Something new

23 Love isn't easy


A sala de espera da enfermaria estava em completo silêncio. Glenn abraçava a mulher e contemplava o relógio pendurado na parede, observando lentamente os minutos se arrastarem. Rick e Michonne estavam encostados no outro canto da sala, e apenas observavam o movimento impossível de ser percebido do outro lado da porta que estava fechada, todos tinham expectativas do que poderia estar acontecendo dentro da sala aonde Denise tinha colocado Beth.

Daryl só havia se sentido tão sem forças na vida outras poucas vezes, e pelo menos outras duas vezes tinha sido a loira deitada na cama que havia o deixado daquele jeito. Daryl não poderia nem imaginar o que faria com sua vida se ele perdesse Beth. Ele não conseguia nem pensar na possibilidade de ter que viver em um mundo não teria mais a companhia dela durante os dias e as noites onde ela sempre enfiava seus pés entre as pernas dele para que pudesse esquenta-los. Tudo passava pela cabeça do caçado numa velocidade incrível, ele pensava em todos os dias que havia passado com ela nos últimos tempos, todas as noites em que ela se deitou ao seu lado, e sorriu para ele. Ou em todas as vezes que Beth o fez sentir a porra do homem mais sortudo e amado do mundo, o que era uma coisa a qual Daryl Dixon nunca achara que poderia ser. Mas ali, vendo sua mulher deitada numa cama de uma enfermaria fodida no meio de um apocalipse zumbi, grávida de um filho seu, baleada, ele não conseguia pensar em nada a não ser que ela tinha que sobreviver, ela precisava sobreviver, não só por ela e pelo bebê, mas também por ele.

Todas as vezes que ele havia pensado que Beth poderia deixa-lo por qualquer outro motivo ele dizia a si mesmo que não poderia ser egoísta e não deixa-la ir, mas naquele momento, tudo o que Daryl poderia pedir era que seu egoísmo fosse aceito.

Carol e Denise estavam trabalhando para conseguir ajudar a loira, e Daryl estava parado do lado da porta em silêncio observando as duas, e depois de vários minutos ali, ele simplesmente saiu pela porta batendo-a com força e transtornado e passou como um furacão por onde os outros esperavam.

— Que? – perguntou Maggie assustada depois de ver o cunhado sair pela porta. – Será que aconteceu alguma coisa com a minha irmã? Eu não vou aguentar Glenn! – disse, e o coreano a abraçou novamente.

— Está tudo bem, Maggs. O Daryl só deve estar querendo tomar um ar, deve estar nervoso, mas eu te garanto que Denise e Carol vão conseguir deixar sua irmã bem, e seu sobrinho também, e em breve nosso Hershel vai ter um companheiro. – disse tentando convencer a esposa que apenas balançou a cabeça e voltou ao seu estado contemplativo, sem nem ter forças para ir atrás de Daryl, para descobrir o que fosse que ele tinha ido fazer.

Rick por outro lado não gostou da maneira como o amigo saiu da sala e indicou a Michonne que iria atrás dele. Os dois já tinham passado por momentos tensos o suficientes e o ex-xerife sabia que o arqueiro não conseguiria dividir suas questões com os outros, mas isso não significava que ele gostava de ficar sozinho o tempo inteiro. E então, o homem saiu logo atrás do amigo, e o encontrou andando de um lado para o outro, com as mãos na cabeça como se quisesse arrancar todos os fios de cabelo que existiam ali.

— Isso não vai resolver o problema. – Rick disse e Daryl o olhou, pronto para responder, mas o homem se apressou. – Já estive nessa situação, duas vezes, com o Carl e então, depois com Beth lá no hospital. Parece imbecil, mas você precisa manter a calma, no momento não só pela Beth, mas pelo bebê também, eles vão precisar que esteja bem.

— Não posso estar em qualquer condição sem saber que a porra da minha mulher vai ficar bem. Que ela vai sobreviver, que meu filho vai sobreviver. Não consigo sem eles, Rick. – disse, e sentou no chão, se apoiando na lateral do carro que havia perto deles. – Não vou conseguir.

— A loirinha vai ficar bem, Daryl. – disse, e Rick pediu aos céus que aquilo fosse verdade, ele conhecia muito bem a dor da perda. – Você precisa voltar para lá. Mas se quiser ficar por aqui mais um pouco consigo segurar as coisas mais alguns minutos. – avisou.

— Não, eu vou voltar. Só não conseguia ficar olhando as duas mexendo na minha garota daquele jeito. Puta merda, eu pareço sempre um viado quando falo da Beth. – falou e os dois caminharam de volta para a enfermaria e então encontraram Carol do lado de fora da sala, a camisa da mulher estava toda suja de sangue e ela parecia um pouco mais aliviada do que momentos antes.

— A Beth está viva, o bebê também, mas vamos precisar tira-lo, para a segurança dos dois. – avisou diretamente a Daryl. – Mas como qualquer procedimento na atual condição, é um pouco arriscado. Mas Denise e eu estamos seguras de que dará certo. – respondeu aos questionamentos mudos de todos.

— E o que falta para começar logo? – Maggie perguntou.

