Something new

22 I know you were trouble


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários no ultimo capítulo. Eu poderia dizer muito sobre a demora, mas apenas aconteceu de eu realmente não estar inspirada, e nem um pouco motivada a escrever (sinto muito a falta dos comentários, não custa nada e dá um estímulo). Mas, não seria justo com quem está lendo, não terminar. Espero que gostem.

A tensão não melhorou no dia que seguiu, logo que amanheceu todos já estavam de pé, e pareciam prontos para o combate que eles nem sabiam se viria. Daryl e Rick se encontraram logo depois do café da manhã para pensar uma solução para um dos maiores problemas que eles iriam enfrentar. Jesus tinha informado que o grupo de Negan era bem grande e que eles tinham armamento pesado, isso era um ponto em que estavam empatados. Os Alexandrios também tinham armas, e pessoas, e como elas queriam realmente manter suas casas e famílias a salvo, elas lutavam com muita bravura.

— Não vejo outra alternativa a não ser manda-los embora como se não soubéssemos de nada, e então, eles vão voltar com os outros mas daí estaremos prontos. Ao invés deles nos pegarem, nós teremos uma armadilha armada para eles. – Rick sugeriu e Glenn acenou com a cabeça concordando com a ideia.

— É o melhor que podemos fazer. – Disse Michonne. – Sugiro que quando formos solta-los, nós deixemos transparecer que estamos de guarda baixa, porque tenho medo que eles fiquem esperando que nós saiamos daqui para pegar um de nós, como o Governador, entendem? – perguntou.

— Concordo com a Michonne, não queremos reféns. Nossa família já teve baixas o suficientes, e bem, agora temos Beth grávida, o Hershel e a Judy, eles precisam de nós, e nós precisamos deles, a salvo de preferência. – Maggie disse balançando a cabeça para espantar o fantasma da morte do pai. – Vamos fazer isso logo, quanto antes tirarmos eles daqui, mais rápido poderemos nos preparar.

— Eu vou fazer isso. – disse Daryl saindo da casa logo em seguida, indo para onde eles tinham deixado os homens. Quando chegou lá e abriu a porta, eles estavam deitados como se esperassem por algum deles. – Acho melhor vocês irem, a estrada está limpa, acabei de voltar de uma ronda, e vamos lhe dar um pouco de suprimentos, para um dia, dois se vocês racionarem e água, sabe como é, nunca podemos estar desprevenidos. – comentou tentando não soar ameaçador, disse jogando uma bolsa com algumas coisas para Dwight.

Os caras pareceram um pouco surpresos mas concordaram com Daryl, e logo em seguida se arrumaram para deixar a comunidade, quando saíram perceberam as pessoas andando calmamente, aparentemente sem nenhuma preocupação, Carl estava brincando com Judith no gramado perto do lago, Eric passou de bicicleta e acenou para Daryl como se tudo estivesse bem. Os homens passaram o portão e Tara desejou boa sorte a eles de cima de sua torre de vigilância. Assim que Daryl e Padre Gabriel fecharam os portões e os homens sumiram de vista pela estrada, o caçador bufou.

— Ou essa estratégia vai dar certo para caralho, ou seremos os maiores otários do mundo e estamos colocando a vida de todos em risco. – Comentou e Padre Gabriel o olhou curioso. Daryl realmente parecia preocupado com todos da comunidade.

— Acho que era o melhor a se fazer. – disse e saiu. Nos últimos dias o Padre tinha ido até a casa de Stella, porque a mulher tinha dito que Jane andava muito estranha, apesar de parecer completamente normal quando estava com todos, mas mesmo assim a amiga estava preocupada que a mulher fizesse alguma coisa.

Beth estava voltando da horta deles com algumas coisas que tinha conseguido colher em uma cesta, quando viu Daryl passando com os homens que tinham ido até Alexandria, por alguns momentos ela ficou se perguntando que tipo de plano eles tinham decidido seguir. Na manhã, ela simplesmente não havia conseguido levantar da cama por alguma das dores que estava sentindo nas costas e nas pernas, e por isso acabou ficando em casa e consequentemente, levemente desatualizada das decisões tomadas rapidamente por eles.

Quando o marido passou de volta alguns minutos depois, com a cara de mal humorado e bufando, a loira o chamou e ele a acompanhou pegando a cesta que ela tinha nos braços e levando para o estoque. Os dois caminharam em silêncio e Beth tocou o braço dele.

— Vocês fizeram o que acham que vai dar certo, Daryl. Não tem motivos para ficar assim. – disse. – Não importa o que decidiram, foi para o bem de todos nós.

