Something new

8 I want to tell you


Notas iniciais
Hello again! Primeiramente obrigada por todos os comentários no ultimo capítulo, eu fiquei hiper feliz. Bem, aqui estamos para o momento que todos aguardam, rs. O título do capítulo é uma música dos Beatles que combina bastante com o casal, rs. Sem mais enrolações, espero que gostem do capítulo.

Os olhos de Daryl esquadrinharam o rosto de Beth em busca de uma dica do que ela poderia vir a dizer a ele. Ela respirou fundo e contou mentalmente até vinte, pensando em uma maneira de dizer aquilo. Os dois nunca tinham falado de terem filhos, além de algumas brincadeiras que ela mesmo tinha feito meses antes, mas o assunto não tinha retornado e para dizer a verdade Beth havia se esquecido totalmente da possibilidade de ficar grávida. Bem, não que os dois sempre usassem camisinha, na realidade, era sempre um mistério, se eles tivessem uma (ou mais delas) a mão, usavam, se não, acabavam jogando essa preocupação para longe de suas mentes, o que acaba acontecendo a maioria das vezes.

— Fala logo, Beth. Você sabe que eu odeio mistério. – Reclamou e Beth sorriu levemente, seu marido seria sempre tão instável.

— Não estou fazendo mistério, Daryl Dixon. Estou tentando achar uma maneira de te dizer as coisas. – reclamou.

— Com palavras, de preferência. Não pode ser tão difícil, loira. – debochou dela, que revirou os olhos.

— Ótimo, vou jogar uma bomba em cima de você de qualquer jeito Daryl, só para parar de ser tão irritante assim. Quer saber o que aconteceu? Ótimo, não vou procurar meias palavras, até porque eu acredito que não existam meias palavras para te dizer o que preciso. – a loira balançava as mãos nervosa enquanto falava.

— Fala logo, caralho.— mandou e ela suspirou.

— Eu acho que estou grávida. – disse de uma vez só. O rosto de Daryl foi mudando durantes os segundos seguintes a notícia, como se ele estivesse a digerindo.

— O que? – ele perguntou com os olhos arregalados.

— Estou grávida. – repediu. – Na realidade, ainda não tenho certeza, não fiz o teste mas a Denise acha também. E bem, não é como se estivéssemos evitando. – disse encolhendo os ombros no final. – Você está bem?

— Eu... – começou. – Puta merda, Beth! Você está grávida. –falou e a loira assentiu, sem entender aonde ele queria chegar. Ele levantou da cama e andou pelo quarto. – Preciso tomar um ar. – disse saindo, mas ao olhar para Beth sentada na cama com os olhos já com algumas lágrimas prontas para cair, acabou voltando e dando um beijo na testa dela. – Só preciso tomar um ar, vou voltar. – falou e saiu do quarto, deixando a porta aberta ao passar.

Beth ouviu os passos de Daryl descendo as escadas e deitou na cama, abraçando suas pernas. Ela odiava sentir-se vulnerável como estava se sentindo no momento, e por mais que dissesse que não chorava mais, as lágrimas escorriam sem parar pelo rosto dela. Beth sentiu o teste dentro do bolso do seu casaco e o pegou, o fitando por alguns momentos, ela estava morrendo de medo de ver a verdade jogada na cara dela, por aqueles tracinhos que deveriam aparecer.

No andar inferior, Daryl revirou sua mochila atrás do seu maço de cigarros e do isqueiro que tinham ficado esquecidos dentro da mesma durante quase o dia todo. Ele puxou os dois e saiu pela porta, precisava respirar, parecia que todos seus pensamentos estavam brigando para saber qual teria lugar na cabeça dele. O arqueiro seguiu sem ter realmente um rumo, acendeu um cigarro e o tragou como se aquele ato fosse fazer com que tudo se ajeitasse dentro dele.

Dixon estava desesperado ao saber que tinha a possibilidade de ser pai, e tinha razões para estar tendo quase uma crise nervosa. Não era uma coisa que ele se via fazendo, ou sendo. Amava Judith com todas as suas forças, e ela era uma das razões que manteve não só ele, mas como todo o grupo com esperanças, mas ter um filho dele? Seriam outras expectativas, outras responsabilidades, e não sabia se estava pronto para todas essas coisas. Daryl sentou-se na grama perto do lago que tinham no meio de Alexandria. Seus pensamentos automaticamente se viraram para sua infância, Daryl não tinha tido um bom exemplo de paternidade, longe disso, seu pai tinha sido péssimo para ele, e tudo o que não queria era ser para uma criança o que aquele homem tinha sido para ele e Merle. Durante muito tempo o único tipo de família que ele conheceu não era realmente um exemplo. Beth tinha tido uma infância totalmente diferente da dele, ela tinha sido amada, esperada, cresceu cercada por tudo do bom e do melhor, no final seu pai fazia de tudo para ver suas duas garotinhas a salvo, um pai totalmente diferente do que Daryl tinha conhecido. Ele tinha razões para estar confuso com a situação, antes do apocalipse não tinha conhecido a paternidade como algo bom. Para Daryl ela estaria sempre ligada a surras e negligência, coisas que tinham afetado sua vida para sempre.

