Soneto Da Morte
8 Capítulo 8
Notas iniciais
A jovem escutava atentamente as palavras do caçador a sua frente que sorvia um fumegante café preto no intuito de manter-se acordado. Ela percebera o quanto o jovem estava exausto, e agora sabia o quanto ele deveria ter se esforçado para encontrá-la. Realmente era admirável sua força de vontade.
— Olha só Dean. Vamos descansar. Hoje já não poderemos pesquisar mais nada. Todos o lugares que precisamos ir já devem estar fechando as portas. Se esse caso que seu irmão viu na internet estiver relacionado com esses desaparecimentos, teremos uma boa chance de desvendar. Já que ela ainda está viva. O marido enlouqueceu e matou as crianças? E depois sumiu da prisão? As crianças estavam sem os olhos? Essa mulher deve ser nossa única pista no momento. O que acha? — Dean apenas balançou a cabeça. Não conseguiu assimilar todo o desenvolvimento da explicação de Jo. Havia perdido a concentração por alguns instantes quando vislumbrou dois garotos brincando de tiro embaixo da mesa aos pés dos pais que tentavam controlar a situação.
— Sam...
— Como? — O loiro sentiu-se envergonhado. Levantou-se, logo sendo seguido pela garota.
— Você tem razão. Vamos descansar. — Dean aproximou-se da recepção e pediu um quarto com duas camas.
— Sinto muito Sr. Winchester, mas todos os quartos estão ocupados. Temos apenas um de casal.
Jo olhou atônita para o loiro que pareceu não ligar para a situação e concordou com o atendente, pegando a chave e seguindo de encontro ao elevador. Percebendo que a moça não dizia nada e não andava, Dean voltou segurou seu punho e puxou-a fazendo-a segui-lo.
— Ah, qual é. Eu durmo feito uma pedra. Não vou me aproveitar de você...se não quiser é claro.
“Insulto! Canalha! Cafajeste!”— Joanna apenas sorriu. Se ele pensava que iria intimidá-la, estava redondamente enganado. Ela seguiu para o elevador com a cabeça erguida e com o nariz levemente empinado. Dean não pôde deixar de esboçar seu sorriso encantador.
— “Pimenta pura essa garota!”
Jo estava muito admirada pelo porte do rapaz que saíra do banho apenas com uma toalha enrolada na cintura. O peito másculo e os cabelos molhados faziam-na sentir seu coração bater mais forte. Por outro lado o rapaz nem se dava conta de como ele conseguia mexer com os sentimentos da jovem. Jo entrou no banheiro batendo a porta mais forte do que deveria.
— Que mau humor! — Dean falou em tom de brincadeira esperando uma resposta, mas não a obteve.
A Harvelle saiu do banho, já esperando encontrá-lo atarracado na cama de casal. Estava já com as palavras certas a serem ditas. E para sua surpresa, não fora o que pensava encontrar. Dean estava ao lado da cama, deitado sobre os cobertores no chão. O cansaço o a exaustão tomaram conta do corpo do loiro, que ressonava tranquilamente.
Jo fechou a boca que estava pronta a questionar. Deitou-se lentamente para não acordá-lo. E ficou sentada espiando-o dormir.
“Devo estar ficando louca, sob circunstâncias normais eu... Droga, nunca conheci um caçador tão charmoso!” — Jo discutia consigo mesma, até que o sono a alcançara.
***
No dia seguinte ambos estavam no impala conversando sobre o caso do homem James Liewes. Era bastante difícil se manter no trabalho quando a dor se tornava pior a cada dia sem Sam ao seu lado e o pior... Sem notícias do irmão. Tinha que centrar-se no caso e voltar a procurar Sammy. O loiro continuava martelando a visão do irmão sobre seu pai no inferno. Estacionou o carro e olhou para a loira:
— Chegamos. Faça apenas o que combinamos.
— Não sou criança. Pare de me tratar como tal.
— Então pare de agir como uma. Ser rebelde é indício de infantilidade.
Ela apenas revirou os olhos. Ele estava parecendo sua mãe!
Dean chegou ao hospital onde a mulher continuava internada, na verdade era um hospício, não seria a primeira sobrevivente a não agüentar a pressão da verdade e a tragédia ao qual passara.
