Soneto Da Morte

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Finais são tão difíceis...
Agradecimentos a todos que leram e acompanharam minha fic.
Constantin Rousseau, Aerys Silentread, LucyTheAngel, Waldorf SaN, Elise Padalecki, Nick Winchester e para a Alice Harvey quando ela chegar aqui! Sem vocês não há histórias. Leitores e escritores maravilhosos!!!
E aos futuros leitores um grande abraço!

A estrada até aqui...

Carry on my wayward son

There'll be peace when you are done

Amanda Strongg: “Luukee... — A voz rouca saía com dificuldade e distorcida. — Me ajude, não...não nosss.. mate! “ O homem pegou sua pá e com golpes firmes atingiu a face da mulher, o sangue agora vertia com maior densidade, misturando-se com a terra. Luke colocou a pá no ombro, beijou o medalhão pendurado no pescoço e continuou a caminhar para fora daquele bosque.

Lay your weary head to rest

Don't you cry no more

Sam: — O que houve?

Dean: — Esperava que você me contasse. Encontrei-o caído no banheiro com um corte profundo em suas costas. O que houve lá dentro Sammy?

Sam: — (...) uma visão... outro lugar, o pai estava... no inferno, Dean.

Dean: — Chega Sam! Para tudo! Vamos embora desse lugar.(...) Eu te peço irmão, vamos dar um tempo. Sair de circulação por alguns dias. E...

Sam: — Sinto muito, mas não dá! Sou uma aberração que vê coisas, e elas acontecem!... Você está comigo ou está fora?

Once I rose above the noise and confusion

Just to get a glimpse beyond this illusion

Irmão Jéssica: — Qual é o seu problema garota?

Jo Harvelle: — Preciso falar com sua irmã. É urgente.

Irmão Jéssica: — Jéssica ainda não voltou.

A mulher grunhia e em um último esforço olhou para sua própria barriga, não tinha certeza. Voltou a olhar para aquele que um dia fora seu companheiro. E gritou histericamente em um esforço descomunal as palavras: — Meu... Bebê! — Jéssica mantinha os olhos na criança, mas a vida abandonara-lhe naquele momento...

I was soaring ever higher

But I flew too high

... A cama do irmão estava intacta, suas roupas e a mochila não estavam no quarto. Sam havia partido.... — Droga Sam!

(...) — Meu nome é Ellen Harvelle... Dean. Peço-te. Como uma mãe desesperada. cuide da minha menina. Traga-a para mim sã e salva.

Though my eyes could see I still was a blind man

Though my mind could think I still was a mad man

— Oi Sam...tenho visões...

— Ruby!... Eu também tenho essas visões... — Hã... Isso é sangue? Para quê você guarda isso, Ruby? — O rapaz balançava o frasco.

I hear the voices when I'm dreaming

Dean na delegacia...— Tenho o Pedido de Soltura para Joanna Harvelle... O xerife assentiu...a jovem levantou-se rapidamente.

I can hear them say

(...) — Vou encontrar com meu irmão... você pode vir comigo Ruby.

(...) — Não... Se seu irmão estiver muito “puto” com você e... querer te matar, me chama...

(...) — Ele seria capaz de vender sua alma para me ter em segurança...

Ruby sorriu ao ouvir tal confidência...

Carry on my wayward son

(...)—... filhos de Mary... Uma Campbell. Os caçadores que mataram sua mãe seu híbrido... um espectro os observava. Ruby ignorou a presença. Encarando o metamorfo-Slenderman...o plano estava pronto.

There'll be peace when you are done

Sam ao telefone com Dean: (...) — Ví a sombra de um homem, corri de encontro a ele (...) não vi nada.... A não ser uma música(...).

Dean: (...) O metamorfo aparece para matar suas vítimas, e ele está por perto quando um som é ouvido...

Lay your weary head to rest

— Sam! Atrás de você! (...)Nãoooo! Sammy!

Don't you cry no more.


Agora...

Dean segurou o corpo do irmão que caía sem forças. Jo disparou contra a criatura sombria, o monstro saiu correndo pela densa mata diminuindo cada vez mais seu tamanho.

— Hey...Sam... não foi tão feio assim...— Dean falava com a voz trêmula sentindo o sangue do irmão em suas mãos e vendo-o fechar os olhos lentamente. — Não..não..não... Vou dar um jeito... você vai ficar novinho em folha Sammy... você é meu irmãozinho pé no saco, vou cuidar de você...Sammy? — A cabeça do moreno pendeu de encontro ao peito de Dean. — Sammy!! Sammy? Deus... não...não...nãoooooooo! Sammy!!!

