Something new
13 Crazy
Notas iniciais
Beth e Daryl tinham passado o resto do dia depois da chegada dele na cama. Quando acordaram no dia seguinte já passava das nove e mesmo assim os dois enrolaram para levantar e começar o dia de verdade. A loira pulou da cama e vestiu uma camiseta que estava jogada, enquanto Daryl ainda estava deitado seminu, quando ouviu alguém bater na porta. Ela enfiou a calça jeans que estava do outro lado do quarto e desceu as escadas ainda descabelada para atender a porta, pensando que poderia ser Rick ou Maggie ou no máximo, Eric. E sua surpresa foi grande quando ela viu Jane parada do lado de fora.
— Preciso falar com Daryl. – disse sem nem dar bom dia a loira que a olhou séria. Antes que pudesse falar qualquer coisa Beth ouviu os passos de Daryl descendo as escadas, provavelmente para ver quem era. – Ah Dar. – Jane disse chorosa assim que o homem chegou, ela praticamente se jogou nos braços dele que nem teve reação. Beth olhou toda a cena bizarra que se desenrolou sem saber direito o que fazer, nos segundos que se seguiram a única coisa que seu cérebro conseguia processar era “ela chamou mesmo ele de Dar?”
O homem a afastou menos de dois segundos depois a olhando também sem entender nada do que estava acontecendo. Daryl se virou para Beth e viu o olhar de Jane o acompanhar, e antes que ele pudesse dizer qualquer coisa a mulher voltou a abraça-lo e chorar.
— Que caralho é esse? – Ele perguntou depois de afasta-la novamente. Os olhos da loira estavam faiscando. – Você está louca, Jane? – perguntou, ele não acreditava que depois de tudo o que ele já havia dito a ela, aquela mulher ia até a casa dele.
— Estou me sentindo tão culpada! – chorou. – Preciso ser consolada por alguém. – a sobrancelha de Beth se arqueou e Daryl olhou para a esposa como se buscasse um incentivo, a cara da loira não se mostrava das melhores. Mas Jane não se deu por satisfeita. –Será que podemos conversar a sós? Não me sinto bem falando na frente dela. — Apontou para Beth, que abriu a boca para falar, mas mudou de ideia e suspirou bastante irritada.
— Não tenha nada que não possa ser falado na frente da minha mulher, Jane. Na verdade eu queria realmente entender o que você quer comigo. – Daryl disse mal humorado, o dia mal tinha começado e o homem já estava gastando toda sua curta cota de paciência.
— Baby, eu vou tomar um banho, enquanto vocês conversam. – Beth disse se aproximando do homem, ela deu um beijo nele. – Se for rápido ainda pode se juntar a mim no melhor banho matinal da história. – sussurrou no ouvido do homem que sorriu ao ver o olhar malicioso dela. Jane olhou o casal e bufou irritada ao ver o sorriso de Daryl para Beth, mas ela não sairia daquela casa até causar no mínimo uma briga.
Jane sempre fora acostumada a ter tudo na vida. Ela tinha sido filha única de um casal de cirurgiões plásticos, que gastaram a vida em festas de famosos e viagens com os amigos, nunca quase tendo tempo para a filha. A presença deles foi trocada por presentes caros e tudo o que ela pedisse. Na faculdade de veterinária, a mulher conseguiu todos as vantagens existentes por ter uma conta bancária gorda, vantagens acadêmicas e com os caras da universidade, Jane Fletcher nunca aceitava um não. Ela iria virar o jogo e sair com o que queria. E ela desconhecia limites para chegar nos seus objetivos.
— Vamos lá Jane, me explica logo o que aconteceu. Tenho mais o que fazer da minha vida. – Daryl disse depois de observar Beth subir as escadas. Ele daria tudo para voltar para o andar de cima e acordar novamente, tomar um banho com sua garota e começar o dia de bom humor.
— Depois de tudo o que aconteceu, eu só tenho você para desabafar. – Jane disse, esperando que Beth estivesse ouvindo do andar de cima. – Estou me sentindo tão culpada pela morte do Spencer. – continuou limpando algumas lágrimas que caíram de seus olhos. Ela chegou perto de Daryl e voltou a se agarrar a ele, forçando o choro mais uma vez. – Nós temos que ficar juntos, nós dois juntos somos mais fortes, vamos sobreviver, a Beth é fraca, como o Spencer, ela não te merece – disse se aproximando dele que se levantou do sofá onde tinha sentado e bufou mais do que irritado quando ouviu uma porta batendo no andar de cima, sinal de Beth tinha ouvido tudo.
— Puta que pariu, Jane. Você ouviu essa porta batendo? Provavelmente a Beth ouviu essas merdas que você disse. Eu não sei se você é burra, ou se só age assim para me irritar, mas vou explicar outra vez, eu estou com a Beth, e mesmo se eu não estivesse não chegaria perto de você. Me deixa em paz, e deixe a minha mulher em paz também. – disse irritado. – Não volte na minha casa, não chegue perto da Beth. – avisou e quase arrastou a mulher para fora.
