Someday
28 Capitulo 26
Notas iniciais
Tudo estava indo muito bem após a entrevista na TV, como esperado a procura por Lembranças e as vendas haviam aumentado consideravelmente.
Eles não me falaram, mas eu percebi que até mesmo a chefe da editora havia se surpreendido. Na sexta feira tivemos uma reunião logo a tarde, onde os números foram expostos, mas, o que mais me surpreendeu foi a exigência do público e da editora por um novo livro, aquilo não poderia me deixar mais feliz, disposta e animada para o que viria a seguir.
Quando estava saindo da reunião, o nome de Sue apareceu no visor do meu celular, eu nunca poderia imaginar que a notícia seria tão trágica.
—Oi Sue, como vai?
—Bella, me desculpe dizer tão rápido assim, mas estou usando um celular emprestado. Seu pai sofreu um grave acidente, ele está no hospital em Portland.
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Você nunca está preparada para o pior. Pensei nisso enquanto eu seguia dirigindo para Portland. Sinceramente, ainda não consigo entender como foi que eu cheguei bem e viva, principalmente, tomei cuidado apenas com os limites de velocidade, enquanto seguia velozmente pela rodovia até Portland, foram as 3h40m mais intermináveis da minha vida.
Depois que falei com Sue, imediatamente liguei para Rosalie perguntando se poderia usar seu carro, eu falei apressadamente o motivo e ela me fez prometer que eu ligaria quando houvesse mais notícias. Foi difícil enxergar a rodovia através das lagrimas que enchiam meus olhos, Charlie não merecia ficar entre a vida e a morte novamente. Senti meu peito doer ao pensar que se eu estivesse com ele nada disso teria acontecido, mas as vezes as coisas acontecem simplesmente por que tem que acontecer, porque essa é a vida.
Eu desejei tanto internamente que Edward estivesse ali, ele saberia o que fazer, ele me abraçaria e tudo ficaria bem. Mas, ele não estava. E eu não sabia o que fazer, a não ser seguir o GPS que me levaria ao hospital que meu pai estava internado.
Quando cheguei na recepção do hospital a noite já havia caído, não vi ninguém conhecido, por isso dei o nome de Charlie para a recepcionista e ela me direcionou a uma sala de espera onde Sue estava também. Eu senti pena dela, nós estávamos na mesma situação, aflitas e desesperadas, mas eu senti que quando ela me viu deu um leve suspiro. Sue me abraçou, depois se recompôs e começou a contar o que havia acontecido, sua voz falhou algumas vezes e seu choro nunca cessava.
Pelo que Sue contou, Charlie voltava de uma reunião que havia acontecido em Portland, estava chovendo muito, os policiais relataram que um caminhão havia mudado de via e atingido o carro de Charlie. Por milagre, meu pai estava vivo.
Charlie estava com fraturas nas pernas e teve uma hemorragia interna. Ele ficou preso nas ferragens do carro, e a rapidez com que foi socorrido salvara sua vida. A hemorragia estava contida, mas ele ainda estava em risco. Havia perdido muito sangue e não foi possível realizar a cirurgia para correção das fraturas. Agora ele estava em observação e seu quadro nas primeiras 24h iria comandar o que aconteceria dali para frente. Foi o que disseram os médicos que o atenderam.
Eu liguei para Rosalie e lhe contei tudo que havia acontecido.
—Meu Deus, Bella! Amanhã mesmo eu estarei indo para Portland.
—Rose, você não tem que trabalhar amanhã?
—Eu posso ficar até mais tarde hoje e pedir o dia de folga, Emmett vai comigo. Não vamos te deixar sozinha.
—Obrigada, Rose.
Eu não estava em condições para contrariar, e seria bom ter a presença de Rosalie ali.
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Talvez aquela tenha sido a pior noite dos últimos tempos, não havíamos mais tido notícias, mesmo depois de ir perguntar a cada meia hora pelo estado do meu pai, eles não tinham informação para dar. Então eu optei pelo serviço particular, ainda que eu tivesse que pedir adiantamento do pagamento da editora, porque pelo que eu sabia Charlie não tinha condições financeiras para pagar. Mas, depois disso tudo mudou. Felizmente, consegui que ele fosse transferido para uma unidade intensiva com mais médicos e mais agilidade no tratamento, ele faria uma transfusão sanguínea antes de passar pela cirurgia.
