Somebody To You
11 O Caso de Levy Mcgarden. - Minha vida é um conto de fadas...ou não.
Notas iniciais

Às vezes, o ficcional é mais interessante do que o real. Era nisso o que eu acreditava, e sempre havia acreditado desde que aprendera a ler. Por que nas histórias, as possibilidades eram infinitas, algo de incrível sempre acontecia; o protagonista, por mais invisível que fosse, tinha um quê de especial. Narrativas fantásticas, dramas, romances...
Mas a maioria das pessoas não vivia aventuras e histórias de amor como nos livros. Especialmente eu, que nunca tive uma vida lá muito movimentada e interessante. Sempre fui feliz, mas a rotina era tão... comum, quando comparada às novelas, que às vezes perdia a graça, esse mundo tão cinzento. E talvez isso fosse a frustração de todo leitor. Então não era raro eu decidir passar um dia na biblioteca, onde podia me apropriar de todas as emoções que não eram verdadeiramente minhas.
E mesmo com isso, eu não me satisfazia. Por que o que eu queria, era a minha história. E não precisava ser algo tão incrível, apenas que mexesse comigo, tirasse meus pés do chão. Algo que fizesse minha vida se interessante o suficiente para valer uma lida.
...
Prazer, Levy Mcgarden. Talvez eu não seja quem você esperasse, se me conhecesse antes disso. Não sou muito do tipo que chama atenção: minha estatura nunca ajudou. Mas sempre tive o que precisava: amigos, família, educação.
Cresci em sempre vivi não com meus pais, mas sim com meus tios maternos. E nunca tive muitas lembranças de como os meus pais eram, não chegamos a passar muito tempo juntos. Pelo pouco que sabia, eles eram pesquisadores, assim como os meus tios, e morreram em um de seus voos.
Com a companhia de meus amigos de infância, tudo sempre correu bem. Jet e Droy me proporcionavam a segurança e incentivo que muitas vezes me faltavam. E não houve um momento, que eu me lembre, em que eles não estiveram ao meu lado. Muitos me perguntavam se eu não me cansava, mas eu não os considerava perseguidores nem algo do gênero: talvez apenas se preocupassem demasiadamente comigo. Em muitas situações, eles demonstravam esse lado claramente.
Depois do incidente no restaurante, ocorreu um desses episódios. Bem, eu ficara verdadeiramente um pouco assustada. O modo como o tal do Gajeel acusara Gray sem provas algumas, e quase partira para cima do mesmo me deixara afobada. E mesmo que Gray parecesse pronto para a briga, Juvia conseguiu intervir.
A garota havia chegado na cidade poucas semanas atrás, morava sobre o mesmo teto que Gray e perecia ter bom caráter. Me impressionara o modo como ela fora capaz de controlar o grandalhão, de modo que alguns minutos depois deles saírem, ele ter voltado para se desculpar com a turma.
Assim como a Juvia, o garoto cheio de piercings tinha um passado que poderia ser considerado duvidoso. E apesar da garota já ter sido aceita e a maioria dos alunos presentes no restaurante terem acabado por perdoar Gajeel, tal característica física do mesmo, além de seu tamanho e o modo como me provocara mais cedo não ajudaram em nada a fazer Jet e Droy tirarem a culpa dele. Mesmo que eu também vivesse sobre uma superproteção em meio a esses dois, ainda me intimidava um pouco com o garoto.
Tudo, desde o modo como ele falava, seus cabelos longos, o jeito desajeitado que ele deixava o uniforme, a brutalidade com que ele empurrara Gray na parede, me passavam a ideia de perigo. E eu tinha receio disso.
Juvia sumira e não voltara por um longo período. A garota era interessante, pelo modo como amava verdadeiramente nadar, e também pelo jeito peculiar de chamar a Gray acrescentando o “-sama”. Ela parecia ter uma antipatia por Lucy, quem eu poderia dizer ser a minha melhor amiga. E, no dia que chegara à escola, ela me parecia muito amigável, então isso me chamou a atenção. E de Lucy também.
A loira ficara um pouco preocupada, chegando a me perguntar se havia feito algo de errado. Em minha opinião, eu dissera, acreditava ser aquele tipo de antipatia natural que sempre se tem por alguns. Mas Lucy parecia determinada a reverter a situação.
