Notas iniciais
Espero que o que vem pela frente os agradem! Beijos.

Dean dirigia o impala embalado por uma bela canção de Led Zepellin, começou a cantarolar quando lembrou que não estava com Sam e nem sozinho. A loira estava ao seu lado brincando com uma faca pequena. Ele espreitou os olhos ligeiramente para a moça. Não imaginava ser tão jovem. Parecia tão delicada, mas podia-se perceber sua determinação e garra. Haviam discutido momentos antes, ele estava determinado a levá-la para RoadHouse, no entanto a jovem deixou bem claro que não abandonaria um caso, não quando já havia começado. Incrível mas aqueles olhos nos seus o deixaram orgulhoso e tentou esconder seus sentimentos. Ligou para Ellen, teve a sensação que a mulher do outro lado da linha pularia para cima dele a qualquer momento ao saber que Jo não voltaria antes de resolver o caso dos desaparecimentos. Dean prometeu ajudar e solucionaria o caso em conjunto com a jovem, mantendo-a segura. Mas ele sentiu na voz de Ellen uma desconfiança, um receio. Não sabia o motivo, porém sentiu na voz da mãe da garota uma certa dúvida sobre se ele seria capaz de cumprir o que lhe prometera. Resolveu não ligar muito, já que não a conhecia suficientemente para julgá-la. E mesmo assim na tentativa de atenuar o clima sorriu, Jo não encarou-o, apenas olhou de canto observando seus belos lábios moverem-se sem emitir som acompanhando a canção, ele realmente era um pedaço de mau caminho. Jo sentiu a faca cortar-lhe a mão levemente e seu gemido logo denunciou sua desconcentração. O suficiente para o loiro parar o carro e ver o estrago que a garota tinha feito em sua própria mão.

— O que acha que está fazendo? — Dean com extrema agilidade já pegara o kit de primeiros socorros e desinfetou o ferimento superficial, colocando em seguida uma gaze.

— Não é nada. Acabei me desconcentrando e... — Ela parou abruptamente, como fora estúpida em dizer isso. Ele perceberia? Notaria que ele fora o motivo de sua falta de atenção? Esperava que não fosse perceber.

— Não sou eu o motivo, não é? — Aquele sorriso torto e encantador deixaram-na rubra, de vergonha e ódio de si mesma.

— Você deve se achar, não é? Mas essa pinta de bom moço, comigo não cola! — A garota puxou sua mão das dele e cruzou os braços. — Vamos logo com isso que estou precisando dormir.

— Ok, ok, ok. Não precisa ficar brava. Olhe...— O loiro virou-se para uma mochila atrás do banco e retirou uma faca muito maior que a da jovem. — Pegue essa, esse espeto que você carrega não vai te ajudar em nada.

Dean viu os olhos de Jo marejarem quase que imediatamente, sentiu-se tomado por uma vontade desconhecida de aconchegá-la em seus braços e entender o que se passava com ela. Joanna pegou na ponta da faca e entregou a ele fazendo um movimento com a cabeça para que ele lesse o que estava incrustado na lâmina da faca. Um sorriso nervoso e trêmulo fez-se presente na face do Winchester, ele olhou-a esperando o que estava engasgado em sua garganta.

— Era do meu pai, ele me deu quando ainda eu usava trancinhas. É a única lembrança que tenho dele. — A jovem entregou a faca de Dean.

— Hamm... Eu não sabia, sinto muito. O que aconteceu com ele? — Dean guardava a sua faca de volta na mochila desgastada pelo tempo de uso.

— Um trabalho... Ele confiou em outro caçador... e acabou sendo morto pela criatura que caçavam. — A loira suspirou melancolicamente, esse assunto sempre a deixava com ódio do tal caçador que não soube proteger seu pai.

Dean estava muito sem jeito, deu partida no carro e voltaram para a estrada. Mas, de fato, ele se sentia totalmente exausto. Estava na estrada há muitas horas sem dormir para chegar à cidade e descobrir o paradeiro da garota e agora precisava de uma cama. Para quebrar o clima que acabara gerando, resolveu saber mais sobre o caso que ela estava trabalhando.

— Como você se envolveu nesse caso? Eu e meu irmão estávamos para investigar algo parecido, mas ele... — O loiro travou, lembrar de Sam era difícil, já que não tinha notícias de seu paradeiro.

