Somente Por Amor
10 X- Profundo
Notas iniciais
Boa leitura.
X- Profundo
Eu havia ficado mais algumas horas na casa de Felipe, agora já estava anoitecendo e ele me acompanhava até minha casa. Ele havia me consolado por um bom tempo e eu expliquei para ele o que havia acontecido, Felipe afagou minha cabeça e disse para mim não pensar mais nisso.
Agora, enquanto caminhávamos pelas ruas praticamente desertas, ele segurava minha mão. Ele não perguntou se podia, apenas a segurou quando saímos da casa dele, quase que por instinto, e eu entrelacei meus dedos nos dele. Estávamos em silêncio desde que havíamos saído da casa, até que ele falou:
-Então...você realmente perdeu a entrevista de emprego por minha causa? — Eu havia comentado sobre isso com ele.
-É, mas já lhe falei que não foi sua culpa, eu que pirei e tomei a decisão de não ir.
-Mesmo assim...sabe, meu pai tem um dos maiores e melhores escritórios de advocacia da cidade e minha mãe é dona daquela loja de roupas no centro, que eu te falei antes, e ela está precisando de vendedoras, por que não aparece lá para um entrevista? Eu marco com ela hoje para você e amanhã te falo o dia e a hora. Pode ser?
-Faria isso mesmo? — Perguntei, admirada.
-Claro, é o mínimo que posso fazer por você.
-Você é uma ótima pessoa sabia?
-A maioria deve pensar ao contrário.
-Isso é porque eles não conhecem você. Eu sei que nos conhecemos a pouco tempo, mas sinto como se já o conhecesse a tempos. — Falei, sendo muito sincera. — Acho que não deveria se preocupar com o que as pessoas chatas pensam, mas só com o que eu penso. — Falei rindo.
-Com certeza, se fosse assim desde sempre, eu seria ainda melhor hoje. — Disse ele, entrando na brincadeira.
-Provavelmente, sou uma ótima companhia.
-E é bastante convencida ein? Não esperava isso de você. — Falou ele, empurrando-me levemente.
-Eu diria que sou apenas sincera.
-Se prefere ver as coisas assim...mas eu quero saber, qual foi a primeira impressão que teve sobre mim? Quando me viu no parque, quero dizer. — Ele falou isso olhando para o chão, como se estivesse constrangido.
-Sinceramente? Pensei que você era um idiota ridículo. Pelas suas roupas e seu jeito dava para perceber que você tinha condições financeiras, no entanto, estava lá...desperdiçando sua vida.
-Deve ter me odiado.
-Acho que não cheguei a odiar, mas fiquei com raiva. — Ficamos alguns segundos em silêncio. — Mas e você? Qual a impressão que teve sobre mim?
-Pensei que você era uma nerd-santa. Mas pelo jeito, me enganei. — Respondeu ele me olhando com malícia.
-Assim você me ofende. Posso não ser nerd, mas tiro excelentes notas na escola.
-Não foi nessa parte que eu me enganei. — Disse ele, me virando para si.
-Não?
-Depois de hoje a tarde, não diria que você é exatamente uma santa. Acho que só é tímida. — Respondeu ele se aproximando.
-Talvez você esteja certo.
-Tenho certeza de que estou. — Falou ele, encostando seus lábios nos meus. A princípio pensei que ele me daria apenas um selinho, mas então ele afastou meus lábios e senti sua língua invadindo minha boca. Talvez eu nunca saiba explicar o que eu senti naquele momento, só sei que foi algo intenso, profundo. Meu corpo se arrepiou completamente, senti que eu estremecia por dentro. Eu já tinha ficado com alguns-poucos, garotos, mas nunca sentira aquilo, na verdade nunca chegara perto daquilo. Continuamos o beijo por um bom tempo, até que ele se afastou e depositou um leve beijo na minha testa. — Eu me desculparia em outras circunstâncias, mas parece que você queria isso tanto quanto eu. — Disse ele, sorrindo.
-Com certeza eu queria. — Respondi, lhe dando um beijo na bochecha.
-Acho que devo te levar para casa agora...ou vou acabar te sequestrando e levando de volta para minha casa.
-Estou quase achando que isso é uma boa ideia.
Faltava apenas uma quadra para eu chegar em casa. Caminhamos bem devagar, queríamos aproveitar a presença um do outro. Felipe segurava minha mão firmemente, e praticamente a cada passo ele me dava um selinho. Nunca me cansaria disso, poderia continuar caminhando ao lado dele por horas sem parar, ir até a próxima cidade talvez. A única coisa que eu pensava é que queria ficar ao lado dele, me sentia bem assim.
Pelo cheiro de perfume que ele exalava, percebi que não havia fumado naquele dia. Permiti a mim mesma dar um pequeno sorriso, queria que ele continuasse assim, se melhorando, progredindo a cada dia. Isso era tão...reconfortante e apaziguante para mim.
-Chegamos. — Falou ele quando paramos em frente ao portão da minha casa. — E parece que seus pais já chegaram. — Continuou ele, olhei para uma das janelas e percebi que ele tinha razão, visto que a luz estava acesa.
-Parece que sim. — Disse, olhando para ele. — Vou te ver amanhã?
-Claro que sim. Posso vir aqui amanhã a tarde? Daí já lhe digo a hora da entrevista.
-Pode sim, ficarei muito feliz. — Respondi, sorrindo. — Tenho que entrar agora, eles devem estar preocupados comigo. Boa noite Felipe. — Falei dando um beijo no rosto dele.
-Não ganho um último beijo?
-Você é realmente carente. — Falei rindo. Trocamos um leve e rápido beijo, mas que fez meu corpo estremecer, ele realmente tinha um efeito grande sobre mim.
-Boa noite Sophia. — Disse ele, quando nos afastamos.
-Boa noite. — Falei, abrindo o portão e entrando no pátio da minha casa, quando ele ia se afastar, falei: — Felipe?
-Sim?
-Nada de aprontar hoje. — Não expliquei mais nada, apenas caminhei até minha porta e entrei em casa, eu sabia que ele havia entendido o recado.
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