Gajeel acabou por ir atrás da garota, com quem voltou cerca de meia hora depois. Alguns dos nossos colegas já haviam ido embora, mas eu e os garotos preferimos esperar por eles. O moreno novamente se desculpou, curvando-se e defendendo a amiga. Isso me impressionou em uma pequena porcentagem, o suficiente para tentar enxergar seu rosto por cima dos ombros de Jet.
E nossos olhares se cruzaram. Os milésimos de segundos que se sucederam até eu desviar o rosto foram suficientes para que uma descarga elétrica tomasse o meu corpo. Aquele garoto definitivamente era perigoso.
Depois de algumas horas, mesmo que ainda antes da maioria, eu, Jet e Droy nos retiramos do local. Já estava ficando tarde e cada um de nós tinha seus respectivos compromissos. Ao chegarmos ao metrô, era a hora de nos dividirmos. Droy e Jet moravam do lado oposto da cidade.
– Tem certeza que não quer que nós acompanhemos você até sua casa? – perguntou Jet.
– É Levy, é mais seguro assim.
Os dois pareciam inquietos ao esperarem a minha resposta. Não era para menos, na maioria das vezes eu recusava tais ofertas. Nesses momentos eu realmente me irritava com tal superproteção. Eles agiam como se eu fosse completamente frágil e passiva em situações de perigo. Pareciam acreditar que, pela minha estatura, personalidade, ou simplesmente por ser uma garota, eu era totalmente indefesa.
– Não, obrigada. – respondi.
E com um suspiro eles se dirigiram aos seus próprios vagões. Pelo menos dessa vez eles não haviam insistido.
Antes de voltar para casa, me dirigi à uma pequena livraria qual o dono eu conhecia. Enquanto tomava um café, folheei o livro de Aghata Christie que eu pegara em uma das prateleiras. E me debrucei sobre a obra por mais tempo do que desejava.
Lembrando-me do horário que meus tios pediram para eu voltar para casa, me apressei para pegar o vagão seguinte. Por ser fim da tarde, horário de pico, havia mais gente do que o habitual. Mas ainda sim eu consegui encontrar um local para me sentar. Como não havia muito o que fazer até a chegada, fiquei observando as janelas do vagão. As luzes no teto refletiam as imagens e pessoas no vidro. E, ao ver o vagão com totalidade e me virar para ter certeza, notei Gajeel Redfox do lado oposto do veículo.
Ele não parecia ter me percebido: estava com a mochila nas costas e headphones observando o lado de fora dos vagões. Assim como eu estivera. Por algum motivo desconhecido, ele havia ajeitado o uniforme e prendido os longos cabelos (com certeza bem maiores que os meus). Eu o mirava, e, toda vez que ele parecia se voltar em minha direção, eu fingia estar fazendo algo.
Me senti novamente intimidada e pensei se não teria sido melhor aceitar a oferta de Jet e Droy. Não achava que o garoto fosse fazer nada comigo, mas precaução nunca era demais.
Minha esperança era de que, quando eu pegasse meu segundo vagão (eram dois até chagar em minha casa) eu me separasse dele. Mas parece que ela não foi atendida, por que depois de me apressar para não ser vista, eu me deparei com o garoto novamente, só que dessa vez um pouco mais próximo. Suas viradas de cabeça foram ficando cada vez mais frequentes ao ponto de eu não poder observá-lo pela maioria do tempo, até que ele pareceu estar tentando prender o riso. Com um sorriso sarcástico, ele baixou os olhos e voltou a mexer em seu celular.
...
Finalmente tendo chegado à estação mais próxima ao meu destino, saí junto com a multidão, evitando as chances de esbarrar com ele. Não tinha certeza se ele havia me visto ou não, mas não viera me cumprimentar. Por isso e por não conhece-lo verdadeiramente, não me senti tão culpada ao fingir não tê-lo visto.
Busquei um dos caminhos mais indiretos de saída para não encontra-lo. Já andando na rua que levava à minha casa, notei novamente a presença próxima de alguém. Não havia muito mais gente caminhando ali naquele momento. E, sem me virar, já sabia quem era. Apertei o passo. Não sabia e nem queria saber o porquê dele estar vindo para a mesma direção que eu. E, dessa vez, ele obviamente me notara.
