Soneto Da Morte
9 Capítulo 9
Notas iniciais
O homem aguardava pacientemente no bosque que já lhe era sagrado. Muitas de suas mulheres repousavam naquele lugar. Atrás de si ouvia o som melancólico das folhas se encontrando uma com as outras. Como um eterno chamado para a união que se desfez no momento que uma delas repousou majestosamente ao solo. Luke como gostava de ser chamado, começou a se contorcer e arrancar a própria pele. Estava enjoado daquela forma de universitário. Afinal, já tinha conseguido o que queria. Se Jéssica não tivesse se negado a dar lhe o filho talvez ainda respirasse. Como se a sua pele renascesse, o homem estava como sempre esteve. Alto, com os olhos violetas que de encontro a luz tornavam-se intensos e brilhosos. Luke sentiu-se poderoso, alguns dos bebês era sua fonte de energia. Outros considerados “puros” eram deixados a se criarem e fazer parte de sua família.
— Família... — a criatura deixou os braços esticarem-se com facilidade até a copa de uma das árvores. As lembranças invadiram sua mente.
Flash on
Ele era um menino de no máximo quatro anos, brincava no parque. Sua mãe estava olhando-o e cuidando de sua proteção. Constante sempre bela e com um sorriso encantador. No início ele não entedia algumas coisas. Achava engraçado quando conseguia mudar a cor da própria pele. Constante ensinara-lhe a jamais fazer isso na frente de outras pessoas. Era perigoso e poderiam caçá-los.
— Desculpe mãe.
Aos sete anos desencadeei a nossa dor, a sua dor. Descobri coisas sobre meu verdadeiro pai. Seu diário revelou-me quem eu realmente era. Um monstro híbrido. Ninguém me amaria. Lembro de cada palavra, cada linha daquele maldito diário da morte.
“Querido Jack,
O garoto está se tornando um rapaz, meigo e encantador. Mesmo sendo quem ele é, tudo está normal. Infelizmente você nos deixou. Jamais irei esquecer Jack. Você me deixou quando mais precisava de você. Oh, Jack... — algumas palavras estavam borradas, provavelmente de suas lágrimas enquanto escrevia. — Lembra de quando nos conhecemos? Você me salvou de um caçador, sabia o que eu era e me amou Jack. Me amou sabendo que eu era um monstro, uma metamorfo. Nunca quis isso para minha vida e você me compreendeu. Eu era feliz ao seu lado. Até que fomos acampar... o homem esguio e sombrio aproximou-se de mim, ele tinha um poder muito forte. Há muito tempo eu não utilizava mais meus “dons” malditos. Tentei escapar das garras dele Jack, juro que tentei. Mas seus longos braços eram como tentáculos, aprisionou meu corpo contra a grama úmida do orvalho da noite. E ali me possuiu de forma horrenda e dolorosa. Gritei por você Jack. Mas o socorro não veio, minha boca tinha terra e grama. Meus lábios cortados pelo esforço de me livrar daqueles braços. O homem não tinha rosto, Jack. Era como a escuridão envolta de um paletó gigantesco, que depois de seu ato violento e repulsivo, me deixou ali. Parada. Imóvel, com as roupas rasgadas e sujas de sangue. Você chegou com os braços cheios de gravetos, deixando-os caírem ao me ver naquele estado. Oh, Jack. Você me manteve viva. Por você eu estava decidida a seguir a trilha do bem. Então após duas semanas de pesadelos e angústias. Tive um desmaio. E quando o seu doutor de confiança me examinou... a sentença da nossa separação foi dada. Eu estava grávida. Grávida do homem sem face, do homem da floresta sombria. Poderia ser seu não é Jack? Mas você era estéril, e no ultrassom via-se perfeitamente a rapidez da evolução daquele feto. Ví em seu semblante o nojo, a repulsão ao tentar tocar sua mão. No outro dia, eu estava sozinha. Você havia me deixado Jack. Eu o agradeço, não o culpo. Era muito para você suportar. Não posso negar que tive ímpetos de arrancá-lo de dentro de meu corpo aquele ser que se formava rapidamente. Descobri naquele ano que várias crianças desapareciam misteriosamente, e um homem de terno preto e esguio sempre era visto em algumas dessas ocasiões. Fiquei com medo Jack. Sem você para me proteger. Então depois de décadas mudei de forma e viajei pelo país com o pequeno Luke. Jack te amo.