— Simplesmente fingimos que não sabemos de nada. Ou essa porra de plano nos salva ou simplesmente vai foder nossas vidas demais. – respondeu.

— Vai dar tudo certo, um pouco de otimismo nunca matou ninguém Sr. Dixon. – Beth falou e Daryl bufou engolindo uma resposta nada educada que surgiu em sua boca, não ia brigar com a loira sem razões diretamente ligadas ao relacionamento deles.

— Nós vamos pensar alguma coisa para manter todos a salvo, você, as crianças, sua irmã. – Daryl comentou enquanto colocava a cesta na bancada do estoque e observou Beth tirar as coisas de dentro e começar a guardar em porções. – Vou verificar os muros e se todas as saídas estão vigiadas. Está bem? – perguntou quando percebeu que não havia mais a se falar.

— Sim, vou encontrar com a Alison e com o Eric aqui e depois nos vemos. Depois vou preparar alguma coisa para o almoço lá nos Grimes para todos nós. – avisou e Daryl se inclinou e beijou a loira na testa.

Daryl saiu caminhando e encontrou com Aaron e Carol, eles caminharam até as saídas que os dois homens tinham encontrado em uma corrida deles e que descoberto que acabavam dentro da comunidade. Eles passaram por Padre Gabriel que parecia estar procurando alguém, e então Carol se juntou a ele. O arqueiro entrou em um túnel que serviria de saída de esgoto se tivesse sido terminado, para poder verificar as condições do mesmo, ele estava pensando que talvez precisassem ter um plano B, uma saída de emergência caso as coisas saíssem muito do controle. Quando ele e Aaron voltaram a superfície alguns minutos depois, eles só ouviram os gritos desesperados.

x-x

Padre Gabriel chegou na casa aonde Jane morava e achou bastante estranho que a mulher não estivesse lá, uma vez que ninguém atendeu a porta depois dele bater várias vezes. Quando ele já ia saindo, pensando que a mulher tinha esquecido do compromisso, Alison, que tinha esquecido sua arma em casa, veio chegando e viu o Padre ali.

— Tudo bem, padre? – perguntou curiosa. Ela e Stella tinham sentido as coisas meio estranhas com Jane nos últimos tempos.

— Só tinha combinado de encontrar com a Jane hoje. Mas ela não deve estar em casa, porque estou tocando já tem um tempo. – respondeu. E Alison arqueou as sobrancelhas, Jane não tinha ido realizar suas funções.

— Mas ela também não está no posto dela... Será que ela perdeu a hora dormindo? – perguntou Alison mais para si mesma. Ela abriu a porta e convidou o padre para entrar e então correu até o quarto da mulher, vendo a cama vazia e algumas caixas de remédio no chão. – Puta merda! – ela gritou e o padre veio correndo, arregalando os olhos ao ver as caixas no chão, e então se abaixou lendo o conteúdo do rótulo. – Isso são remédios controlados não são? – perguntou.

— Sim. – o padre respondeu. – Onde ela conseguiu isso? – questionou e Alison o olhou como se quisesse entender também.

— Provavelmente surrupiou da enfermaria. Ou trouxe com ela da última vez que foram lá fora e nem colocou na enfermaria, deve ter trazido direto para cá. Antes, — a garota começou. – Antes de virmos para cá, quando tínhamos o nosso grupo, Jane tomava esses remédios, ela dizia que eram a forma dela se manter controlada e que sempre os utilizou, mesmo antes de tudo ir pelos ares. – explicou.

— Isso pode até ser comum para ela, mas parece que passou um furacão nesse quarto e ela não apareceu para trabalhar e vocês tem achado que há algo de errado com ela, bem vamos tirar a prova hoje. – o padre avisou e saiu do quarto, indo direto para a porta de saída da casa. – Eu vou por um lado, você pelo outro. Ela não pode ter ido muito longe aqui, os portões estão vigiados e ninguém está podendo sair. – completou e saiu andando.

O padre caminhou, meio correu, pela comunidade em busca da mulher e depois de alguns minutos Carol se juntou a ele, perguntando se havia algo de errado. Após ele explicar rapidamente para ela a situação a mulher simplesmente, arregalou os olhos e avisou que eles deveriam ir até o estoque. E sem explicar mais nada, ela saiu praticamente correndo.

x-x

Jane não aguentava mais ter que ficar posando de garota feliz enquanto observava Daryl e Beth passearem pela comunidade juntos. Os dois pareciam muito felizes e satisfeitos com o bebê, e pelo que Noel contava Daryl estava preocupadíssimo de algo acontecer com a mulher.

