Something new
9 New perspective
Notas iniciais
No dia seguinte a uma das noites mais agitadas emocionalmente na vida de Daryl Dixon ele acordou tarde. Beth não estava mais deitada ao seu lado e ele se virou na cama para ver se a loira estava no banheiro, mas a porta estava aberta e não viu a mulher no cômodo. Ele se esticou na cama e passou na sua cabeça os últimos acontecimentos, parecia que aquela noite tinha durado exatamente 34 dias na mente do arqueiro. Ele ainda estava meio atordoado, e com certeza levaria algum tempo para se acostumar com as novidades. E bem, ele e Beth teriam que conversar sobre o futuro.
O homem se levantou da cama e colocou suas botas que estavam jogadas no canto do quarto, indo ao banheiro logo em seguida, quando desceu as escadas se deparou com Beth e Judith brincando no chão da sala. Os copos vermelhos, brinquedo favorito de Judy, estavam empilhados e a garotinha se divertia em derruba-los e em seguida montar a torre novamente.
— Bom dia, garotas. – ele disse e Beth e Judith olharam para ele, a garotinha logo se levantou desajeitada e correu até as pernas de Daryl, que riu e a pegou no colo. – Mas você já está roubando a Beth de mim essa hora, bravinha? — ele perguntou e Judith puxou os cabelos dele.
— Hey, garotinha, não puxa os cabelos do Daryl. – Beth disse se levantando. – Bom dia. – falou se aproximando.
— Dia!! – Judith falou e os dois riram para a bebê, ela tinha aprendido a falar ‘bom dia’, ‘boa noite’ e ‘obrigada’, além das palavras clássicas, que eram ‘não’ e ‘quero’.
— Cada dia uma coisa nova que a Bravinha aprende, se ela já fala sem parar assim, imagina quando for um pouquinho mais velha. – Disse Beth e o homem assentiu. – Carol trouxe cookies para o café da manhã junto com essa criança aqui. – completou. – Se quiser posso pegar, e eu fiz suco com algumas frutas. Está na geladeira.
Daryl tomou café da manhã enquanto ainda observava as duas brincando no chão, na noite anterior quando disse que Beth era ótima com crianças não era mentira, ou algo para acalmar a loira, ele via como ela se dava bem com Judith, e até mesmo com Carl.
— Daryl, — Beth chamou da sala e o homem resmungou qualquer coisa para mostrar que estava ouvindo. – Você se importa de não contar para ninguém a novidade por enquanto? Acho que preciso de uns dias para me acostumar, e acho que não conversamos direito ainda... – disse vagamente, e o homem concordou enquanto enfiava um pedaço do biscoito que Carol havia deixado lá quando foi deixar Judith. Ele também ainda não se sentia preparado para contar a todos, talvez uns dias fosse uma boa pedida.
Antes que pudessem terminar de conversar alguém bateu a porta, e assim que Beth avisou que poderia entrar, Rick passou pela soleira. O homem sorriu para a filha e para a loira.
— Daryl, Jesus quer conversar com a gente lá na minha casa. – ele comentou e o arqueiro concordou com a cabeça. Ele saiu da cozinha e pegou sua besta, antes de sair pela porta ele beijou a cabeça de Beth. Se juntou a Rick e os dois andaram rapidamente até a casa do Grimes aonde eles normalmente conversavam assuntos relacionados à comunidade antes de levar a todos.
Na sala dos Grimes, além do arqueiro, Glenn e Carol estavam sentados no sofá, assim como Michonne que estava do outro lado da sala com o convidado deles, Jesus. Ele era um “buscador” assim como Aaron e Daryl, ele saia a procura de outros sobreviventes, e a comunidade dele era a nova parceira de Alexandria.
— Devemos ir a uma nova busca de suprimentos. Tudo que encontrarmos fica metade para nós de Hilltop, metade para vocês. – começou Jesus. – O inverno está chegando nos próximos meses e vai ser cada vez mais complicado sairmos em corridas.
— Estamos bem de comida, mas também acho que é melhor começarmos a estocar para o inverno. – disse Rick. — Devemos então nos preparar para essas corridas, acho que elas vão ser mais longas, já que já fizemos várias aqui por perto e não temos encontrado quase nada. – Todos assentiram.
— Acho que deveríamos conseguir também gasolina reserva, e se for o caso para o inverno também mais roupas. – Glenn falou. – Eu acho que hora ou outra acabaremos chegando perto de D.C ¹. Até porque estamos acabando com tudo que podemos encontrar aqui por perto, estamos ampliando cada vez mais nossas corridas.
— Mas já tivemos péssimas experiências em cidades grandes, Glenn. – Carol comentou.
— Sim, mas talvez lá seja a nossa melhor esperança para encontrarmos mais suprimentos. – completou.
— Vamos tentar não ir a D.C, se nas próximas semanas não conseguirmos nada, acho que não teremos outra saída. Acredito que por ser uma cidade grande, o Glenn está certo, teremos mais chances. – Jesus comentou. – Temos ido sempre na direção contrária a capital, talvez seja uma boa ideia irmos em direção a ela.
