Soneto Da Morte
1 Capítulo 1
Notas iniciais
AngelSPN
Ohio, março de 1977.
Luke segurava a mulher contra seu peito. O desespero estava cravado em sua fisionomia. Delicadamente depositou o corpo da amada em um valo, feito há pouco tempo por ele enquanto ouvia no celular a canção que ela gravara no dia do seu aniversário de casamento. O som melodioso e a voz terna de Amanda Strongg inundavam seu coração de sentimentos e lembranças tão vívidas. Era a música de Send Me An Angel dos Scorpions que ganhavam ainda mais glamour na doce voz de sua amada.
“Wise man said just walk this way
To the dawn of the light
Wind will blow into your face
As the years pass you by
Hear this voice from deep inside
It's the call of your heart…”
O homem apertou-a mais uma última vez de encontro ao seu peito, sentiu a barriga da mulher contra seu corpo, seria pai dentro de alguns meses. E agora havia perdido tudo.
Luke era um arqueólogo bem sucedido, suas características um tanto exótica encantaram Amanda e os dois apaixonaram-se perdidamente. Cinco anos de alegrias e desejos sempre ardentes os transformaram no casal apaixonados e amantes da natureza. E agora toda essa felicidade que parecia eterna estava morta. O corpo tão cruelmente deformado, os olhos perdidos em um imenso buraco negro, a pele tão magra e escorregadia, não lembravam absolutamente nada de Amanda. Luke entrou no buraco e delicadamente repousou aquele corpo de encontro à terra úmida. Sentiu as lágrimas misturarem-se com o suor do seu corpo. Por alguma razão, sentiu um torpor percorrer sua mente retirando um pouco a dor que o esmagava. Saiu e foi de encontro à pá. Suas mãos tremiam quando as primeiras pás de terra contrastaram com o vestido branco de Amanda.
—Adeus, meu amor! — O rapaz de olhos violeta e de cabelos ruivos encaracolados continuava a cobrir o corpo daquela que um dia estava cheia de vida e expectativas.
Luke continuava com os mesmos movimentos, e quando iria cobrir o rosto da amada, ele parou. Sentou na beirada daquele túmulo improvisado e deixou-se levar por recordações. Continuou por mais alguns instantes, sentindo a rigidez tomar conta de cada pedaço de seu corpo. Por fim ergueu-se e o soneto da morte chegou aos seus ouvidos, fazendo-o desequilibrar-se e cair em cima da amada que movia os lábios murchos e arroxeados.
—Sai dela seu monstro! Sai da minha mulher! Deixe-a em paz!
Luke agora colocava seus dedos dentro das órbitas daquele corpo que parecia definhar rapidamente. Ouvindo os gritos de agonia e sofrimento daquele som deturpado. O rapaz agora gargalhava, estava com os olhos injetados no corpo que se contorcia pedindo por ajuda.
—Luukee... — A voz rouca saía com dificuldade e distorcida. — Me ajude, não...não nosss.. mate!
O homem pegou sua pá e com golpes firmes atingiu a face da mulher, o sangue agora vertia com maior densidade, misturando-se com a terra. Os soluços do homem agora eram ouvidos, se não estivesse tão distante da cidade certamente ouviriam seus lamentos. Enquanto os da mulher silenciaram.
— Acabou querida. Acabou. A profecia não se concretizará. Você está livre, sua alma será recebida por seus ancestrais. E eu... Eu serei o justiceiro. Um fardo compromisso... Eu sei. Mas alguém terá que fazer esse sacrifício. Um dia nos encontraremos no paraíso que estará reservado para nós, nosso filho e os demais. Adeus querida.
Luke colocou a pá no ombro, beijou o medalhão pendurado no pescoço e continuou a caminhar para fora daquele bosque, voltou a olhar para trás, a lua clareava a terra remexida e quatro túmulos eram deixados enquanto ele seguia em frente. Luke começou a cantarolar a música que marcava a época de felicidade, antes de a tragédia acometer sua família.
“…Close your eyes and you will find
Passage out of the dark.”
Notas finais
Dedico essa fic para minhas amigas Alice, Constantin e Elise. Vocês moram em meu coração. Beijos
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