Naquele instante todas as forças que o loiro mantinha ruíram em lágrimas e desespero, estava perdendo seu irmão, sua única família. Aquele a quem deveria proteger com sua própria vida... agora o sentia inerte, entregue aos seus braços. Dean abraçou-o segurando sua cabeça de encontro ao seu corpo. Jo aproximou-se lentamente, sentia a dor tão amostra daquele homem, sentiu o amor do irmão pelo outro. Ela sentiu sua face banhar-se. A mulher ouviu o grito ecoar pelo bosque, o loiro estava desmoronando.

— Dean... — ela não sabia como começar.

O loiro ergueu o corpo do irmão e seguiu em direção ao impala, sem nenhuma palavra. Nenhum lamento. Jo apenas o seguia.

...

Dean olhava o corpo do irmão desfalecido na cama improvisada. Os olhos verdes do loiro estavam banhados em lágrimas prestes a cair.

A jovem saiu porta a fora, não sabia como lidar com essa situação, deixariam os dois sozinhos. Era o mínimo a fazer. Jo pega seu celular, tinha que pedir ajuda para lidar com o loiro. Dean aproximou-se do irmão, passou seus dedos pelos cabelos de Sam, em uma muda carícia. E começou um monólogo que fazia seu peito doer ainda mais.

— Sabe Sam... Quando éramos moleques... Você tinha uns cinco anos, tava começando a ficar curioso... Porque nos mudávamos tanto... Porque não tínhamos mãe... Porque nosso pai viajava ás vezes... Eu implorei que parasse com as perguntas, você não iria querer saber... eu só queria que você fosse criança... só por mais um tempinho— o loiro enxugou as lágrimas que banhavam sua face, seus olhos estavam ainda mais verdes e trêmulos. — Eu só tentava proteger você... e essa era minha única função Sammy, e falhei com papai... falhei com você... Deus...— Dean levantou-se seus lábios tremiam, seu rosto desfigurado pela dor marcava o sofrimento. — Eu sempre faço isso, eu desaponto as pessoas que amo. O que eu devo fazer? Hey Sammy? O que... — As palavras lhe faltaram e em um ato desesperado gritou chutando a cama — O que eu devo fazer?

Jo estremeceu ao ouvir toda a angústia do loiro naquele grito estarrecedor. Teve ímpetos de correr até ele e abraçá-lo, reconfortá-lo ao menos um pouquinho. Olhou para a casa abandonada, um vulto negro chamou sua atenção. O instinto de caçadora prevaleceu, correu até a casa para alertar Dean. Ele certamente não percebera, estava envolto com sua dor. A Harvelle parou abruptamente quando a casa fechou-se por completo. As portas, janelas podres ganhavam um resistência sobrenatural quando a moça tentava arrombar a socos, chutes. Ela gritava desesperada para alertar seu amigo do perigo que ele corria.

Dean sentiu um arrepio, uma sensação de desespero ainda maior. Sentiu o cheiro de enxofre penetrar em suas narinas, sua garganta queimava. Lembrou de Jo, ouviu a moça gritando seu nome. Ao menos estava viva, e lá fora.

— Demônios... — ele sussurrou empunhando a arma. Estava cansado, talvez fosse melhor ser morto ali mesmo, o que lhe prendia no mundo era seu irmão, agora... Dean balançou a cabeça negativamente, olhou para o irmão pálido, imóvel. — Desculpa Sammy.

O loiro sentiu o recinto ser encoberto por sombras, seus olhos circundavam o local cautelosamente. Ouvia nitidamente Joanna esmurrar incansavelmente a casa. Dean olhou para cima, entre as vigas do teto uma mulher de negro o espreitava. Dean não pensou duas vezes atirou no maldito ser, que agora gargalhava com o roubo que as balas lhe fizeram na roupa.

— Dean Winchester... uau! Você é ainda mais lindo do que diziam no inferno. Uma delícia! — Dean encarou-a com um sorriso torto e debochado nos lábios.

— Seu demônio desgraçado. Vou acabar com você. — Dean mirou bem na cabeça da mulher, podia não dar efeito. Mas iria morrer tentando.

— Pare! — O demônio gritou pulando a sua frente, deixando os olhos vermelhos amostra. — Quer seu irmão de volta a vida?