— Irmão? Porque ele não está aqui? — Se Jo pudesse voltaria no tempo, era evidente o desconforto do jovem. E ainda pior o olhar de tristeza que crescia naqueles verdes irresistíveis. — Desculpe.

— Não há o que desculpar. Eu e Sammy meio que estamos com objetivos diferentes. Logo, logo nos acertamos. Coisa de irmãos. — O loiro abriu aquele sorriso novamente. — Fala aí, você conhecia a vítima?

— É. Estudamos juntas há muito tempo. Não éramos exatamente amigas. Eu era a esquisita e ela a garota propaganda da escola. Depois da morte do papai, tudo mudou e perdi contato com todos da escola. Foi em uma noite que recebi uma ligação dela. Não pensei que ela tivesse guardado meu número todos esses anos. Ela achava que estava sendo perseguida e naquele tempo eu havia dito que meu pai era detetive particular, então ela queria ajuda dele.

— Nossa. ­— Dean olhou para a viatura da polícia parada, logo adiante com um casal de motoqueiros sendo revistados. — E então, você deu uma de detetive particular da moça? Mesmo podendo ser paranóia da garota?

— A princípio achei que fosse mesmo. No entanto, ela falou algo que me deixou um tanto curiosa. — Jo recostou a cabeça para trás, fixando os olhos no teto do impala.

— E o que era? — Dean perguntou dando sua típica fungada.

— Ela sentia como se um homem muito alto, esguio a perseguisse por todos os lugares que ia e...

— Um namorado deixado para trás? — Dean sorriu. E no mesmo instante morreu ao ver o rosto da jovem em desaprovação.

— Não. Claro que não. Jéssica estava muito assustada. Estava grávida e ouvia seguidamente um som. E esse som era seguido da aparição.

— E o marido? — O loiro passou os dedos entre seus cabelos espetados.

— Alex... Descobri tarde demais que ele não estava na cidade. Ele era um homem de negócios e viajava muito. Jéssica quando me levou para a entrada da sua mansão e o viu no jardim surpreendeu-se. Pois achava que ele havia viajado a negócios. Mas não desconfiou de nada e sentiu-se segura com ele de volta. Tentei argumentar, ela não me deu chance. Agradeceu e saiu. Simplesmente correu de encontro ao marido.

— Bela amiga. — Dean desligou o rádio.

— É. Meus instintos gritavam, diziam que algo não estava certo. Fiquei vigiando-a naquela noite. Encosta o carro Dean. — Jo falou tão seriamente que o rapaz não teve outra escolha.

— Ok. Porque isso agora? — Ele desligou a chave e virou-se para a garota. Que remexia na bolsa.

— Veja isso. — Jo Harvelle acionou o botão da câmera filmadora e deixou o vídeo correndo aos olhos fixos do loiro.

A princípio eram apenas os empregados e o casal andando pelos cômodos muito bem requintados por sinal. Então Dean remexeu-se no banco do carro e apontou o dedo para o vídeo.

— Congela.

— Já vi que você não é tão tosco quanto parece. — Dean ignorou o comentário.

— Aí. Os olhos dele refletem! O marido da sua amiga é um...

— Metamorfo. Quando analisei o vídeo e conferi que Alex não havia cancelado a tal viagem, corri até a casa de Jéssica. Mas ela não estava apenas o irmão. — Joanne guardou a câmera enquanto narrava todos os detalhes da história.

— Mas... — o loiro coçou a cabeça. — E o som? Quando ela ouvia a sensação de perseguição do tal homem era evidente, não foi isso que ela te contou?

— É. Por isso tenho que terminar o que comecei. Jéssica não foi mais vista, e Alex, o verdadeiro recebeu a notícia e voltou. Ninguém entendeu absolutamente nada, todos achavam que ele e Jéssica haviam saído juntos para uma festa. — Jo voltou a fazer malabarismo com sua faca.

— Jo, você está muito focada no caso do desaparecimento de sua amiga e acabou deixando alguns fatos relevantes. Vamos achar um hotel e explicarei minha teoria e a do Sam. — Dean voltou a ligar o carro quando a jovem assentiu em concordância.

Notas finais
Mereço seus maravilhosos reviews? Aguardo-os com sugestões, críticas e elogios. Beijos a todos.