Flash off
O homem olhou para baixo, não percebera que havia se espichado tanto a ponto de alcançar a maior das árvores daquele bosque. Essas lembranças o faziam sentir ódio ainda maior dos humanos. Sua mãe fora assassinada na sua frente quando completara sete anos, idade que ele imaginava ter com aquele tamanho. Seus “amigos” o provocaram e ele mudou a cor de sua pele. Entrando no clima de ...”Eu duvido você fazer isso, seu maricas!” — um garoto gorducho o empurrara fazendo-o cair.
— Lembrando o passado Metamorfo-Slender Man. — O homem encolheu-se imediatamente ao tamanho da mulher loira petulante de olhos negros.
— Me chame de Luke sua vadia. — As mãos dele encontraram a garganta de Ruby.
A loira mesmo sendo ameaçada sorriu.
— Tira as mãos de mim seu monstro híbrido. Ou esqueceu como posso te parar? — Ruby deixou seus olhos completamente pretos. Luke sentiu um poder vindo da mulher demônio, um dia ela pagaria por tal afronta.
— Diga logo, o que queres?
— Esse lugar cheira a mortos... Luke. Tenho algo que talvez queira saber. Ainda está em busca dos responsáveis pela morte de sua querida mãe? — o híbrido deixou seus olhos cintilarem.
— Até o fim de todos da linhagem daqueles caçadores que mataram minha mãe, a sangue frio.
— Sim, sim. Você matou muitos. Você conquistou a prima distante de Samuel Campbell... como era mesmo o nome da moça... Amanda. Você se casou com ela, não é? E depois... bom depois é passado.
— Matei muitos sim, e, Amanda... eu comecei a amá-la. Esqueci de quem eu era, ela me fez esquecer a vingança. Meu ódio, minha dor. Malditos sejam! Ela ficou grávida e neste instante ela descobriu o que eu era. E lembrei de Jack, o maldito que deixou minha mãe sozinha nesse mundo. Amanda Strongg... estava amaldiçoada. Assim como eu estou. Luke beijou o medalhão que carregava no peito. A cordinha preta já bem desgastada pelo tempo e um emblema de um símbolo de infinito entalhado na madeira, com detalhes de outros símbolos desconhecidos. Ele lembrava perfeitamente de como encontrara aquele medalhão que parecia marcar um amor infinito entre Amanda e Luke.
Luke olhou para o céu negro, onde a lua rastejava entre nuvens. Lembranças alegres o assombravam.
Flash on
“Vamos regressar Amanda. Hoje lhe mostrei apenas o início de uma escavação. Como arqueólogo... não formado...”
Os dedos brancos e delicados da jovem pousaram nos lábios de seu amado.
“Não formado... mas com vasta experiência. Lembra daquela pedra? Uma relíquia que recebeu seu nome! E...”— A jovem voltou a passar o pincel sobre a terra. E seu sorriso de criança tomou o coração da fera.
“ Querida, está escurecendo...”
“Luke, veja!” — entre os dedos um pedaço de madeira.
“É um símbolo, infinito... como nosso amor!” — Ela correu aos braços do amado, entregando-se a uma euforia. Ele sentiu o aroma da mulher em seus braços e os lábios dela se curvaram em um sorriso malicioso e convidativo. Luke amou-a ali mesmo, entre a poeira e os materiais que haviam tirado de sua valise.
Flash off
O homem sentiu raiva de si mesmo por tamanha fraqueza. Olhou para a bruxa loira a sua frente.
— Eles são filhos de John Winchester.
— Não sei quem são. Devem ser outros caipiras que vieram matar o tédio atrás de fantasmas.
— E filhos de Mary... Uma Campbell. — o céu tornou-se totalmente escuro, o luar havia sido engolido pelas pesadas nuvens negras. Um ar febril nos olhos de Luke crivou-se nos de Ruby. Nesse momento a demônio sentiu sua iminente vitória. Um vento frio e um som estranho chamaram a atenção da loira, um espectro os observava. Ruby ignorou a presença, estava acostumada a topar com espíritos vagantes.
