Something new
6 Impressões
Notas iniciais
Beth se sentia com cinco anos quando dormia no sofá e acordava na cama. Claro que ela sabia que quem tinha a levado durante a madrugada para a cama minha sido Daryl, sempre que dormiam no sofá ele acordava no meio da noite e a levava no colo até o quarto deles, e normalmente após aquilo os dois conseguiam namorar um pouco. Mas Beth diferente das outras vezes não acordou quando o homem a levantou do sofá, ao contrário, ela nem se lembrava de ter dormido.
— Já ia verificar se você não tinha morrido durante o sono, loira. – Daryl falou assim que a viu se espreguiçando na cama, com os olhos ainda cerrados de sono.
— Nossa! – ela exclamou se esticando ainda mais, fazendo seus ossos estalarem com o movimento. – Dormi tanto assim? – olhou para o homem que estava sentado na cadeira que havia no quarto a observando.
— Bastante. – Daryl respondendo voltando para a cama e sentando-se na beirada. – Quer comer algo? – ele ofereceu para a loira que sorriu.
— Vamos lá na cozinha que eu faço algo para comermos. – Beth comentou enquanto puxava o edredom para o lado e sentava na cama.
— Não precisa loira. Posso trazer aqui para você. – Daryl disse e olhou para a mulher que arqueava uma sobrancelha como se desacreditasse no que ele havia dito. – Que foi? Se for para ficar fazendo essa cara desça você e faça a merda do café, Greene.
— Essa hora da manhã, Daryl? Não precisa ser grosso, eu só achei engraçado você me oferecer isso. – ela disse na defensiva levantando ambas as mãos em sinal de rendição.
— Eu sou um filho da puta grosso não é? – perguntou. – Vou trazer alguma coisa para você comer, espera um pouco. – ele disse se levantando e saindo pela porta.
Beth tinha se acostumado com as grosserias que as vezes escapavam do marido, ela nem sempre conseguia não responder, o que acabava com os dois gritando. Beth vinha se mostrando muito mais geniosa e decidida do que parecia tempos atrás. Mas costumava evitar discussões sem sentido com Daryl, até porque muitas das coisas que ele dizia eram apenas um reflexo da muralha que ele havia criado para se proteger, e que ela todos os dias transpassava um pouquinho, ou pelo menos tentava.
Antes que ele voltasse, Beth levantou da cama e foi até o banheiro. Aproveitou para escovar os dentes e pentear os cabelos que estavam bagunçados e embaraçados. Daryl procurou o que queria na cozinha, ele estava se sentindo ridículo fazendo aquilo, mas tinha certeza que Beth ficaria feliz, então valeria a pena.
— Daryl! – a loira riu animada quando viu as coisas na cama, ela sentou-se perto dele que tinha levado uma bandeja com as coisas que eles tinham comido na primeira vez que perceberam que tinham sentimentos um pelo outro. – Não acredito que você lembra até do que comemos.
— Não comíamos nada decente há dias, eu fiquei bem feliz de encontrar um teto com comida boa, pés de porco, manteiga de amendoim, geleia, refrigerante... – ele disse vagamente, enquanto comia.
— Eu sempre acho que te conheço o suficiente e você me surpreende. – Beth riu. – Esse vai ser oficialmente nosso melhor café da manhã juntos. – disse e o beijou rapidamente, enfiando uma colher na manteiga de amendoim e comendo logo em seguida lambendo os lábios. – Isso é muito bom!
Daryl tinha os olhos fixos na loira, seu olhar vagueando da boca dela até seus olhos azuis que mostravam diversão em estar fazendo aquilo com ele. Daryl estreitou seus olhos, quase os fechando, e coçou a barba que estava grande e pigarreou, fazendo com que Beth soltasse uma risadinha, a loira deliberadamente lambeu a colher que tinha tirado do pote, olhando diretamente para o arqueiro que respirou fundo, Beth estava o provocando, e ele sabia que era de propósito.
