Someone Like You
12 Quarta ligação - Paul Robinson
Aquele parecia mais um dia comum na vida de Paul, ele era um cara incrível, mas com ele era sempre tudo calmo, previsível. Talvez, por isso ele foi tão apaixonado pela Jo, ela quebrava a rotina dele, tornava tudo mais espontâneo e turbulento.
Naquela manhã, ele como sempre tomou o café da manhã com a esposa, mas desta vez eles tinham companhia. Emma, a mãe de Charlotte, estava na casa deles para acompanhar os instantes finais da gestação da filha. Paul ficava mais aliviado porque Charlotte não ficaria sozinha enquanto ele estava trabalhando e nem muito entediada, ela sentia falta do trabalho:
–Eu tenho que ir meninas. Cuidem da pequena, Zoe!
–Pode deixar, ela não vai a lugar algum! – disse Charlotte.
–Quem sabe? Ela pode nos surpreender! – disse Emma.
–Tem razão, Emma! Mas ainda faltam alguns dias do prazo que o médico deu.
Abraçou a sogra, deu um beijo na esposa e deu a partida no seu Mini Cooper rumo ao museu.
Haviam chegado peças novas para restauração. Paul era o melhor restaurador do museu. Ele adorava seu emprego porque permitia que ele estivesse sempre em contato direto com a arte. Ele tocava piano, cravo, oboé e violão. O violão o ajudou a fazer algum sucesso com as garotas na adolescência. Algumas vezes, também arriscava fazer algumas esculturas, mas ele tinha consciência que não era nenhum Michelangelo, ele era bom mesmo na arte da restauração.
–Hey Paul, eu encontrei o Sr. Hardy no corredor no caminho para o estúdio e ele pediu para avisá-lo que ele quer falar com você.
–Obrigado, Susie.
–Será que você está encrencado, Paul? – disse um homem gargalhando.
–Não enche, Jack – disse Paul sorrindo.
O Sr. Hardy era o diretor do museu. Por um momento, Paul teve medo mesmo que estivesse em apuros, mas o Sr. Hardy queria apenas falar sobre a nova exposição.
Todos trabalhavam em silêncio no estúdio de restauração quando de repente escutam uma música:
“If you like piña coladas and getting caught in the rain. If you're not into yoga, if you have half a brain. If you like making love at midnight in the dunes of the cape. Then I'm the love that you've looked for, write to me and escape”.
–Meu Deus! Não me digam que isso é um toque de celular? – disse Jack irônico.
–Acho que é o celular do Paul – disse Susie.
–Que coisa mais cafona! Quem coloca a música da piña colada como toque de celular? – perguntou outro homem.
–Seu amigo Paul, Adrian – disse Jack rindo.
Quando Paul retornou ao estúdio, todos começaram a cantar:
“If you like piña coladas and getting caught in the rain. If you're not into yoga, if you have half a brain. If you like making love at midnight in the dunes of the cape. Then I'm the love that you've looked for, write to me and escape”.
–Paul, seu celular estava tocando.
–Susie, se você não me dissesse eu nunca iria adivinhar – disse Paul sarcástico.
–Paul, você não pode nos culpar. Essa música é muito brega – disse Jack.
–Qual é gente? Isso é um clássico.
–Não Paul, o Jack tem razão! É brega mesmo – disse Adrian.
–Ah! Não! Até você, Adrian? Essa é a minha música e da Charlotte.
–Paul, não diga mais nada! Eu não quero nem imaginar a emoção que foi o seu primeiro encontro com ela – disse Jack.
–Não acredito que eu estou aqui perdendo o meu tempo discutindo isso com vocês, quando essa ligação pode ser da minha sogra avisando que minha filha está nascendo.
Paul ouviu o recado, mas não era da Emma. Sentiu culpa por não ter atendido a ligação porque percebeu pela voz dela que algo não ia bem e porque ele não tinha dado pela falta dela no trabalho.
–E então, Paul? Se você estiver muito nervoso eu levo você até o hospital.
–Obrigado, Jack. Mas não era a minha sogra. Com licença, eu preciso sair um minuto.
–Está tudo bem, Paul? – perguntou Jack.
–Está sim! Eu só preciso fazer uma ligação.
Tentou ligar várias vezes para Jo, mas ela não atendia. Resolveu deixar um recado.
–Oi Jo. Me desculpe por não ter atendido sua ligação. Eu estava na sala do Sr. Hardy. Está tudo bem com você? Por que não veio trabalhar hoje? Está doente? Quer almoçar comigo hoje? Aí você me conta o que está acontecendo.
Paul voltou ao trabalho, mas não conseguiu se concentrar totalmente, estava preocupado com a Jo.
A música da piña colada toca mais uma vez, dessa vez Jack, Adrian e Susie acompanham num coro.
Era a Amy. Ela lhe contou tudo o que havia acontecido com a Jo e pediu para ele contar para Beth porque ela não tinha condições.
Quando Paul desligou o celular, ninguém fez piada com a piña colada. Era visível que algo estava errado.
–Paul? Está tudo bem com você? O que houve? Nós podemos ajudar? – perguntou Adrian.
–Não. Ninguém pode ajudar. Eu... eu preciso ir. Uma amiga não está bem. Eu preciso ir embora – disse Paul contendo as lágrimas.
–Paul, tem certeza que você consegue dirigir? – perguntou Susie.
–Está tudo bem, Susie. Eu posso dirigir. Eu só preciso ir. Até mais!
Quando saiu do museu, Paul não conseguiu mais lutar contra as lágrimas e ele sabia que ainda tinha a difícil missão de contar o que havia acontecido a Beth. Decidiu que não havia mais tempo a perder. Ele tinha que manter a compostura, as duas mulheres precisavam dele.
–Alô.
–Alô, Beth. Aqui é o Paul.
–O que aconteceu com a minha menina? – perguntou Beth.
–O quê?
–As mães sempre sabem quando há algo de errado com os filhos. Pode me dizer sem rodeios.
–Ela fez aquilo de novo. Eu sinto muito. O Dr. Shankar está no hospital com ela. Eu vou pegar a Amy e nós vamos até aí buscá-la.
–Obrigada, meu filho. Eu não sei nem como agradecer tudo o que você e a Amy têm feito por ela.
Paul teve uma crise de choro quando desligou o celular, Beth também do outro lado da linha.
Enquanto esperava Paul e Amy chegarem, ela ficou pensando se ela havia sido uma boa mãe. Se em algum momento ela negligenciou a filha. Por qual motivo a sua menina não conseguia ser feliz. Será que ela tinha alguma culpa nisso? Fechou os olhos e concentrou-se em lembrar de todos os momentos nos quais Jo fora feliz.
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