– Alguma chance de você estar me seguindo, baixinha? – indagou.
Parei onde estava, me voltando para ele. De qualquer modo, já havia chegado à residência.
– Pergunto o mesmo. O que você quer aqui?
O garoto deu uma risada.
– Eu trabalho aqui. – afirmou apontando para a grande casa amarela alguns metros à frente.
Casa essa, por acaso, a mesma para a qual eu me dirigia.
– Você o que?
...
Depois de tal declaração reveladora, eu entrara na casa para perguntar minha tia do que tudo aquilo se tratava. Ela, que estivera até então sentada no sofá da sala de estar tomando café, levantou os olhos lentamente. Pareceu levemente surpresa ao notar o garoto ao meu lado.
– Parece que você já conheceu o Gajeel. – disse ela.
– Como assim? Era para eu conhecê-lo em algum momento? Ele vai mesmo trabalhar aqui?
Gajeel, antes postado atrás de mim, foi até o lado da minha tia. Ele tentava não rir da minha cara.
– Levy, — começou ela. – você sabe que eu e seu tio passamos a maior parte do tempo viajando. Além disso, o jardineiro teve de se mudar, então precisamos de alguém que além de cuidar da casa, mantenha o jardim em bom estado e possa cuidar da área exterior da casa. E o Gajeel, que estava se mudando para cá, viu o anúncio que nós colocamos no jornal. Ele está disposto a fazer tudo isso. Além do mais, ele vai estudar na mesma escola que você, então ele pode te acompanhar no lugar de Jet e Droy. Nos já conversamos, ele também vai cuidar da sua segurança, mesmo que não seja pelo que esteja sendo pago diretamente.
Eu não acreditava no que eu ouvia.
– Tia, eu posso cuidar de mim mesma. – eu controlava a voz.
E como assim? Ele, o garoto que perdera o controle e quase batera em outro que na mente distorcida de dele era algum tipo de cafetão, ia cuidar da segurança da nossa casa e de mim?
– Não é como se ele fosse te seguir nem nada. Mas se alguma coisa acontecer, ele vai estar lá.
Bufei de irritação. Gajeel exibia um sorriso torto. Curvou-se em posição de respeito.
– Será uma honra trabalhar para a senhorita.
O garoto obviamente estava tirando uma com a minha cara. Mas minha tia não parecia não perceber isso, sorrindo com orgulho do mesmo. Agora estava claro o porquê dele ter se arrumado todo antes de chegar aqui. Ignorando a raiva, esperei ela terminar sua explicação.
– Enfim, ele passou aqui mais cedo para deixar suas coisas. Ele vai morar na casa dos fundos. Mas como vocês se conheceram?
O silêncio se fez presente. Gajeel sabia que se eu abrisse minha boca para falar o que havia ocorrido, havia grandes possibilidades dele ser demitido antes mesmo de começar o trabalho.
– Eu...
– Ele estudava no mesmo colégio que uma garota da minha sala. Quando estávamos saindo da escola, encontramos com ele. Almoçamos juntos.
O garoto levantou as sobrancelhas enquanto olhava para mim. Ele tinha uma expressão que misturava surpresa e agradecimento. Verdadeiramente, eu não tinha um grande motivo para omitir a verdade, mas não tinha coragem de fazê-lo perder o emprego antes mesmo de ter certeza sobre a sua personalidade. E talvez o olhar de apreensão dele tenha me comovido um pouco.
Se eu me arrependesse, seria por que ocorreriam outros episódios como o de mais cedo. Eu ainda poderia usar mesmo argumento caso por algum motivo quisesse tirá-lo de lá. Isso me tranquilizava imensamente.
– Foi por isso que eu te pedi para chegar mais cedo hoje. Mas já está chegando a hora do jantar. Vá tomar seu banho que mais tarde nós conversaremos sobre isso.
E seguindo sua ordem, me retirei do aposento. Sentia o olhar de Gajeel sobre as minhas costas, mas busquei ignorar. Eu não sabia exatamente como seria viver com ele ali, mas esperava que fosse mais tranquilo do que parecia.
...
Depois de um jantar demorado e de ficar algumas horas fazendo deveres, meu tio pediu para que eu ajudasse Gajeel e o explicasse tudo em que ele tivesse dúvidas. Como eles partiriam no dia seguinte, eu me estabeleceria como a “patroa” oficial, na falta de uma melhor. Não muito tempo depois, minha tia pediu que eu fosse a “casa” do garoto para ver se ele precisava de alguma ajuda com a localização das toalhas, etc.