Colocou a bandeja na mesinha ao lado da cama e antes que Beth pudesse perceber ele pegou um pouco da geleia em seus dedos e passou no rosto da loira, que deu um gritinho surpreso, ainda mais pelo ato seguinte do arqueiro, que se inclinou para ela e lambeu a geleia que escorria para seu pescoço, logo em seguida a beijando, deitando na cama de volta com ela. Beth sentia-se a mulher mais desejada do mundo quando Daryl beijava seu corpo, passeava suas mãos ásperas pela pele dela, a fazendo suspirar a cada momento.
Os dois tiveram um bom começo de manhã e depois de tomarem banho juntos desceram as escadas da casa. Beth sabia que Daryl e Rick iam averiguar como andavam as hordas de walkers nos arredores de Alexandria, mas ela sempre se sentia mal quando o homem tinha que a deixar, sabia que era egoísmo, mas muitas vezes não conseguia controlar. Ela e Maggie estavam em uma espécie de casulo criado pelos seus respectivos maridos que as impediam de sair de Alexandria, só se houvesse um ataque que elas poderiam pegar suas mochilas e entrar nos carros, fora isso, tinham prometido manter suas bundas Greene a salvo, e dentro de um perímetro seguro.
Daryl colocou sua besta no ombro e pegou a mochila que usava com coisas para emergência. Puxou a loira para um beijo antes de sair, Beth apertou seus cabelos entre os dedos durante o beijo o puxando para si, colocando tudo o que sentia nele.
— Volte para mim o mais rápido o possível, Sr. Dixon. – disse sorrindo ao separar os lábios do dele, ainda nas pontas dos pés, olhando nos olhos do homem.
— Voltarei, loirinha. – respondeu. – Se cuida. – ele saiu pela porta e Beth suspirou se jogando no sofá, teria alguns minutos até a hora que combinou de ficar com Judy.
Daryl pegou o caminho até o portão onde se encontraria com Rick, apesar de parecer seguro eles não queriam confiar demais, em tempos como os que eles viviam desconfiar um pouco era sempre a melhor arma que tinham. Antes que pudesse andar mais que dois minutos sozinho, o homem foi abordado por Jane.
— Hey! Bom dia. Você vai sair? – perguntou animada e Daryl bufou, era só o que faltava, aquela mulher no seu pé achando que eles eram amigos só porque ele a salvara.
— Não te interessa. – respondeu grosso sem parar de andar. Ela não pareceu se abalar e continuou seguindo do lado dele.
— Sabe, eu sou muito boa atirando, se você for sair posso ir com você, o que acha? Podemos passar um tempo juntos Daryl. – Jane continuou e o homem nem se abalou, continuando seu caminho.
— Se eu precisasse de alguém para me proteger com certeza não confiaria minha bunda a você. – respondeu. E chegou até o ponto onde ele e Rick tinham combinado de se encontrar, o xerife andou na direção dos dois. – Vá arranjar algo para fazer. – completou virando as costas para a mulher. – Que cara é essa? – perguntou a Rick no momento que olhou para o amigo.
— Estou pensando. Essa Jane é estranha, você sabia que a Judy não suporta ela? – falou para o arqueiro. – Carol falou isso ontem para mim... – comentou vagamente. – Que ela era estranha, claro. Judy demonstrou bem na minha cara que não era fã dela. – riu.
— Uhm, ela não é má pessoa. – Daryl disse. Eles iriam fazer a ronda a pé, como não iriam muito longe seria mais fácil matar os walkers dessa maneira.
— Foi o que falei para Carol. – comentou enquanto saiam pelo portão. – Confio no seu julgamento, Daryl. Mas ela parece sempre estar ao redor de nós.
— Beth não parece gostar dela também, mas se deu bem com as outras pessoas do grupo. – disse. – Não que ela me diga, mas eu percebo as caras dela cada vez que Jane vem falar comigo. – fechou o portão atrás dele e deu ordens para trancarem. – Agora vamos deixar essa daí de lado e nos concentrarmos, não pretendo gastar o dia inteiro matando esses walkers perdidos por aí.
Beth pegou Judith no colo. A menina tinha chorado no quarto dela e a loira sabia que a pequena tinha acabado de acordar, e aquela era uma hora manhosa para Judy. Com um sorriso ela abraçou a menininha no colo a embalando levemente enquanto sussurrava bom dia para ela, que acabou parando de chorar.
