Someone Like You

8 George MacPherson


George já estava no seu segundo chopp Guinness num dos pubs de jazz mais badalados de Londres, quando seu amigo Robert finalmente chegou:

–Cara, você demorou. Pensei que não viria mais.

–Desculpa. É que fiquei muito ocupado com um caso de um paciente.

–Ah! Dr. Robert! Doctor Robert, he's a man you must believe. Helping everyone in need. No-one can succeed like Doctor Robert. Well, well, well, you're feeling fine. Well, well, well, he'll make you, Doctor Robert. My friend works with the National Health, Doctor Robert.

–Até você, George. Qual é o problema com vocês, britânicos? Então é assim? Vamos todos zoar o cara indiano? Vocês combinam ou será que tem um manual de como zoar um indiano? – disse Robert rindo.

–Hey Robert,você sabe que não é isso. Na verdade só tem graça cantar essa música para você porque você é médico! Mas espere aí, tem mais gente que canta essa música para você?

–Sim. Um dos meus pacientes canta essa música para mim no início de cada sessão.

–Que legal! Aposto que é mulher! O paciente é mulher não é mesmo?

–Por que você acha que é mulher?

–Porque você sempre deixa cantar no início de cada sessão. Duvido que você deixaria se fosse homem.

–George, tem hora que você é um idiota. Não é assim que as coisas funcionam.

–Calma, Robert. Desculpa. Eu só estava brincando com você. Eu sei que não é assim. Relaxa, cara.

–Tudo bem. Eu é que peço desculpas. É que eu estou um pouco preocupado só.

–Quer conversar sobre isso?

–Não. Sabe, eu me lembrei de uma coisa agora, que eu não sei o porquê nunca lhe contei antes.

–O quê?

–No dia do vernissage da Amy era para a Jo ter conhecido você e não o sacana do Dick.

–Ah! A garota sobre a qual você tinha me falado. Ela é sua paciente, não é?

–Sim. Como a Latika não pode ir e eu achei que você precisava sair um pouco, quando eu disse a Amy que levaria você no lugar da Latika, ela pensou em lhe apresentar a Jo. Esse era o plano.

–Robert, você sabe que eu não teria cabeça para isso. Eu tinha acabado de me divorciar da Mia e eu ainda a amava muito na época. Quem sabe, se fosse agora. Mas você parece ter bastante admiração por essa mulher.

–Sim, ela é uma pessoa incrível!

–Ela é bonita?

–Sim. Ela é linda!

–Robert, você já teve alguma fantasia com ela? – perguntou George se divertindo com a pergunta porque sabia que deixaria o amigo bastante envergonhado.

–Como é que é? Você está louco George? Mas é claro que não! – mentiu Robert tentando parecer o mais indignado possível com a pergunta, se esforçando ao máximo para não se trair, não queria que George descobrisse a verdade.

–Qual é Robert? Você não vai para o inferno por fantasiar com outra mulher! Todo mundo faz isso! Isso não é trair sua esposa. Se você não pôde escolher a mulher com a qual queria se casar, que possa pelo menos escolher a mulher com a qual você quer fantasiar.

–Ah! George. Quantas vezes eu vou ter que lhe explicar isso. Amor é uma relação que vai se construindo com a convivência, no dia-a-dia. Eu realmente não escolhi me casar com a Latika, mas eu amo a minha esposa. Acho que você nunca vai entender. Não foi um casamento movido à paixão, a paixão é efêmera, mas há muito amor e o amor é duradouro.

–Talvez meu casamento tenha sido movido à paixão – disse George melancólico.

–Não foi isso que eu quis dizer, George. Havia um amor sincero entre você e a Mia.

–Eu sei. Mas eu estraguei tudo, não é? Não estive presente na vida dela tanto quanto deveria. Acho que ela aguentou a situação por muito tempo até. Mas nunca mais eu vou deixar o trabalho arruinar um relacionamento. Workaholic nunca mais!

Depois de alguns chopps e ao som de Cheek to Cheek, George finalmente diz o que queria ter dito no início da conversa:

–Sabe, eu gostaria muito de conhecer essa Jo algum dia.

–Quem sabe algum dia vocês sejam apresentados como deveria ter sido desde o início.

–Nossa! Essa música é ótima! E essa cantora também. Parece até que estou ouvindo a Ella cantando.

–Sabia que a Jo canta muito bem?

–Não. É sério? Meu Deus! Essa mulher dever ser perfeita então!

–É verdade! Ela canta Dr. Robert muito melhor que você. Acho que Cheek to Cheek ela deve cantar muito bem também.

–Ah! Não disse que era mulher!

–Droga! Acabei falando demais!

–Tudo bem, Robert. Prometo que não conto para ninguém.

–Hey George, está ficando tarde já. Preciso ir. Latika vai ficar falando sobre isso o final de semana inteiro se eu demorar mais. E as crianças não dormem enquanto eu não chego.

–É bom ter para quem voltar no final do dia, não é?

–É sim. Quando você menos esperar, você vai encontrar alguém para quem voltar também.

–Espero que você esteja certo, Robert.