Ela bufou e então tomou os dois comprimidos que estavam em sua mão. Jane sempre usou de remédios controlados em sua vida, desde criança, para se focar nos estudos, para ter energia o suficiente para realizar todas as suas atividades e depois, bem, depois parar foi muito complicado, e ela simplesmente incluiu os comprimidos em sua vida. Alguns mais fortes com o passar do tempo, e principalmente depois das coisas ficarem complicadas. Apesar de Stella sempre dizer que aqueles remédios não eram “balinhas” e que eles a deixavam um pouco fora do rumo, ela continuava tomando, afinal de contas, Jane se sentia muito mais corajosa, e muito mais inteligente depois de toma-los.

Depois de alguns minutos simplesmente observando pela janela, Jane viu Daryl passar sozinho pela rua. E imaginou Beth sem nenhuma companhia e então uma ideia lhe passou pela cabeça. A mulher saiu de casa discretamente e passou pelo canto da rua esperando que ninguém notasse aonde estava indo e então, chegou aonde imaginou que Beth estaria. A loira e Alison tinham uma mania de querer manter as coisas controladas e arrumadas, ainda mais com o começo das plantações deles, Jane sempre ouvia Ali contando das coisas que ela e Beth faziam e planejavam, então o palpite dela estava certo, assim que abriu a porta, lenta e silenciosamente, viu a loira sentada na bancada, com a mão em sua barriga e conversando aparentemente sozinha.

A mulher tocou a arma em sua cintura, tudo no dia parecia estar andando para dar certo, Alison tinha esquecido a arma em cima da bancada da cozinha quando saíra apressada atrás do irmão, e então, ela estava ali, Beth nem teria como se defender, e então, um só disparo, e Daryl estaria livre, e então ela poderia convence-lo de que a loira não havia sido forte o suficiente, brava o suficiente para perceber que algo estava errado, e então, ela tinha sido mais esperta, rápida e sagaz o suficiente para eliminar sua rival e ficar com o prêmio: Daryl Dixon.

— Hey Beth. Que bom que está aqui sozinha. – disse, entrando na sala e apontando a arma para a mulher que tentou reagir, mas ela não gostava de armas de fogo e a única coisa que tinha consigo era uma faca que Daryl havia lhe dado tempos antes. – Não faça nada. Ou então antes de atirar na sua cabeça eu vou atirar na sua barriga. – comentou sorridente. — Finalmente estou tendo uma oportunidade com você, não aguentava mais te ver desfilando com o Daryl por aí como se ele fosse um troféu. Aquele homem vai ser meu, Beth. E você nem viva estará para ver a cena. – avisou e destravou a arma, com um ar totalmente descontrolado.

x-x

Carol saiu correndo e viu a porta do estoque aberta então se aproximou, puxando sua arma da cintura, e então viu a cena que lhe deu arrepios, Jane com uma arma apontada para Beth, com uma cara totalmente descontrolada. Ela não pensou em nada e atirou na mulher.

Mas não antes da mulher atirar em Beth.

Carol viu o corpo de Jane pender e então correu desesperada até a loira, vendo que ela tinha sido atingida na barriga. A mulher segurava as lágrimas e apertava o ferimento como se quisesse estancar o sangue que saia e só se deixou cair depois que Carol a alcançou, gritando para que fossem chamar ajuda.

— Por favor, não deixa nada acontecer com o meu bebê, Carol. – pediu e a mulher concordou tentando não se desesperar, ela iria precisar ajudar Denise.

— O que aconteceu? – Glenn apareceu correndo e ficou em choque quando viu a cunhada no chão. – Caralho! – Gritou e a pegou no colo. – Vou leva-la para a enfermaria, a Denise tem que dar um jeito, ela precisa ficar bem, nós não vamos aguentar. – disse e saiu com a garota, sem se importar com nada, ele só precisava que a cunhada e o bebê ficassem bem.

Maggie quase desmaiou quando viu o corpo de sua irmã sendo carregado por um Glenn transtornado para enfermaria, gritando para que ajudassem a salvar a mulher. Beth era sua única irmã, a única coisa que lhe restou de sua antiga vida, e ela não poderia perde-la. Aquilo seria demais para Maggie. Rick apareceu logo atrás, vindo do posto de vigia e pareceu ficar pálido com a cena que se seguiu, Glenn colocou a mulher numa maca e Denise gritou para que todos saíssem e apenas aqueles que pudessem realmente ajudar a resolver o problema ficassem.

Então, Daryl entrou na sala, com os olhos arregalados e transtornado ao ver sua garota ali, e antes que pudesse começar a gritar ou fazer qualquer outra coisa, o caçador caiu no chão sem forças.

Ele, dentre todas as pessoas, não poderia perde-la, ou então ele se perderia também.

Notas finais
Obrigada a todos que chegaram até aqui. Beijos e até.