Something new
3 New guys in town
Notas iniciais
Desceu as escadas pensando na conversa estranha que tinha tido com a mulher, e se deparou com uma das cenas que sempre a deixava feliz, Daryl estava na cozinha alimentando Judith, ela ainda se lembrava de muito tempo antes quando ele fez aquilo na prisão, aquela primeira vez, quando a bebê virou também a “Lil ass kicker”. As coisas com a menininha já não eram tão fáceis, agora ela queria comer sozinha, e fazia a maior bagunça, mas valia a pena quando ela ouvia as risadas dela, e agora as de Daryl acompanhando.
— Judy, uma papinha e você sujou o chão todo. A Beth vai me obrigar a limpar você sabia disso? – perguntou retoricamente para a menina que bateu as mãos na mesa. – Mas você aparentemente não liga. Quando seu pai voltar vai ficar impressionado em como você está levada, quero ver derrubar tudo no chão com ele. – comentou, mas Rick era completamente apaixonado pela filha.
— Rick vai fazer a mesma coisa que você, Dixon. – Beth falou da divisão da cozinha com a sala. – Absolutamente nada. – Ela se juntou a eles e arrumou alguns sanduiches para os recém chegados, imaginava que eles estariam famintos. Ela os entregou para os que estavam na sala e pegou Judy no colo para troca-la e subiu as escadas. Na verdade ela queria sair um pouco dos olhares dos sobreviventes que achavam meio bizarro o fato deles terem uma vida relativamente normal, e não paravam de lançar olhares curiosos a eles. Enquanto brincava com Judith ouviu a porta se abrir e logo depois a voz de Glenn, o cunhado tinha mudado muito desde a época da fazenda, ele não era mais a “isca”. Tinha amadurecido muito, e agora era um pai. Ela e Maggie as vezes conversavam de como as coisas ficaram loucas de diversas maneiras, a irmã mais velha comentava que em alguns momentos, principalmente no começo de tudo, que talvez eles não conseguissem sobreviver durante muito tempo. E agora, ela tinha uma outra vida para tomar conta! Com o coreano que apareceu de repente na fazenda delas. Ouviu as explicações do cunhado no andar debaixo. Ele falou sobre o sistema de divisão de tarefas, da plantação que eles tinham começado, do sistema de energia, todas as coisas que eles julgavam importantes para um novo morador, perguntou se eles queriam saber de mais algum detalhe, ou se tinham alguma dúvida sobre como as coisas eram.
— Eles vão se apresentar agora, Beth. Vai lá para baixo, se quiser eu fico com a Judy aqui. – Aaron falou para ela que sorriu, levantou da cama aonde brincava com a menininha.
— Obrigada, Aaron! Não sei o que faria sem você e o Eric aqui para nos dar uma ajuda com a Judy enquanto o Rick está fora. – comentou e desceu as escadas de volta para o primeiro andar. Ela se acomodou para observar as apresentações, do lado de Daryl, sutilmente ela se recostou nele, sentindo o calor que emanava da pele do homem, com um suspiro desejoso voltou a atenção para as pessoas a sua frente. Eles mantinham o hábito de gravar o primeiro depoimento das pessoas quando chegavam em Alexandria, então Glenn ajeitou a câmera e o homem do outro lado se preparou para começar a falar, ele tinha cabelos loiros escuros e olhos verdes, um braço estava imobilizado com uma tala suja de sangue e terra. Os cabelos e a barba dele estavam crescidos, e ele parecia exausto.
— Eu sou Noel. Noel Kant, na realidade, não que isso vá valer muito. Eu e a minha irmã – Apontou para uma garota parecida com ele no canto da sala. – Éramos universitários antes disso acontecer. Estudávamos em Princeton, eu estava na faculdade quando tudo começou, só consegui pegar minha irmã e corremos. No caminho encontramos um grupo, mas quando a casa em que estávamos sofreu com uma horda sobramos apenas nós. – ele disse com um suspiro de pesar.
