Somewhere Only We Know

3 Para onde as pessoas vão afim de se deprimir


Notas iniciais
Capítulo curtinho, mas terá um seguido :)

Aquela semana passou como um sopro, quando me dei conta, já era quinta-feira e eu voltava da minha festa de despedida “surpresa”, coloquei aspas em surpresa porque planejei a festa por uma semana, mas é claro indiretamente, porque minhas amigas não sabem fazer uma festa, então passaram a semana fazendo perguntas do tipo “se você estivesse planejando uma festa surpresa...” e eu pacientemente lhes descrevi indiretamente minha festa, e claro fiz minha melhor expressão de surpresa ao chegar ao local na hora e dia exatos, embora — elas possam não ter percebido isso ­­— elas não tenham me informado a data nem o local. Não chorei no meio da festa, porque era um local muito público, chorei apenas no ultimo momento, ao lado de minhas melhores amigas e meu ex-namoradomelhor-amigo.

Tudo aquilo não parecia um adeus, até o inevitável momento em que eu tive de dizer adeus, e pode crer, todas as minhas regras sobre não chorar publicamente foram quebradas, foi um momento embaraçoso e extremamente triste, por isso não acho justo com meus amigos contar a vocês ocorrido.

Basta dizer que ao ver as luzes do aeroporto sumindo, voltei a chorar, muito mais que na última vez, foi uma viajem longa e honestamente, não me lembro de absolutamente nada, chegamos à França e eu não fazia a menor ideia das horas, cheguei a nossa nova casa que já havia sido mobilhada, entrei no quarto que me foi designado, era maior que meu quarto em Belém, mas não me importava com isso, deitei na cama com colchas limpas e cheirosas e dormi imediatamente, acordei com um sol morno em meu rosto, era verão em Paris, eu ainda usava a roupa com que embarquei, precisava desesperadamente de um banho, entrei no banheiro do meu novo quarto, com minhas novas coisas, minha mãe já havia posto meus itens de higiene em meu banheiro o que facilitou muito a minha vida, sai do banheiro limpa e pronta para sair de casa, usava um vestido mullet salmão, um cinto e uma bolsa de franja marrom com meus bottons favoritos, além de é claro, sandálias para andar pela cidade inteira, mas antes dei uma explorada pela casa e... Uau, que casa, três salas de estar, duas salas de jantar, oito quartos, quatro escritórios, e mais um bom monte de banheiros, não quero contar o resto dos cômodos — porque também não há mais outros além dos jardins e áreas de lazer — fiquei decepcionada ao perceber que não havia ninguém acordado, pensei que seria um pouco irresponsável da minha parte sair pela cidade sem rumo, mas percebi que não podia ficar mais nem um segundo naquela casa,

Era um dia agradável e tudo brilhava, mas pra mim absolutamente tudo era muito fosco e sem vida. As pessoas andavam pelas ruas falando uma língua que eu desconhecia, casais andavam de mãos dadas sorrindo uns pros outros, grupos de amigos riam em toda parte e lá estava eu, sozinha, que emoção — estou sendo irônica novamente ­— depois de andar algumas quadras parei em uma ponte de pedra, com todo o estilo de Paris, me encostei lá, e olhai para o céu, as pessoas passavam por mim, apenas um cara continuava sentado lá ele estava apenas parado e sentado, sem falar nada, durante bastante tempo, as horas passavam e provavelmente meus pais estavam perdendo os cabelos por mim, mas no momento eu precisava desse tempo, provavelmente já passava das três da tarde, mas não tinha certeza, tudo na França é meio louco.

— Thinking of jumping?

Notas finais
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