Something new
14 Fear
Notas iniciais
O casal Dixon não se deixou abalar pela investida de Jane, mas nem tudo são flores. Beth não estava se sentindo nada bem depois de chegar em casa, a manhã tinha sido turbulenta, e mesmo conseguindo se acalmar na casa da irmã e descansar um pouco a loira ainda estava se sentindo muito agitada e ansiosa. Ela acabou vomitando tudo o que tinha comido logo depois de chegar em casa. Daryl observou preocupado enquanto segurava o cabelo da mulher, ela choramingou depois de escovar os dentes e voltar para a sala.
— Eu odeio me sentir enjoada, parece que nunca mais vou conseguir colocar alguma coisa no meu estomago. – Comentou depois de alguns minutos com a cabeça encostada no marido.
— Você está bem? – ele perguntou com os olhos preocupados na loira, que balançou a cabeça positivamente. – Tem certeza, baby? – ele perguntou enquanto passava as mãos pelos braços da loira.
— Sim, foi só uma manhã agitada, e aparentemente o bebê está avisando que não gostou de tudo isso. – ela sorriu, e acariciou sua barriga ainda imperceptível. – Estou apenas enjoada, Daryl, e para te falar a verdade já estou até melhorando. – disse, mas o homem soube pelo rosto dela que aquilo era uma mentira, só estava falando para que ele não se preocupasse.
— Uhm, ok. Se você diz, mas qualquer coisa me avise. – falou e a loira assentiu levemente, já com os olhos fechados. – Acho melhor ir dormir na cama, Beth. – comentou e ela balançou a cabeça como quem diz ‘não’.
— Quero ficar com você, Dixon. – ela respondeu baixo. E Daryl riu, a pegando no colo e se levantando em seguida, subindo as escadas para o quarto, assim que chegaram lá, o homem a colocou na cama, e foi até o seu lado, tirando suas botas e recostou, puxando a loira para si. – Daryl, eu tenho tanto medo de te perder. – comentou alguns minutos depois de estarem deitados, tanto que o homem achou que ela já estava dormindo.
— Porque você está dizendo isso? – perguntou abrindo seus olhos também, e observando a loira em seus braços, ela continuava do mesmo jeito, olhos fechados e uma das mãos em sua barriga. Ela ficou calada durante alguns segundos, e Daryl chegou a achar que ela tinha falado enquanto dormia, mas Beth abriu os olhos azuis e o fitou.
— Jane. – respondeu diretamente. – Eu ouvi sua conversa com Rick antes da corrida, e você disse a ele que ela estava te cercando havia um tempo, e que lhe disse que eu não era boa o suficiente para ser sua mulher, sei que isso não é verdade, mas mesmo assim, não consigo não me sentir insegura. Ela é tão diferente de mim. – suspirou e Daryl a olhou atentamente, vendo que ela estava sendo sincera. – Logo depois que eles chegaram eu vi como Jane te olha, como se quisesse arrancar suas roupas, ela está sempre te encarando, e quando estou contigo, parece sempre que ela quer me derrubar. – Beth continuou. – Primeiro, achei que fosse coisa da minha cabeça, porque tinha algum tempo que não tínhamos pessoas novas aqui, e eu não estava acostumada com o olhar de curiosidade que recém chegados tem, mas depois eu percebi que não era curiosidade o que ela tem por você ou por mim. – a loira não queria mais guardar para ela tudo o que pensava, aquilo estava a deixando nervosa. – Mas, naquele mesmo dia, que eles chegaram ela já veio me perguntando se Judith era minha filha e se você tinha assumido, enfim. Eu já estava achando que tinha ficado maluca, que era coisa da minha cabeça, mas então no dia seguinte a Maggie comentou a mesma coisa comigo, dizendo que Jane te olhava com outros olhos. – suspirou levemente e se acomodou melhor nos braços do marido. – Eu me sinto uma fútil egoísta quando tenho ciúmes, mas é mais forte do que eu, e ainda mais com o bebê, as coisas vão ser tão diferentes.
