Something new
7 A day in the life.
Notas iniciais
Rick e Daryl vagaram ao redor do muro por algumas horas, até se certificarem de que realmente não havia nenhum grande perigo rondando Alexandria. Os dois voltaram para a Zona Segura, ainda, com quatro esquilos e três coelhos que Daryl havia conseguido abater enquanto espreitavam os walkers.
— Se tivesse saído com o objetivo de caçar não seria tão bom. – Disse Rick enquanto tomavam o caminho de volta.
— Pois é. – concordou o arqueiro. – Quando chegarmos em casa vou limpa-los.
— Jantem lá em casa hoje, nós chamamos os outros também. – disse e Daryl concordou, fazia algumas semanas que eles não jantavam todos juntos.
Os dois entraram na comunidade e Daryl voltou para casa para limpar os animais que tinha levado e ver se Beth estava bem. Quando entrou pela porta a viu debruçada sobre um caderno escrevendo alguma coisa, e tomou um susto quando o homem entrou pela porta, fechando-o rapidamente.
— Escondendo alguma coisa de mim loira? — ele perguntou rindo, dando um beijo na bochecha dela, enquanto a abraçava por trás.
— Não, estava apenas escrevendo bobagens. Como foi lá fora com o Rick, tudo certo? – perguntou. E se virou para olha-lo, sorrindo em seguida.
— Tudo ok. Abati alguns animais, vamos jantar lá mais tarde, pode ser? – perguntou e a mulher assentiu. – Ótimo, eu vou limpar o que trouxe e levar lá, encontramos com Carol no portão e ela disse que teria uma receita ótima para o coelho.
— Parece uma delícia. – a loira disse sorrindo levemente – Vou arrumar umas coisas enquanto você faz isso, então. Não demora, que podemos tomar um banho juntos. – completou sorrindo para ele.
O arqueiro levantou-se e foi até a parte de trás da casa para limpar os animais, enquanto ele terminava sua tarefa pensava em quanto as coisas tinham mudado. Depois da invasão dos walkers as coisas tinham melhorado, e eles estavam podendo viver em paz, aqueles momentos de normalidade era o que Daryl mais estava apreciando. Ele se levantou e foi até a casa de Rick para entregar o coelho que Carol tinha dito que iria preparar.
— Ótimo, Daryl! – Carol disse animada. – Nos vemos mais tarde então. – avisou e o homem se despediu da amiga voltando para casa. Ele viu Alison acompanhada de Eric, e sabia que Noel estava de guarda, os dois estavam se dando bem em Alexandria. Viu Stella na porta de casa cuidando de umas flores que ela tinha plantado, e agradeceu mentalmente por não ver Jane. A mulher parecia persegui-lo em todos os lugares, sempre atrás dele, e Daryl realmente não tinha paciência para aquilo.
Assim que chegou em casa o arqueiro subiu as escadas e encontrou Beth deitada na cama, com uma toalha enrolando seu corpo e a outra nos cabelos loiros e riu. A mulher andava dormindo em todos os momentos, mas como ela tinha passado o dia com Judith deveria estar cansada. Ele tirou suas botas, o colete, e foi para o banheiro terminar de tirar as roupas para tomar banho.
O casal entrou na casa dos amigos um pouco mais tarde naquele mesmo dia. Beth tinha acordado e apesar de se mostrar animada, parecia que algo estava a incomodando, e antes de saírem passou algum tempo tentando melhorar sua cara. Logo que entraram perceberam que tinham sido os últimos a chegar.
— Como nos tempos da prisão. – Maggie falou sorrindo para a irmã. – Sinto falta de todos juntos. – comentou.
— As coisas andavam um pouco tensas, mas acho que poderemos manter nossos jantares semanais. – Carol comentou enquanto saia da cozinha, ela adorava poder ajuda-los tanto nos momentos de tensão e perigo como nesses momentos de paz, onde todos estavam sentados na sala, conversando, e rindo.
— Beth, eu estou terminando de ler o Harry Potter que você falou. – Carl disse sentando perto da loira. – Não queria admitir mas é muito bom, acho que vou aproveitar para pegar o segundo com o Eric enquanto a Enid lê esse. – o garoto falou.
— Eu te disse que era ótimo! Quando vocês dois terminarem o primeiro acho que vou ler também! – riu. – Maggie, lembra quando o papai me deu os livros de Harry Potter mas você o Shawn pegaram e leram tudo antes de mim?