Ele acabou o primeiro cigarro e acendeu outro logo em seguida. Se sua loira estivesse realmente grávida, ele iria ser pai. Pensou mais uma vez na palavra, dessa vez ligando o fato de que ele seria pai de um bebê que também seria de Beth, que era a garota mais incrível que ele já tinha conhecido em toda sua vida. Dixon pensou suspirando e tragando mais uma vez o cigarro. Ele poderia conversar com Rick, os dois eram amigos há bastante tempo já, e Daryl se sentia seguro o suficiente para perguntar a ele algumas coisas sobre paternidade, e como lidar com aqueles pacotinhos bonitinhos. Rindo, ele lembrou da primeira que viu Judith, ela tinha sido a primeira bebê com quem Daryl realmente conviveu. Mas com assombro o arqueiro acabou se lembrando das circunstancias que levaram a ele alimentar aquele bebezinho na prisão. Lori não tinha conseguido.

Seus olhos se arregalaram quando ele pensou que poderia perder Beth. Ela era a pessoa mais importante da vida dele. Não poderia ser assim. Daryl respirou fundo tentando afastar da sua cabeça a possibilidade, Maggie tinha acabado de ter um bebê e estava ótima, inclusive estava mais que ótima já que ela não parava de aparecer na casa deles para arrastar Beth para lhe fazer companhia. Daryl acabou o cigarro e apagou a guimba na terra ao seu lado, ele olhou para cima numa esperança de conseguir tomar coragem para voltar para casa. Não poderia ser um covarde e deixar sua garota sozinha lá, naquele momento ela precisava dele, e Daryl se decidiu. Não seria como seu pai foi. Ele seria como Hershel foi para Beth e Maggie, como via Rick sendo para Carl e Judith, como Glenn estava se esforçando para ser para o bebê Hershel. Seria o melhor, por Beth e pelo bebê que teriam. Enquanto caminhava para casa Daryl pensou em tudo que sentia pela loira, e chegou à conclusão que se era para ser, melhor que fosse com Beth.

Beth se levantou e limpou as lágrimas que tinham escorrido, ela havia escutado a porta batendo no primeiro, então sabia que estava sozinha, mas não fazia ideia de há quanto tempo Daryl tinha saído. Ela ficou deitada na cama, tanto que tinha até cochilado. Porém a loira acordou decidida a fazer o teste em sua mão, e se dirigiu até o banheiro que havia no quarto enquanto abria a embalagem e lia as instruções na bula que veio junto com o teste.

— Ok Beth. – falou sozinha para si mesma, na tentativa de se convencer a ser forte. – Não é um bicho de sete cabeças, apenas faça xixi nesse palitinho e tudo vai ficar bem. – completou e sentou-se no vaso sanitário se concentrando para conseguir fazer o xixi.

A loira levantou-se e se ajeitou enquanto colocava o teste em cima da pia e o fitava curiosamente. Dali há alguns minutos ela saberia se seria mãe e a palavra lhe deu um calafrio. A porta no andar inferior voltou a bater e Beth ouviu os passos de Daryl subirem a escada, apressado. O homem apareceu na porta do banheiro a puxou para um abraço, ele a apertou entre seus braços, como se quisesse falar tudo o que lhe passava pela mente naquele único gesto.

— Eu te amo, Beth. Eu te amo para caralho, e se formos mesmo ter um bebê farei de tudo para ser o melhor para vocês dois. – falou para a loira que se espantou. Nunca pensou que Daryl fosse dizer aquelas três palavras. – Você é a pessoa mais importante da minha vida, Beth. – ela sorriu com lágrimas nos olhos.

—Eu te amo Daryl Dixon. – falou e juntou os lábios aos dele. – Eu te amo, para caralho. – repetiu, e ele riu, continuando a beijar a loira.

— Você fez o teste? – perguntou quando separaram os lábios, e a mulher assentiu. – Quanto tempo demora para ficar pronto?

— Cinco minutos. Eu estou muito nervosa, Daryl. Não sei se vou conseguir lidar com isso. – Beth disse e ele a abraçou.