E apesar de não querer muito, eu fui. A casa dos fundos era basicamente uma mini casa ao lado da piscina. Não tinha nem cozinha nem saguão, coisas do tipo. Era um quarto e um banheiro. Gajeel, assim como a cozinheira, comia suas refeições em um local separado. Mas era o único empregado a morar na casa, então não teria a quem perguntar.
Bati na porta, e não havendo resposta, abri-a lentamente. Era possível ouvir uma conversa por telefone. Não querendo me intrometer, mas já o fazendo, parei em um dos cantos em silêncio, meio escondida atrás de um armário, para ouvir. Talvez servisse para confirmar ou não a sua confiabilidade.
Eu não conseguia ver o garoto, que provavelmente estava do outro lado do quarto, mas tinha visão parcial de sua cama e de seus pertences espalhados. Ele trouxera uma TV pequena junto consigo, além de um instrumento que eu imaginei ser um violão.
– Sim, Juvia, está tudo bem por aqui. – ele afirmava parecendo cansado. – Ah, agora você lembra do Lily? Sim, ele está bem.
Eu não fazia a menor ideia de quem Lily seria. O nome parecia-me feminino, mas Gajeel dissera que ele estava bem. Talvez fosse algum animal de estimação. Um pitbull, o mais provável. E com seu gosto estranho, Gajeel escolhera o nome Lily.
– Ah, e parece que os donos da casa são os tios daquela pequenininha... Levy. – me irritei levemente com o comentário. – Mas isso eu explico depois. Não, ela não sabia. Ficou meio surpresa. .... O motivo de eu ter vindo para cá? Eu já te disse, estava um tédio sem você. Ok, então você não acredita que tenha sido só isso...Tiveram outras coisas sim, mas...
O garoto parou de falar lentamente. Minha esperança era que ele estivesse relutante em responder, mas segundos depois eu fui puxada pelo braço para fora do meu esconderijo, esbarrando contra Gajeel.
– Eu ligo mais tarde, Juvia.
No meio tempo entre ele desligar o celular e se voltar para mim, ele me soltara. E eu me afastara. Com essa súbita proximidade, eu notara o quão grande Gajeel era. Talvez se comparando a Laxus.
– Interessante a conversa? – ele indagou ironicamente.
Me fiz de ignorante.
– Como? Eu acabei de chegar.
– Uhum, e eu na verdade não vim aqui para trabalhar, e sim só para ter chance de assaltar a casa. – ergui as sobrancelhas. – É mentira!
Ele parecia surpreso por eu ter realmente acreditado. Riu um pouco enquanto se recompunha. Enquanto eu circulava pelo quarto, vi Gajeel pegar algo no chão e segurar em seus braços. Tentei identificar o que era.
– Meus tios querem saber se você precisa de ajuda com as toalhas... Espera aí, o Lily é um gato?! – não consegui segurar a pergunta.
Eu era muito idiota.
– Ah, então você não ouviu nada, não é?
Corei de vergonha. Mas ainda tinha meu trunfo.
– Não ouvi e nem vi nada mais cedo. Com o Gray, ou melhor, o gigolô.
– Verdade. Estou a seu dispor, senhorita. – ele concordou com a cabeça.
Ele não perecia estar verdadeiramente chateado por eu ter escutado. Mas acho que fora apenas por eu não ter ouvido nada de importante.
– Senhorita?
– Ou você prefere de outro jeito, “Levy-sama”? Tem a mesma tara do seu colega?
Não consegui segurar a risada. Tadinho do Gray. Limpei a garganta.
– Pode me chamar normalmente. Até por que claramente você não tem uma grande quantia de respeito por mim. Enfim, sobre o gato.
– Ah, sim. Eu já falei com seus tios. O nome dele é PantherLily.
Observei enquanto ele fazia carinho no animal. E, estranhamente, eles combinavam. O gato era completamente preto, e tinha uma cicatriz na parte superior do rosto. Só tinha uma coisa estranha:
– Por que ele se parece tanto com um panda? E por que PhanterLily?
Ele suspirou.
