Somewhere Only We Know

4 Conheço um estranho na ponte


Notas iniciais
Outro capítulo curtinho :)

Gostaria de ressaltar que essa história acabou de começar, não pense que você leu tudo isso em vão, isso foi só uma introdução, para finalmente chegar aos meus dias de glória. Bem como nem todas as pessoas do mundo falam inglês, vou transcrever da melhor maneira possível a tradução das frases ditas naquele dia, e em todos os outros dias.

— Pensando em pular? — O garoto que passara o dia inteiro sentado ao meu lado na ponte perguntou.

— Talvez, e você? — Não tenho o costume de responder quando um desconhecido pergunta se eu quero pular da ponte, mas eu estava meio fora de mim naquele dia.

— Não tenho certeza — ele respondeu voltando a olhar o rio que passava por baixo de nós.

Dei uma olhada melhor nele, tinha os cabelos loiros, os olhos castanhos bem claros que quase pareciam dourados, sua pele era branca como marfim, ele era bem magro e bem alto, mas era extremamente bonito, talvez na hora eu não tenha notado isso, como eu disse não estava no meu normal.

— O que levaria um rapaz como você a pular de uma ponte? — Ele deu um sorriso torto ainda olhando para o rio.

— O que faria uma moça como você pular de uma ponte? — Ele repetiu a pergunta me olhando nos olhos, e nossa que olhos.

— Perguntei primeiro — Rebati, eu estava começando um joguinho.

— Não costumo discutir minha vida pessoal com uma estranha em uma ponte — Ele respondeu. Dei uma risadinha, algo totalmente não a minha cara.

— Eu não costumo conversar com estranhos em pontes — Eu disse voltando a olhar o céu.

— Então nós podemos parar de conversar — Ele me respondeu.

— Você tem razão, quer parar de conversar estranho? — Lhe perguntei.

— Acho que você é a única companhia que eu posso ter no momento, estranha — Ele me olhou com seus olhos dourados e eu fiquei encantada que eu não estivesse no meu normal hoje.

— Isso é extremamente encorajador estranho — Rebati com um sorriso — e nós podemos, por favor, parar com essa coisa de “estranho”?

— Já estava pensando nisso — Ele riu pela primeira vez, e se aproximou — Sou o Alex.

— Natália — Respondi a sua pergunta muda sem hesitação. Não tenha a ilusão de que sou idiota, é claro que eu sei que pedófilos moram em todo lugar, e tinha consciência que ele com toda certeza do mundo podia ser um, mas como já deixei explicito, não estava no meu normal naquele dia, embora esses fatos tenham me levado ao momento mais feliz da minha vida, eu absolutamente não aprovo meu comportamento naquele dia.

— Agora que não somos mais estranhos você vai me contar o que estava fazendo aqui — Ele me olhou como se eu fosse uma criança inoportuna.

— Não — ele me disse dando de ombros.

— Ok Alex — dei muita ênfase em seu nome — Preciso ir pra casa. Adeus. — eu proferi me dirigindo de volta a minha casa.

— Você tem consciência que já está escuro — Ele me disse, novamente com aquele olhar.

— E? — Perguntei com a expressão mais seca que consegui formar.

— Não é correto uma dama andar sozinha — Ele me alcançou e continuou andando ao meu lado — Na cidade do amor.

— Pensei que fosse a cidade das luzes — Eu disse andando sem olhar pra ele.

— Pessoas não-apaixonadas dizem isso — Ouvi sua risada.

— Então pode me incluir na lista dos “não-apaixonados” — Eu respondi, não olhei pra ele em nenhum momento.

— Por que será que eu não acredito nisso? — Ele continuava ao meu lado.

Me virei para ele.

— Qual é o seu problema? — Ainda não estava gritando, mas estava bem perto, aquele cara estranho estava realmente me irritando.

— Quer saber de verdade? — Ele parou e sua expressão se suavizou de um jeito estranho.

— Não, agora posso ir em paz? — Como disse que não mentiria, não vou me mentir, eu não queria ir embora, não é uma daquelas “conexões imediatas”, mas simplesmente porque eu gostei da companhia dele, ele parecia triste, e suas risadas pareciam falsas, eu queria muito ajuda-lo, mas não sabia como e sinceramente, nem paciência pra isso eu tinha, então quando ele fez um sinal pra eu passar, eu fui, e não olhei pra trás, eu sei que ele continuou lá, e isso me deixou triste de certa forma.

Sabia que estava com problemas antes mesmo de chegar em casa. Uma viatura estava posicionada na entrada da garagem, é sério? Viatura? O que eles achavam? Que alguém havia me sequestrado e jogado da torre Eiffel? Sabe qual é o pior? Era exatamente isso.

— Cheguei! — Eu disse na minha melhor voz de não-vi-a-viatura-do-lado-de-fora. Vi minha mãe tentando mi mimicar (essa palavra existe?!?) para os guardas algo, Buda sabe que minha mãe não conhece uma palavra em inglês, muito menos em francês, ao me ver ela desistiu das tentativas infrutíferas de se comunicar com o guarda e correu pra perto de mim.

— Filha! — Ela gritou, e como sempre meu pai ficou calado.

Teoria da minha mãe sobre o que estava acontecendo comigo: Fui sequestrada por um homem de camisa listrada que provavelmente era mimico, ele me levou em um pequeno carro vermelho até a torre Eiffel e lá ele junto com seu amigo mimico me jogava, a lógica nisso? Não encontrei até hoje, mas foi exatamente isso que eu entendi, o desespero estava dominando minha pobre mãe para ela não poder ter imaginado algo com mais nexo.

Meus pais começaram a fazer perguntas chatas e eu não estava interessada em responder, por fim falei que estava cansada, para fugir de toda aquela exasperação, meu quarto estava exatamente do jeito que eu não queria que ele estivesse naquele momento, lotado de fotos dos meus amigos e do meu amado ex-namorado.

Liguei meu computador e vi minhas mensagens, seis mensagens, das minhas amigas é claro, do Frank, e mais duas pessoas que eu nem me lembro mais quem eram. Respondi a mesma coisa, provavelmente foi alguma variação de “estou bem, só cansada” e algo do tipo, me arrumei para dormir, deitei na cama e não me lembro de mais nada.

Notas finais
E então?