Somebody to love.
4 Horas de estudo, minutos de segurança.
Notas iniciais
Tomás’s pov
Estudamos espanhol por horas, e o modo como Violetta pronunciava as palavras eram como um tapa pra mim, por não conseguir falar e por não entender nada. Ela era delicada, e ao mesmo tempo um furacão. Seus cabelos castanhos na altura dos ombros interpretavam a cena mais bela ao cair em seu rosto.
– Tá entendendo? – Ela disse, suavemente, como se estivesse em câmera lenta. Não pude parar de olha-la. Fitava cada misero movimento que ela fazia, e até mesmo o modo como piscava.
– Oi? Desculpa, não escutei. – Retruquei.
– Entendeu algo da “aula de hoje?” – Ela fez aspas com os dedos sorrindo.
– Sim, metade, pelo menos.
– Já é um bom começo. – Ela sorriu delicadamente e seus olhos ficaram semicerrados por segundos.
– É, um ótimo começo, professora Violetta.
– Ah, não brinca com isso. Sou nova demais. – Gargalhou.
– A professora Lara também parece ser nova. E como parece. – Disse maliciosamente.
– Tenho que concordar. – Rimos. – Outro que também parece ser novo é o professor Leon.
– Sim, ele é. – Notei que Violetta tinha ganhado uma expressão involuntária de nojo ao falar sobre Leon. – Mas qual é, vocês não se curtem?
– Sei lá. Ele é meio difícil, né?
– Defina difícil.
– Ah, não sei. Só sei que ele provavelmente não foi com a minha cara. Me tratou com ironia e em 90% de nossos pequenos diálogos, ele é sarcástico e grosso. Resumindo, um ogro.
– Tadinho, não é pra tanto. Deve ser porque ele não te conhece e fica com receio de mostrar que é uma boa pessoa.
– Receio? Do que? Não entendo o porquê de um professor ter receio! – Violetta já estava frustrada, e um tanto alterada também.
– De ser mostrar uma pessoa boa, e os alunos montarem nele, fazerem da aula dele uma festa. Sei lá. – Tentei acalma-la.
– É, deve ser isso. Tem que ser isso.
– Vamos mudar de assunto, vai.
– É, melhor mudarmos de assunto mesmo.
Violetta’s pov.
Estava tudo indo bem, até... Até Tomás tocar no nome do monstro do professor, que porra. Não sei o porquê de eu o odiar tanto. Talvez por culpa de seu comportamento com a aluna nova. Aluna nova uma ova, eu exijo tratamento igual. Exijo.
– Então, Vilu, e seus pais?
– Ihhh... – Dei uma pausa na fala.- Quer que eu comece contando minha história por qual familiar? – Ri ironicamente.
– Sei lá... Escolhe você.
– Beleza. Só não se assuste, sério. – Conti o riso.
Eu não sabia por onde começar. Será que se eu abrisse o jogo agora ele iria me achar uma louca? Ou pior, achar que não só eu, mas todos que da minha família são malucos que se mudaram para o Brasil? Tentei resumir ao máximo.
– Bom... Morávamos em Buenos Aires meu pai, minha mãe e eu. Erámos uma família, como posso dizer... feliz, adorável e bla bla bla. Minha mãe tinha mais um casal de irmãos: Angie e Pablo, ambos criados em Madrid. Quando meus tios voltaram a Buenos Aires, eles entraram em conflito porque os três, brigavam pela herança do vovô. Meu pai e meu tio em um jantar em família entraram em um conflito, e minha avó acabou o expulsando de casa alegando que tal tinha acabado com o “clima familiar”. Meses se passaram e ninguém tinha noticias do tio Pablo, até que, por repleto impulso, ele contratou capangas parar matar meu pai. O tenso foi que... – parei de falar, pensar e fixei meus olhos na cortina e em como ela subia quando o vento batia.
– Cedo demais pra me contar a história toda? – Tomás passou a mão sobre a minha.
– Não, não é isso. É que eu nunca me abri tanto assim pra ninguém. Quer dizer, ninguém que eu acabei de conhecer.
– Ah, entendi. – Tomás tinha o semblante desapontado.
– Não, não é com você, juro. – Tentei anima-lo.
– Faz assim, eu conto um pouco da minha história e quando/ou se sentir melhor, você acaba de contar a sua. Tá?! – Apertou minha mão.
– Ótima ideia.
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