Dean sentiu a cabeça girar, as pernas enfraqueceram. Seu dedo no gatilho tremeu e, abaixou a arma. Por um momento ele sentiu a armadilha que se formava ao seu redor. Mas era seu irmão, ali ao lado, morto por seu vacilo. Resolveu ouvir. Dean realmente considerava-se culpado pela morte do irmão. O ser das trevas sorriu. Ela pôde sentir o olhar de dúvida, receio e isso a deixava sentir a inebriante sensação de vitória.

— Você sabe sobre seu pai, não é? — Os olhos verdes ganharam ainda mais intensidade. — Sim, no fundo você sabe... Ele vendeu a alma dele pela sua. Você é que deveria estar morto, sabia disso? — Dean sentiu a ira crescer em seu peito, lembrou da visão do irmão, voltou a mirar na criatura demoníaca.

—Vou acabar com sua espécie. Eu juro! — A mulher sentiu medo. A voz rouca e desprovida de qualquer sentimento humano se fez presente no homem a sua frente. Um passo para trás ela deu. E começou a jogar sua teia de aranha.

— Dean, posso trazê-lo de volta para você. Pense nisso...

— Trazê-lo de volta? Como? — Dean sabia como, apenas queria ouvir a resposta.

— Olha, isso pode me complicar mas, como gosto de você... abrirei uma exceção...

— Quer que eu faça um pacto com você? E levará minha alma daqui a dez anos? Aceito! — O loiro abaixou a arma.

— Dez anos? Isso eu faço para as pessoas comuns... você não é uma delas.

— Sete? — O loiro deu um passo à frente.

— Não... isso não vai acontecer. — A mulher aproximou-se tão perto dos lábios do loiro que pôde sentir o calor de seu corpo.

— Cinco anos... minha última oferta... ou nada feito. — Ela roçou os lábios na face de Dean e sorriu.

— Nada feito. — Ela sussurrou em seu ouvido e deu-lhe ás costas. Antes parou e falou maldosamente voltando seu olhar para Sam. — Enterre-o antes que sua carne apodreça. Até Dean!

— Espere! — Ela sorriu. — O que devo fazer? — Dean rendeu-se ao demônio a sua frente.

— Como sou uma “santa” lhe darei um ano. Um ano ao lado do seu irmão. Mas, tenho condições, se tentar burlar o acordo para tentar se safar... Sam cai morto, como uma carne podre. E então temos um acordo? Seu pai não teve essa chance. O que me diz Dean? — A mulher aproximou-se sedutoramente. — Me beije e sele o pacto.

Dean olhou o irmão imóvel, sem vida. Agarrou a mulher pelos cabelos e a beijou. Um raio caiu em uma árvore próxima a Joanna que sentiu o abalo dos galhos que despencavam em chamas. Seu olhar voltou para a porta que tentava inutilmente abrir, a casa como por magia voltou a ter o aspecto das madeiras carcomidas e sem a presença maligna que sentira há pouco.

A moça correu para onde estava Sam e Dean. Ela parou, sentiu seu coração acelerar o que via a sua frente estava longe de ser natural. Sua boca queria pronunciar alguma palavra, mas, o som não saía.

— Que... Quem é você? Onde está meu irmão Dean? — O moreno levantava-se lentamente sentindo dores nas costas.

— Sou... Joanna Harvelle. Eu...

— Sammy? — Dean vinha da rua, adentrando a porta e abraçando o caçula tão fortemente que o moreno deixou escapar um grunhido de dor. Jo pensou estar ficando maluca. Ela jurava que o loiro estivesse dentro da casa, o que aconteceu afinal?

— Dean... cara você está me esmagando.

— Desculpe-me Sam. Perdão... é que vê-lo assim... curado... depois de ter perdido tanto sangue... Do que você lembra?

— Uma música... uma mulher... não um espectro de mulher... Dean ela tentava me avisar de algo ruim. E depois vi você... logo em seguida uma dor insuportável... e a penumbra. O que houve? — Dean fez o irmão sentar cuidadosamente na cama.

— Você foi ferido por um ser totalmente fora de nossa diversidade de coisas sobrenaturais. Um híbrido metamorfo/slender man. Cara a coisa era gigantesca... ele te acertou e você ficou mais para lá do que pra cá. — Dean desviou o olhar penetrante da loira. Ele sabia que ela exigiria respostas.