— Beth, é verdade que Jane anda me cercando, não vou mentir para você, até porque não existe razão nenhuma para isso, pois eu nunca nem pensei em chegar perto daquela mulher, a única garota da minha vida é você. – disse calmamente. – Sei também que não gosta da Jane, já havia reparado isso, mas não há razão alguma para se sentir assim, nós dois estamos juntos, vamos ter um bebê nos próximos meses, e eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida e isso conta o antes de toda essa bagunça. Nunca olharia para aquela mulher nem se tudo estivesse como costumava ser. – ele avisou e a loira sorriu. – Nunca duvide do que eu sinto por você, Beth Dixon.
Beth assentiu com a cabeça, tentando dizer para si mesma que Daryl nunca a abandonaria, ou a trocaria por Jane. Ela relaxou um pouco, e voltou a fechar os olhos e sentiu Daryl fazer carinho na barriga dela por debaixo da camisa que usava, e sorriu satisfeita, lentamente ela acabou caindo no sono.
A loira acordou algum tempo depois e sentiu uma cólica mais forte do que qualquer uma que já havia sentido em toda sua vida, a loira abraçou suas pernas para tentar amenizar a dor que estava sentindo. Ela olhou pelo quarto e percebeu que Daryl não estava ali, e balançou a cabeça, com lágrimas nos olhos ao lembrar que ele estaria de vigia. Ela sentiu outra pontada e começou a ficar ainda mais nervosa, o bebê deles estava bem? Com os olhos molhados e quase não conseguindo levantar da cama, a loira conseguiu calçar seus sapatos que estavam do lado da cama e se apoiou na parede perto da porta, e respirou fundo. Teria que chegar até a enfermaria, Denise cuidaria dela e do bebê. Beth foi se apoiando até conseguir chegar no andar inferior e respirou fundo mais uma vez, tentando não deixar as lágrimas que se acumulavam em seus olhos caírem, ela não poderia surtar, não naquele momento. Com esforço, a mulher saiu de casa e foi caminhando lentamente até a casa da médica, seus olhos não conseguiam segurar as lágrimas, e ela abraçava sua barriga, como se pedindo para que tudo ficasse bem com o filho, como já era noite não havia ninguém do lado de fora, e a maioria das casas já estava apagada. Assim que suas pernas conseguiram fazer com que chegasse até a enfermaria, Beth bateu com toda a sua força na porta, e ouviu passos apressados. Tara abriu a porta e se assustou com a mulher ali na porta, ela ajudou Beth a entrar e chamou por Denise que apareceu de roupão.
— O que aconteceu? – ela perguntou alarmada enquanto ajudava Tara a colocar Beth na maca.
— Eu não sei. – Beth choramingou enquanto a médica andava de um lado para o outro. – Hoje eu comecei a sentir muito mal depois do almoço, mas acabei dormindo achando que iria melhorar e agora estou com muita dor. Denise, por favor, me diz que meu bebê vai ficar bem. – ela disse com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Vou fazer o melhor para isso, Beth. – a médica disse. – Vou me trocar em dois segundos e volto aqui, fica calma, ok? Respira fundo. – falou e saiu rapidamente.
— Você está precisando de alguma coisa? – Tara perguntou para Beth que estava chorando baixinho. – O Daryl está de vigia? Eu vou chama-lo agora. – ela fez seu caminho para a porta mas Beth a chamou.
— Tara, por favor, espere a Denise voltar eu não quero ficar aqui sozinha. – disse e Tara sentou-se ao lado dela, segurando sua mão e dizendo que tudo ia ficar bem, e que elas conseguiriam reverter o que quer que estivesse acontecendo. Menos de cinco minutos depois Denise apareceu e respirou fundo tentando se acalmar também. Beth era saudável e não tinha razões para ela estar sentindo dores tão fortes, assim que a médica encostou na mulher assim que ela entrou, sentiu a mulher fria, e suada.
— Tara, vai chamar o Daryl. Ele vai ficar muito nervoso se não souber disso logo. – Denise avisou e Tara saiu pela porta o mais rápido que pode. – Beth, eu vou te examinar, está bem? – a mulher avisou e aferiu a pressão da loira, que estava tremendo levemente. A médica levantou a camiseta de Beth e tocou na barriga da loira.
