Someone Like You
5 Paul Robinson
– Hey Jo, você viu que as peças para nova exposição chegaram hoje de manhã?
– Que ótimo! E aí muito trabalho no estúdio de restauração?– Por enquanto até que está tranquilo. Estou indo almoçar, gostaria de me acompanhar?– Claro, eu só vou pegar a minha bolsa. Paul e Jo conversaram sobre trivialidades da rotina do museu enquanto caminhavam até um restaurante próximo. Paul esperou o garçom trazer os pedidos e se afastar:– Jo, você me parece tão feliz, mas tão triste ao mesmo tempo.– Talvez eu sempre tenha sido assim – disse Jo com um sorriso sarcástico.– Eu falo sério.– Eu também.– Problemas com o namorado?– Foi a Amy que pediu para você falar comigo?– Não. Ela me ligou ontem e parecia bastante preocupada com você, e antes que você me pergunte ela não contou sobre o que vocês conversaram. Fui eu quem quis conversar com você porque também estou preocupado.– Parece que todo mundo resolveu ficar preocupado comigo ultimamente.– Não faça assim, Jo. Você sabe o quanto nós nos importamos com você. Eu não vou e nem quero lhe repreender. Só quero ajudar você. Ouvir se precisar de alguém para desabafar. Eu sei que a Amy pode ser bem explosiva e superprotetora às vezes, mas esse é o jeito dela de amar as pessoas. Eu sei que isso às vezes sufoca e magoa, mas ela não faz por mal, é só o jeito Amy de ser que mesmo assim a gente adora. É como se eu fosse o policial bonzinho e ela fosse o policial mau. Se nós fossemos policiais, é claro. Você me entendeu, não é mesmo? Foi só uma piada muito ruim. Sabe, algumas vezes eu tenho dúvidas quanto a ascendência dela. Fico me perguntando onde ela escondeu toda a calma e paciência oriental.– Paul, você sempre sabe como me fazer rir.– E então quer conversar? Quer um muffin de chocolate belga? Quer que eu toque Traumerei do Schumann para você? Eu sei que isso lhe acalma. Quer chorar? Quer só ficar quieta? O que você quer fazer?– Obrigada, Paul. São problemas com o Dick, nós temos momentos ótimos, mas parece que a cada dia nossa convivência se torna mais difícil. Acho que ele está se cansando de mim. Não tenho certeza se ele ainda me ama como no início.– Você não teria esses problemas se tivesse sido a Sra. Robinson. E se é como você diz, azar o dele. Você é uma mulher incrível e ele não sabe o que está perdendo – disse Paul sorrindo.– Deixe só a Charlotte ouvir isso.– Eu estou só brincando.– Eu sei. Ontem eu tive uma conversa com a Amy, como você já sabe, que me fez pensar em algumas coisas. Você acha que eu fui muito injusta com a gente?– Claro que não, Jo! Trate de tirar essas besteiras da cabeça!– Ah! É tudo tão calmo com você, Paul. Obrigada!– Eu sei. Por isso eu nunca teria chance contra uma estrela do indie rock.– Não seja cruel.– Não estou sendo cruel. É brincadeira, mas você sabe que de todo modo isso é verdade – disse Paul com um sorriso gentil.– Você ainda está magoado comigo? Você me odeia por isso? Eu acho que você deveria. No seu lugar, acho que eu me odiaria.– Não faça isso consigo mesma. Eu não estou mais magoado com você, isso já faz tanto tempo. Confesso que na época eu fiquei muito mal, que eu tive raiva de você, mas agora já passou. Mas é claro que eu não te odeio. Eu te amo.– Não, Paul.– Não é desse jeito que você está pensando, Jo. Eu amo a minha esposa e a pequena Zoe que está a caminho. Eu também te amo, mas não daquele jeito de antes. De um jeito diferente. O amor que nós sentimos pelas pessoas pode se transformar, pode acabar. Neste caso, mudou. Eu sinto um imenso amor por você, mas é um amor fraterno e eu sei que você também sente o mesmo.– Sim, você e a Amy são meus irmãos – disse Jo muito emocionada.– Não precisa chorar. Chore se quiser, se for para colocar toda essa angústia para fora, mas não precisa se for por culpa, porque não há culpa – disse Paul abraçando-a.– A Charlotte tem muita sorte de ter um marido como você. A Zoe também, porque eu sei que você será um ótimo pai. E eu também tenho sorte por ter um amigo tão leal quanto você. Acho que não existem mais homens no mundo como você, Paul.– Imagina! – disse Paul meio constrangido, mas muito satisfeito com o elogio.– Nossa! Olha só a hora! Precisamos voltar para o museu.– Ah! Depois eu toco um pouco de Schumman para você.
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