Something new
16 Time
Notas iniciais
O inverno chegou sem maiores complicações para os moradores da Zona Segura de Alexandria, eles tinham comida, abrigo, energia (mesmo que tivessem que poupar, já que eles utilizavam energia solar, os dias de inverno eram curtos e muitas vezes encobertos), e roupas e cobertores para todos. Beth estava cada dia mais ansiosa para o nascimento do bebê, e ela mal podia conter sua animação cada vez que alguém dizia que a barriga dela estava crescendo, apesar de ainda não estar tão grande assim. A loira ainda passava a maior parte dos seus dias cuidando de Judith, ajudando Maggie e estudando com Carl e Enid, os três tinham prosseguido na leitura de Harry Potter e estavam quase terminando o quinto livro, que na opinião da loira era o mais demorado de se ler, e ela mal podia esperar para que os dois chegassem logo no último livro, para que pudessem conversar sobre toda a história.
Daryl continuava a sua rotina de vigias, verificação dos muros, garantir que todos estavam bem, e caçar, apesar de que com o frio era muito mais difícil conseguir animais, mas mesmo assim ele ainda ia. Ele e Rick passavam bastante tempo juntos, e durante esse tempo Grimes contava a Daryl coisas que tinham acontecido com ele durante a gravidez e os primeiros meses de vida de Carl, o arqueiro ria e a cada dia que passava também ficava mais ansioso para a chegada do filho. Ele e Beth tinham conversado bastante logo depois do susto que eles tiveram nos primeiros meses da gravidez, e Daryl tinha exposto para a loira todas as coisas que se passavam pela sua cabeça.
Daryl entrou na sala e viu a mulher deitada no sofá acariciando a barriga calmamente enquanto cantarolava uma música que ele não conhecia – o que não era uma novidade, já que poucas eram as vezes que ele conhecia as músicas que ela cantava. Como o homem não fazia mais os turnos noturnos, ele ficava de vigia parte da manhã e da tarde, e como todos os outros dias ele voltou para casa assim que Sasha chegou até a torre para substitui-lo. Ele foi até a mulher, e a beijou na testa e subiu para o quarto a fim de deixar suas coisas lá e se limpar um pouco antes do jantar. Assim que desceu as escadas de volta alguns minutos depois percebeu que a loira não tinha se movido quase nada, e quando chegou perto dela, a mulher apenas se levantou o suficiente para que ele se sentasse, e então deitou em seu colo. Daryl passou a mão nos fios loiros e os dois continuaram em silencio por vários minutos.
— Sonhei com meu pai essa noite. – a loira disse e Daryl grunhiu em resposta como quase sempre fazia quando não tinha nada mais a acrescentar, e ele sabia que Beth continuaria a contar. – Nós estávamos na nossa fazenda, e ele dizia que estava muito feliz por mim, e que minha mãe também estava, que nós dois vamos ser ótimos pais, e que nosso bebê é muito sortudo. – terminou. O homem continuou a mexer nos cabelos de Beth sem dizer uma palavra, ele não tinha certeza se seria um bom pai. Daryl desejava com toda sua alma que aquilo fosse verdade, tudo o que ele queria no mundo era ser bom para seu filho, mas muitas vezes, ele tinha o sentimento que seria como o seu próprio pai, o velho Will Dixon, que fez da vida de seu próprio filho um inferno durante anos. – Baby, o que está pensando? – ela perguntou diante do silencio do marido. Apesar de ser um homem calado Daryl sempre conversava com a esposa.
— Não tenho certeza se vou ser um bom pai, Beth. Já te falei isso algumas vezes, o sangue Dixon não me deixa ter certeza disso. E puta merda, se você soubesse o medo que tenho de alguma coisa acontecer contigo, não consigo nem imaginar o que faria, Beth. – ele falou tentando soar o mais calmo o possível, mas na realidade cada vez que mencionavam ou ele mesmo pensava em se tornar pai de uma pessoa que iria precisar dele durante muito tempo, ele tinha vontade de gritar, mas perder o controle da situação não era algo que Daryl Dixon gostasse.
