Somebody To You

12 O Caso de Juvia Lockser. - E agora a folga acabou!


Notas iniciais
Então gente, eu não tive tempo suficiente para postar isso no domingo. Eu sei, eu sei... que tem gente que quer me matar kkkk. E as minhas justificativas não são novas nem nada: tempo, internet, etc, etc. Mas me perdoem. Pensem assim, esse capítulo tem o valor de dois (cinco mil palavras...). Eu não tenho tempo para fazer todos os agradecimentos formais agora, mas aos que favoritaram, obrigada! E que bom que vocês gostaram do primeiro capitulo de Gale. Amei os comentários. Acho que todo mundo se animou um pouco com a nova história, por que foram vários. Vocês viram a nova capa? Gostaram? Aí dá pra pensar: nossa, a autora se envolveu para fazer tudo isso... bem, se eu me envolvi, não fui só eu, com certeza. E é por isso que eu tenho de agradecer à Brigtter-chan, minha leitora fiel! Kkkk Toda a parte da edição foi por conta dela, já que eu sou um fracasso ;). E acho que todo mundo já deve ter percebido que eu já falei dela algumas vezes, mas é por que eu falo muito com ela sobre a fic (e várias outras coisas). Ela que inventou a abreviação do nome da fanfic, fez a capa, discutiu as shortfics comigo... E eu só como pão-de-queijo e ela só dorme e come, então temos tudo a ver (gente, isso é piadinha interna). Enfim, boa leitura!

Eu definitivamente não gostava das sessões de videogames dos garotos. Melhor dizendo, eu gostava, mas não pelo motivo esperado. Os videogames distópicos e de guerra que Natsu e Gray pareciam amar tanto – e nos quais eu notavelmente era um fracasso -, não me interessavam tanto. Mas a companhia dos dois, a possibilidade de passar mais tempo ao lado de, e estar mais próxima de Gray, já fazia aqueles momentos valeram a pena.

Natsu, como prometido, não apenas viera rápido, mas sim dois dias depois, no sábado. Supostamente para me ensinar. Por que depois de um certo tempo, ele desistira de ficar só me ajudando e passara a discutir fervorosamente com Gray, enquanto avançavam de níveis. Em certos momentos ele ainda me estimulava a tentar, me passando o controle e me indicando o que fazer, até perceber que eu só mataria o personagem.

– Oh, desculpe. – disse sem realmente me sentir triste, mas sim um pouco envergonhada.

Natsu tomou o controle das minhas mãos.

– Eu já te disse, Juvia, você tem que mirar com o botão X, atirar com o Y... – ele pareceu perceber o modo como eu estava totalmente alheia ao que me era dito. – Tá bom, desisto de você.

Levantei com um pulinho e me sentei do outro lado do quarto. Preferia só assisti-los. Como a ideia era passarmos a maioria da tarde ali, havíamos trazido para o cômodo do Fullbuster diversos lanches. Peguei alguns chocolates e fiquei comendo-os, encostada na parede.

Os fins de semana eram o único momento em que tínhamos tal luxo. Por ordem de Ur, e para nos mantermos em forma, as refeições nunca eram artificiais ou gordurosas. Sendo assim, Ultear me explicara, final de semana era sinônimo de comer porcaria.

Gray me observava do outro lado do cômodo enquanto eu me concentrava em encarar um Doritos. Percebendo o seu olhar, tentei parecer o mais natural possível enquanto enfiava cada vez mais comida na boca. Meio difícil. Ele acabou desviando o olhar quando o jogo reiniciou, com um riso debochado. Suspirei de alívio. Nunca sabia como agir quando inesperadamente recebia a atenção dele.

– E que história é essa do seu amigo, Juvia? – indagou Natsu enquanto apertava os botões em velocidade inumana.

Gajeel havia causado certa polêmica, ao, no dia anterior, chegar na escola ao lado de Levy McGarden como um suposto “empregado”. Quando a confusão começara a se instalar, estávamos no fundo da sala e só fomos perceber do que se tratava um pouco depois. Gajeel fora o primeiro a entrar, rindo convencido. E eu sabia, com meus inúmeros anos de experiência, que aquilo significava confusão. Não do tipo de briga, mas sim quando ele achara o seu novo alvo de provocação e fizera algo a respeito dele.

Ele sentara-se ao meu lado, segundos depois seguido por Jet, que parecia se conter para não pular em cima do garoto. Levy veio próxima a ele, corada, nos cumprimentou e se sentou na primeira fileira. Tendo conversado com Gajeel na noite anterior, pude deduzir do que aquilo se tratava. Mas os outros só foram saber da verdadeira história no intervalo. Ainda que incompleta.