Daryl estava quieto observando toda a conversa da cadeira perto da porta da cozinha. Ele sabia que um bebê precisaria de muitas coisas, e ele com certeza teria que ir nessas corridas para conseguir tudo que seu filho precisaria. Pelas contas rápidas de Daryl, ele não nasceria no inverno, mas da mesma maneira precisariam de coisas.
— Daryl, você concorda em irmos em direção a D.C? – Carol perguntou.
— Por mim tanto faz, contanto que a gente encontre comida e casacos. – respondeu. – Devemos encontrar mais coisas nessa direção, já estamos esgotando tudo ao nosso redor. – ele comentou. – No inverno vai ser mais difícil de conseguirmos que nossa plantação de alguma coisa. – completou. – Ainda mais se o inverno for como o último. – o último inverno tinha sido muito rigoroso, e dificultou bastante a vida dos sobreviventes.
O grupo conversou mais algumas coisas e acertou que até o próximo mês começariam a busca por suprimentos na nova área estipulada. Antes que pudesse sair do seu lugar, Rick perguntou como estava Beth.
— Bem, Denise disse que foi um mal estar porque ela não se alimentou direito. Ela tomou soro ontem e hoje já acordou melhor. – comentou.
— Mais cedo fui ver como ela estava com Judith e ela já agarrou a menina e falou que ficaria com ela agora pela manhã. – Carol sorriu para o amigo. – Falei para você que tinha sido só um susto.
— Judith não pode ver Beth que quer ficar com ela. – Rick riu. – Daryl, se achar melhor eu vou lá com você e trago Judy para casa.
— Não precisa, sabe que se fizer isso vai criar um problema com as duas. – o Dixon falou. – Beth vai ficar chateada em casa, e Judith fazendo birra pelo resto do dia aqui. Ela chegou em casa ontem e dormiu, e me disse agora que está tudo bem. Sem problemas, é só ela não abusar até se sentir mais forte. – terminou e Rick riu sabendo que era verdade, as duas andavam numa sintonia que era impossível desgruda-las.
— Maggie disse que vai passar lá, ela ficou em pânico ontem achando que poderia ter sido alguma sequela do episódio do hospital. – Glenn disse. – Ela não parou de falar isso o tempo inteiro.
Daryl tinha pensado a mesma coisa durante os minutos que a loira ficara desacordada no sofá onde agora Carol e Glenn estavam sentados, ele ainda sentia os resquícios do pânico em sua mente.
— Que bom que ela está bem, Daryl. – Michonne comentou. – Se precisar de alguma coisa é só chamar, você sabe.
— Claro, claro. – o arqueiro respondeu. – Vou indo. Vejo vocês depois. – falou. – Rick, será que você poderia me cobrir no turno da tarde hoje da vigia? – perguntou e o homem assentiu. – Ótimo. – falou e saiu pela porta, voltando a caminhar para sua casa.
Enquanto caminhava de volta para casa Jane se aproximou do homem puxando conversa enquanto ele a ignorava, respondendo às perguntas com resmungos e no máximo palavras monossilábicas.
— Rick disse que teríamos uma reunião hoje mais tarde para algumas decisões, não aconteceu nada de grave não é? – perguntou e ele resmungou qualquer coisa. – Sabe, nós deveríamos treinar juntos, você atira muito bem com a sua besta, e eu sempre quis aprender, acho que poderia me ensinar algumas coisas. – ela falou sugestiva e Daryl deu uma olhada de lado para ela, para tentar entender se aquilo era sério.
— Acho melhor procurar outra coisa Jane, Rosita mantém umas aulas para melhorar o uso das facas, e ela é muito boa. – comentou.
— Mas eu queria tanto aprender com você, nos últimos dias te procurei durante horas, mas todas as vezes que te via você estava com a loira. – ela disse, se Daryl estivesse olhando para Jane veria a cara que ela fez ao falar de Beth. – Parece que ela não te deixa sozinho nunca. Não acredito que você seja um homem que goste de mulheres grudentas, aquela menina não deve conseguir te entender. – o homem parou de andar surpreso com o que aquela mulher tinha dito de Beth. – Sabia que chamaria sua atenção, se eu mostrasse que sou muito mais compreensiva que a Beth. Você pode ter achado que ela seria sua única chance de ter alguém, mas existem outros vivos. – Dixon não podia realmente acreditar que a mulher estivesse falando aquelas coisas de Beth.
— Você por acaso conhece a Beth? Melhor, me conhece? – ele perguntou. – Jane cala sua boca para falar do que eu quero, ou eu gosto, porque você não sabe de nada. E não ouse falar assim da Beth novamente. Tenho mais o que fazer do que ficar ouvindo você dizer esses absurdos sobre a minha mulher. – ele disse, e saiu andando. Deixando Jane bufando para trás, ela se sentia muito atraída pelo homem que acabara de a deixar sozinha e tentaria tirar ele de Beth.
Daryl entrou em casa ainda irritado com o que tinha escutado de Jane, Beth era a pessoa que mais o compreendia, contando até mesmo a vida dele antes do apocalipse. Ela seria sempre sua escolhida, não importando quantas mulheres existissem no mundo.