— Dr. Cury. Por favor, pode me seguir. A Senhora Liewes está tomando remédios controlados muito fortes. Por isso poderá se negar a lhe ouvir ou falar normalmente.
— Agradecemos a atenção enfermeira Lara. Minha assistente Joanne é psicóloga, está acostumada com essas tristes situações. A família Liewes me contratou, querem saber o que de fato aconteceu naquela noite. Isso é claro se a paciente colaborar. — Dean interpretava seu papel com maestria.
— Tome essa é a chave. Teremos seguranças do lado de fora. Caso precisarem estarão de prontidão.
— Obrigado. — Dean pegou a chave e colocou-a na porta branca a sua frente. Abriu-a cautelosamente e começou a entrar.
No quarto branco e minúsculo estava a mulher sentada abraçando as pernas em um embalo repetitivo. Ele aproximou-se devagar, ela estava cantando? Sim, era uma melodia. Não conseguia entender a letra. Mas era uma música que já ouvira antes.
— Senhora Liewes? — O loiro começou a falar com ela. Ajoelhou-se e disse próximo ao seu ouvido:
— A senhora pode confiar em nós. Estamos aqui para responsabilizar os culpados. Pode me ouvir?
A mulher continuava a se embalar um pouco mais rápido do que antes. Jo aproximou-se:
— Senhora, nós estamos atrás da coisa que matou seus filhos. Por favor, colabore conosco. Outras crianças poderão ser as próximas vítimas. — A loira viu o olhar de repreensão do caçador. Mas os dois ficaram calados quando a mulher parou de se embalar. Os cabelos desgrenhados faziam sua silhueta ficarem aterradores.
— Então já encontraram. — A mulher sorriu ao ver a expressão de pavor de Jo. — Eles não eram meus filhos. Desde que nasceram era diferentes...
— Diferentes como? — Dean agora tomava controle da situação.
A mulher o chamou com o dedo para que ele ficasse ainda mais próximo.
— Meu marido não me amava. Saia todas as noites com suas vagabundas. Eu ficava chorando, rezando que um dia ele pagasse por tanta humilhação. Mas a mulher sabe manter as aparências e um dia ele mudou. Ficou carinhoso e pela primeira vez em muitos anos fizemos amor de verdade. E desse amor nasceu nossos gêmeos. E o canalha sumiu. Cuidei dos meus bebês dei carinho, amor. Então vi que eles eram diferentes. Deus provavelmente tinha dado dons a eles. Eles seriam super heróis do futuro. Meus meninos cresceram tão rápido que em um ano já pareciam com sete anos. Tive que mudar de cidade. Ou seríamos separados. E James nos encontrou, ficou espantado quando eu disse que nossos filhos estavam com saúde. O canalha nem lembrava que tinha filhos. — A mulher parou olhando para a parede, levantou-se e foi até ela e passou suas unhas fortemente, podia-se ver o sangue começar a verter. Dean chegou perto para pará-la, e com uma agilidade incrível a mulher voltou para o canto do quarto.
— A senhora amava seus filhos, então porque os machucaria? — Jo arriscou a perguntar.
— Com o passar de semanas eles mudaram. Mudavam a todo instante, eu nem sabia se eram eles. Contei ao James, ele riu da minha cara. Pegou um dos garotos e o espancou. Fiquei chorando, não fiz absolutamente nada. Apenas fiquei chorando e olhando a cena que se seguiu. Joel o outro irmão atravessou meu marido com as próprias mãos. Vocês deveriam ter visto a cara do James[risos]. Enterrei o canalha. E por algum tempo vivi em paz. A polícia veio me dar a “triste notícia” da morte de James. Fomos ao enterro. Cumpri meu papel de viúva. Então a mulher apareceu.
— Que mulher? — Dean puxou uma cadeira pequena e sentou.
— A mulher com a barriga dilacerada, cabelos negros e médios. É, fui visitada por um fantasma. Tanta coisa acontecendo em minha vida. Achei que estivesse enlouquecendo. Ela aproximou-se, estava coberta de sangue, ao redor do pescoço um corte profundo. Gritei e fechei os olhos.
— Você a conhecia de algum lugar? — Jo perguntara.