— Você o matou? — Sam possuía uma fúria em sua voz.

— Não. Ele fugiu. Jo quase o pegou. No entanto ele foi bem mais rápido.

Sam olhou para a moça que parecia ter visto um fantasma, provavelmente era a primeira criatura que ela caçava. Isso era natural nos jovens de sua idade. É claro que ele não imaginava o que a estava espantando naquele momento. O som do celular de Jo, os trás para a realidade.

— Bobby? Sei... sim. Estamos próximos. É... não. Iremos assim que ... claro... ele está bem... desculpa o equivoco... ele apenas foi nocauteado pelo híbrido... obrigado Bobby.

— O que houve Jo? — Ela estranhou ser chamada pelo moreno, voltou a olhar para Dean que a olhava fixamente.

— Bom... Liguei para Bobby depois que você... Quase morreu. Estava preocupada com Dean. Contei a ele os detalhes dos acontecimentos. E vocês não vão acreditar. Isso vai muito mais além de mortes de mulheres e desaparecimentos de crianças. Tempestades, sinais demoníacos para todos os cantos dessa cidade... Exceto... — Jo abriu a bolsa, pegou um mapa amassado e estendeu-o sobre a cama. — Aqui. No centro. Na estrada de ferro. — Ela apontava o dedo no local indicado.

Dean estava absorto em seus pensamentos. Olhava para o irmão com cuidado e carinho. Estava tão emocionando de tê-lo de volta, que esses sinais naquele momento, pouco lhe importava. Já Sam queria desvendar e matar o maldito ser que o atingiu pelas costas.

— Esses locais assinalados... são os eventos que ocorreram? E só aqui no centro está limpo?

— Sim.

Sam chegou próximo do mapa e o assinalou, interligando as marcações. Para espanto de todos, um símbolo se formou. Dean foi o primeiro a proferir as palavras.

— Uma armadilha para o diabo. Em uma estrada de ferro e no meio um cemitério. Quem quer que tenha feito isso não quer que nenhum demônio entre.

— Ou saia. — Sam respondeu, sentindo os olhares se encontrarem. — Droga Dean.... é um portal do inferno! Eu o vi em minhas visões e...

— Visões? Você é vidente? — A loira olhava para o moreno, os olhos arregalados denunciavam seu medo.

— Mais ou menos isso. Mas não tenha medo eu não... — Sam foi interrompido pela moça.

— Medo? Não. Vocês conhecem a lenda de Samuel Colt? — a garota sentou-se no banco que ainda continuava inteiro.

— Sim. — Dean suspirou. — Nosso pai tinha a arma que matava qualquer criatura. Depois de sua morte ela simplesmente desapareceu e achamos que... — Dean engasgou e Sam tomou a palavra.

— Não temos certeza... mas achamos que papai fizera um pacto. Eu o vi no inferno... em sonho...visão...seja como for a perdemos.

— Não é só isso. A colt é uma chave. Ela é a chave que abre os portões do inferno. No entanto, demônios não são capazes de passar pelo ferro e ainda tem mais...

— O quê? — Ambos perguntaram juntos.

— Precisa de sangue de um humano tocado pelo demônio e puro de coração.

Sam apenas balançou a cabeça com toda essa loucura. Porém Dean sentiu o mundo perder a cor. Tudo ao seu redor tornou-se cinza, seu corpo sentiu as mãos fortes do irmão amparando-o. Dean estava suando frio. Seus olhos pesavam muito e ouvia murmúrios que eram de difíceis compreensão. Então por breves segundos que lhe pareceram uma eternidade lembrou das palavras de seu pai antes de morrer.

“O demônio deixou seu sangue na boca de Sam quando criança... você tem que salvar seu irmão... se não conseguir... você terá que matá-lo”.

“Sam... caído no banheiro... sangue... muito sangue... a ferida”

— Dean! Fale alguma coisa? Dean! — Sam sacudia o irmão para trazê-lo de volta.

— Eu... estou...estou bem. Estou bem. — Dean ainda suava frio. Aos poucos sua visão tomou foco, e sua respiração tornou-se regular.

— Seu irmão não dorme direito há dias e muito menos come direito. Acabou se envolvendo com o meu desaparecimento, depois com o caso e logo a sua ligação. Foi muito para ele. — A loira falou automaticamente.

