Somebody to love.
3 Cócegas, só?
Notas iniciais
– Pode ser na minha casa, claro, se você estiver de acordo. – Eu não estava nem um pouco a fim de deixá-lo saber que meu pai era extremamente possessivo e ciumento. Nem nos últimos tempos ele iria me deixaria sair pra casa de um amigo, seja ele quem for.
– Tudo bem. Podemos começar amanhã? Tão dizendo por aí que a próxima aula de espanhol terá teste surpresa.
– Tá bom. Vou anotar meu endereço e amanhã depois da aula nos encontramos. – Anotei em um pedacinho de papel e o entreguei.
– Uau, amanhã vou pra barra, então!? Que chique. – Ele riu. – Te encontro amanhã, argentininha. – Ele saiu fazendo algum sinal com a mão, o qual, eu não consegui decifrar.
Tomás era diferente, não fisicamente. Tá, talvez fisicamente também. Mas ele parecia ser diferente. Seus olhos claros infiltravam na alma, o que era bizarro. O sorriso, ah, o sorriso era, de perto, o mais belo. E seus cabelos negros. Negros e curtos. Eu estava definitivamente encantada.
–-
As aulas acabaram e finalmente eu iria pra casa. Mas hoje, em especial, o dia seria mais alegre, eu acho. Meu pai sabia que Tomás e meu íamos estudar em casa. Mas o fato era, eu não sabia qual seria a reação dele quando chegássemos em casa.
– Vamos! – Tomás pegou em minha cintura tentando me “puxar” para frente.
– Os brasileiros são todos assim? – Ri.
– Assim como? – Ele tirou suas mãos de mim, e ganhou um tom de seriedade no mesmo instante.
– Assim, tão... – Me faltava uma palavra certa para acabar a frase.
– Tão?
– Tão... Tão animados.
– Ah, depende. – Ele riu. – Acho que não importa a nação, sempre terão aqueles pau no cu.
– Pau no cu? – Ri descontroladamente.
– Gíria brasileira. – Rimos Juntos. – Mas sério, vamos. Não posso demorar muito, nem você!
Chegamos em frente ao portão de casa. Eu estava fria, com medo. Minha barriga parecia ter centenas de borboletas e minha cabeça só conseguia imaginar uma coisa: meu pai.
– Pai? – Sussurrei. Mas que diabos estava fazendo? Se ele estivesse em casa, não iria ouvir um leve sussurro. – PAI? – Dessa vez, gritei.
– Vilu, seu pai saiu. Disse que foi cuidar de assuntos importantes. Tô lavando algumas roupas. Precisa de algo? – Olga gritou parecendo estar ocupada e ofegante.
– Ah, beleza. E o Ramalho, foi junto?
– O Ramalho, ah... – Ela não conseguiu terminar a frase. Também, não me importei muito, confesso.
– Ok, vou estudar. Qualquer coisa, já sabe...
–-
– É, esse é meu, meu quarto. – Gaguejei um pouco com receio.
– Rosa, branco... Hum. – Ele fitava todos os cantos possíveis e impossíveis do quarto.
– Que foi? – Falei, embaraçada.
– É um quarto bem feminino.
– Ah, ufa! – Respirei aliviada. – E você queria o que? Uma decoração preta com caveiras e fotos de bandas de rock? – Fiz careta sem ao menos perceber.
– Que bonitinha, ela tem expressão. – Ele apertou minhas bochechas. — E não, não esperava nada disso. A não ser, que você fosse uma metaleira, que não é o caso. Eu acho que não. É?
– Creio que não. – Rimos juntos. – E no seu caso?
– Como assim? – Não queria ser rude, mas estava mais que claro que Tomás não era o tipo de garoto nerd da sala.
– Que tipo de música você curte? É assim de falam aqui, né? – Ri cabisbaixa.
– AH, não tinha entendido a pergunta. – Ele riu. – Curto de tudo.
– De tudo? 1001 utilidades então? – Ri desesperadamente.
– 1002, modéstia a parte.
– Ui, superpoderoso.
– Filha, ainda não te mostrei nem metade dos meus poderes. – Não entendi bem a ironia da frase, mas pude sentir uma certa tensão. Ele estava flertando comigo? Ou era só um modo de acabarmos com a tensão e ficarmos mais íntimos?
– Então me mostra. Eu já sei um, haha.
Ele deu alguns passos largos até chegar ao meu lado. De repente, sem demora, grudou em minha cintura fazendo cócegas e rindo como um anjo.
– Idiota. Não gosto de cócegas. – Tentei ser chata, mas não fui tão convincente.
– Bom, agora só falta você conhecer meus outros 1000 poderes. – Ele piscou.
– Beleza, tá. Agora vamos ao que interessa. Gramática.
– E espanhol, apressadinha.
– Como quiser. – Rimos.
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