Pelo que pude então perceber, Gajeel havia sido tranquilamente perdoado pelo grupo. Gray, apesar de calado na maioria do tempo, não demostrava nenhum desconforto ou raiva. Isso eu já havia percebido antes, mas em grandes grupos ou quando o assunto não lhe interessava tanto, ele parecia preferir permanecer calado.

Todos se mostraram surpresos pela história e por tamanha coincidência. O mais interessante era que Levy, que parecia no dia anterior ser a mais intimidada por ele, não demonstrava ter problemas em sentar-se perto dele, ir ou voltar da escola com Gajeel. E graças a tal multidão, eu ainda não tinha conseguido conversar com o garoto a sós. Ele prometera que viria falar comigo no fim de semana.

– Não sei muito mais que vocês. Mas é como ele disse: foi uma surpresa, e agora ele é tipo o caseiro dela.

– Ele realmente não sabia de nada? Digo, é meio estranho, considerando que ele tinha as informações de que havia uma adolescente do mesmo colégio que ele morando ali. – disse Gray.

– Gosto de acreditar que ele não sabia mesmo. Se ele o fizesse, ele não teria... vocês sabem... na frente dela.

– Você quer dizer toda aquela confusão dizendo que o Gray se aproveitava de você?

– Cale a boca, Natsu. – dissemos os dois ao mesmo tempo.

O rosado parecia não ter noção do local/situação/pessoas. Na verdade, eu achava que ele era do tipo que dizia tudo o que lhe vinha à cabeça, antes mesmo de pensar. De certo modo isso me lembrava de Gajeel. Essa característica me fazia me sentir à vontade ao redor de Natsu. Se estivesse correta, ele não seria do tipo que guardaria rancor, ódio ou desconfiança, apenas pelo fato de que não conseguia manter tais sentimentos ocultos. A pessoa que conhecesse Gajeel, por exemplo, e que fosse odiada por ele, perceberia isso de cara.

– Mas eu não... Juvia... – ele tentou se desculpar.

– A desculpa é só para ela? – perguntou Gray.

– É. Não ofereço desculpas a idiotas.

E então um novo round de discussões começou. E fiquei quieta novamente.

Me lembrava a todo momento dos treinos extras que eu faria para o exame de entrada na segunda. Lyon oferecera-se para me ajudar, e iriamos treinar tanto no sábado quanto no domingo juntos. Ele fora extremamente gentil ao dizer que me ajudaria no que fosse necessário.

A buzina, no andar de baixo, tocou. A maioria dos seres do Casarão, ao que me parecia, tinha ou uma audição limitada ou apenas preguiça demais para descer e abrir a porta para o visitante. O que explicava a inscrição na parede. Então, na maioria dos casos, era eu que abria a poeta. Daquela vez não foi diferente.

Eu não esperava por ninguém, e os garotos não haviam me dito nada, então imaginei que fosse alguma visita para Ul ou Freed (Lyon e Chelia estavam fora). Mas, me mostrando enganada, ao abrir a porta me deparei com Lucy e Erza. As duas traziam biscoitos e outras guloseimas, e Erza tinha os olhos brilhando.

– Olá. – disseram animadas.

Meu olhar abaixou, ao observar a loira de cima a baixo. Ela vestia uma saia plissada rosa e blusa branca de botões, com vários acessórios e penduricalhos pelo corpo. Erza estava um pouco menos arrumada, de jeans e camisão florido. Mas, definitivamente, elas estavam melhores do que eu: short jeans velhos, blusa azul do filme Frozen e chinelos. Eu não me preocupara em me arrumar tanto, considerando que eu não sabia que, além de Natsu, outras pessoas viriam. Até por que seria estranho, quando os garotos estavam tão informais quanto eu, de bermudas “para ficar em casa” e camisas velhas.

– Oi... Podem entrar. – eu as conduzi para dentro da casa.

Ambas já pareciam se sentirem confortáveis no ambiente, demonstrando o quanto estavam acostumadas a virem ali. Erza não me abraçou ou algo parecido, mas me lançou um sorriso simpático. Com ela eu não tinha nenhum problema. Talvez pelo modo como ela não demonstrasse nenhum interesse em Gray — fora como um escravo -, e pela aura de segurança que ela emitia, eu gostava de sua presença ali.

– Os garotos convidaram vocês?

– É. – disse Lucy. – Você sabe o que nós vamos fazer?