Sam sentiu-se um lixo. Dean jamais perdia o sono e a fome. A culpa era dele. O mais velho agradeceu aos céus por acharem que era isso. Certamente contribuiu para seu estado debilitado, era óbvio que o maior motivo eles não podiam imaginar. Resolveu apenas concordar que estava com muita fome.

***

Ruby pegou a colt, banhou-a no sangue que guardara e estendeu-a para Luke.

— É só colocar a arma no orifício deste mausoléu —Ela indicava na figura em suas mãos— a porta se abrirá. E você terá sua vingança contra todos os caçadores do mundo. Sua espécie jamais será perseguida novamente. Uma nova era tomará esse planeta e seremos nós a comandar os humanos inúteis.

— Se você me enganar...

— Cale-se. Estou ficando farta de suas insinuações. Faça o combinado e será recompensado. Agora vá. O tempo urge! E acabe com quem se opuser a você.

— Quanto a isso... não tenho medo. — Luke voltou-lhe as costas e saiu.

— Maldito monstro. Terei o prazer de vê-lo queimar nas profundezas do inferno. — Os olhos tomados pelo breu e o sorriso vitorioso nos lábios desenhava-se em sua face. Logo, logo teria seus planos realizados. Era a melhor de todas!

***

Os três jovens estavam em uma lanchonete qualquer, estavam famintos. Sam levantou-se para ir ao banheiro, deu um tapinha nos ombros de Dean que sorriu em retribuição. O sorriso morreu ao encontrar os olhos indagadores da jovem a sua frente. O interrogatório certamente começaria.

— Dean o que aconteceu lá dentro da casa? Como seu irmão está vivo? E o deixei sozinho com ele. No entanto você reaparece do lado de fora e seu irmão em pé? Que raios está havendo? — Jo sentia que havia algo muito errado. Fitou demoradamente a face do loiro. Estudando sua reação, aguardando a resposta.

— Acredito que foi um milagre. Pois não lembro de nada. — Dean desviou o olhar e pegou a cerveja da mesa levando-a aos lábios.

— Não lembra ou não quer me contar? O pouco que te conheço já percebi que você é um péssimo mentiroso. Seja lá o que for...

— Por favor, Jo. Meu irmão está vivo, é o que realmente me importa. Não quero explicações para o que houve, é minha obrigação protegê-lo e o farei SEMPRE. Mesmo assim, agradeço por não ter feito esses questionamentos na frente dele. Não quero preocupá-lo ainda mais. — Dean segurou as mãos da moça.

Jo olhou para suas mãos nas dele. Seu toque era macio e ao mesmo tempo enérgico, a moça sentiu vontade de acariciar aquelas mãos, sentir o contato da pele dele. Balançou a cabeça delicadamente e retirou aos poucos suas mãos do domínio enigmático daquele jovem que a atormentava internamente.

— Compreendo. Depois voltaremos a conversar. — Nesse instante Sam aproximou-se. Ao longe ele percebera a tensão entre os dois. No momento Sam pensava apenas em matar o tal Slender man.

— Estão prontos? — Sam perguntou de súbito. Viu a fisionomia do irmão endurecer e antes que ele dissesse qualquer coisa para impedi-lo, seguiu para o impala.

***

Não estava chovendo, mas a garoa persistia e uma neblina densa começava a se formar. O homem de terno negro limpou o rosto com as costas das mãos, um forte trovão fez a terra estremecer sob seus pés. Luke sentia um poder vindo daquele mausoléu. Estava com medo. A tempos não experimentava essa sensação. Ouviu um barulho vindo ao longe. Era melhor terminar com tudo isso. Terminaria sua vingança. Depois... Bem não sabia ao certo o que faria. Certamente tomaria as crianças que eram suas e continuaria em um ritmo menos acelerado sua legião. Luke aguçou os ouvidos, a melodia impregnava sua cabeça. Agora ela estava ainda mais forte do que das outras vezes. Ele jamais deixou de amar Amanda e a sentia tão perto quando ouvia a canção e, em todas as vezes que iria executar algum plano... Lá estava aquele soneto melancólico... Apenas o som. Como uma marcha fúnebre. Luke não percebera o espectro ao seu lado tentando de todas as formas impedi-lo de abrir o portal. Luke subiu o lance de escada que levava até a porta fechada, uma estrela de cinco pontas incrustada e um orifício no meio dela. Ele levou a colt até ela e a introduziu. Um grito atrás de suas costas o fizeram voltar-se, enquanto o símbolo da estrela começava a girar lentamente emitindo sons de ferro se contorcendo. O Slender-man ficou imóvel, atônito ao ver seu algoz tão perto, mas não era isso que o espantou. Aquele rapaz a sua frente deveria estar morto!

