Alguns dias se passaram, e Sherlock estava tentando descobrir quem havia enviado aquela carta. Ele estava sentado, na sala, quando Charlotte chegou até ele.

—Ei, pai- Ela sorriu- Eu estou indo ver a Enola- Sherlock não respondeu- O que é isso?- Ela tirou a carta da mão dele, e leu- Quem é esse homem?

—É um caso que eu estou investigando- Ele disse, pegando a carta da mão dela- Você não deveria ter pegado isso.

—Eu ouvi falar desse homem- Charlotte disse- Mais do que isso, já quase capturei ele. Mas ele fugiu, feito um rato.

—Está sendo realmente difícil encontrá-lo- Sherlock concordou.

—Talvez eu possa ajudar, tenho um interesse especial nele- Charlotte sugeriu

—Que interesse?- Sherlock questionou.

Charlotte não respondeu. Ela queria vingança. Vingança porque o Assassino da Noite lhe tirara sua inocência, sua infância. Uma pessoa bateu na porta, que logo foi atendida. Uma moça loira, de olhos azuis, entrou na sala.

—Olá, Sherlock!- Ela sorriu. Charlotte percebeu algo em comum nela.

—Olá, Scarlett. Precisa de algo?- Sherlock sorriu.

—Na verdade, estava passando por aqui e vim ver meu tio. Ele está?- Ela sorriu.

—Não, ele foi para o consultório- Sherlock se levantou, deixando a carta nas mãos de Charlotte. Ela então entendeu porque ela lhe era tão familiar.

—Quem é ela?- Scarlett perguntou, olhando para Charlotte.

—Ah, sim!- Sherlock riu- Esta é minha filha, Charlotte- Ele se dirigiu a Charlotte- Charl, essa é a Scarlett, prima do John.

—Ah, olá Scarlett- Charlotte cumprimentou.

—Ela lembra você- Scarlett sorriu- Bom, eu vou indo, tenho que ir ver meu irmão.

—Eu te acompanho até a rua, Scarlett- Charlotte sorriu de modo afável- Vou sair também.

—Ótimo- Sherlock sorriu, dando um beijo na testa da filha.

Charlotte e Scarlett saíram e se despediram. Charlotte fingiu ir para o lado oposto, mas seguiu Scarlett até a casa, ou melhor, mansão do irmão.

Charlotte percebeu em Scarlett algumas características que viu no Assassino da Noite quando eles se encontraram. Os olhos embaixo da máscara, a mecha de cabelo loiro solta, os trejeitos parecidos.

Ela precisava vê-lo mais de perto.

Então, ela foi até o escritório de Enola.

—Charlotte!- Enola sorriu- Eu preciso da sua ajuda, em um caso.

—Um caso?- Charlotte questiona.

—O caso do Assassino da Noite. Eu sei que o meu irmão também está trabalhando nele, mas outro cliente me chamou, não tive como recusar.

—Eu tenho uma suspeita- Charlotte sorriu- Mas não posso fazer isso do nada. Preciso achar um jeito...

—O que sabe sobre ele?- Enola perguntou

—Loiro, olhos azuis, cabelos médios e lisos. É rico, e tem por volta de 30 anos- Charlotte disse- Se for quem eu estou pensando, seu sobrenome é Watson. Ele tem uma bengala de carvalho, com ponta de ferro, e está gravado G.W nela. Só preciso saber o nome e comparar a letra.

—Como sabe tudo isso?

—Eu já o encontrei. Estive cara a cara com ele, pena que não consegui capturá-lo. Ele usou das suas artimanhas masculinas, se é que me entende.

—Não entendi. Mas tudo bem- Enola sorriu

—Ele é da classe alta. Queria poder encontrá-lo e tirar minhas dúvidas- Charlotte se sentou.

—Talvez Tewksbury possa ajudar- Enola colocou a mão no ombro da sobrinha.

—Não quero envolver ele nisso. É perigoso.

—Tudo bem, então. Caso precise de ajuda de fora, é só falar que tenho meus contatos- Enola sorriu de forma doce- Podemos trabalhar juntas nisso. Aliás, posso ver isso para você. Tewksbury me convidou para ir a um baile, em comemoração ao aniversário de um conde, eu vou com ele.

—Você vai?- Charlotte sorriu- E que conde seria esse?

—O conde Moriarty. O irmão do meio, William James Moriarty.

—Ah, uau- Charlotte se levantou- Tenho que ir, meu pai deve estar me esperando.

—Tchau, Charlotte- Enola sorriu, e Charlotte acenou para ela, saindo da sala.

Quando Charlotte chegou, seus irmãos estavam todos animados.

—Qual o motivo da animação?- Charlotte riu, pendurando o chapéu.

—Temos uma festa pra ir!- Lucian sorriu

—Uma festa?

—O meu amigo, Albert, convidou a gente para o baile de aniversário do irmão dele- Michael respondeu

—O irmão dele? E qual o nome dele?

—William. William James Moriarty- Michael sorriu

—Nós vamos, pai?- Vincent se dirigiu a Sherlock.

—Por que não?- Sherlock sorriu.