— Tem alguma coisa mais a dizer? – perguntou Glenn ao ver que o garoto parecia ter entrado em estado de contemplação.
— Não, só queria agradecer ao Daryl e ao Aaron por terem nos salvado, com certeza não estaríamos vivos, quando eles chegaram nós estávamos nos esforçando para acabar um grupo de walkers que acabou nos encontrando, mas já estávamos muito fracos, e meu braço está machucado então... – ele deixou a voz ir morrendo lentamente, e Glenn assentiu com a cabeça, levantando e dando pausa na gravação até o próximo se sentar. A irmã de Noel tomou o lugar.
— Alison Kant, tenho 25 anos agora, ou algo em torno disso. – comentou. – Estudava em Princeton, pretendia terminar meu curso de administração lá, para ajudar meu pai na empresa que ele tinha, enquanto o Noel fazia engenharia da computação, o nerd da família. – completou e lágrimas subiram aos seus olhos. – Ele conseguiu me tirar do meio de uma confusão e nós fugimos, depois disso as coisas foram melhorando e piorando, variavam. Mas estávamos em problemas quando os dois nos encontraram. – ela falou. – Espero poder ajuda-los de alguma maneira. – completou. Ela era alta, com cabelos também loiros porém mais escuros que o do irmão, mas os mesmos olhos verdes. Ela poderia ter se passado por uma modelo antes daquela loucura, pensou Beth.
— Vocês podem me chamar de Jane, mas meu nome é Janeth Fletcher. Eu era veterinária numa clínica, fiquei sozinha nessa bagunça até encontrar com eles e o grupo que estavam. Tive bastante sorte para lidar com tudo isso, demorei até pegar o jeito de matar os walkers, quase morri várias vezes, mas agora até me viro bem com uma faca, ou uma arma. – falou para eles. Beth, assim como os outros a observava atentamente.
— Quantas pessoas você já matou, Jane? – Glenn perguntou sério, seus olhos puxados olhando fixamente para a mulher sentada a sua frente, apesar de saber que Daryl já havia feito essa pergunta para eles.
— Uma. O imbecil do Joshua tentou abusar de uma das garotas do antigo grupo, ela deveria ter a idade da loira ali, Beth. – apontou para a mulher. – Ele mereceu o tiro que levou, poderia ter deixado ele ser comido pelos errantes. – respondeu friamente. – Agora walkers eu já perdi a conta, mas imagino que você não esteja se referindo a eles, porque aqueles bichos não são mais pessoas com certeza. – ela disse e Glenn acenou com a cabeça finalizando também a entrevista dela. Quando a última mulher se sentou para se apresentar a mente de Beth não estava mais prestando atenção direito, seu subconsciente ficava o tempo todo gritando que ela estava morrendo de ciúmes dos olhares desejosos de Jane para o arqueiro ao lado dela, quase que inconsciente a loira se inclinou para o marido a olhou pelo canto do olho e deu um sorriso quase imperceptível, que ele só usava para ela.
— Stella Parkers, Nunca matei ninguém vivo, era advogada antes dessa merda. – comentou. – Não tenho muito o que falar de mim. Estou satisfeita em ter encontrado um lugar em que possamos ficar seguros. – completou. – Com tudo o que aconteceu eu perdi minha família, e agora esses três são minha família – disse com um sorriso de canto. Os cabelos também castanhos dela estavam na altura dos ombros, os olhos dela eram tão azuis que pareciam duas piscinas, e sua aparência lembrava um pouco uma mãe. – Tinha dois filhos, mas eles acabaram se perdendo no começo de tudo, quando eu consegui chegar na escola deles, tinha acontecido um incêndio e só saiam walkers de lá. Fiquei dias procurando por eles. – os olhos dela adquiriram uma tristeza. – Mas talvez tenha sido melhor eles não precisarem ver a merda de mundo que estamos vivendo. – ela terminou e Glenn balançou a cabeça mais uma vez.