— Você tinha 10 anos, ia demorar séculos para ler aqueles livros, apenas adiantamos nosso lado. – Maggie riu. – Eu li todos os livros que tinham sido lançados em duas semanas!
—Eu estou adorando também. – Enid disse enquanto brincava com Hershel que estava no carrinho. — Acho que vou continuar a ler os outros livros também. Valeu pela sugestão Beth. – falou e a loira riu, fazendo joinha com a mão. A loira se levantou e foi até a cozinha atrás de Carol.
— Melhorou, Beth? – Carol perguntou assim que a loira entrou no cômodo.
— Mais ou menos. Estou me sentindo meio estranha ainda, mas como você disse, eu tentei descansar, mas como viemos jantar aqui não consegui muito tempo, mas depois do banho deitei na cama e tirei um cochilo.
— Já, já você melhora, querida. O jantar vai sair, avisa para todo mundo que já podem ir lavando as mãos. – disse e Beth assentiu.
Assim que todos se serviram, eles começaram a comer, espalhados por onde havia espaço. Rick e Michonne tentavam sem sucesso fazer com que Judith comesse sem fazer uma sujeira enorme em tudo a sua volta, mas parecia que a menina se sentia muito feliz batendo sua colher no pratinho dela. Glenn e Maggie estavam sentados lado a lado no sofá e comiam enquanto observavam Hershel já em seu sono. Carol e Daryl estavam sentados juntos a mesa e Beth estava sentada de frente para o homem e brincava levemente com a pouca comida que havia posto no prato.
Todos estavam distraídos, quando a loira tentou levantar para pegar um copo d’agua pra tentar fazer seu estomago parar de embrulhar, e ela simplesmente sentiu seu corpo pesar uma tonelada e sua mente apagar.
Daryl estava realmente absorto na conversa com Carol, e pulou da cadeira em menos de um segundo depois de perceber que Beth iria desmaiar. Ele pegou a garota no colo e a levou pro sofá, com um olhar meio desesperado. Maggie tinha o mesmo olhar para a irmã, aparentemente os dois se lembraram do dia em que a garota tinha sido baleada, e por algum tipo de milagre (e ajuda do Dr. Edwards) ela conseguiu sobreviver, mas tinha sido por muito pouco.
— Beth! – Daryl a chamava. – Loira, acorda. – pediu. Ela não parecia se mexer, e Carol pediu que todos se afastassem para que a mulher pudesse ter espaço para respirar, e empurrou Daryl gentilmente para que ela pudesse chegar perto da loira que tinha sido deitada no sofá. Beth tinha reclamado durante o dia que não vinha se sentindo bem, e que não conseguia comer direito há alguns dias.
— Daryl, eu acho que a Beth está bem. Ela reclamou hoje comigo que não estava se sentindo bem há alguns dias e que não estava conseguindo comer direito, ela deve ter desmaiado porque está fraca. – Carol disse e o homem a olhou desconfiado.
— Acho melhor eu ir chamar a Denise, ela pode dar uma olhada na Beth. – Michonne falou. Com toda a agitação daqueles breves momentos Judith tinha acabado ficando agitada e agora estava no colo do pai.
— Não! Eu vou levar ela lá na enfermaria. – Daryl disse. – Acho que Denise vai poder ver o que ela tem com mais certeza lá. – falou e Maggie assentiu. – Glenn vai na frente por favor para avisar. – pediu e o coreano saiu pela porta. A cunhada segurava Hershel, que tinha acordado com a agitação, e olhava para a irmã.
— Porque ela não está acordando? – Maggie perguntou.
— Acalmem-se. Vai ficar tudo bem. – Carol disse. – Maggie se quiser ir com o Daryl eu olho o Hershel para você. – comentou e a morena concordou entregando o bebezinho para a amiga. – Agora, anda Daryl.
O arqueiro voltou a pegar a mulher no colo, dessa vez a levando através da porta e indo o mais rápido o possível até a enfermaria, onde Denise os esperava com a porta aberta. Daryl a colocou numa maca, e se afastou, deixando que Maggie explicasse o que tinha acontecido, e as queixas de Beth sobre não estar se sentindo bem.