“Espíritos idiotas, em breve serão mais um de nós. E esse monstro não é capaz nem de sentir sua presença.” — pensou a demônio.
No entanto Luke ficara imobilizado por alguns instantes, mas o ódio e os planos que traçava com a mulher de olhos negros, eram mais importantes naquele momento.
***
Momentos antes...
Sam ativou o GPS do seu celular, verificou que o irmão estava com o dele ativado. Coincidência ou Dean estava na pista dele? Estava a três horas de onde se encontrava. O carro quebrado em uma estrada solitária. Como diabos, não percebera que estava sem água no radiador? Sam chutou o pneu do veículo e passou a mão pela cabeleira negra. O céu estava ainda mais escuro.
“Só faltava essa, tempestade?” — Sam ligou para o irmão. Queria encontrá-lo. Seus planos não saíram como o planejado.
Dean e Jo estavam em uma biblioteca. A jovem ao seu lado era muito esperta e determinada. Pelas pesquisas da garota estariam lidando com um metamorfo. O que não entendiam era o som que a Sra. Liewes, disse ter ouvido antes de tudo começar a acontecer. Ela realmente vira um espírito?
— Aquela pobre mulher deve ter presenciado o horror e enlouquecido ao ver seus filhos mudarem. O fantasma da mulher que ela descreveu, aparentemente queria alertá-la. — Jo Harvelle sussurrava.
— Uma das vítimas. Mas o que a manteve nesse lado? Sempre há alguma coisa. Vingança? Objeto? Detesto esses metamorfos! — o loiro falou mais alto do que deveria, arrancando olhares de reprovação e um “psiu! Fale baixo” de uma senhora de meia idade, com os cabelos grisalhos em um coque, que lembravam caracóis, até o topo da cabeça.
Jo divertiu-se com a expressão do loiro. Dean bufou um “ok” e saiu da biblioteca. Descendo as escadas segurando o corrimão ao sentir uma leve tontura. O que não ficou despercebido pela loira.
— Você comeu alguma coisa, Dean?
Só agora o loiro percebera que não havia se alimentado direito. Estava preocupado com o irmão. Tivera um pesadelo que deixou seu estomago embrulhado e perdera o apetite.
— É, vamos comer. — Dean colocou a mão no bolso de sua calça. O celular estava vibrando.
— Sou eu Dean.
Aquela voz deixou o loiro com o coração mais calmo e ao mesmo tempo acelerando-se.
— Sammy. Cara você está bem? Te procurei...
Sam cortou o irmão, sabia que teria muitas explicações para dar-lhe. No entanto passavam das dezessete horas e logo ficaria ainda mais escuro. O celular estava com sinal fraco e para ajudar a bateria estava bipando. Tinha que ser rápido.
Dean escutou atentamente onde o irmão estava. Ligou o GPS e localizou-o, levaria no máximo duas horas para chegar.
— Não vai se meter em encrencas. Fica no carro, que estamos chegando.
— Estamos? — o moreno chutou uma pedrinha do chão.
— Longa história. Depois te conto. — o loiro desligou. Olhou para sua nova amiga e sorriu. — Vamos encontrar Sam. Ele é o “Google” ambulante.
***
Dean olhou o celular, o sinal de GPS do irmão começara a ficar ainda mais fraco.
“Cara, tinha que se meter em um lugar tão afastado?”
Logo adiante deixando a paisagem sombria de lado, um carro com os faróis ligados estava parado naquilo que podia se chamar de acostamento esburacado. Jo seguiu o loiro, que abrira a porta do impala em disparada.
— Sam! Chegamos. Sam? — Dean agora olhava atônito para dentro do carro que ainda fumegava fumaça na parte da frente do motor. Seu irmão não estava ali. Onde raios estaria? Dean passou a mão pelo cabelo em uma atitude de nervosismo.
— Mantenha a calma Dean. Seu irmão deve ter conseguido uma carona. Ou...