Ao amanhecer, eu consegui vê-lo através do vidro. Não consegui ver muita coisa, mas o que eu vi foi o suficiente para me deixar pior do que eu estava, seu rosto estava cheio de hematomas, seu olho esquerdo estava inchado e arroxeado e ele tinha vários cortes pelo rosto, o lençol tampava seu corpo deixando somente seus ombros e braços a amostra, que também possuíam cortes e manchas roxas. O braço esquerdo estava apoiado por uma tipoia, mas as informações que o medico nos deu foi que havia sido apenas um deslocamento da articulação, mas que ainda assim deveria ficar imobilizado. Tirando tudo isso, Charlie não parecia estar lutando pela sua vida, ele estava sereno e eu não sabia se isso me tranquilizava ou me trazia mais medo.
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Rosalie e Emmett chegaram logo após das 9h da manhã, ofereceram abraços para nós e depois conversamos. Contei-lhes sobre tudo o que sabia sobre o estado de Charlie e que tive que muda-lo de setor para as coisas começarem a fluir, os dois ofereceram ajuda financeiramente o que eu já esperava que fizessem, Charlie era como um pai para Rosalie e eu podia ver como aquilo o deixara abalada também. Nós fomos para a cafeteira, apesar de eu estar apenas com o almoço do dia anterior no estomago, eu não tinha fome, mas deveria comer antes que precisasse ser socorrida também.
Enquanto nós estávamos sentados, o celular de Emmett tocou, eu juro que ele chegou a ficar pálido, se levantou rapidamente para atender. Quando voltou a se sentar, trocou um breve olhar com Rosalie e voltou a comer seu sanduiche. Vendo-o os ali, eu me sentia mais confortável, era impossível ficar bem, mas eu me sentia amparada e protegida.
Agora a dor e a angustia esmagavam meu peito, ainda era difícil de acreditar que tudo aquilo tivesse acontecido mesmo, foram as duas semanas mais terríveis da minha vida, nem o episódio com James havia me abalado tanto quanto eu estava naquele momento.
Eu havia construído barreiras para me proteger das lembranças de Edward, mas enquanto eu esperava mais noticiais de Charlie, olhando através da janela de vidro a chuva que caia, eu me permiti pensar nele, minhas lembranças foram tão longes que eu quase senti seus braços ao meu redor.
Charlie fez a transfusão sanguínea logo após o almoço, porque os médicos estavam localizando bolsas de sangue que fossem compatíveis com sua tipagem. Após, já era possível observar algumas alterações boas em Charlie e aquilo trouxe um certo alivio para nós.
A notícia havia deixado Sue tão tranquila que ela até pode desviar o assunto comigo para outras coisas, por exemplo perguntou como havia sido a entrevista pela TV, como estava sendo as vendas do livro, disse que Charlie comprou o meu livro em uma livraria em Portland e contou como ele havia ficado bravo por não ter em Forks, Charlie não havia perdido a entrevista no programa e não poderia estar mais feliz.
—Se não fosse por você, acho que ele nunca tocaria em um livro. –Sue comentou.
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Rosalie e Emmett haviam me avisado que eles precisariam ir embora naquele mesmo dia, infelizmente Emmett tinha uma audiência importante no dia seguinte e Rosalie precisava comparecer ao desfile da Louis Vuitton que aconteceria em Seattle.
Eu havia ido até a máquina de guloseimas comprar um café, e ela ficava mais afastada da sala de espera.
Então aconteceu uma coisa estranha. Eu o senti antes de o ver. Era como se meu coração reconhecesse sua presença, um arrepio percorreu desde minha cabeça até meu menor dedo do pé, quando eu ouvi sua voz, levou alguns minutos para minha mente processar.
—Bella?
Eu me virei lentamente, sentindo minhas entranhas estremecerem. Eu suspirei quando olhei para Edward. Eu não soube entender no primeiro instante tudo o que eu sentia.
Uma mistura de sentimentos. Eu senti a raiva brotar. Raiva por ele ter me deixado, raiva por ele estar mais lindo do que nunca e raiva por eu saber que ainda o amava. Era inútil eu tentar esconder de mim mesma, quando meu coração estava ali pulsando mais rápido do que nunca, quando a emoção estava engasgada em minha garganta. Eu não tinha porque mentir.
Mas, por que ele estava aqui? Eu não sabia exatamente se era só por Charlie ou por mim, mas ele estava aqui agora. E ele estava me olhando com o mesmo olhar da noite em que fomos jantar com seus pais, da noite em que fizemos amor, da viagem que fizemos de barco e da viagem para Forks. Amor. Mas também tinha arrependimento. Quando olhei melhor para seus olhos, vi a dor por trás daquele verde que eu tanto amava. Ele realmente parecia triste.