— Ela deve estar fraca, por isso desmaiou. – Denise comentou enquanto aferia a pressão da loira e colocava um termômetro para verificar a temperatura. – Bem, a pressão dela está bem baixa, vou coloca-la no soro e ela deve acordar daqui a pouco. – disse.
Alguns minutos se passaram, mas para Daryl pareceram mais algumas longas e torturantes horas. Beth abriu os olhos lentamente como se quisesse se situar, entender aonde estava. Maggie se apressou para chegar perto da irmã e falar com ela.
— Hey, pequena. Que bom que acordou, estávamos preocupados, porque não nos avisou que estava passando mal, Beth? Deveria ter ficado descansando, e eu prepararia alguma comida leve para você comer. Carol nos disse que você falou que não consegue comer direito há dias! – Maggie disparou sem dar tempo de Beth nem entender o que tinha acontecido realmente.
— Maggie, vai com calma. – Daryl disse e chegou perto da cama da loira que sorriu para ele. – Você ainda vai me matar de susto, Sra. Dixon. – ele comentou e se inclinou para beijar a testa dela.
— Eu desmaiei, não foi? – Beth perguntou e Daryl e Maggie assentiram. – Nossa! Mas eu estou me sentindo melhor. – comentou e o arqueiro a olhou arqueando uma sobrancelha. – É sério Maggie, — ela olhou o lugar e viu Glenn parado perto da irmã e sorriu para o cunhado. – Glenn faça o favor de arrastar a Maggie para casa. Eu estou bem, e também quero ir para minha casa dormir. – ela disse e Glenn se aproximou.
— Você está melhor mesmo, cunhada? – perguntou sorrindo para a loira que assentiu. – Mags, acho melhor deixarmos sua irmã descansar e amanhã você poderá passar o dia inteiro perturbando-a. – falou e Maggie bufou. A morena deu um beijo na bochecha da irmã e dois tapinhas no ombro do cunhado.
— Vejo vocês amanhã. Mas se precisarem de alguma coisa, me avisem imediatamente, é só bater lá em casa que eu vou na hora... – falou enquanto saia da enfermaria.
— Sua irmã parece uma metralhadora que não para de atirar informações. – Daryl riu. E Denise voltou, tirando o termômetro da loira, e verificando a temperatura.
— Ótimo! Com febre você não está. E que bom que acordou. Pronta para me contar o que anda sentindo? – Denise sorriu para a loira. – Daryl, porque não vai lá dentro para eu dar umas palavrinhas com a Beth? Sei que não deve ter problemas em ser na sua frente, mas eu prefiro falar com ela a sós. – falou e o homem resmungou algo indignado.
— Ok, que seja. Eu vou voltar lá no Rick para avisar que você acordou e pegar minha besta que acabei deixando lá. Quer alguma coisa? – perguntou para a loira.
— Nada. Não demore muito por favor. Sabe que odeio esse clima hospitalar. – sorriu e o homem lhe deu um selinho e saiu batendo a porta atrás dele. – Esse homem é muito explosivo. – Beth riu levemente.
— Ele estava nervoso com você desacordada. Lembranças ruins? – Denise perguntou.
— Sim. Bem, para eles, acredito que sim. Não me lembro de muita coisa que aconteceu naquele hospital, basicamente só o que eles me contam mesmo. Eu fui burra, e acabei me expondo e a mulher me deu um tiro, por algum tipo de milagre eu consegui sobreviver, e ainda mais sem sequelas. Nem dores de cabeça eu tenho tido mais. – falou suspirando, não gostava de lembrar das coisas que tinha passado naquele lugar.
— Mas o que você tem sentindo nos últimos dias? – a médica perguntou para a loira que olhava para seu braço aonde tinha um acesso onde o soro estava conectado.
— Nada demais, para te dizer a verdade. Eu venho me sentindo muito cansada já tem algumas semanas. Essa semana eu comecei a me sentir muito enjoada, e por causa disso não consegui comer quase nada. Mas isso as vezes acontece comigo. – comentou, ainda tentando se lembrar se tinha tido alguma coisa diferente. – Agora eu simplesmente apaguei. Ia pegar um copo de agua na cozinha e quando me levantei... – completou vagamente.
— Uhm. – a médica disse, enquanto pensava. – Beth, quando foi seu último ciclo menstrual? — perguntou certeira e a loira parou para contar os dias. Durante alguns segundos o silencio reinou enquanto Beth se concentrava para fazer as contas.