— Baby, nós já tivemos essa conversa. – Beth falou se levantando do colo dele, para que pudesse olha-lo nos olhos. – Daryl, eu vou repetir o que já lhe falei algumas vezes, mas você não é seu pai. Você é uma pessoa totalmente diferente, meu bem. Um homem maravilhoso, bom, generoso. Seu filho vai ter orgulho do pai, assim como eu tenho orgulho todos os dias do marido maravilhoso que tenho. Nem posso imaginar o quão difícil deve ser lidar com todas as coisas que aconteceram no passado e o fato que vamos ter um bebê, mas Daryl, eu te garanto, como todo o meu coração que seremos os melhores para os nossos filhos, e eu te garanto, eu não vou a lugar nenhum tão cedo. – ela disse e Daryl tentou sorrir.
— Nossos filhos? — perguntou e Beth jogou a cabeça para trás rindo. – Seu otimismo sempre me contagia, garota. Espero que tudo o que você disse se torne realidade.
— Vai se tornar, e baby, sempre que estiver se sentindo assim eu vou te animar, e te lembrar o quão maravilhoso você é. E sim, nossos filhos, acho que mais um ficaria perfeito, dois mini Dixon correndo por essa casa. – Beth disse, com um sorriso enorme no rosto e se aproximando do homem para beija-lo.
Daryl tentava se manter tão confiante e otimista como Beth, e as coisas nos últimos tempos andavam ajudando, eles não tinham tido grandes problemas, a loira estava feliz e saudável, assim como o bebê. Daryl entrou em casa no final da tarde com um pote de um tipo de lasanha que Carol tinha feito e mandado para a loira, como eles tinham duas vacas, agora eles tinham até aprendido a fazer queijo caseiro com alguns livros de receita antigos que haviam encontrado no sótão de uma das casas e a ajuda de uma das moradoras de Hilltop. Beth estava sentada no chão, com as costas encostadas no sofá enquanto brincava com Judith.
— Baby, que bom que chegou. Judith como é nome dele? – perguntou para a garotinha, ela estava tentando ensinar a menininha a falar o nome das pessoas corretamente, o que era bem engraçado.
— Dada! – a menininha gritou animada e gargalhou. Beth a pegou e começou a distribuir beijinhos na garota que ria ainda mais.
— Ah, Judy, você estava falando certinho antes! – a loira disse. – Mas tudo bem, eu acho tão bonitinho quando você chama o Daryl assim. – comentou.
— Trouxe o jantar, a Carol disse que você comentou que andava com vontade de comer lasanha... Parece que ainda nem nasceu e todos já estão aos seus pés, mini Dixon. – Daryl comentou quando se sentou perto da mulher no chão e se inclinou para beijar a barriga da mesma depois de colocar o pote na bancada da cozinha, sentindo um movimento logo em seguida. Judith caminhou, agora bem mais segura, até o homem e se jogou no seu colo.
— Seu filho passou o dia inteiro me chutando, baby. – Beth riu e Daryl se esticou para pegar o brinquedo de Judith no chão. A menina mordeu a orelha do bicho de pelúcia e encostou a cabeça no peito de Daryl, sinal que já estava com sono. – Essa garotinha não dormiu ainda, se conseguir fazer com que ela durma vou ficar muito satisfeita. – Beth sorriu para o marido e se levantou do chão indo em direção a cozinha.
— Seu filho também, baby. – Daryl debochou e Beth mostrou a língua para ele. – Nem parece que algumas semanas atrás você estava louca para ele começar a fazer isso. – comentou enquanto ajeitava Judith no colo, e a garotinha levantava suas mãos para puxar a barba do homem ou colocar seus dedos na boca dele.
Beth estava passeando com Judith, ao lado de Maggie e Hershel, aproveitando que não estava congelando do lado de fora, a barriga da loira já estava aparecendo, e todos pareciam felizes de terem outro bebê na comunidade. Maggie estava comentando como Hershel não parava de crescer a cada dia, e que ele era a cara do Glenn (o que era verdade). A loira observava Judith que queria andar sozinha um pouco a frente, e logo percebeu a aproximação de uma mulher na frente, Maggie soltou uma exclamação assim que Jane parou na frente delas, e Beth pegou a mãozinha de Judy antes que ela saísse correndo para longe.