— Bem, então, a princípio é isso. Vamos conversar daqui alguns dias sobre tarefas para vocês. – ele olhou o relógio no bolso que tinha pertencido ao sogro. – Temos apenas um problema, já é noite e não arrumamos nenhuma casa. Esperávamos que vocês só chegassem daqui alguns dias, então amanhã será essa a primeira coisa que faremos, será pegar uma das chaves para entregar a vocês, ajudamos com a limpeza e tudo ficará perfeito.
— Tenho um quarto extra lá em casa. – Disse Aaron descendo as escadas com Judith quase adormecida no colo. – Dois de vocês podem ir para lá, ou todos. Fiquem a vontade. A Judy estava chamando o Daryl, acho que ela quer que você a coloque para dormir. – ele entregou Judith para o arqueiro que a endireitou e a embalou levemente.
— Poderia até oferecer a minha casa, mas além de não termos mais quartos extras tenho um bebê. – Glenn disse.
— Tenho um quarto extra. – disse Beth. – Não é muito grande mas tem uma cama. Acho que ficariam confortáveis se quiserem. – sorriu.
Os quatro trocaram algumas palavras enquanto eles conversavam na cozinha, Daryl havia subido para colocar Judith adormecida no berço e ainda não voltara. Antes que pudessem dizer a decisão a porta se abriu e Carl entrou, o chapéu de xerife em sua cabeça e seus cabelos quase tampando os olhos, ele observou todos, deu boa noite e foi para a cozinha junto dos outros se recostando na bancada.
— Glenn, a Maggie disse que o jantar está pronto. E o Hershel já está na cama, o que significa que você está devendo uma para ela já que hoje era seu dia de colocá-lo para dormir. – o garoto falou e todos riram.
— Ontem quando fui troca-lo, acredita que ele me sujou todo? – perguntou a Beth que soltou uma gargalhada.
— Bem vindo a paternidade. Judith vivia fazendo isso quando era menor, acho que com o tempo melhora. – ela comentou. – Mas ainda vai acontecer muitas vezes, cunhado. Sinto lhe dizer. – brincou batendo no ombro dele. Os quatro recém chegamos se juntaram a eles.
— Se vocês não se importarem acho que vamos nos dividir, assim podemos descansar melhor, e de qualquer maneira vocês não parecem que vão nos machucar, não sabemos o que é uma noite de sono sem alardes há semanas. – comentou Jane.
— Eu e a Ali aceitamos sua oferta, Aaron. – disse Noel sorrindo. – Só de pensar em uma cama meu corpo já quer apagar. E se puder tomar um banho então... – o garoto diz sonhador.
— Claro, banho e jantar. Eric deve ter feito algo para o jantar. Vocês vão adora-lo, mas acho melhor irmos porque ele odeia quando eu atraso e a comida esfria. – Aaron falou enquanto se despedia de Beth e dos outros.
Internamente Beth tinha desejado que os gêmeos ficassem com eles, mas se não era aquilo que tinha acontecido, tudo bem, ela seria a boa anfitriã madura e sem ciúmes. Daryl voltou para a cozinha a tempo de ver Glenn se despedindo de todos.
— Amanhã eu passo lá para uma visita ao meu sobrinho. – disse Beth sorrindo. – Assim que eu acordar e arrumar as coisas com Judy, o que significa que pode ser um pouco tarde, já que ando com um sono... – ela falou e o coreano riu, se despedindo de Daryl e saindo pela porta. – Vamos jantar? Fiz aquela massa que a Carol ensinou, espero que tenha ficado boa. – ela sorriu e as duas “convidadas” se juntaram a eles a mesa de jantar.
— Beth, a Judith já está dormindo? Ela sempre fica me enrolando quando sou eu que a coloco para dormir, vocês sempre conseguem mais rápido. – Disse Carl ao perceber o silencio na casa.
