Someone Like You
7 Elizabeth Stockton
Notas iniciais
Paul dirigiu por 2 horas o seu Mini Cooper Countryman até o distrito de Brighton, Amy acompanhava Jo no banco de trás e poucas palavras foram trocadas durante o trajeto. Há tempos ele não visitava a cidade onde Jo nasceu e cresceu, mas ele ainda recordava perfeitamente o percurso até a casa de Elizabeth Stockton.
Finalmente chegaram até uma casa de estilo vitoriano. A fachada, pelo menos, estava exatamente como Paul se lembrava, era como se o tempo não tivesse passado lá, um tempo no qual ele havia sido muito feliz. Estava tudo igual, até o jardim estava exatamente como ele o conservara em sua memória:
–Paul, ela adormeceu.
–Acho melhor não acordá-la. Amy, você poderia ir lá tocar a campainha? Deixe que eu a carrego.
–Tudo bem, Paul – disse Amy dirigindo-se a entrada da casa.
Uma mulher muito bonita atendeu. Os anos haviam sido muito gentis como Elizabeth Stockton. Ela era uma mulher alta e magra, seu rosto possuía traços que assemelhavam-se muito aos de sua filha, seus cabelos pretos, conservados na cor muito próxima a original devido a tinturas, apresentavam-se num corte chanel clássico impecável. Jo herdara o sorriso da mãe, elas tinham o mesmo sorriso encantador e cativante.
–Olá Amy. Como está? Fizeram boa viagem?
–Olá Beth. Estou bem. A viagem foi tranquila.
–Olá Paul. E você rapaz, está bem?
–Olá Beth. Eu estou bem. Achamos melhor não acordá-la. Pode deixar que eu a levo lá para cima. Ainda sei o caminho – disse Paul com Jo nos braços.
–Obrigada meus filhos – disse Elizabeth emocionada.
Paul levou Jo até o quarto onde ela crescera e retornou a sala onde estavam Amy e Elizabeth.
–Vocês vão ficar o final de semana conosco, não é mesmo?
–Sim, Beth – respondeu Amy.
–Que bom! É bom ver a casa cheia de novo! Vocês devem estar cansados da viagem. Eu vou preparar um lanche para vocês. Paul, será que você poderia me ajudar?
–Claro, Beth.
–Enquanto isso, eu vou arrumar as minhas coisas no quarto de hóspedes – disse Amy, entendendo que os dois precisavam de um pouco de privacidade para conversar sobre alguma coisa que havia ficado pendente.
–Ótimo! Amy, fique a vontade! – disse Elizabeth.
Amy subiu depressa as escadas e deixou Paul e Elizabeth a sós:
–Nossa, Paul! Você está ficando cada dia mais bonito.
–Você também está ótima, Beth – disse Paul um pouco corado.
–Sua esposa sabe que você está aqui?
–Sim, claro que sabe.
–Mas está tudo bem? Isso não lhe causou nenhum problema, não é mesmo?
–Não. Está tudo bem! A Charlotte é bastante compreensiva. E de qualquer forma, eu não a deixei sozinha, ela está com a mãe. A mãe dela já tinha planos de nos visitar neste final de semana.
–Mas ela sabe que você e a Jo...
–Claro, Beth! Eu não escondo as coisas da minha mulher. A Jo e eu ainda somos muito amigos, então a Charlotte tinha que saber do meu passado. E eu não poderia começar uma relação com mentiras. E mesmo que eu não dissesse nada, ela saberia. Eu não sei como, mas acho que vocês, mulheres, tem algum poder, sexto sentido, ou sei lá como chamar isso, porque vocês sempre sabem.
–Isso é verdade! Nós sempre sabemos! – confirmou Elizabeth abrindo o sorriso das Stockton – E, ela não fica com ciúmes?
–No começo ela ficava sim com bastante ciúmes, mas agora não. Bom, pelo menos, eu acho que não.
–Ah! Paul. A Jo deveria ter se casado com você quando teve a chance.
–É. Ela deveria.
–Vocês teriam sido muito felizes!
–Teríamos mesmo! – disse Paul um pouco confuso. Ele não imaginava que aquela casa lhe traria as lembranças superadas do passado. Aquilo tudo mexeu com ele mais do que ele imaginava ou gostaria.
–Não sei onde ela estava com a cabeça quando se deixou envolver com aquele cantorzinho!
–É, mas nós não podemos racionalizar os sentimentos, não é mesmo Beth?