— O que quer? – Maggie perguntou impaciente para a outra, que sorriu falsamente, e Beth já se preparava para sair andando, não andava com paciência.
— Beth, você é muito esperta mesmo, um filho para segurar um homem, esse golpe não fica ultrapassado nem no apocalipse, e você nos mostrou que ele ainda funciona. – Disse e as duas irmãs abriram a boca chocadas, Jane nunca tinha sido tão direta, e que merda era aquela que ela dizia? A loira pegou Judith no colo e logo a entregou para a irmã mais velha.
— O que te faz pensar isso Jane? Quero te lembrar que você não sabe nada da minha vida, e que eu e Daryl passamos por muita merda para chegarmos aqui, e querida, com certeza não é um filho que prende o meu marido a mim, e se você pensa, que essa sua perseguição vai nos causar algum problema está muito enganada, ok? Isso só me mostra que você é bem desequilibrada, porque vamos combinar que você deveria ter outras preocupações na sua vida além de perturbar um homem que já tem alguém nesse momento, sei lá, só pensei isso. Vá arranjar algo mais produtivo para fazer, mulher. – Beth disse, e encostou sua mão na barriga. A mulher a olhou irritada.
— Sabe, Beth, quando o Dary perceber que você não passa de uma garotinha boba e fraca, ele vai se virar e eu vou estar logo ali para poder fazer companhia ao seu adorável ex marido. – Jane disse e Beth agarrou o braço da mulher com toda a sua força e Maggie deu um gritinho, as observando.
— Vou te falar uma coisa, Jane, pela ultima vez. Pare de ser uma maluca porque isso não vai acontecer, deixe de ser tão fútil, existem outros caras por aí. – Beth apertou o braço da mulher com mais força ainda. – Me deixe em paz, eu só quero ficar a minha vida em paz ao lado do Daryl, e sinto muito, mas você chegou tarde demais, ok? No próximo apocalipse chegue mais cedo. – comentou, e soltou o braço da mulher que a olhou com raiva e deu um tapa no rosto da loira.
A situação seguinte se deu numa rapidez incrível, Beth colocou a mão na bochecha atingida, e no segundo seguinte ela agarrou os cabelos de Jane com toda a força que tinha, e a puxou quase até o chão, e a outra gritou por socorro. Maggie deixou Judith no chão e a avisou para não sair de perto, e Beth avisou para a irmã ficar do lado de fora da briga, Jesus foi chegando e acabou vendo a confusão e os gritos, assim como outras pessoas.
— Jane, você acabou de me irritar de uma maneira, que eu poderia arrancar cada fio de cabeço seu com uma pinça, mas não vou fazer isso, porque afinal das contas a maluca aqui é você, querida. Quem cismou comigo foi você, eu só estou tentando manter as coisas como devem ser. – comentou puxando ainda mais os cabelos dela e então ela deu um tapa tão forte em Jane que a boca da mulher sangrou. – Isso é pelo tapa que você me deu, e por todas as outras coisas que disse de mim e do meu bebê. – falou e Jesus chegou por trás de Beth, a puxando para que ela soltasse Jane que a olhava chocada.
— Beth, acho que você já mostrou que não anda paciente. – Ele avisou soltando a loira há alguns metros de distancia de Jane.
— Essa louca me deu um tapa, quem ela pensa que é. – Beth disse irritada, e passou a mão nos cabelos loiros, e Maggie se aproximou da irmã com um sorriso orgulhoso. – Maggie não me olhe assim, sabe que essa minha ação vai ser um saco. – comentou e pegou Judith do chão, a abraçando. Nesse momento Daryl e Rick apareceram, Dixon olhou para a mulher e balançou a cabeça.