A garota parecia tentar sorrir o máximo possível, tentando soar simpática. E, por esse esforço, resolvi responde-la, sendo, porém impedida por Erza.

– Eles disseram que ainda não decidiram. Vamos conversar com eles lá encima.

Como assim? Eu, assim como Lucy, permanecia confusa ao subir as escadas atrás da ruiva. Pelo que eu sabia, não faríamos muito mais além de jogar.

Ao entrarmos no quarto, porém, a porta foi imediatamente fechada e trancada por Erza. O porque eu entendi segundos depois, quando Lucy identificou o que os garotos estavam fazendo, e todo o ambiente em volta.

– Ah, não! Eu não vou jogar esses troços de novo! – ela tentou se retirar do aposento, percebendo que as chaves estavam com Erza. – Por favor?

A garota negou com a cabeça. Lucy pareceu se dar por vencida.

– Lucy! – berrou Natsu ao pular em cima da garota, abraçando-a.

Ela se desequilibrou um pouco, rindo, então abraçando-o de volta. Ao ser solta, acenou para Gray, que estava deitado no chão.

– Mas eu não vou jogar.

– Você pode se juntar à Juvia. – sugeriu Natsu.

Minha vontade era de jogar o primeiro objeto que eu visse na cara dele. Muito obrigada, Natsu.

– Ela não viria se soubesse. – comentou Erza parecendo orgulhosa de si mesma. – Enfim, quem está vencendo.

–Eu. – disseram os dois.

– Eu venci duas partidas. – disse Gray. – E eu estava com vantagem nessa.

– Eu também venci duas. – Natsu se aproximava de Gray com um olhar irritado. – E já estava planejando te ultrapassar.

– Ah, realmente, por que é assim que se conta vantagem...

A fala de Gray foi interrompida quando Erza segurou, calmamente, a cabeça dos dois e, propositalmente, as chocou uma contra a outra.

– Ai! – berraram.

Erza não parecia nem um pouco arrependida. Na maioria dos casos, ela que parava as discussões da Natsu e Gray. Ela não tolerava as brigas dos dois. Não se envolvia nas discussões infantis, e se mostrava extremamente madura. Na maioria dos casos.

– Mas nada disso importa agora. – completou. — Por que quem vai vencer sou eu.

Então a disputa passou a ser tripla.

...

Depois do que me pareceram horas de jogos, discussões e aprisionamento dentro do quarto do moreno, eu já havia perdido quase toda a animação que me restava. E Lucy parecia no mesmo estado.

Os outros três haviam parado de discutir e simplesmente se mantinham concentrados nos jogos. Não podíamos nem falar nada, senão corríamos o risco de ter um controle jogado em nossas cabeças. Em silêncio, dividíamos o resto da comida que sobrara. Estava sem ânimo até para me irritar com ela, e dividíamos a aflição quando uma nova rodada era iniciada.

Fui animada pelo som da campainha. Não me importava muito que fosse dessa vez, pelo menos eu teria uma chance de sair dali. Era o que eu achava, mas não foi o que aconteceu. Mais uma vez, Erza não nos permitiu sair dali, descendo ela mesma para atender a porta.

Algum tempo depois, ela retornou, abrindo a porta parcialmente.

– Juvia, tem visita para você.

Por trás dela, ao me levantar e aproximar, vi Gajeel. Ele parecia não pretender entrar no cômodo, até pela razão pela qual ele tinha vindo. Saí do quarto, passando por Erza e agradecendo ao meu “salvador” mentalmente. A garota sorriu para nós e fechou a porta. A última coisa que vi foi a cara desesperada de Lucy.

Suspirei pesadamente. Gajeel não pareceu entender.

– Ainda bem que você chegou agora. Estava presa aí dentro.

– Como assim?

– Videogames. Erza trouxe a Lucy junto e trancou a porta.

Ele riu.

– Lucy, a sua amiguinha?

E minha resposta foi um puxão de orelha que durou toda a nossa descida até o andar de baixo. Ele reclamava e ria ao mesmo tempo. Como não haviam muitos lugares reservados pela casa, e o meu quarto era ao lado do de Gray, o levei para dentro do ginásio e perto da piscina. Não havia ninguém lá por volta desse horário.

– Quer dizer que é aqui que você treina?

– É. – respondi. – E as suas atividades?

– Os testes para a equipe de karatê são nessa terça.

O silêncio se instaurou.

– Pode dizer. – falei.

Ele sentou-se ao meu lado em um dos bancos. Já era claro que precisávamos conversar sobre o assunto. Não era como fossemos esquecer tudo a respeito da Phantom só porque havíamos saído de lá. E eu queria saber o porquê dele ter saído. Principalmente quando Gajeel parecia relutante em falar.