— Bom dia, minha pequena chorona. – Beth brincou enquanto a trocava. – Pronta para mais um dia nesse mundo louco? – perguntou e a menina soltou algo que parecia um sim.
Beth desceu com Judith no colo para a cozinha para dar café da manhã para ela, como tinha chegado alguns minutos antes para liberar Michonne, já tinha preparado uma papinha de maça que era a favorita da menina. Carol desceu as escadas calmamente, tinha feito o turno da noite e acabara de acordar.
— Bom dia, meninas. – disse sentando-se na bancada perto de Judith que estava em sua cadeira alta.
— Bom dia, Carol. Desculpa se Judith te acordou! Ela deve ter tido algum sonho ruim ou se assustou quando acordou. – Beth disse colocando um pouco da papinha na boca da menina.
— Nah. Eu já estava acordada, querida. – sorriu para a loira. – Rick e Daryl já saíram? – perguntou
— Sim, deve ter mais ou menos meia hora. – respondeu e suspirou.
— Aconteceu algo? – a mulher perguntou para a loira que balançou a cabeça negativamente.
— Posso te perguntar uma coisa? – Beth disse.
— Claro, Beth. Somos amigas. – falou, e mordeu um pedaço do pêssego que pescou da lata.
— Não quero parecer maluca, ou fútil no meio do mundo em que vivemos. Mas você reparou na Jane? – Beth perguntou e desviou seu olhar de Judith e da bagunça que ela fazia tentando comer sozinha para Carol.
— Ela é um mistério para mim. Você notou algo? – Carol parecia interessada no rumo da conversa.
— Não algo ruim, ou que nos coloque em perigo, até porque conheço as outras pessoas do grupo dela e são todos ótimos. Mas Jane... Ela vive cercando o Daryl, lançando uns olhares. Até a Maggie percebeu. – falou. – E para completar as vezes me olha como se quisesse me derrubar.
— Nunca a vi interagindo com o Daryl, mas das três ou quatro vezes que cruzei com Jane ela me perguntou dele.... – Carol falou, como se estivesse pensando alto. – Beth você está com ciúmes?
— Sim. – admitiu e pegou a colher que tinha escorregado da mão da pequena que reclamou quando Beth tentou lhe dar a comida na boca. – É complicado, eu não queria me sentir assim, Carol. Mas tenho uma antipatia tão grande por ela, e a Jane é bonita, e é mais velha. – suspirou. – Odeio isso! Me sinto uma fútil.
— Isso é automático, Beth. E Daryl te adora, dá para perceber de longe que ele não te trocaria por ninguém, Daryl Dixon te deu um anel, e te fez a Senhora Dixon, vamos combinar que isso é muita coisa. – falou sorrindo para Beth.
— Obrigada, Carol. Você é maravilhosa, já te falei isso? Obrigada por tudo que tem feito por nós, todo esse tempo. – Beth disse com um sorriso.
— Que bobeira, Beth. Eu faço de tudo para proteger vocês, porque nós somos uma família, e quero ver todos a salvo, e felizes de preferência. – brincou. – Acho que vou preparar alguma coisa para o almoço.
— Não precisa! Posso fazer a comida. – disse.
— Não! Eu gosto de cozinhar, e você vai ficar ocupada olhando se a Judith não está destruindo nada. – falou e Beth soltou uma risada. – Vou até o estoque pegar alguns ingredientes que vou precisar.
Beth tirou Judith da sua cadeira e viu a sujeira que ela tinha feito, ainda bem que estava usando o babador, e não havia sujado a roupa. A loira a levou até seu cercadinho na sala e a colocou lá para conseguir ajeitar a cozinha. Limpou a mesa da menininha, lavou a louça que tinham sujado, rapidamente tinha conseguido colocar tudo em ordem. Sorriu para a garotinha e a tirou de dentro de sua prisão colorida a colocando no chão para brincarem um pouco juntas, enquanto ainda pensava na conversa que tinha tido com Carol.
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