— Aham, Daryl a colocou na cama. Mas não vai achando que vai escapar de limpar a sujeira que fizeram na cozinha, ok Dixon? – ela fala e Daryl resmunga em resposta de brincadeira para ela, mas logo após entrelaça seus dedos, puxando a mão da loira e a beijando levemente.
— Tudo que a Sra. Dixon quiser, loirinha. – ele brincou. Estava com saudades de ter a loira ao seu lado, mesmo tendo sido apenas pouco mais de um dia longe dela, pareciam décadas, ele realmente havia se tornado um viadinho.
— Vocês precisam ver a sujeira que ela faz quando é com o meu pai, parece que a cozinha toda fica suja. – Carl comentou e todos na mesa riram. – Michonne fica para morrer quando ele acaba, a Judy sempre saí imunda, parece que fica mais comida espalhada nela e no chão do que ela realmente comeu. – disse.
— Rick é seu pai? – Jane perguntou interessada. Ela tinha ouvido falar do homem, mas uma figura tão doméstica não parecia o melhor para liderar uma comunidade.
— Sim. – respondeu Daryl. – Mas não se engane com isso de paternidade. Rick é um líder. – E Carl, ele vai voltar amanhã, quando ele for alimentar a bravinha me chama para eu ver a Michonne dando uma dura nele. – riu com Carl.
— Sua mãe é a Michonne, Carl? – Stella perguntou e o garoto abaixou a cabeça negando. – Ahn me desculpe... – falou levemente.
— Ela é minha amiga. – o garoto falou. – E agora é namorada do meu pai. – completou. Michonne e Rick tinham engatado um relacionamento depois de diversos acontecimentos em Alexandria. Carl parecia feliz em ver seu pai e sua melhor amiga bem, os dois formavam um casal bem durão, padre Gabriel falou durante uma sessão de treinamento com Carl. Quando todos tinham acabado de comer Beth tirou a mesa com ajuda do adolescente. Daryl levantou-se para ajudar a loira a arrumar a bagunça que tinha feito na cozinha, mas ela negou dizendo que ele deveria estar cansado e que ele podia subir que limparia tudo.
— Bem, garotas. – Beth falou, uma vez no andar superior. – Esse quarto é pequeno mas acho que é confortável. – apontou para a porta que ela havia aberto, no ambiente havia uma cama de casal, uma cômoda, e duas mesinhas de cabeceira pequenas. – Tem uma cama de casal, espero que não se importem. O banheiro fica ali no final do corredor, tem agua quente para o banho, toalhas no armário e tudo mais que é necessário para um bom banho, podem usar a vontade, Jane sabe onde fica não é? – a outra mulher assentiu. – Só não façam muito barulho no corredor, a bebê dorme naquele quarto com o Carl e acorda por qualquer besteira. – falou indicando a porta a esquerda. – O meu quarto é esse aqui. – apontou para a porta em frente. – Qualquer coisa que precisarem... Sintam-se em casa, se tiverem fome ou sede tem a geladeira lá embaixo.
— Obrigada, Beth. Você está sendo ótima. – Stella disse e se inclinou para dar um beijo na bochecha da loira que sorriu. – Estou louca por um banho, Jane sinto muito, mas você lavou seu rosto e está bem melhor que eu, então vou primeiro. – disse. – Boa noite, Beth. – falou e saiu em direção ao banheiro fechando a porta atrás de si.
— Boa noite, vou dar uma olhadinha na Judy antes de ir deitar. – a loira disse para Jane, que viu a mulher entrar no quarto ao lado e falar algo com o adolescente que ainda estava acordado. Quando Daryl Dixon apareceu e os salvou ela não imaginou que aquele homem selvagem podia morar junto daquela coisinha loira, ela parecia tão frágil que um sopro de walker a derrubaria, o casal não fazia o menor sentido para ela. E foi isso que Jane continuou pensando enquanto tomava banho e após se deitar ao lado da amiga, Daryl Dixon definitivamente não combinava com Beth.
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