Ele andou até mim, meio hesitante levantou uma mão para mim. Quando eu toquei nela, senti um formigamento, meus olhos se encheram de lagrimas e no segundo seguinte eu estava com o rosto enterrado no seu peito. Edward me abraçou e me segurou. Uma coisa incrível aconteceu e eu não consegui segurar meu choro, seu coração batia tão rápido quanto o meu. Eu podia sentir. Ele me consolou e esperou que o choro angustiante cessassem. Estando ali, foi que eu pude perceber realmente a falta que ele havia me feito.
Edward me segurava tão forte, parecia querer me proteger e me manter ali, parecia que eu fosse correr e ele queria me manter por perto. Mas, o que ele não sabia é que eu não iria para lugar algum. Fui me acalmando aos poucos enquanto me concentrava no seu perfume e no toque suave e familiar no meu couro cabeludo.
—Me desculpe por isso. –sussurrei e me afastei dele.
Edward olhou bem no fundo dos meus olhos.
—Não tem o que se desculpar. Aliás, oi.
Eu suspirei.
—Oi, Edward. –era inacreditável dizer seu nome.
—Seria inútil eu perguntar como você está, eu sinto muito por tudo isso. –ele parecia não estar falando somente sobre aquela situação que estávamos.
Eu forcei um sorriso.
—Como seu pai está? –ele quis saber.
—Ele não está muito bem ainda. Charlie teve fraturas na perna direita, mais precisamente na altura do fêmur. Precisa de uma cirurgia, porém ele teve hemorragia interna, então precisou de uma transfusão sanguínea, que foi feita há duas horas. –passei a mão nos cabelos e depois cruzei os braços em frente ao peito.
—Suponho então que ainda não fez a cirurgia.
Balancei a cabeça negativamente.
—Ele precisa estar estabilizado. É uma cirurgia delicada... eu consegui um adiantamento do lançamento do livro e ele vai poder fazer assim que estiver pronto. Até hoje de manhã eu não tinha notícias dele, então pedi que fosse transferido para uma sessão particular. Depois disso me deixaram vê-lo através de um vidro.
Edward formou uma linha fina com a boca.
—Como foi o acidente?
—Foi um acidente feio Edward, ele está vivo por um milagre, um caminhão invadiu sua mão e o acertou em cheio. Ele ficou preso nas ferragens do carro.
—Wench me mandou as fotos do carro.
—Como? –indaguei.
—Quando Rosalie me contou o que acontecera eu pedi para ele buscar por mais notícias enquanto chegava aqui.
—Espere um momento... Foi Rosalie que lhe disse? Ela também pediu para você vir aqui?
Eu não pude evitar o tom amargo. Edward estava ali pelo meu pai, mas Rosalie havia lhe pedido para fazer isso?
—Não Isabella, ela não pediu para vir aqui. Eu vim porque quis. Eu vim pelo seu pai e por você.
Eu suspirei e mordi o lábio inferior.
—Se você se sentir incomodada eu posso ir. Eu só te ver, saber do seu pai e oferecer ajuda.
—Não! –disse rápida demais. –Eu quero que fique.
—Oi gente. –Emmett disse atrás de Edward.
Edward se virou e o cumprimentou, assim como Rosalie. Eles trocaram olhares misteriosos como de quem diz “Temos muito o que conversar.”
Eu peguei a mão de Rosalie e nos afastei dos dois.
—Onde esta Sue?
—Sue foi ligar para uns parentes.
Eu assenti.
—Porque você fez isso?
Ela suspirou. Sabia do que eu estava falando.
—Porque eu não iria suportar você passar mais um dia olhando incessantemente para a porta, ou em cada rosto que passar aqui você procurar Edward.
—Rose... eu não fiz isso.
Ela revirou os olhos para mim.
—Você quer me enganar ou está se enganando? Eu não implorei para ele vir até aqui. Quando fui até o escritório procurar por Emmett, Edward percebeu como eu estava nervosa e me perguntou o que havia acontecido. Ele me pareceu muito preocupado quando percebeu que tinha alguma coisa a ver com você, então eu contei. –eu suspirei e ela continuou. -Olhe, o que eu fiz foi avisa-lo, se ele está aqui é porque ele quis, Bella.
—Rosalie, você deveria ter me perguntado sobre.
—Eu não sabia que ele viria, Bella. Quando eu contei, ele não mencionou nada, simplesmente agradeceu pelo aviso e entrou em sua sala.
