Notas iniciais
Este é um capítulo curto, mas que traz algumas revelações sobre o passado de Jo.

Amy Miyazaki é uma artista plástica japonesa radicada na Inglaterra, além de ser a melhor amiga de Jo:

– Sabe, eu estou muito preocupada com você. Parece mais magra. Convidei você para almoçar para ter certeza que hoje você vai fazer pelo menos uma refeição decente – disse Amy num tom maternal.

– Por que será que eu tenho a impressão que na verdade você me convidou para almoçar para me passar um sermão?

– Não seja injusta comigo, Jo. Eu só estou preocupada com você. Você está se alimentando bem? Está tomando seus remédios direito? Está indo às consultas com o Dr. Robert?

– Tem razão! Me desculpe. É que fica todo mundo o tempo todo me dizendo o que eu deveria fazer. Respondendo as suas perguntas, sim, sim e sim – respondeu Jo sem ser totalmente sincera, na verdade as respostas eram: não, mais ou menos e sim.

– Que bom! E você e o Dick? Como estão?

– Sinceramente, eu não sei. Às vezes parece tudo tão bom, mas depois fica tão ruim.

– Esses altos e baixos da relação de vocês estão lhe fazendo mal, Jo.

– Ah! Estava demorando! Agora eu você chegou exatamente ao ponto que queria, não é mesmo? Vai dizer que o problema é o Dick.

– Desde o começo eu fiquei um pouco preocupada com essa relação de vocês. Eu ouvi sobre a fama de conquistador do Dick, e ela é bem grande. Mas então você parecia tão feliz que eu pensei que ele pudesse lhe fazer bem. Então você voltou a ser aquela Jo triste. Eu acho realmente que as pessoas podem mudar, mas não caras como o Dick. Ele é especialista em partir corações. Eu acho que ele a ama de verdade, mas também acho que ele não pode evitar ser um heartbreaker.

– Você não o conhece como eu o conheço. Está sendo injusta. As pessoas mudam. E todo mundo faz isso o tempo todo, magoa e é magoado. Talvez você não se lembre, mas eu já parti o coração de alguém um dia.

– É claro que eu me lembro, mas você não pode se punir a vida inteira pelo que aconteceu com o Paul.

– Eu não estou me punindo. O Dick é o homem mais incrível que eu já conheci.

– Você já contou a ele?

– Sim. Você por acaso acha que minha bipolaridade é um impedimento para que eu tenha relacionamentos amorosos?

– De forma alguma. Eu só não quero que você se machuque. Nós sabemos o que aconteceu da última vez que você entrou numa depressão profunda.

– Você está sendo cruel – disse Jo observando uma linha que marcava cada pulso, as primeiras lágrimas começaram a descer.

– Desculpa, não foi minha intenção. Você é minha melhor amiga, Jo. Eu só não queria lhe ver sofrer. Eu só queria retribuir tudo o que você já fez por mim. Lembra como você me ajudou naquela história com o Dylan – disse Amy abraçando Jo que agora chorava copiosamente.

– Eu sei Amy. Eu só tenho medo que ele deixe de me amar. E se ele deixar, Amy?

– Eu sei, meu bem. Vai ficar tudo bem, você vai ver. Se ele fizer isso é porque é um idiota. Tem caras melhores que o Dick por aí. Veja só eu, por exemplo, estou bem melhor agora com o Ethan. Você merece e deve ser feliz Jo, mesmo que seja sem o Dick.

Mesmo contrariada, Jo sempre ouvia o que Amy tinha a dizer. Porque no final, quando as coisas ficam realmente ruins, era sempre a Amy e o Paul que recolhiam todos os cacos.