A sorte tinha estado do lado de Beth durante os últimos tempos, apesar de Maggie só ter conseguido realizar a maior parte de suas ultrassonografias em Hilltop, algumas semanas antes de Hershel nascer Glenn e Jesus tinham encontrado um hospital abandonado, e Glenn achou melhor eles carregarem um equipamento para poderem realizar o exame em Alexandria, eles simplesmente arranjaram um furgão e colocaram tudo no fundo do mesmo, na esperança que funcionasse, o Doutor Carson foi até a Zona Segura e ensinou Denise a como usar o equipamento, e o final da gravidez de Maggie foi acompanhada de casa. Denise teria como avaliar a saúde do bebê de Beth, e assim dar-lhe uma resposta concreta.
Tara praticamente correu até o posto de vigia onde Daryl sempre ficava. Ela subiu a escada e viu o olhar questionador dele assim que ele percebeu quem era. A mulher colocou as mãos nos joelhos e deu duas respiradas antes de falar qualquer coisa ao homem a sua frente.
— Daryl, a Beth está na enfermaria com a Denise, e ela está sentindo muita dor. – disse e o olhar do homem se tornou desesperado a medida que Tara disse as palavras. Ele desceu as escadas que davam acesso a torre de vigia e saiu correndo em direção a enfermaria, desejando com todas as suas forças que nada de ruim acontecesse. Assim que ele entrou na enfermaria viu Beth deitada na cama, com o rosto pálido, Daryl se aproximou e viu que Denise estava ligando os aparelhos para realizar um exame para saber se estava tudo bem.
— O que está acontecendo? – o homem perguntou segurando a mão de Beth e se inclinando para dar um beijo na testa da loira. Denise suspirou e começou a andar novamente pelo “consultório” em busca de algumas coisas.
— Eu não sei, Daryl, não quero perder o nosso bebê. – ela chorou, e Daryl segurou sua mão mais forte e lhe deu um selinho, juntando suas testas por alguns segundos.
— Não vai acontecer nada, Beth. – Daryl disse, tentando ele próprio acreditar nas palavras. Denise se aproximou e levantou a blusa de Beth, eles ainda não tinham feito a primeira ultrassonografia, mas segundo os cálculos de Denise, a loira estava com aproximadamente 13 semanas, e eles esperariam até um pouco depois disso para realizar o exame, já que eles estavam tentando racionalizar o uso de energia elétrica, e o aparelho consumia muito.
— Ok, Beth, vamos ver se está tudo bem, mas você precisa ficar calma. Eu sei que é horrível pedir isso, mas tente. – Avisou, e ela começou a deslizar o aparelho pela barriga da loira e o casal apertou os olhos para observar a tela, que não parecia mostrar imagem nenhuma para Daryl. Denise observou a tela por alguns segundos atrás da imagem, ela tinha começado a estudar bastante para ajudar a loira a passar pela gravidez, e estava achando incrível começar a ver o que tinha lido na tela. O bebê estava lá, e a médica respirou aliviada. – Aqui! – ela disse animada. – Olha aqui o filho de vocês dois. – disse sorrindo, e Beth soltou um suspiro aliviado. – Como você não está tendo nenhum sangramento... – avisou e mostrou a imagem para eles novamente, apontando algumas partes do bebê e anotando as informações. Os olhos de Daryl estavam cheios de lágrimas, mas ele ainda não estava cem por cento seguro.
— Glenn falou que dá para ouvir o coração, você pode fazer? – ele perguntou num sussurro e Denise balançou a cabeça afirmativamente. Beth abriu um sorriso e se acomodou, ela ainda estava pálida, mas Daryl não saberia dizer se ela ainda estava sentindo dor, porque a mulher tinha um sorriso no rosto. Denise colocou o aparelho e eles seguraram a respiração até que o som dos batimentos acelerados do bebê soou na sala, e Daryl deixou as lágrimas caírem. Os três ficaram ali por uns minutos, que pareceram segundos para os papais, ouvindo o coração do neném bater, e Beth soltou um suspiro aliviado.
