Somente Por Amor
11 XI- Filosofias e pensamentos
Notas iniciais
XI- Filosofias e pensamentos
Eu não aguentava mais o tédio. Meus dois últimos períodos na escola eram de física, o que para mim era insuportável. Não conseguia entender porque alguém precisava aprender aqueles conteúdos, eu nunca usaria nenhum deles na minha vida. Mas, mesmo detestando as aulas de física, eu sempre prestava bastante atenção e fazia todos os exercícios, mas hoje estava sendo diferente.
O conteúdo era novo, o que significava que eu deveria prestar atenção dobrada na aula, mas isso estava longe de acontecer. Meus pensamentos vagavam longe da sala de aula. Eu viajava mentalmente até concentrar todos os pensamentos numa única pessoa: Felipe. Quando eu tentava explicar para mim mesma o porque de gostar tanto dele, eu não conseguia. Talvez fosse o sorriso ou os olhos, mas eu não acreditava que fosse algo físico. Pendia então para o lado ''sentimental'', ''emocional'', mas, mesmo assim, não conseguia encontrar a resposta. Talvez não houvessem motivos para eu gostar dele, afinal, ninguém gostava. Mas, ao mesmo tempo, parecia haver mil motivos para eu estar apaixonada por ele. Minha mente nunca estivera tão confusa.
Abandonei meus devaneios quando soou o sinal, sinalizando o término de mais um dia de aula. Por sorte, na próxima terça-feira seria feriado e emendaríamos com o final de semana.
-Alguém aqui parece perdida nos próprios pensamentos. — Falou a Roberta.
-Ah, Rô. Acho que ta na hora de eu conseguir uma nova melhor amiga, você já me conhece demais. — Falei brincando.
-Nem brinque com isso sua louca. — Respondeu ela me dando um leve tapa enquanto saíamos da sala de aula. — Mas me conta, é por causa do gato aquele?
-Não consigo mesmo esconder nada de você não é?
-Rá, eu sabia amiga. Ta apaixonada por ele. — Disse ela rindo que nem uma boba e batendo palmas.
-É tão óbvio assim? — perguntei ruborizando um pouco. Será que ele já tinha percebido que eu gostava tanto assim dele?
-Querida, ta estampado na sua cara. Agora me conta, o que houve ontem ein? — Perguntou ela com um sorriso malicioso.
-Acho que sou obrigada a contar não é mesmo?
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Durante o caminho até minha casa, contei para Roberta tudo o acontecera no dia anterior,ela ficou louca, é claro. Disse que ele era o cara perfeito para mim e blábláblá. Sinceramente, não sei se acredito exatamente nessa coisa de ''cara perfeito'', ninguém é perfeito, mas eu sentia uma conexão muito forte com ele, talvez fosse esse o significado de uma pessoa ser perfeita para a outra.
A primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi preparar um pouco de macarrão para meu almoço, depois de pronto, comi sem pressa. Gostava disso, comer com calma, saborear. O molho quatro queijos que eu fizera para o macarrão com certeza era um dos meus prediletos.
''Prediletos''...estranho, desde a primeira vez que minha mãe falara essa palavra na minha presença eu a achara interessante, quando eu disse isso para Roberta ela me olhou como se eu fosse louca e me perguntou:
-Por que você gosta tanto de uma palavra?
-Não sei.
''Não sei''...fora a única resposta que eu encontrara e até hoje não achei uma melhor. Acabei rindo em meio a meus loucos devaneios, com certeza eu tinha uma mente fértil, até demais.
Lavei a louça e tomei um banho, eu via uma necessidade de estar bonita e cheirosa para quando Felipe chegasse. Talvez pela primeira vez na vida tenha me assolado uma dúvida: O que vestir? Eu ficaria em casa, então não podia me arrumar demais, além disso, Felipe nunca parecera incomodado com minhas roupas...Ouvi duas batidas na porta da frente, só então percebi que já faziam quase trinta minutos que eu estava a procura de algo para vestir. Acabei pegando uma bermuda jeans e uma regata lilás, as vesti de qualquer jeito enquanto corria para abrir a porta.
-Já vai.- Falei, passando a mão nos meus cabelos para arrumá-los. Finalmente cheguei em frente a porta e a abri. — Oi. — Falei sorrindo, enquanto fitava Felipe. Eles estava lindo, como sempre desde que eu o conhecera. Estava vestindo uma bermuda jeans, polo branca e all star preto.