— Não. Ele disse que me encontraria aqui. — Dean pegou rapidamente o celular. No visor o ponto vermelho piscando continuava se movendo. Ele tentou ligar.
— Dean! Droga, tentei te ligar umas centenas de vezes! — o loiro suspirou passando os dedos no queixo.
— Cara, você quer me matar do coração? Onde você está? Combinamos aqui! — o moreno sentiu um misto de raiva e medo na voz do irmão.
— Ouvi um grito. Entrei rapidamente nesse bosque. Ví a sombra de um homem, corri de encontro a ele. Não havia nada. Absolutamente nada. A não ser uma música, um som vindo de algum lugar. — Sam interrompeu o resto de sua narrativa ao ouvir o bufar de Dean do outro lado da linha. Sua voz denunciava o perigo.
— Sammy, escuta bem. Lembra do caso da família Liewes? A do jornal? Tá..tá...isso... o metamorfo aparece para matar suas vítimas, e ele está por perto quando um som, música sei lá o que é ouvido do nada. Viu alguma mulher? — Dean apressava o passo para perto do impala pegando as armas necessárias. Jo acompanhava, percebera o quão nervoso estava o loiro.
— Tá...tá... vou seguir o sinal do teu GPS, assim nos encontraremos. É que o sinal falha e... Dean? — Sam olhou o visor, bateria fraca. Rezou para que o irmão conseguisse captar sua localização. O frio começava a ficar insuportável.
Dean e Jo se embrenharam na mata fechada. O loiro havia memorizado o ultimo sinal do irmão. Às vezes, vinha e sumia o suficiente para ele continuar. Já estava rouco gritando pelo nome do irmão. Caminharam mais de meia hora, era um labirinto. Um maldito labirinto vivo. Jo estava em alerta, ambos se entreolharam ao sentirem um gelo impregnando o ar, tomando seus corpos com calafrios. A mata tão verde começou a ser tomada por uma cor monocromática, estava tudo quieto. Sem pássaros, grilos, vento. Nada. Até que o som daquela mesma melodia que a mulher cantarolava na clínica tomou conta do bosque.
— Jo, fique perto de mim. — a mulher concordou seriamente. Sentia em suas veias pulsando o perigo. Ao longe um vulto. Um homem aproximando-se. Ela apontou o dedo em direção daquele vulto masculino e o loiro soube na mesma hora de quem se tratava.
— Sam! — Dean gritou sorrindo, correndo de encontro ao irmão caçula. Fosse o que fosse que tivessem que enfrentar, pelo menos estavam juntos.
— Dean!— Sam deixou suas covinhas aparecerem, estava feliz por encontrar o irmão. Aquele rosto tão querido, sorrindo para ele. Sabia que mais tarde levaria um soco na cara. Mas naquele momento era a proteção do mais velho que o acalentava.
Sam viu o rosto de Dean mudar a expressão de felicidade pelo medo. E o grito do irmão quase perto dele o fez ficar confuso.
— Sam! Atrás de você! — Dean sentiu as pernas perderem o equilíbrio. Algo imenso atrás do irmão se misturava ao cenário fantasmagórico. Ele viu o irmão soltar um grito de dor e caindo lentamente após a mão da maldita criatura gigantesca penetrar as costas do caçula e ser puxada novamente. O loiro gritou em desespero. — Nãoooo! Sammy!
Notas finais
A lenda do Slender Man chegou até mim por esse documentário:
http://www.youtube.com/watch?v=ysgQ9spsphk (sem legenda)
logo depois achei o legendado, o clima e a tensão me conquistaram. E para dar uma história um pouco mais complicada... imaginei um ser metamorfo-slender man. Espero que tenham gostado dessa loucura toda.
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=VfRG8rJubIw#!(legendado)
Quanto a mulher que avisava através do soneto, melodia conforme a pessoa interpretasse, me inspirei em um episódio em que o fantasma da mulher que havia sido morta pelo policial (namorado no seriado de Linda Blair) , aparecia tentando avisar as mulheres de suas mortes. Uma mistura, mas espero que tenham apreciado. Até o último capítulo!
Não percam o último capítulo de Soneto da Morte.
Fale com o autor