— Ninguém nunca disse não para mim. Eu não vou aceitar isso. – Jane ainda esperneou um pouco e Daryl fechou a porta na cara dela. Bufando e passando a mão no rosto, para tentar tomar coragem para ir resolver as coisas com Beth. Tudo o que faltava para ele naquele momento era brigar com a loira, esperava que ela confiasse nele e que não tivessem maiores problemas.
Daryl subiu os degraus da escada de dois em dois, e assim que chegou no andar de cima reparou que a porta do quarto deles estava fechada. O homem tentou abri-la e reparou então que Beth havia trancado a porta. Ele respirou fundo e contou até dez antes de bater, já estava sem paciência e não queria perder o resto que tinha brigando com Beth.
— Beth, abre a porta, por favor. – ele pediu. E ouviu uma movimentação no quarto. – Loira, você sabe que aquela mulher é louca. Não vamos brigar, sabe que não pode se irritar Beth, o bebê... – ele completou e ouviu a porta se destrancar do outro lado e a mulher de braços cruzados e cara amarrada apareceu.
— Daryl, eu estou muito irritada com a Jane, se a vejo na minha frente, não vou me controlar. – disse e bufou. – Não quero conversar agora, porque não quero brigar com você por causa daquela mulher. – completou. – Vou tomar café na casa da Maggie, tá? Te vejo mais tarde. – disse e saiu do quarto passando por ele e lhe dando um beijo na bochecha em sinal que tudo estava bem entre os dois, e que ela só estava irritada demais para falar. Daryl socou a parede ao seu lado e viu o sangue que ficou no seu punho após a ação e resmungou ainda mais alto, xingando todos os palavrões que conhecia, e que não eram poucos.
Beth saiu de casa pronta para atacar alguém, ela estava tão irritada que podia sentir a fumaça saindo de suas orelhas como nos desenhos animados que via quando era pequena. A loira se dirigiu para a casa da irmã e bateu na porta antes de abri-la ao ouvir a voz de Glenn. Ela viu o sobrinho deitado no tapete da sala enquanto Glenn brincava com ele, e a irmã mais velha surgiu da cozinha, arqueando a sobrancelha assim que viu a cara de Beth.
— O que diabos aconteceu? – Maggie perguntou ao ver a cara de revoltada da irmã que se jogou no sofá e resmungou um palavrão bem alto, coisa que fez Glenn rir para si mesmo.
— Estou a ponto de bater na Jane se encontrar com ela. – A loira disse pra irmã e para o cunhado. Que se levantou e pegou o filho o colocando no carrinho. – Aquela ridícula foi até a minha casa se insinuar para o meu marido falando que estava muito culpada pelo que aconteceu com o Spencer. – Beth disse mais alto do que o costume, enquanto socava algumas almofadas, não parecia a menina frágil da fazenda. – Nem consegui falar com Daryl, ou poderia descontar tudo nele e do jeito que ele também parecia irritado íamos acabar brigando, e não quero isso. – Reclamou. Maggie olhou a irmã e sorriu levemente, todos os sentimentos multiplicados por mil, era assim que ela se sentia quando estava grávida.
— Eu vou levar o Hershel para dar uma volta, deixar vocês duas conversarem. – Glenn disse e levou o pequeno para fora da casa e Maggie sentou-se do lado da irmã colocando as pernas da mais nova em cima do seu colo.
— Eu ouvi o Daryl contando pro Rick que a Jane andava atrás dele, sabe, dizendo que eu não era boa o suficiente, que ela seria melhor para ele, e todas essas coisas. – Beth explicou para a irmã que abriu a boca chocada. – Então eles foram na corrida, eu sei que Daryl não fez nada, e que se manteve longe daquela louca, até porque Carol estava lá para interceder caso aquela mulher tentasse ataca-lo. Mas então hoje, eu e Daryl estávamos enrolando na cama quando ouvi alguém bater, achei que fosse você para darmos uma volta, ou o Rick, então quando eu abro a porta é aquela diaba. Eu te juro, ela chegou na minha casa, chamando o Daryl de Dar, abraçando o meu marido como se eles fossem próximos, e depois simplesmente virou e disse: precisamos conversar a sós porque não me sinto bem falando na frente dela. – Beth disse se levantando e andando pela sala. – Falei que ia tomar banho e subi as escadas mas fiquei escutando tudo o que ela disse. Ela disse dentro da minha casa que eu não era boa o suficiente para o Daryl. Maggie, se eu encontro essa mulher eu juro para você que não respondo pelos meus atos. – levantou os braços e disse outro palavrão. – Eu não quero me irritar por causa do bebê, mas é impossível. Essa garota me tira do sério.
— Eu não acredito que ela fez isso! Quem essa mulher pensa que é para falar alguma coisa da minha irmã. – Maggie resmungou. – O que o Daryl fez? Me diz por favor que ele mandou ela não chegar perto dele mais. Ou então eu vou na casa de vocês agora e vou garantir que esse seu filho na sua barriga vai ser o único que Daryl Dixon terá, porque eu vou arrancar as bolas dele fora. – a morena falou e Beth até riu da irmã, ela seria sempre tão implicante com o cunhado.