— Você está morto! Morto! — Ele balbuciava.

Um vento forte começou a varrer tudo que estava naquele lugar. Jo e Dean estavam em cada lado cercando o monstro que começava a crescer. O estampido do tiro da arma de Sam foi ouvido. Luke colocou a mão no peito.

— Eu matei você! Atravessei-o com minhas mãos. Você é um demônio? — Luke cuspiu o sangue que saia de sua boca.

Sam olhou desconcertado com aquela afirmação, encontrou os olhos do irmão. E sem hesitar disparou contra Luke as balas de prata. O Slender-man encolheu soltando gritos de dor, seus braços estavam aumentando e diminuindo de forma desordenada. Sam aproximou-se, viu a criatura segurar algo no peito, protegendo alguma coisa. Agora a melodia estava ainda mais intensa. Dean estava paralisado olhando o irmão com o rosto totalmente modificado, aquele não era o seu Sammy.

— Não... Amanda... — Luke agarrou-se ao amuleto, seus olhos estavam fincados na mulher ao lado de Sam. Como não havia visto ela antes? Como não percebera que ela o acompanhara por todos esses anos?

Sam sorriu disparando um, dois, três tiros em partes diferentes do corpo do Slender-man e o terceiro tiro estilhaçaram o amuleto. Aos olhos dos presentes, a mulher com cortes horríveis na barriga e o som sinistro sumiram em uma explosão de fogo. Luke ainda contorcia-se no chão. Dean arrancou o irmão de perto da porta que começava a abrir. Antes o loiro puxou a colt e pulou atrás de uma lápide protegendo-se da pressão que a porta exerceu liberando uma enorme nuvem negra que espalhou-se para todos os lados.

— O que aconteceu? — Jo gritava escondendo o rosto do vento forte e de lascas de madeira que estavam no ar.

—A porta do inferno abriu. Vamos fechá-la, AGORA! — Sam gritou correndo em direção a porta juntamente com Jo. Dean levantou-se olhou para a colt, estava banhada em sangue. O loiro não soube bem o que lhe atingira tão violentamente levantando-o pelos ares e caiu batendo a cabeça em uma lápide, o sangue escorreu imediatamente pelo corte ocasionado pela queda.

Sam fazia força para tentar fechar a porta, quando viu o irmão caído colocando a mão na cabeça e o maldito demônio que o torturou se aproximava com um sorriso nos lábios. O moreno saiu de encontro ao irmão, e foi barrado por uma espécie de barreira invisível. Suas mãos batiam violentamente para tentar avançar inutilmente.

— Fica calmo aí, garotão. Tenho negócios inacabados com seu irmãozinho. Essa vontade autodestrutiva de tentar salvar a família... me deixam curioso.

Ele aproximou-se do loiro que continuava imóvel sem poder se mexer, seu corpo estava paralisado. O demônio aproximou-se tão próximo que o odor impregnou as narinas do loiro e todo o terror que passara no inferno nas mãos de Alaister vieram-lhe a mente.

— Eu sabia que você era doido, Dean. Mas um pacto? Sentiu saudades de mim? Você teve um pacto melhor do que seu pai e não se perguntou por quê? Será que você trouxe o verdadeiro Sam? Ou aquele aquém você terá que matar? Ele foi bem frio atirando no metamorfo-slender man, não?

— Seu amaldiçoado! — Dean sentiu a pressão demoníaca em sua jugular. Uma força invisível o levantou do chão. Sam observava aterrorizado e impotente o que ocorria com seu irmão. Lamentos saiam do portal e Jo continuava seu esforço em tentar fechar a enorme porta.

Dean sentiu os braços perderem as forças, vislumbrou uma sombra atrás de Alasteir. Uma sombra que tomou forma, era John. Seu pai segurando o demônio, que jogou o mais velho dos Winchester no chão e voltou-se para Dean que disparara a colt. O demônio saíra antes do corpo que habitava receber o tiro. Sam voltou a correr para fechar o porta juntamente com a loira e num esforço além de seus limites o portal fechou-se. O som dos lamentos desaparecera. E ao longe viu o toque de John nos ombros de Dean que sentira toda a avalanche de sentimentos explodirem. Um olhar de carinho e compreensão para Sam que apenas balançou a cabeça com lágrimas nos olhos em um mudo consentimento. Uma luz forte envolveu John Winchester que desaparecera.