— Beth, você cuida de Judith como se fosse uma filha, adora ajudar com seu sobrinho. Porque não conseguiria lidar com isso? Achei que fosse ficar mais nervosa com o fato de ter que lidar comigo sendo o pai do bebê. – fez piada e a loira riu, dando um tapinha no peito dele. – Vai ficar tudo bem loira. – completou e Beth sorriu, e em seguida olhou para trás dela, exatamente para onde o teste estava. – Pronta? – Daryl perguntou e a loira assentiu, se virando e pegando-o.

Beth olhou o resultado e olhou para o marido com uma das sobrancelhas levantada, e sorriu com lágrimas nos olhos.

— Acho que vamos ser papais, Dixon. – falou e mostrou o resultado, onde dois tracinhos eram facilmente identificáveis. Daryl sorriu um pouco atordoado com todas as novidades, mas estava feliz, muito mais do que poderia imaginar ficar um dia, ele seria pai, a vida estava dando a ele uma chance de mudar as expectativas e era isso que faria.

— Isso é muito louco, sabe. – Daryl comentou algum tempo depois, os dois estavam deitados na cama utilizando apenas as roupas intimas. E ele olhava para a barriga de Beth. – Eu não posso dizer que não tinha reparado, mas seus peitos cresceram mesmo. – comentou.

— Sim, eles estão enormes. – Beth disse analisando seu corpo. – E doloridos também. Se você acha isso estranho imagina para mim, vou ter um ser humano dentro do meu corpo pelos próximos oito meses, aproximadamente. – a loira disse e Daryl gargalhou. – Não ria, ok? Acho que estou apavorada.

— Beth, você adora crianças e as crianças te adoram. Beth foi a primeira palavra da Judith, ela fica atrás de você o dia inteiro se deixarmos, não tem motivos para você ter medo. – O homem falou e Beth assentiu. – Agora, eu sim, estou bem apavorado. – riu. – É estranho ainda pensar que vamos ter um pacotinho chorão só nosso.

— Sim... – a loira disse. – Que bom que demoram nove meses para chegar, assim vamos ter tempo para nos acostumarmos com a ideia. – falou e os dois riram. – Daryl, apaga a luz? Denise disse que era para eu descansar, e até agora foi a única coisa que eu não fiz. – pediu e o homem se levantou e apagou a lâmpada. – Eu fico com sono o tempo todo, isso é bem engraçado. – comentou bocejando. – Boa noite. – deu um selinho no marido e se acomodou melhor perto dele para poder dormir.

— Boa noite, loira. – falou e alguns minutos depois a mulher já estava dormindo ao seu lado.

As horas foram passando e Daryl não conseguia dormir por nada. Sua cabeça continuava a mil por hora, pensamentos pulavam na sua mente o tempo todo, tinha sido uma noite agitada para os Dixon. Ele olhou para a mulher ao seu lado e sorriu, Beth tinha sua mão esquerda na barriga, como se desde aquele momento ela já estivesse conectada ao bebê deles.

Suas lembranças o levaram para quando ele estava parado no corredor de um hospital, e tudo parecia em câmera lenta. Ele viu Beth ser atingida, antes que pudesse fazer alguma coisa. Como se um pedaço dele mesmo tivesse sido atingido, Daryl sem poder se controlar atirou na cabeça de Lerner. Ele viu Beth caída no chão e seu desespero foi se tornando cada vez maior, a respiração da loira estava ofegante e fraca, parecia que iria parar em alguns segundos. Um médico apareceu e disse que poderia ajuda-los, e Daryl desesperado pegou Beth no colo e a levou para onde quer que aquele médico pudesse salva-la. O resto daquele maldito dia passou como um borrão para o arqueiro. Ele lembra de Maggie chorando desesperada, de Carol machucada tentando faze-lo parar de andar de um lado para o outro, algumas pessoas entrando na sala para transfusões de sangue para a loira, Rick também preocupado sentado no chão. Para Daryl, as coisas só voltaram ao seu curso normal quando Dr. Edwards apareceu na porta e avisou que a pequena Greene sobreviveria. Tudo parecia mais claro para o Dixon naquele momento, ele tinha encontrado Beth, e ela ficaria bem. Respirou fundo e pegou Judith do colo de Carl, eles ainda teriam a loira para cuidar deles, e foi naquele momento, entre o pânico de perde-la e a felicidade de saber que não, Daryl percebeu que Beth Greene era mais do que uma amiga, ou uma companheira de grupo.

Daryl colocou sua mão perto da dela, fazendo um leve carinho. Se existia uma coisa que ele tinha certeza no momento era que nunca em toda sua vida poderia imaginar que seria pai, e que estaria mais do que apaixonado pela mulher deitada ao seu lado.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem muitão. Beijos, e até a próxima!