hermione havia escolhido aquele curso não apenas por seu interesse, mas porque Luna também o faria. Tinha certeza de que Luna seria a melhor curandeira que o mundo mágico já conhecera, e queria passar seus últimos meses ali ao lado dela.


Quanto a Harry e Rony, seria mais difícil manter a proximidade. Eles estavam ocupados com os interesses típicos da idade, atividades que Luna e Hermione dificilmente poderiam compartilhar.


O que os meninos faziam nessa idade? Hermione não sabia ao certo, mas tinha consciência de que suas rotinas os distanciariam.


Hermione, no entanto, tinha paixão por diversas disciplinas e descobriu que poderia assistir a aulas de outros cursos de forma descompromissada. Decidiu, então, explorar o máximo que pudesse, exceto, é claro, as aulas de Poções – por razões óbvias.


Ao final daquela semana, Hermione estava exausta, mas satisfeita. A biblioteca da universidade só fechava às 22h, permitindo que ela e Luna estudassem ou conversassem aos sussurros até tarde, longe de olhares curiosos.


No entanto, sua tranquilidade foi interrompida por Astoria Greengrass, que se aproximou com um sorriso afetado, seguida por suas amigas.


— Olá, Granger. Que surpresa te ver aqui — disse Astoria, com um tom falsamente cordial. — Achei que você não pudesse estar aqui por causa do decreto.




O tom de Astoria era surpreendentemente amigável, algo que nunca antes havia acontecido. Ela jamais se referira a Hermione diretamente. Hermione se perguntava o que poderia ter mudado durante as férias.


O decreto, afinal, era claro como água:


“Os nascidos trouxas devem permanecer o mais longe possível do mundo mágico, sendo proibidos de exercer qualquer atividade mágica, dentro ou fora das dependências mágicas.”


— Bom, você pode perguntar a Dumbledore sobre seus planos, já que foi ele quem julgou necessária minha permanência por mais um curto período — respondeu Hermione com um sorriso que era, provavelmente, o mais falso que já havia dado.


Uma amiga de Astoria, uma garota loira cujo nome Hermione não se lembrava, interrompeu:


— Claro... porque você precisa de ainda mais ajuda para tentar domar esse poderzinho insignificante — disse, com um riso debochado. — A patética magia de uma nascida trouxa. Você é ainda mais ridícula do que eu pensava.


As outras meninas riram. Astoria, com seus longos cabelos negros e olhos verdes, levou a mão à boca para tentar disfarçar o riso, mas não conseguiu esconder completamente.


Hermione tentou ignorar. Tentou. Mas sabia que, se deixasse passar, as provocações não cessariam.


Sem hesitar, conjurou mentalmente a magia do fio invisível. Sentiu o feitiço se formar e envolver a garganta da loira zombeteira. Com um simples fechar de mão, o fio se apertou.


A cena era surreal. Hermione não gostava de violência, mas, naquele momento, acreditou que precisava se impor.


A garota caiu no chão, levando as mãos desesperadamente à garganta enquanto tentava retirar o fio que não podia ver. Emitia sons abafados e incompreensíveis, claramente implorando para que Hermione parasse.


— Esse pequeno poder? — Hermione se abaixou ao lado dela, olhando-a nos olhos com uma expressão teatral de pena. — Este aqui? — repetiu, levando a mão à própria garganta.


E então soltou o fio. A loira arfou, recuperando o ar com dificuldade.


Luna já estava com a varinha em punho, preparada para qualquer ataque do grupo.


Quando Hermione ergueu os olhos, viu algo para o qual jamais estaria preparada:


Draco Malfoy observava tudo a poucos metros de distância. Seu olhar estava fixo na garota no chão, e um sorriso diabólico, carregado de ironia e raiva, curvava os lábios. Não era um sorriso que chegava aos olhos.


Hermione sentiu o medo invadi-la.


O que Draco faria a ela por ter ferido uma sonserina, uma sangue-puro, e sem sequer usar uma varinha?


Suas mãos começaram a tremer e suar, mas Hermione se forçou a manter a postura firme. Não podia mostrar fraqueza diante dele.


— Com sua licença — disse, dirigindo-se a Astoria, antes de sair caminhando com calma, sem se apressar.


Astoria, por sua vez, apenas sorriu. Não fez menção de ajudar a amiga caída no chão, limitando-se a observá-la com indiferença.



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Naquele fim de semana, Hermione e Luna mal saíram do quarto. Permaneceram juntas na ala da Grifinória, longe de qualquer possível confronto.


Harry e Rony, por outro lado, riram muito quando souberam do incidente, mesmo depois de Hermione explicar que Malfoy havia testemunhado tudo e que isso poderia trazer problemas para ela.


— Você está comigo, Hermione. Não vai acontecer nada — Harry disse, despreocupado, rindo enquanto servia um pedaço de torta.


Hermione, no entanto, não conseguia relaxar. Tremia só de pensar no que havia feito.


Para Harry e Rony, no entanto, o episódio era motivo de piadas e gargalhadas.



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Na segunda-feira, Hermione se viu atrasada para a aula. Corria pelos corredores, tentando fazer o menor barulho possível, até que, ao dobrar a última esquina, avistou...


A nuca de Malfoy.


Ele estava sentado sozinho, a algumas mesas à frente.


Hermione, que tinha certeza de que estava atrasada, percebeu que, de alguma forma, havia chegado mais cedo do que os outros alunos.


E podia jurar que ele sabia que ela estava ali.





Hermione olhou para o seu Apple Watch mais uma vez, perplexa. Em um lapso, percebeu que estava 15 minutos adiantada.


Sentou-se em sua mesa, confusa. Tinha certeza absoluta de que estava atrasada.


O pensamento a levou a lembrar que, naquela manhã, havia colocado o relógio depois de verificar as horas em um antigo relógio cuco vintage. Tecnicamente, ele também não poderia estar errado.


Hermione começou a considerar a possibilidade de que estava sonhando. Ou de que, talvez, estivesse na sala errada.


Ainda inquieta, levantou-se.


Certamente havia cometido algum engano, pensou enquanto caminhava em direção à porta. No entanto, antes que pudesse sair, viu um grupo de seis alunos de seu curso entrando e ocupando os lugares disponíveis.


Hermione hesitou, envergonhada, mas acabou voltando ao seu lugar.


Sentou-se novamente, algumas mesas atrás de Draco. Tentou manter os olhos fixos no material em sua mesa, mas não conseguiu evitar observar as costas dele.


Grandes, largas.


O cabelo loiro cuidadosamente penteado.


E aquela nuca...

Draco estava vestido completamente de preto, o que fazia com que parecesse ainda mais inalcançável.


Foi então que descobriu: ele havia mudado de curso.


O mesmo curso que o dela.


Hermi

one sentiu o estômago revirar. Um milhão de pensamentos tomaram conta de sua mente, mas um deles parecia insistir mais do que os outros:


Será que isso fazia parte de um plano para acabar com ela?