***

Dean dirigia silenciosamente até a RoadHouse. Prometera levar Jo até a sua mãe, o silencio era perturbador. Não havia clima para piadas e conversas. Sam estava amuado, certamente estava a ponto de explodir em perguntas, Dean só rezava para não estar certo. Ao longe a fumaça era avistada. O coração de Jo disparou e suas palavras saíram falhadas.

— Nã... Não!

O local estava em cinzas, os três desceram rapidamente. Vasculharam o lugar, havia enxofre e corpos carbonizados. Um deles era de Ash. Jo agora soluçava, sua mãe estaria entre eles...

— Joanna! — A voz trêmula e angustiante da mulher mais velha que estava ajoelhada a uma certa distância chamou a atenção dos três.

— Mãe! — Jo correu de encontro aos braços de sua mãe. Lágrimas misturavam aquele encontro de alivio, medo e terror. Mais atrás avistaram Bobby, com o boné surrado e retorcido em suas mãos.

— É bom vê-los rapazes. A RoadHouse foi atacada por uma legião de demônios, Ellen tinha ido me pedir ajuda para buscar Jo e quando passamos por aqui... o lugar estava destruído. Vimos uma nuvem negra com tons azuis e logo em seguida uma explosão. O portão foi aberto?

— Sim Bobby. Não conseguimos impedir. Lacramos ele novamente, mas muitos saíram por ele. — Dean falava pesadamente sentindo uma carga muito pesada sobre seus ombros. Sam continuava olhando-o e isso estava matando-o.

— Vocês fizeram o que podiam. Vou levá-las para minha casa, vocês querem nos acompanhar?

— Não Bobby. Dean e eu temos assuntos a tratar. E muitos demônios a matar. Cuide delas amigo. E se precisar nos ligue. — Sam estendeu a mão para o velho que a recebeu prontamente.

— Se precisar de qualquer coisa Bobby... não vacile. Ligue para nós! — Dean apertou a mão de Bobby e abraçou-o. O velho murmurou em seu ouvido:

— O que você fez garoto?— Dean afastou-se espantado, sabia muito bem o que aquelas palavras murmuradas queriam dizer, esboçou um sorriso forçado.

— O certo, Bobby. Apenas isso. — Dean sentiu as mãos do caçador apertarem seu ombro com firmeza. Sentiu seus olhos penetrarem em sua alma. O loiro apenas o abraçou mais uma vez e saiu de encontro as Harvelle.

Jo voltou sua atenção a Dean. Ele parecia ainda mais atraente. Percebia apesar de tudo que passaram, que estava relaxado. Tranqüilo demais.

— Vejo que vai nos deixar, não é? Eu tinha... eu tenho tantas perguntas para lhe fazer...— Dean posou um beijo morno e suave na testa da jovem. Abraçou-a como a uma irmã querida.

— Eu sei Jo. Sinto muito por tê-la feito passar por toda essa provação. Eu e Sam concertaremos essa bagunça. Prometo.

— Promete que voltaremos a nos encontrar? — As lágrimas teimavam em descer.

— Jo... — Dean limpou as lágrimas da moça delicadamente. Nossa como ele queria sentir o conforto dos braços da jovem a sua frente, em seu corpo. Mas limitou-se a sorrir. Já atrapalhara vidas demais. E a sua agora era questão de tempo. Não seria justo com ela. Não mesmo. — Cuide-se. Cuide de sua mãe e não saia caçando sozinha. Leve sempre uma pessoa de confiança. Sua mãe sofreu muito por você, ela vai precisar de sua atenção para recomeçar. Proteja-a.

— Se cuida Dean. Obrigada por tudo. — Jo sentiu que seria tomada pela vontade de beijá-lo. Porém sua timidez foi ainda maior. Dean não dava indícios de que sentia algo por ela, além de uma amizade. Não queria estragar isso. Conteve-se.

Sam e Dean entraram no impala. Deixando para trás pares de mãos acenando em meio a cinzas e vento. Dean olhou de canto para o irmão, sorriu e acelerou. A música melancólica tocava e não teve vontade de tirá-la.

— Dean?

— Humm?

— O que aconteceu? De verdade? — Sam agora voltou o corpo em direção do motorista.

— Papai saiu do inferno... e espero que...

— Comigo Dean! Eu morri?