— Vou ter que desligar, mas posso dar uma fotinho do ultrassom, o que acham? – Denise perguntou. Ela e Beth tinham desenvolvido uma amizade, e ela não gostaria de ver aquele casal passando por qualquer problema mais grave na gravidez.
— Por favor, Denise. – Beth sorriu. – Graças a Deus está tudo bem com o bebê, mas porque ainda estou com dor? – disse com um ar de preocupação e Daryl olhou para a mulher.
— Você se estressou esses dias? Anda abusando da boa vontade do seu corpo? – ela perguntou. – Se aconteceu essas coisas, somado com todas as mudanças que seu corpo está passando, pode ter causado essa dor. Mas por precaução você está de repouso pelos próximos dias, nada de sair da cama, Sra. Dixon. – avisou e foi até o armário dos remédios. – Esse aqui é para a sua dor, ok? Mas qualquer coisa é só voltar, eu vou ficar alerta. Beth, você não deve se estressar, pode não parecer mas vivemos sob muita pressão, e isso mesmo sem você sentir acaba influenciando o desenvolvimento do feto, e se você ficar mais nervosa do que o normal pode acabar se sentindo mal. – disse e a loira assentiu. – Não fique tomando o remédio sempre, é no mínimo a cada oito horas, de preferência doze horas, mas se a dor não voltar depois disso não tome mais. Eu até tenho um remédio injetável, mas ele não é indicado na gravidez. – completou e a loira sacudiu a cabeça. Denise entregou uma garrafa de agua e a loira tomou o remédio, sob o olhar do marido. – Agora, descanse.
Daryl não deixou se vencer pela insistência de Beth, ele a carregou até em casa no colo, subiu as escadas e a colocou na cama, sentando na beirada da mesma em seguida. Beth analisava a imagem que Denise tinha impresso para os dois e Daryl sorriu se juntando a ela. Eles ficaram olhando a imagem por mais de cinco minutos e a loira não parava de sorrir, ainda mais depois que a dor começou a aliviar, parecia muito mais real depois de ouvir o coraçãozinho e ver a imagem, mesmo que complicada dele na tela.
— Acho melhor você descansar. – Daryl disse e tirou as botas de Beth, que sorriu com a ação dele. – Eu, — ele começou. – Me desculpe por isso, loira. Eu fiquei apavorado quando Tara foi me chamar. Você e o nosso filho são as coisas mais importantes da minha vida, não posso nem pensar em perder nenhum dos dois. – confessou e Beth sorriu, adorava quando Daryl se abria, mesmo ela sabendo que era numa situação dessas, ela entendia que ele só lhe dizia as coisas porque realmente confiava nela. – Você vai descansar bastante para fazer nosso bebê ficar bem, e você também. Amanhã eu vou falar com o Rick e pedir para não ficar mais nos turnos da noite. Vai me prometer que se sentir qualquer coisa vai me avisar, e que não vai mais se irritar. – Daryl falou enquanto colocava a loira na cama. Ele tirou a camisa e a calça que ela usava e colocou uma roupa mais confortável, Beth só sorria.
— Já disse que não foi sua responsabilidade, meu amor. – respondeu enquanto se deitava. – Prometo tudo o que você disse, e tive tanto medo, mas ouvir o coração dele me deu forças, parecia que eu poderia encontrar a cura, de tão forte e segura que me senti. – ela riu e observou o homem tirar suas botas para deitar também. – Você não vai voltar para o seu turno? – perguntou.
— Claro que não, nunca iria te deixar assim sozinha, Beth. – Respondeu, enquanto tirava a roupa que estava usando e se deitava do lado dela. – Denise me disse que era para ficar com você, e que Tara iria me cobrir por hoje. – avisou. A loira sorriu, e se ajeitou do lado do marido que colocou uma mão na barriga dela. – Mal posso esperar para poder sentir ele mexendo. – Daryl disse, quando já estavam em silencio. E Beth concordou com um beijo nele. – Boa noite, loirinha, e tente não me matar de susto novamente.
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