-Oi, — Disse ele sorrindo também. — Cheguei muito cedo?
-Não, de modo algum, estava lhe esperando. Pode entrar. — Respondi a ele, lhe dando passagem pela porta, a fechei atrás de mim assim que ele entrou.
-Falei com minha mãe, ela achou a ideia ótima, disse que, pelo que eu falei, você parece uma ótima pessoa e disse para você ir até a loja amanhã a tarde, as 14h20min que ela estará te esperando para a entrevista.
-Oh, muito obrigada por sua ajuda, obrigada mesmo. — Falei o abraçando pela cintura.
-Não tem por que agradecer Sophia. — Respondeu ele me abraçando. Me afastei um pouco para fitá-lo.
-Sabe, estava pensando agora...
-O que? — Perguntou ele, parecendo super interessado.
-Eu ainda não sei o nome dos seus pais. — Falei e ele riu.
-Minha mãe se chama Denise e meu pai Luciano.
-Ótimo, não vou me esquecer disso. — Ele riu novamente e me deu um leve beijo na testa. — Vamos lá para o meu quarto, podemos nos ''jogar'' melhor lá. — Disse rindo e indo em direção ao mesmo, ele me acompanhou.
Assim que entramos no quarto, recostei-me na cama. Felipe fez o mesmo, ficando ao meu lado. Ficamos alguns segundo em silêncio, até que ele falou.
-Não aprontei nada ontem se você quer saber.
-Nada mesmo? — Perguntei, fitando seus olhos enquanto ele passava os braços por minha cintura e me puxava mais para perto.
-Nada, a última vez que...fiz besteira, por assim dizer, foi aquele último dia que você me pegou na praça. Tenho tentado resistir desde então e até agora está dando certo.
-Você não faz ideia do quanto eu fico feliz em saber disso. É a melhor notícia que eu poderia receber. — Respondi, colocando minha mão em sua nuca e acariciando com leveza.
-Me faz bem te deixar feliz. — Falou ele, aproximando o rosto um pouco mais do meu. — Eu posso te beijar? — Por um momento analisei seus olhos e depois, antes que eu pudesse responder, comecei a rir. Foi, com toda a certeza, uma atitude muito imatura e idiota, mas eu não consegui me controlar. Felipe continuou me olhando sério por alguns momentos, como que se perguntando o que ele falara de errado. — O que foi? Fiz algo errado? — Perguntou ele. Demorei mais de um minuto até conseguir parar de rir e responder.
-Não Felipe, você não fez nada de errado, bem pelo contrário. É só que nunca vi nenhum garoto fazendo essa pergunta antes. Não na vida real pelo menos e acabou me fazendo rir. Mas você não fez nada de errado.
-Fico mais aliviado. — Disse ele, sorrindo de lado. — Mas então...eu posso? — Insistiu ele. Não respondi, apenas aproximei-me ainda mais dele e colei nossos lábios, dando início a um beijos calmo e saboroso, excitante, mas puro ao mesmo tempo. — Nunca gostei tanto de uma garota como gosto de você. — Foi a primeira coisa que ele falou ao pararmos o beijo.
-Com certeza essa foi uma das melhores coisas que já me falaram na vida.
-Fico satisfeito que tenha sido eu a falar.
-Deve ficar mesmo. E, se você quer saber, nunca gostei tanto de um garoto como gosto de você. Na verdade, nunca senti nada que chegasse perto disso.
-Com certeza essa foi uma das melhores coisas que já me falaram na vida. — Falou ele, me imitando nas palavras e voltando a me beijar.
Não importava quantos beijos ele me dava, nem quantos minutos eles duravam, cada um parecia o primeiro. Diferente, amoroso e cheio de significados ocultos. Não sei se alguma vez na vida eu irei decifrar o que está escondido neles, espero que sim. Só sei que não me importaria se tivesse de beijá-lo todos os dias pelo resto de minha vida, as sensações que eu sentia, o coração disparado, o calor...tudo aquilo era único. Mas não era um único que me pertencesse, tudo aquilo pertencia a ele e eu ficava feliz sabendo que ele escolhera a mim para ter um pouco daquilo...seja lá o que seja esse ''aquilo''.
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