— Eu não ouvi direito porque entrei direto no quarto. Mas pelo que entendi ele mandou aquela mulher ficar longe de mim, e da nossa casa, e que ela não sabia nada de nossas vidas. – respondeu voltando a se sentar no sofá. – Você tem café da manhã? Eu sai sem comer, e estou morrendo de fome. – perguntou e a irmã gargalhou.
— Acho bom que Daryl tenha dito isso tudo, e sim eu tenho, vou pegar alguma coisa para você. – disse e saiu para a cozinha deixando a loira no sofá pensando.
Glenn caminhou empurrando o carrinho até avistar Daryl sentado na varanda de casa fumando. Ele reparou que o homem estava resmungando e parecia realmente irritado. Glenn se dirigiu até lá e viu Daryl apagar o cigarro assim que chegaram perto, ele não fumava perto das crianças, ou das grávidas.
— Beth está lá em casa, deixei ela e Maggie conversando. – Comentou e Daryl bufou irritado.
— Ela disse que iria para lá. Está tudo bem com ela? – Daryl perguntou ao coreano que pegou Hershel do carrinho quando ele começou a se animar, e assim que ele se ficou livre do carrinho, o menino olhou para Daryl e esticou seus bracinhos. O arqueiro pegou o pequeno dos braços do pai e sorriu levemente, ele adorava o bebê.
— Estava bem irritada, e falando uns palavrões que eu nunca pensei ouvir da boca da Beth. Se Jane for esperta ficará fora do caminho dela, e agora do da Maggie, sabe como ela fica quando fazem alguma coisa com a caçula dela. – Glenn disse e Daryl balançou a cabeça.
— Eu sei, sou uma péssima influencia para a loira. Avisei para Jane ficar longe dos nossos caminhos, mas aquela mulher é louca. – Daryl disse. – Ela está testando a minha paciência. – reclamou e olhou para o menino no seu colo. – Hershel ia adorar ter um neto coreano. – riu.
— Tanto quanto ele ia adorar ter um neto Dixon, eu já posso ver os dois correndo por aí deixando Maggie e Beth doidas. – Glenn comentou para o amigo. – Se esse daí – apontou para o filho – continuar com o temperamento da Maggie e o bebê de vocês nascer explosivo como você, tenho pena de Alexandria. – falou.
Os dois passaram a manhã conversando na porta da casa, eles eram muito diferentes, mas tinham uma coisa em comum tinham se apaixonado pelas garotas Greene. Daryl ria das coisas que Glenn contava sobre conviver com Maggie, e sobre a realidade de ter um bebê em casa. Daryl disse das expectativas sobre ter um filho, e que ele estava tentando controlar o temperamento para não ser grosso com Beth sem motivos, e que aquilo seria um desafio para ele nos meses seguintes. Hershel já dormia no carrinho novamente quando Glenn chamou Daryl para almoçar.
— Vamos almoçar, Beth já deve estar mais calma, e depois vocês conversam. Melhor do que ficar aqui esperando que alguém apareça e nos cause mais problemas. – disse lembrando de Jane. O arqueiro concordou e os dois andaram de volta para a casa dos Rhee.
Assim que eles entraram na casa, Maggie pegou o filho e olhou para o cunhado com a sobrancelha arqueada. Ela apontou para o andar de cima, num aviso silencioso que Beth estava lá. Daryl agradeceu da mesma maneira e subiu os degraus da casa e abriu a porta do quarto de Hershel, e viu a mulher deitada. Quando sentou-se na beirada da cama, Beth abriu os olhos e se virou para ele.
— Olá, baby. – Daryl disse. – Como está se sentindo? – perguntou colocando a mão na barriga dela. A mulher cobriu a mão do marido com a sua e a acariciou.
— Estou bem. – disse. – Comi e depois acabei vindo dormir um pouco. – a loira falou para o marido que sorriu para ela. – Me perdoe por sair daquele jeito, eu estava muito irritada e não queria descontar mina raiva em você.
— Não tem problemas, loira. Você tinha razões para estar irritada, eu falei para Jane ficar longe de nós. – Daryl respondeu e olhou para a Beth que tinha se sentado na cama. – Me desculpa se você ficou chateada, ou algo assim, nunca dei abertura para aquela mulher. – completou.
— Eu sei. – Beth sorriu e se aproximou do marido. Eles se beijaram e logo em seguida ouviram Maggie avisando que o almoço estava pronto. Os quarto almoçaram e no meio da tarde, o casal Dixon voltou para casa. Daryl abraçou os ombros de Beth e ela sorriu largamente. – Amor, mas deixa eu te avisar uma coisa, se aquela Jane me irritar de novo vou usar meus hormônios de grávida como desculpa e não respondo pelos meus atos. – a loira disse e Daryl assentiu, ele realmente não estava sendo uma boa influência para ela.
Fale com o autor