— Não. Não. Ela apenas dizia para me preparar, sua voz era rouca quase incompreensível e eu sempre sabia quando ela apareceria. Sempre. O som sempre era o mesmo, era uma canção... Isso repetiu-se até o dia que tudo aconteceu. — A mulher começava a entrar no mesmo ritmo que antes, suas mãos estavam tão retorcidas que as marcas de suas próprias unhas se aprofundavam.
— Lembra da letra da música ou como era a melodia? — A mulher olhou para o rapaz loiro, jamais imaginava essa pergunta. Era impressão sua ou eles estavam realmente acreditando nela? Não a chamariam de louca?
— Meu jovem, jamais esquecerei o som. As palavras eu não sei... mas, era como um lamento, seguido de um bela melodia...
— Como pôde ter certeza que ela estava tentando avisá-la? — Dean anotava algo em seu caderno.
— Eu... não sei explicar. No início parecia que eu estava sendo seguida, vigiada. Depois, se ela quisesse me matar já o teria feito antes, não acha? — Ambos apenas se entreolharam.
— No jornal, publicaram que seu marido matou as crianças.
— Fui eu...fui eu! Entrei no quarto e disparei contra eles enquanto dormiam. Eu havia colocado câmeras em toda a casa, e assisti a todas. Não eram mais meus bebês, seus olhos eram de monstros. Mas eu arranquei-os. E para minha surpresa... — Risos estridentes tomaram o corpo da mulher. — Meu marido estava de volta. E surpreendentemente ele ficou uma fera, parecia que amava os garotos. Irônico não? Vocês sabiam que a polícia o prendeu e ele... puf, desapareceu? É. Gritei para todos que ele havia voltado e matado meus filhos. Todos acreditaram, ele havia sido morto. Como poderia estar de volta? Agora estou segura... É. Bem segura. — A mulher encolheu-se ainda mais, e não voltou a falar. Apenas cantarolava a mesma canção quando entraram no recinto.
***
Sob a fina chuva estava Sam Winchester apático, observando o visor de seu novo celular. Estava decidido a ligar para o irmão. Sonhos cada vez mais intensos o alertavam de um perigo imediato. Era como se de suas veias corressem um alerta de S.O.S. Ruby estava logo atrás, falando alguma coisa.
— Sam. Você está exagerando. Ele está bem. Volte para dentro. — Ela abraçou-o por trás. Sentindo o poder vindo daquele corpo, inebriando-a de prazer.
O moreno não mordeu a isca. Desvencilhou-se delicadamente, para não parecer um bruto das garras da loira. Ruby percebeu naquele instante que tinha perdido Sam e novamente por causa de Dean. E para tê-lo ao seu lado... Deveria acabar com o loiro primeiro. Resolveu mudar sua estratégia.
— Então... Tens perante a você uma longa estrada a percorrer. Desculpe largar meus medos em cima de seus ombros. Se eu tivesse um irmão... Também o procuraria. — A loira sorriu ao encontrar os olhos de Sam. — Adeus Sam. Um dia voltaremos a nos encontrar.
— Você pode vir comigo. Se quiser. — Ruby pensou momentaneamente na proposta. Resolveu seguir seu plano anterior.
— Não. Pode ir. Esse é meu número. Me ligue se precisar de alguma coisa. Qualquer coisa. Não hesite. Se seu irmão estiver muito “puto” com você e... querer te matar, me chama que digo umas verdades para ele. — Ela sorriu docemente.
— Quanto a isso não me preocupo. Ele seria capaz de vender sua alma para me ter em segurança. Ele é teimoso feito uma mula, mas é meu irmão mais velho. E eu o amo do jeito que é. Obrigado mesmo assim. Se eu descobrir alguma coisa sobre esses presságios, pesadelos... Te ligo.
Ruby acenou com a cabeça, estendeu a mão em uma atitude de cumprimento. Ele retribuiu e sorriu. A demônio estava feliz. Sam sem perceber havia lhe dado a maior pista de todas. Dean Winchester estava com os dias contados. Só faltava falar de negócios com o maldito mestiço Metamorfo-Slender man, já que ele estava na cidade tocando o terror nas suas mulheres.
Notas finais
No próximo capítulo muitas coisas acontecerão. Não percam! Beijos.
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