—Tudo bem, acho que eu estou melhor com ele aqui. –admiti.
—É claro que esta. –ela disse e me abraçou logo em seguida.
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Tudo era muito confuso. Ver Edward ali me trazia recordações dolorosas, e ao mesmo tempo boas. Ele estava diferente da última vez que o vira, na verdade parecia que era o meu Edward ali, aquele mesmo gentil e bondoso, aquele que conseguia mudar qualquer situação ao meu redor. Sue ficou extremamente feliz ao vê-lo ali. Infelizmente, Rosalie e Emmett, teriam que voltar para Seattle, por conta do trabalho, Emm cuidaria do escritório enquanto Edward estivesse fora.
Obvio que eu insisti que isso não seria totalmente necessário, eu ficaria apenas com Sue ali, mas Edward se opôs e em tom de suplica me pediu para ficar também, eu via em seus olhos como ele queria estar ali e o arrependimento, eu sentia que ele ainda tinha algo para falar, mas por hora nos ficamos somente ali pelo meu pai.
—Bella, me desculpa mais uma vez por ter que ir.
—Não se preocupe com isso Rose, eu entendo e agora...
—Agora você tem companhia. –ela piscou para mim. Eu suspirei.
—Só espero que as coisas não fiquem pior do que estão.
—Se você está se referindo ao Edward, pelas minhas intuições e experiências aquele homem está aqui por algum proposito além de visitar seu pai. A forma que ele te olha, ah Isabella, não seja ingênua.
Eu pensei sobre aquilo.
Edward e Emmett estavam mais ao longe, ele estava com minha mochila nas costa. Eu olhava para ele, até que Rose chamou minha atenção
—Ei, eu sei que você deve estar confusa. Mas, escute o que ele tem para falar.
—Rose, eu não tenho cabeça para isso...
—Eu sei, agora você não tem, mas provavelmente quer muito saber o que ele tem para falar e eu posso sentir que ele tem muito a dizer.
—Rose? Vamos! –Emmett a chamou.
Ela assentiu e me embalou em um abraço.
—Se cuida e cuide de Charlie, qualquer novidade me avise, está bem?
Eu concordei.
—Se cuide também.
Emmett também me abraçou e depositou um beijo no alto da minha cabeça.
Eu vi eles partirem ao lado de Edward. Agora que estávamos sozinhos, eu me sentia ansiosa e nervosa, Edward provavelmente percebeu, mas não mencionou nada. Ele sugeriu que fossemos guardar a mala que Rosalie havia trago para mim, em meu carro.
No caminho, nós nos mantivemos calados, até que ele finalmente quebrou o silencio.
—Eu vi você na TV. –ele disse e olhou para mim. Sorrindo torto.
Sorriso. Torto.
Eu suspirei.
—Deve ter sido péssimo.
Ele gargalhou. Aquele som aqueceu meu coração.
—Obvio que não. Aliás eu ia te perguntar de onde você tirou tanta persuasão, autoridade e segurança, você parecia que lidava com isso todos os dias. Foi incrível.
—Rosalie me treinou pesado, ela me passou um discurso, e um manual com as possíveis perguntas que fariam e as respostas, então nós ensaiávamos juntas.
—Um trabalho intenso. Rosalie mandou bem. –ele disse olhando ao longe, e depois voltou a me encarar. –Você estava linda Isabella, até seus olhos brilhavam de uma forma diferente. Você nem precisava de holofotes para se destacar.
Eu sorri tímida.
—Obrigada... Alice providenciou muita coisa.
Ele balançou a cabeça como se soubesse de tudo. Provavelmente sabia.
—Foi uma experiência incrível, todas aquelas pessoas interessadas, fazendo perguntas... fora os fãs. Meu Deus, dá para acreditar nisso?
Ele sorriu diante do meu entusiasmo.
—Você merece, lutou muito para que tudo isso fosse possível.
—E eu não conseguiria sem sua ajuda. Obrigada. –ele não sabia, mas também havia sido minha principal inspiração, além de meu advogado.
—Não tem o que agradecer. Eu comprei meu exemplar, e ficaria grato se você pudesse autografar.
Eu ri, mas sem pretensão. Foi impulso. Ele me olhou confuso.
—Desculpe, é só que é estranho você me pedir um autografo.
—Porque? Seria uma honra ter um exemplar autografado.
—Deixa para lá. –eu disse rindo ainda. -Eu faço para você.
Ele sorriu satisfeito.
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