Someone Like You
10 Segunda ligação – Robert Shankar
Aquele estava sendo um dia bastante atribulado para Robert Shankar. O primeiro paciente do dia era Daniel Underwood, um rapaz de 22 anos com um grau leve de autismo, e ainda que tivesse iniciado o tratamento tardiamente, estava tendo progressos bastante significativos, o que deixava Robert bastante contente.
Terminada a consulta, Robert checou se havia alguma ligação em seu celular. Ele sempre fazia isso entre uma consulta e outra, poderia receber alguma ligação importante. Tinha o cuidado de deixar o celular no modo silencioso para não interromper a consulta e bloquear o paciente. Nenhuma ligação.
O segundo paciente era Chloe MacLaine, uma mulher de 32 anos que sofria de depressão profunda. Era bastante angustiante. Robert sentia-se extremamente penalizado ao ver todo o sofrimento da mulher.
Checou novamente o seu celular, nenhuma ligação.
A terceira paciente era Lauren Ferguson, uma mulher de 26 anos com transtorno de ansiedade generalizada. Foi uma consulta mais amena que a anterior, mas ele sentia pena de Lauren porque isso afetava bastante a qualidade de vida dela.
Nenhuma ligação.
A recepcionista anunciou o quarto paciente do dia:
–Elliot Bolton, pode entrar. O Dr. Robert Shankar o aguarda.
Elliot era um homem de 23 anos que sofria de esquizofrenia. Ele estava no início do tratamento ainda, mas Robert tinha boas expectativas em relação ao seu caso.
Dessa vez havia uma ligação e uma mensagem. Robert a ouviu. Ficou bastante preocupado e culpado. Se a Jo realmente tivesse feito o que ele achava que ela tinha feito, a culpa era dele. Não conseguiu ajudá-la. Ele que havia receitado os remédios a ela. Como não pôde perceber que as coisas se encaminhavam para isso? Tinha que ter notado, afinal esse era o trabalho dele.
Tentou ligar para ela várias vezes. Sem sucesso. Estava ficando bastante atordoado. Meu Deus! Por que será que a mulher não atendia logo o telefone? Resolveu deixar uma mensagem:
–Olá Jo. Aqui é o Robert Shankar. Eu não pude atender a sua ligação porque estava no meio de uma consulta, mas eu gostaria muito de falar com você. Você sabe que pode contar sempre comigo, para qualquer coisa, não é mesmo? Jo, você está aí? Se estiver, atenda! Por favor, ligue para mim assim que ouvir esta mensagem. Eu quero muito falar com você. Ah! Antes que eu me esqueça, eu peço desculpa por não conseguir lhe ajudar como deveria – disse Robert melancólico.
De repente ele recebe uma ligação bastante desesperada do seu amigo George. Para ele, não restava dúvida que Jo tentara o suicídio. Robert pensava o mesmo. Afundou na cadeira atormentado por seus pensamentos, mas logo se recompôs e foi buscar George.
Nenhum dos dois ouso dizer palavra alguma, permaneceram o trajeto todo em silêncio. Foram os minutos mais longos na vida de ambos.
Chegaram ao prédio de Jo praticamente junto com a ambulância. Apresentou-se aos paramédicos como o psiquiatra de Jo. Robert e George subiram com os paramédicos. George temia pela cena que poderia ver, não era lá muito religioso, mas ficou rezando mentalmente enquanto subiam.
–Ah! Garota! O que você fez? – disse Robert horrorizado.
Jo havia feito corte superficiais nos pulsos e como não havia sido bem sucedida ingeriu uma dose cavalar de antidepressivos.
Robert culpou-se por ter receitado o remédio, sentiu-se como Atlas carregando o céu nos ombros.
George ficou em estado de choque por alguns minutos. Nunca imaginaria que seria desse jeito que ele conheceria Jo.
Robert ligou para Amy:
–Alô Robert.
–Oi Amy. Eu tenho uma coisa muito séria para falar com você.
–O que aconteceu? Você está me assustando Robert. Você está bem?
–Não. Bom, na verdade comigo está tudo bem. É sobre a Jo.
–O que aconteceu com ela Robert? Ela me ligou mais cedo, mas não pude atender. Liguei de volta, mas ela não atendeu. Deixei um recado, mas ela ainda não retornou a minha ligação.
–Amy, ela tentou se suicidar.
Amy ficou muda por uns instantes. Culpou-se por não ter atendido a ligação. Talvez se ela tivesse atendido Jo não teria feito isso.
–Amy...
–Pode falar Robert – disse Amy com a voz embargada sem conseguir conter as lágrimas.
–Bom, eu liguei para você porque vocês são amigas. Para você avisar a mãe dela. Seria melhor se ela ouvisse isso de você.
–Claro! Você tem toda a razão. E como ela está?
–Acalme-se porque ela está viva – disse Robert sem dar os detalhes, julgou que seria melhor assim – George e eu vamos seguir para o hospital.
–Obrigada, Robert.
–Amy, tenho que ir até o hospital. Tchau.
–Tchau, Robert.
Fale com o autor