— O que aconteceu aqui? – Perguntou e Jesus indicou Beth para que ela explicasse, a loira entregou a bebê para o pai, e sacudiu a cabeça.
— Jane veio me provocar, eu respondi, ela me deu um tapa, e eu mostrei a ela que não sou fraca. Sei que não devia ter agredido, mas aquela mulher me bateu, quem ela pensa que é. – falou e Daryl se virou para Jane, mas Beth segurou o braço dele. – Eu já resolvi, baby. Não precisa se irritar, ok? – disse e abraçou o marido, logo depois se virou para Rick. – Rick, me desculpe por ter batido nela... Eu realmente não pretendia chegar a esse ponto. – avisou.
— Tudo bem, Beth. Mas não precisava realmente chegar a esse ponto, mas já que ela te bateu... – disse, Rick sabia que a loira não era mais aquela menina frágil da prisão. – Espero que esteja tudo bem com você.
— Tudo bem. – A loira sorriu. – Acho que vou para casa. – avisou e Daryl assentiu e segurou a mão da loira para que saíssem dali, e as pessoas já tinham voltado a seus afazeres.
— Vou falar com Jane. Não sabia que tinha a mão tão pesada Beth. – Rick disse, e a loira deu de ombros com um sorriso teimando em aparecer no rosto.
O casal caminhou até sua casa em silencio, Daryl no fundo estava orgulhoso que Beth sabia se defender, e que ela podia resolver seus problemas sozinha. Assim que chegaram até a sala, a loira sentou-se no sofá e colocou as duas mãos na barriga, fechando os olhos logo em seguida.
— Daryl! – ela gritou um minuto depois e o homem que estava na cozinha chegou ao lado da loira em menos de um segundo. – Ele mexeu! O nosso bebê está mexendo! – falou animada e puxou a mão do marido para a sua barriga e o homem sentiu um chute em sua mão. – Ah meu Deus! – ela estava animada. – Eu nem acredito que dá para sentir assim! – Beth comentou, e Daryl estava calado, apenas sorrindo, como poucas vezes a loira tinha visto.
— Acho que ele está te dando parabéns pelo tapa, mamãe. – falou e Beth gargalhou.
A loira riu da memória da primeira vez que sentiram o bebê se mexendo dentro da barriga dela, e Daryl a olhou como se também estivesse se lembrando daquele momento. Jane depois daquele dia não tentou mais nenhum tipo de aproximação da família e Beth estava bastante satisfeita com aquilo, e intimamente pensava que se ela só precisava dar um tapa e uns puxões de cabelo para afastar Jane ela teria feito antes.
— Sim eu estava, e adoro sentir os chutes, só fico torcendo para eles não virem a noite, porque você ainda tem essa mania de achar que o bebê vai sentir quando nós estamos transando, ai ai, Daryl Dixon, você é tão adorável. – disse e Daryl a olhou com as orelhas vermelhas, e Beth riu mais uma vez.
— Porque ele deve sentir, e não quero entrar nessa discussão outra vez, loira. – ele avisou, e a mulher voltou da cozinha e sentou-se no sofá.
— Baby, quando você começar a ler aquele livro que coloquei na sua mesa de cabeceira vai começar a entender melhor, já que não quer acreditar em mim. – avisou.
— Beth, eu tentei começar o livro umas três vezes, e nas três você me atacou, não que eu esteja reclamando, mas fica um pouco complicado assim. – continuou, mas mesmo assim as orelhas do homem estavam vermelhas, ele virou seu olhar para o seu colo e viu a pequena Judith adormecida. Ele se levantou e subiu as escadas para colocá-la na cama logo, e na volta passou no quarto e pegou o livro que a mulher tinha dito e voltou para a sala, sentando ao lado da loira que pegou o livro que estava lendo e se deitou no colo do marido. – Vamos ver o que esse livro diz, mas duvido que todas as coisas sejam aplicadas a um Dixon. – comentou.
— Daryl, você vai ser o pai mais sensacional do mundo. – brincou e ele se inclinou para beijar os lábios da loira que sorriu e voltou sua concentração para o livro em suas mãos.
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