— Puta merda! – a loira exclamou sem se conter. – Faz uns dois meses, já. Ah meu Deus! – exclamou levando as mãos até a boca. — Isso é loucura. – disse negando com a cabeça.
— Acho melhor você fazer o teste antes de ficar nervosa. – Denise comentou, mas sabia que elas estavam tendo o mesmo pensamento, e que as probabilidades de um bebê Dixon estar a caminho eram grandes.
—Ok. – falou. – Só não conta para ninguém, pode ser? Eu preciso conversar com o Daryl antes de qualquer coisa. – pediu.
— Claro que não vou contar para ninguém. Beth. Pode ficar tranquila. — respondeu e se levantou. – Vou pegar o teste. Ou você prefere conversar com o Daryl primeiro? – perguntou.
— Não sei. Acho que prefiro conversar com o Daryl, e daí eu faço o teste com ele do meu lado. – falou. – Eu sou muito burra mesmo. Como não percebi o sintomas? Meus peitos estão enormes, eu ando super inchada, fora que ando com o humor afetado, chorona, cansada... Durmo em qualquer lugar, todas as vezes que vou colocar a Judy para dormir, durmo com ela, e o pior sempre acordo depois. – comentou.
— Acontece com todas. Você está tão distraída que não percebe as coisas. Porque você não fica aqui essa noite? – perguntou.
— Acho que prefiro ir para casa, Denise. Deitar na minha cama, acho que vai ser melhor para conversar com Daryl também. Não sei como ele vai reagir. – falou. – Mas obrigada. Bem, se eu estiver grávida mesmo acho que vou passar bastante tempo vindo te visitar. – riu.
— Sem problemas, mas você vai terminar essa bolsa de soro. E me prometer que vai descansar assim que colocar seus pés em casa. – pediu. Denise pegou o teste da gaveta e deu na mão da loira. – Faça quando você achar a melhor hora e venha me dizer o resultado. – disse. A loira assentiu sorrindo e o guardou no bolso do casaco que usava, fechando os olhos em seguida, tentando entender tudo que se passava na sua cabeça.
Daryl apareceu na porta alguns minutos mais tarde e ficou sentado do lado da mulher até que ela terminasse de tomar todo o soro. Enquanto ele ouvia Denise dizer que a loira teria que descansar um pouco e tentar comer algo ele assentiu e a ajudou a descer da maca. Os dois se despediram de Denise, e Beth seguiu caminhando, apesar do arqueiro ter tentado convence-la que ele poderia muito bem carrega-la até em casa.
— Daryl, eu aceito você me carregar quando formos subir as escadas. – ela brincou e o homem virou os olhos.
— Tudo que quiser, loira. Contanto que fique bem. – ele beijou a cabeça dela que estava abraçada a ele.
— Vou ficar bem. Eu já estou bem, só estou um pouco cansada. – Beth riu para ele e os dois chegaram em casa logo em seguida.
— A Carol mandou um tipo de caldo que a comida tinha. Se era o que a Judy estava comendo, ela estava adorando. – Daryl brincou. – Acho melhor você comer algo, sei que tomou aquele soro, mas a comida da Carol sempre vale a pena.
— Uhm. – Beth respondeu vagamente, só de pensar em comida seu estomago revirava, mas sabia que precisava colocar algo para dentro. – Pode ser. Acho que aceito um pouquinho antes de irmos deitar.
A loira comeu um pouco do que a amiga tinha feito, enrolando em partes por não querer demonstrar que estava enjoada e por também querer adiar a conversa que deveria ter com Daryl. A loira nunca tinha sido boa em esconder as coisas, principalmente do homem sentado à sua frente, assim que terminou ele pegou o prato e o colocou na pia.
— Quer subir? – perguntou e a mulher assentiu levemente. Daryl a pegou no colo e Beth deu um gritinho, ela adorava quando ele a carregava como uma noiva, ela realmente se sentia como se o apocalipse não tivesse acontecido. Assim que ele a colocou na cama a loira passou a mão pelos fios de seu cabelo o tirando da frente do rosto. Daryl sentou-se ao lado dela e Beth virou-se de frente para ele, tirando também o cabelo que lhe cobria os olhos.
— Dixon, preciso te dizer uma coisa. – ela suspirou e Daryl a olhou desconfiado.
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