Ele subiu as escadas a procura da mulher e a encontrou dando banho em Judith no quarto deles, a mulher estava sentada no chão do box junto com a menininha que dava gritinhos animados com a agua que caia do chuveiro, parecia que era a coisa mais divertida do mundo.
— Olá, meninas. – Daryl disse e Beth sorriu para o marido. Ela vestia uma camiseta de Daryl e um short de pijama para poder dar banho em Judith, mas a maioria das vezes acabava dentro do box com a criança.
— Oi, Daryl. Que bom que chegou, pode vestir essa menininha enquanto tomo um banho de cinco minutos e aí podemos almoçar. – Beth disse e se levantou do chão, e pegou Judith. – Coloca aquele casaquinho que está em cima da nossa cama nela também, que já está esfriando. – completou e entregou uma Judith enrolada na toalha para o homem que concordou.
Ele saiu do banheiro com a bebê no colo e pode ouvir Beth começando a cantarolar algo enquanto tomava seu próprio banho. Daryl colocou Judith na cama deles enquanto a arrumava, a menina não parava quieta o que dificultava o trabalho e o homem pensava que em alguns meses aquela cena seria mais do que um dia diferente ajudando a cuidar de Judith, momentos como arrumar um bebê, trocar fraldas, mamadeiras e papinhas seriam a rotina, mais do que já era. Ele terminou de vesti-la depois de alguma luta já que ela queria sair engatinhando pela cama toda hora, e colocou o casaco que Beth havia dito em Judith no mesmo momento que a loira saiu do banheiro enrolada no roupão.
—Daryl, você acha que eu estou gorda? – perguntou abrindo o laço do roupão e se olhando no espelho que tinha no quarto. – Olhei minha barriga hoje e ainda não parece que estou grávida, e sim que ando comendo demais.
— Você está a mulher mais linda do mundo, Beth. Mas isso você sempre é. Vou te esperar lá na sala arrumando o almoço da Bravinha aqui. – disse e deu um selinho na loira. Ele tentaria ser o mais carinhoso possível com ela, grávidas tendiam a ficar muito sensíveis, esse realmente seria o maior desafio para o arqueiro.
Mais tarde naquele dia, depois de Michonne passar na casa deles para buscar Judith, Maggie ir até eles para verificar se a irmã estava realmente bem, o casal finalmente conseguiu ficar sozinho. Beth esticou suas pernas no sofá, em cima do marido. Ficaram calados por alguns minutos cada um perdido em seus próprios pensamentos.
— Daryl, você está bem com tudo isso que está acontecendo? – perguntou a loira olhando para o marido.
— Não sei muito bem o que fazer, Beth. Eu não são paternal, como Rick ou seu pai. Não tive bons exemplos, sou um caipira fodidamente grosso e mal educado. – ele disse para ela que puxou as pernas de cima dele e engatinhou pelo sofá até o colo dele, sentando-se de frente para o homem e agarrando o rosto dele com as duas mãos.
— Você é ótimo, amor. Hoje com a Judith, por exemplo. Não pense nisso, já te disse milhares de vezes, você não é seu pai Daryl. É outra pessoa, e é uma pessoa maravilhosa, que é parte essencial da vida de tanta gente. Principalmente da minha e desse bebezinho aqui na minha barriga. Eu não me importo com os palavrões e seu mal humor, fazem de você Daryl Dixon, o cara por quem eu me apaixonei no meio dessa bagunça. – falou olhando nos olhos dele. – Nós vamos lidar com isso juntos. – disse e colou os lábios no dele rapidamente. Os separando antes que o homem se animasse. – O que Rick queria hoje de manhã?
— Avisar que teremos que fazer corridas antes do inverno. – respondeu. – Reforçar os nossos estoques, vamos precisar de mais roupas também, para você, para o Hershel, enfim, essas coisas. – disse acariciando a cintura dela por debaixo da blusa que ela usava.
— Eu tinha me esquecido completamente que daqui a pouco entraremos no inverno. – comentou vagamente. – Nosso bebê deve nascer na primavera, ou algo em torno disso. Bem, você vai nessas corridas? – perguntou.
— Sim, mas antes que você diga alguma coisa, eu vou me cuidar. Tenho razões para voltar para casa. – falou. – Você tem planos para contar a todos sobre nossa nova aventura?
— Vamos nos dar uns dias, no próximo jantar na casa do Rick talvez... Ainda não me acostumei totalmente com a ideia, e só de pensar em tudo que Maggie vai falar, já vai me dando uma preguiça. – riu. Ela sabia que a irmã ficaria louca, de felicidade e de preocupação.
— Tudo que a Senhora Dixon quiser, falamos quando você se sentir pronta para ouvir o sermão da Maggie. – respondeu, e Beth gargalhou, jogando a cabeça para trás, Daryl aproveitou e beijou o pescoço da mulher, e aquela foi a última conversa que tiveram na noite, que acabou com as roupas jogadas pelo chão da sala e o casal deitado no sofá.
¹ — D.C é como podemos nos referir a Washington, Distric of Columbia (Distrito de Columbia), a capital dos EUA.
Fale com o autor