— Ah, qual é Sammy! Pelo que vejo você está muito vivo! — Dean massageava o volante com as mãos apertadas ao redor.

— Eu morri? E você vendeu sua alma por mim? — Os olhos de Sam estavam trêmulos esperando a resposta, e só um sorriso cansado e um balançar de cabeça foi emitido pelo loiro.

— Pare o carro Dean. Ou eu o paro! — Sam não estava brincando. A música continuava a embalar a conversa. Com a freada um rastro de poeira se acumulou.

— Sam, estamos bem, hã. O que mais poderíamos querer?

— Dean, fala a verdade! — Sam viu a verdade naquele rosto machucado. Olhos marejados. Não precisou de confirmação. — Quanto tempo? — A pergunta foi direta, sem rodeios.

— Um ano. Eu tenho... apenas um ano.

— Como pôde fazer isso comigo, Dean? Como pôde ser tão... — Sam o segurava pela gola da camisa. O moreno estava acabado.

— Cara... Não faz isso, por favor! Eu tinha que fazer. Era minha função, proteger você! — Dean balançava a cabeça, suas mãos tocaram a do irmão que mantinha-se segurando-o firmemente.

— E qual você acha que é a minha função?

— O quê? — Dean sentiu-se desconcertado. Os punhos de Sam soltaram-no, e leves tapas no peito do irmão mais velho foram mais que palavras.

— Você sacrificou tudo por mim. Dean, você é meu irmão mais velho... eu faria qualquer coisa por você. — O loiro sorriu, seus olhos seguravam as lágrimas. — É a minha vez de proteger você. Não sei como, mas para variar vou livrar seu traseiro desta loucura.

— É. A caçada continua, meu irmão!

Ambos se abraçaram. Os raios de sol morriam lentamente. Ambos entraram no carro e desta vez embalados por AC\\DC.

***

O metamorfo Slender-man sentia a garoa fina em seu rosto. A dor não era mais sentida. A escuridão tomava conta de seus olhos por breves momentos. Porque a morte não vinha rapidamente para levá-lo? Era realmente a fina chuva que ele sentia em seu rosto? Ou era seu sangue misturado com as lágrimas? Falhara em completar sua vingança. Falhara com sua mãe, falhara com a sua existência. Um par de pernas parou a sua frente.

— Nas últimas criatura repulsiva? — Ruby chutou o corpo do homem a sua frente.

— Demônio! Argrhh... eu... não tive minha... vinganç..ça. No entanto fico...argrhh... feliz por na...não ter conseguido...

— Executar meu plano? Criatura de mente atrofiada! Ser inferior. — Ruby abaixou-se para poder ver melhor os últimos suspiros de Luke. — Você foi um ótimo peão, tudo ocorreu conforme planejei. Nos mínimos detalhes. E quer saber a grande ironia disso tudo? — Ruby puxou o resto do amuleto no peito do Slender-man. — Eu matei a infeliz de sua mãe. Eu uma caçadora demônio. Desde aquela época queríamos acabar com os caçadores. Então... nada melhor que a vingança a ser plantada e depois... uma bela colheita. Confesso que não pensei que as coisas iriam ser desta forma... Não precisa mexer-se assim, Sam fez um belo trabalho em você. — Ruby cuspiu no corpo do ser que estava de olhos esbugalhados e o ódio faiscava em seus olhos o consumindo. Ele viu sem poder, nada fazer, a faca de prata elevar-se e acertar seu coração lentamente, até que a ponta o perfurou. E as trevas o envolveram para sempre. Sua vida fora uma mentira. Sua vingança fora totalmente em vão. Deveria ter seguido os conselhos de sua adorável mãe.

“Per...perdão....Amanda.” — De seu bolso o celular caiu, a música preencheu o cemitério e Ruby saiu em passos lentos, sem importar-se com a melodia.

“Wise man said just walk this way

O sábio disse: apenas encontre o seu lugar

To the dawn of the light
Até o alvorecer da luz

Wind will blow into your face

O vento soprará em seu rosto

As the years pass you by
Enquanto os anos passam por você

Hear this voice from deep inside
Ouça esta voz bem lá no fundo

It's the call of your heart

É o chamado do seu coração

Close your eyes and you will find

Passage out of the dark

Feche seus olhos e você encontrará

O caminho para sair da escuridão…”


Notas finais
Espero sinceramente que tenham apreciado esse final. E até algum dia! Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!