– Lá vem você que nem a Juvia. Não sei, ele nasceu assim. E PhanterLily é legal.
Só se for na concepção dele.
– E não preciso de ajuda não.
Ficamos em silêncio. Precisei tomar um pouco de coragem para dizer o que queria.
– Mas você sabe que o Gray não fez nada, né?
– Eu sei, eu sei. Eu ainda não consigo confiar totalmente, mas ainda é meio estranho essa história de nome, não é?
Concordei com a cabeça. Mas eu sabia, e acreditava que ele já estava chegando a essa conclusão, que Gray era totalmente inocente.
De longe, avistei algumas roupas saindo do armário. E com minha mania de arrumação, fui lá ajeitá-las. Ao me aproximar, peguei uma delas.
– Baixinha, acho melhor você não fazer isso...
O meu grito enquanto jogava a roupa em cima do garoto, graças a deus, não foi o suficiente para chamar a atenção de meus tios. Mas foi bem alto.
– Seu... Indecente! – eu não sabia que palavras usar.
A peça era nada mais nada menos que uma cueca boxer preta.
– Eu falei para não mexer aí. Ge-he.
Achei que depois daquilo não havia muito mais a ser dito. A cara nem um pouco envergonhada dele, meu embaraço... Virei-me, e acenando com a mão, parti para o meu quarto em silêncio.
...
A noite foi relativamente tranquila, considerando os acontecimentos do dia anterior. O que não foi tão tranquilo foi a minha manhã.
Depois de acordar como habitualmente, me arrumar e tomar café, me despedi de meus tios e encontrei o moreno me esperando na porta da frente. Depois dos mais recentes acontecimentos, não conseguia mais considerá-lo ameaça imediata.
– Nós vamos juntos? – indaguei.
– Achei que você não fosse se importar.
– Não... tudo bem.
Caminhamos lado a lado até o metrô, e era perceptível o nervosismo do garoto. Apesar de toda a sua pose de durão, ele demonstrava se importar com a situação.
– Acho que... Todo mundo entendeu o que aconteceu ontem. Digo, eu sei que talvez algumas pessoas estejam receosas, mas vai ficar tudo bem.
– Obrigado, Levy.
O modo como ele usara meu nome diretamente me fizera corar.
– E o “senhorita”?
– Você mesma disse que eu poderia chama-la normalmente. – ele assumiu sua feição provocativa novamente. — E, quando nós saímos de casa, eu posso até ter de te defender, mas eu não sou mais seu empregado nem nada do tipo, nanica. Já entendi que você prefere os apelidos.
O garoto, mais uma vez, conseguira me irritar. E ao chegarmos à escola, mais uma confusão se instaurou, com o nosso encontro com Jet. Ele não acreditara muito na história que busquei explicar.
– Mas Jet! O que eu estou falando é a verdade! Eu mesma estava irritada com ele ontem, como você acha que eu viria para ele para a escola sem um motivo?
Gajeel não parecia estar ligando muito para a discussão, parado ao meu lado encostado em umas das paredes perto da sala de aula. Mais cedo ele visitara a sala do diretor e terminara com a papelada. Por sua proximidade com Juvia, ele fora transferido para a nossa sala também. No caminho de volta para nossa turma, esbarramos com o ruivo.
– Isso não importa! – ele se meteu no meio de nós, afastando Gajeel forçadamente. – Saia de perto da Levy! Só por que ela é pequena, você não pode achar que...
Eu acho, — disse o grandalhão voltando a ficar do meu lado. — que você subestima muito a Levy. Ah, e outra coisa.
Eu já sabia que o que viria a seguir iria dar confusão. Gajeel apenas se aproximou mais, colocando um de seus braços em volta dos meus ombros.
– Se você não quer acreditar nisso, — ele se abaixou até estar da minha altura. – não me importo se você quiser deixar a sua imaginação fluir.
Gajeel então tascou um beijo em uma de minhas bochechas.
E foi embora, simplesmente. Deixando um Jet descontrolado e eu, um garota que teve de se apoiar na parede para não cair, com os novos choques que tomavam meu corpo.
Então, eu constatara com amargura, eu definitivamente estava arrependida de tê-lo deixado ficar na minha casa. Mas já era tarde de mais. Eu havia embarcado em um caminho para nunca mais voltar.
Fale com o autor