Someone Like You
9 Primeira ligação – George MacPherson
Notas iniciais
George MacPherson estava em sua sala trabalhando em um projeto importante que lhe exigia intensa dedicação, porém como havia prometido a si mesmo desde que Mia o deixara, não seria mais um workaholic. Cumpria todo o seu horário de almoço, exceto quando tinha algum almoço de negócios, evitava levar trabalho para casa, reservava um horário para o lazer, toda sexta-feira fazia um happy hour com o seu melhor amigo Robert Shankar e pelo menos uma vez por mês eles jogavam golfe.
George era um engenheiro que estava no auge da sua carreira profissional, mas para que sua felicidade fosse plena, faltava superar o fim do casamento:
–Com licença, George. O Sr. Foster pediu para que você fosse agora até a sala dele.
–Obrigado, Miranda.
Eric Foster era o dono da empresa na qual George trabalhava, ele gostava muito de George e o achava um ótimo profissional. Desejava que um dia este ocupasse o seu lugar de CEO, uma vez que nenhum dos filhos havia se interessado pelos negócios da família. Talvez por isso ele tratasse George como se fosse seu filho.
–Eric, você queria falar comigo?
–Sim, entre meu filho. Quer beber alguma coisa?
–Não, obrigado.
–O pessoal do Yamaguchi ligou. Eles estão muito interessados em nosso novo produto.
–Isso é ótimo, Eric.
–Você deve estar se perguntando por que eu lhe chamei aqui, não é? Filho, se nós fecharmos o contrato com os japoneses você será promovido. Semana que vem teremos um almoço com eles e eu quero você lá.
–Nós vamos fechar esse contrato, Eric.
–É assim que se fala!
George voltou para sua sala e verificou o seu celular, havia a ligação de um número desconhecido e uma nova mensagem. Ouviu a mensagem e ficou bastante preocupado, podia sentir todo o desespero e dor na voz daquela mulher. Teve medo que ela pudesse fazer uma besteira. Lembrou-se de uma reportagem que tinha assistido sobre um suicídio que foi evitado porque um desconhecido ficou conversando com o potencial suicida e conseguiu acalmá-lo. Mas também poderia ser um trote. Será que era um trote? Ou poderia ser só uma louca. De qualquer forma, ele não ficaria com esse peso na consciência caso a mulher fosse mesmo suicida, ele não suportaria o remorso se pudesse evitar e não fizesse nada. E seria legal fazer uma coisa boa por alguém. A mulher chamava-se Jo e ela mencionou um tal de Dick. Será que...? Não. Seria muita coincidência. Mas enquanto retornava a ligação desejou que fosse a Jo sobre a qual o Robert havia lhe falado.
–Alô.
–Alô, Jo?
–Sim, sou eu.
–Graças a Deus! Aqui é o George. Você não me conhece, mas eu recebi uma ligação sua. Não pude atender porque estava numa reunião. Então estou retornando agora.
–Oh! Meu Deus. De todas as ligações que eu esperei receber, nunca imaginei que ela seria do meu aleatório – disse Jo verdadeiramente espantada.
–É isso aí. Eu sou o aleatório.
–Ah! Desculpe-me. Eu não queria lhe ofender. Acho que deveríamos ser devidamente apresentados. Jo Stockton.
Fez-se um breve silêncio. George ficou um pouco atordoado com o nome que acabara de ouvir.
–George? Você está aí?
–Sim. Ah! Deixe eu me apresentar também. George MacPherson. Jo, se eu lhe contar uma coisa você não vai acreditar.
–Então me conte. Talvez eu acredite.
–Sabe o vernissage da Amy Miyazaki? Então eu fui lá com o meu amigo Robert Shankar. Ele e a Amy queriam nos apresentar lá.
–Inacreditável. Eu gostaria de ter lhe conhecido naquele dia – disse Jo com sinceridade.
–Eu também.
–Eu devia ter conhecido você e não o Dick.
–É, mas talvez aquele não fosse um bom momento para você me conhecer. Agora seria ótimo.
–Por quê? O que houve naquela noite?
–Na verdade não aconteceu nada, mas eu estava muito triste porque o meu divórcio estava recente.
–Ah! Sinto muito.
–Não. Está tudo bem agora.
–Eu nem lhe conheço, mas já lhe acho uma mulher incrível.
–Acho que se você me conhecesse, você iria se decepcionar. Eu não sou tão incrível assim.
–Ouvi dizer que você é uma ótima cantora, poderia cantar alguma coisa para mim? – George tentava ganhar tempo e acalmá-la, ela parecia mais tranquila, mas ele ainda tinha medo que a qualquer momento ela fizesse uma besteira.
–O que você gostaria de ouvir?
–Que tal Night and Day?
–Ok. Like the beat beat beat of the tom-tom. When the jungle shadows fall. Like the tick tick tock of the stately clock. As it stands against the wall. Like the drip drip drip of the raindrops. When the summer shower is through. So a voice within me keeps repeating you, you, you. Night and day, you are the one. Only you beneath the moon or under the sun. Whether near to me, or far. It’s no matter darling where you are. I think of you night and day…
–Você canta muito bem mesmo. Eu gostaria de lhe conhecer pessoalmente. Você gostaria de almoçar ou jantar comigo?
–Não posso – disse Jo com tristeza.
–Está tudo bem com você? – perguntou George percebendo que algo estava errado.
–Não.
–O que você está sentindo?
–Não sei. Acho que estou morrendo.
–Eu estou falando sério.
–Eu também.
–Calma. Por favor, me passa seu endereço que eu vou até aí – disse George bastante preocupado.
–Desculpa. Não posso. Gostei muito de falar com você. Tchau – disse Jo desligando o celular e o colocando no modo silencioso.
George ficou apavorado. Ligou para Jo diversas vezes, mas ela não atendeu. Não sabia o que fazer porque não sabia onde ela morava. Como poderia ajudar? Então, lembrou-se que Robert era médico dela e ligou para o amigo para ver se ele podia ajudar, mas só dava sinal de ocupado. Tentou ligar para Jo mais algumas vezes, mas foi em vão. Ele estava ficando cada vez mais desesperado. Tentou ligar para Robert mais uma vez e finalmente teve sucesso:
–Alô.
–Alô Robert. Graças a Deus que você atendeu, cara. Eu preciso muito da sua ajuda.
–Acalme-se George. É muito urgente? Porque eu acho que tenho um problema aqui também.
–É sim. Sabe a Jo? A amiga da artista plástica. Então eu recebi uma ligação dela – George explicou tudo o que tinha acontecido – e então, resolvi ligar para você porque eu não sei onde ela mora.
–Inacreditável. É inacreditável como o destino arranja as coisas. Vocês tinham mesmo que se conhecer. Acho que você não tinha conseguido falar comigo porque eu estava tentando falar com a Jo, eu também recebi uma ligação dela, mas estava com um paciente, não podia atender. Era esse o problema que eu ia resolver. Vou procurar aqui no cadastro dos pacientes. Jo Stockton. Jo Stockton. Achei.
–Graças a Deus!
–Vou mandar uma ambulância até a casa dela, mas eu vou pessoalmente até lá também.
–Robert, eu gostaria de ir com você. Eu estou aqui no trabalho.
–Tudo bem. Eu passo aí para lhe buscar, seu trabalho é caminho para casa dela.
–Obrigado, Robert.
Robert pegou as chaves do carro e ligou na recepção:
–Alô, Dr. Shankar.
–Nancy desmarque todas as minhas consultas de hoje. Muito obrigado.
Ele também ficou muito atordoado com tudo isso. Sentia culpa também por não ter conseguido ajudar Jo.
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