–Ah! Você sempre tão sábio. O meu maior desejo era que você se casasse com a Jo. Mas agora que você vai ter uma família linda, não é mais. Espero que você seja muito feliz e que este bebê traga muita alegria para sua vida – disse Elizabeth sendo realmente sincera.
–Obrigado, Beth – disse Paul abraçando-a enquanto lágrimas molhavam a face de ambos.
Prepararam os lanches e Elizabeth foi chamar Amy:
–Amy, o lanche está pronto. Ah! Muito obrigada.
Amy sorriu, entendia que o agradecimento era pela cumplicidade que ela teve alguns minutos atrás.
Elizabeth aproveitou o lanche para fazer saber o que exatamente estava acontecendo:
–Então, vocês dois, por favor, me digam o que está acontecendo com a minha menina! Não me escondam nada. São problemas com o Dick, não é mesmo?
–Sim, Beth. São problemas com o namorado, ou melhor, dizendo ex-namorado – explicou Paul.
–Ah! Aquele Dick Avery! Um sujeito encantador, mas eu sabia que ele faria a minha menina sofrer.
–Beth, o Dick realmente é um conquistador inveterado, mas nós não devemos demonizá-lo também. Ele realmente amava a Jo e eles tentaram, mas ele não soube conduzir a situação. Na verdade, eles não conseguiram conduzir a situação – disse Amy.
–Tem razão, Amy. Eu sei como a Jo pode ser difícil também.
–Eu soube que ele também ficou muito triste com o término da relação, mas parece que já conseguiu seguir em frente – disse Amy.
–Eu acho que isso é que a deixou muito chateada. Ele conseguiu se refazer rápido demais – disse Paul.
–Quer dizer que ele já está com outra, então? Aposto que é uma super modelo.
–Isso não me surpreende vindo do Dick. Eu disse, ele é um conquistador. Algumas pessoas por mais que tentem nunca mudam. Mas ela não é modelo, não. É uma estilista francesa. Ah! Deus, como é mesmo o nome dela... Ah! Já sei! É Louise Lavigne. É a nova promessa do mundo da moda – disse Amy.
–Achamos que seria uma boa ideia trazê-la para passar um final de semana aqui com você, longe de tudo que está acontecendo em Londres – disse Paul
–Ela deve estar sofrendo tanto. Vocês fizeram muito bem – disse Elizabeth com os olhos marejados.
–Ah! Beth, se eu sei que isso não tem importância agora, mas se isso fizer você se sentir melhor, o Dick a abandonou, mas nunca traiu a Jo – disse Amy.
–Obrigada, Amy. Pelo menos nisso ele foi bastante decente com ela então.
–Beth, acho que não adianta ficar procurando culpados, vamos nos concentrar em cuidar dela – disse Paul.
–Tem razão, Paul! Você como sempre muito sábio!
Depois de lancharem, Paul e Amy decidiram dar uma volta pela cidade:
–Beth, a Amy e eu vamos dar umas voltas por aí. Acho que você e a Jo precisam de um momento de privacidade.
–Obrigada! Mas, por favor, voltem para o jantar.
–Ok. Combinado – disse Paul.
Depois que Paul e Amy saíram, Elizabeth subiu lentamente as escadas. Um milhão de pensamentos passava pela sua cabeça. Ela tinha medo que a filha fizesse novamente a coisa horrível que fez, era assim que ela chamava a tentativa de suicídio, quando as coisas ficaram ruins da última vez. Seus sentimentos estavam confusos. Sentia-se feliz por ter a filha e os amigos em casa, mas muito triste por ser nessas condições.
Elizabeth abriu a porta do quarto e ficou alguns instantes contemplando o sono de Jo. Parecia um anjo dormindo. Não parecia existir dor e sofrimento, só beleza e calma. Então finalmente, Jo despertou:
–Olá mãe.
–Olá Jo. Como você está, minha filha?
–Estou cansada. Como eu cheguei aqui em cima?
–O Paul trouxe você.
–Mãe?
–Sim, querida.
–Você pode ficar um pouco aqui comigo?
–Mas é claro que sim!
Elizabeth dirigiu-se até a cama e sentou ao lado da filha. Acariciou seus cabelos como sempre fazia quando Jo era criança. Começou a cantar uma música que sempre cantava para Jo quando esta ficava chateada:
–Born a poor young country boy. Mother Nature’s son. All day long I’m sitting singing songs for everyone…
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