-Nada. Daryl você quer ficar com ela? – perguntou e o caçador afirmou balançando a cabeça e a seguiu.

Assim que entraram na sala o homem foi e se instalou do lado da loira que estava deitada no meio do quarto em uma maca improvisada, e então segurou a mão fria dela, a segurando entre seus dedos, e pedindo a um Deus que ele nem acreditava que existia que mantivesse sua garota viva.

Denise e Carol olharam para o homem e a médica puxou o ar com força se certificando que estava calma o suficiente para poder realizar o procedimento e salvar aquela pequena família. Carol sentia o suor gelado escorrer por sua nuca, mas repetiu a ação de Denise, e as duas se puseram a trabalhar.

Instrumentos, sangue, o bip do aparelho que ajudava a monitorar os sinais de Beth, os sussurros de Denise e Carol uma para outra, os minutos se arrastavam para Daryl que tentava assimilar tudo que acontecia.

— Daryl, está tudo correndo bem, e em breve o bebê de vocês estará aqui. – Carol disse ao homem que apenas assentiu com a cabeça, voltando a se concentrar no rosto de Beth. Denise pegou o bisturi e rezou silenciosamente para que o neném estivesse forte o suficiente, eles não teriam uma incubadora, e teriam que trabalhar com o que tinham. Os minutos se passaram lentamente para todos, a vida de Daryl parecia em suspenso e então ele viu a criança nas mãos de Denise e durante vários segundos, o arqueiro ficou apenas observando, esperando o choro, e lentamente sentindo o pânico o atingir. Parecia que a vida estaria lhe pregando outra peça?

Mas então, ele ouviu. O choro de seu filho. E pode então soltar a respiração que nem sabia que estava prendendo, junto com duas lágrimas que não conseguiu segurar. Carol segurou o bebê enquanto Denise voltava a se preocupar com Beth.

— Nunca pensei que fosse te ver pai. – Carol disse. – Acho que sua menininha vai ser a mais mimada do apocalipse. – comentou.

— É uma menina? – perguntou admirado, ele não tinha pensado muito nessa possibilidade.

— Sim, ela é pequena ainda, mais alguns dias e tudo ficará bem. – Carol disse. – Só não deixo você segurar porque está sujo e não podemos dar bobeira com ela nesses primeiros dias.

— Ok. A Beth está bem? – perguntou levantando os olhos para a médica que assentiu.

— Só mais alguns momentos, e ela estará bem, ficará aqui também, mas se tudo der certo não correrá risco de vida. Tudo deu certo, Daryl. Suas garotas ficarão a salvo. – respondeu com um sorriso um pouco cansado e o homem assentiu. – Acho melhor você ir ficar lá fora, e avisar a todos que tudo deu certo.

Daryl apesar de ainda desconfiado atendeu ao pedido da médica e se adiantou para a porta, dando uma última olhada na filha que estava com Carol, ela era tão pequena. Mas ele se agarrou nas palavras das duas mulheres e saiu para a sala aonde todos esperavam notícias ansiosamente.

— Como foi tudo? Beth está bem? E o bebê? Quando posso ve-la? – perguntou Maggie no segundo que Daryl colocou os pés para fora. Glenn o olhava na mesma forma que a cunhada e o arqueiro assentiu.

— Elas estão bem, vão ficar bem. – avisou tentando parecer aliviado e se jogou numa cadeira, sentindo a tensão em seu corpo.

— ELAS? – gritou Maggie. – Ah meu Deus, Glenn! Temos uma sobrinha! – disse animada.

— Você está bem? – perguntou Rick ao ver o amigo com a cabeça entre os joelhos, técnica que ele sempre usava quando ficava nervoso demais.

— Sim, só não sei ainda o que estou sentindo, não sei se estou pronto. Ela é tão pequena, menor que Judy quando nasceu.... Isso não podia ter acontecido, não poderia ter deixado isso acontecer com minha filha. – disse.

— Daryl, você não deixou nada acontecer. Nós nunca poderíamos imaginar que Jane chegaria a esse ponto. – Maggie falou para o homem. – Pare de se culpar e se preocupe em ficar forte para cuidar da sua filha e da Beth. Carol graças ao bom Deus evitou o pior, não adianta ficarmos nos punindo. – completou.

-Daryl está tudo bem, todos vão ficar bem. – Michonne disse e encostou a mão no ombro do amigo, que sacudiu a cabeça e tentou se convencer daquilo.

Xx

Negan estava sentado, ouvindo as informações que seus homens lhe davam sobre Alexandria, ele sabia que se conseguisse adicionar a comunidade a seus domínios teria bons resultados, ainda mais se fosse fácil entrar lá como os seus comandados tinham percebido.

— Vamos conversar com eles em alguns dias, oferecer a eles a possibilidade de se juntarem aos nossos domínios. – disse calmamente e os homens comemoraram. – Comecem a juntar suas armas, só daremos alguns dias porque eles devem estar atentos graças aos nossos pequenos visitantes, daqui um tempo vão pensar que eram apenas viajantes, e daí entraremos. – avisou Negan.

Notas finais
Desculpem a demora. Se gostarem não esqueçam de comentar e adicionar a história aos acompanhamentos para que possa receber as atualizações. Beijo