– Além do óbvio? – perguntou. – Digo, meu ódio habitual pelo treinador, por toda aquela gente, e o fato de você não estar mais lá?

– Juvia... Você foi embora do nada. Tanto pra mim quanto para todo mundo acho que foi um choque. Você tinha tudo planejado para entrar no segundo ano e novamente ser a estrela da Phantom nas raias. E do nada você disse que ia embora. Eu não fui imediatamente com você por que nem tive tempo suficiente para entender tudo. Você sabe como você é, guarda todos os sentimentos e pensamentos dentro de você, mas quando eles vem à tona é uma decisão sem volta.

Eu me sentia extremamente culpada, naquele momento, por ter abandonado Gajeel. E não havia outra explicação: fora por medo mesmo. Medo de causar apenas ainda mais polêmica se ele fosse comigo. Medo de que se fosse uma decisão ruim, eu levaria nós dois ao fundo do poço. Eu tive medo até mesmo da reação que ele poderia ter. E quando eu contei, ele pareceu chocado, mas ao mesmo tempo impressionado. E uma semana depois eu parti.

– E você também sabe como as pessoas daquele colégio são. Logo Jose colocou todos contra você, criando a imagem de uma traidora. Ele usou até dos... acontecimentos do ano passado para fazer a cabeça dos outros alunos.

Eu sabia que isso aconteceria. Mas, ao mesmo tempo que eu constatava nada além do esperado, havia um pingo de esperança que então se reduzira a zero. Eu só conseguia agradecer por estar o mais longe possível deles.

– Todo mundo acreditou?

Ele assentiu.

– Bem, nós nunca fomos muito amados por lá mesmo... – ele riu, seco. – Eles só nos mantinham por que erámos bons.

– Acho que para eles se a gente fosse como o Sol era melhor. Ficar o tempo todo se gabando é tão...

– Mesquinho? Nojento? Tenho uma lista bem grande. – completou Gajeel. – Mas o lado bom de eu ter saído logo no início do ano é que eu tive a oportunidade de fazer algo que eu queria a muito tempo.

Milhares de possibilidades me vieram à cabeça.

– Não me diga que você socou o Jose? – ele negou. – Então você quebrou o braço dele? – novamente recebi um não. – Você... roubou algo dele?

Gajeel caiu na gargalhada.

– Não é para tanto, Juvia. E esses são os seus desejos, não se esqueça.

– Então o que foi?

– Eu fui chamado para a cerimônia de entrada. Você sabe, aquela que acontece todo ano uma semana antes das aulas começarem. Acho que foi aí que eu decidi que ia mudar de escola. Quando eu ouvi todo o discurso do Jose e percebi que todo mundo ali concordava com aquilo, eu... Acho que me cansei. Então, quando eu fui subir ao palanque para anunciar o Clube de Karatê, eu simplesmente me virei para o Jose e falei tudo o que eu pensava daquele discurso dele. – levantei as sobrancelhas. – E antes que ele tivesse a chance de me expulsar, eu mesmo anunciei a minha retirada do “Instituto Anti-ético”.

– Você está brincando? – eu ria me deliciando por ele.

– É verdade... Mas... não ligue para essa questão dos comentários não. Isso já acabou. – ele apertou uma de minhas mãos.

Me levantei, puxando-o comigo.

– Eu sei. Mas, agora que você abriu o bico, que história é essa com a Levy? E o que você fez com o Jet?

– Ah, eu resolvi brincar um pouco com a baixinha. As reações delas são interessantes. – revirei os olhos. – E se vamos ser a única companhia um do outro por certo tempo é melhor que nos demos bem. E sobre o Jet... Ele só falou algumas besteiras sobre ela, então...

– Você decidiu vingar o orgulho de sua donzela? – ele parou onde estava, e eu pude perceber todo o desprezo dentro dele sendo dirigido a mim. – Calma, foi só uma brincadeira...

– Bem idiota.

– Ok, ok. Mas agora que já terminamos por aqui, quer ficar lá em cima com o resto do grupo?

– Pode ser. E eu quero conhecer a Ultear de quem você tanto fala.

...

Duas horas depois ainda nos encontrávamos no quarto de Gray. Com a chegada de Gajeel e Ul, a confusão apenas aumentara.

Gajeel já havia se enturmado, e discutia com os outros dois enquanto jogava. No início o clima fora maio estranho, mas após alguns minutos todos pareceram relaxar um pouco. O encontro de Ul com ele que fora de certo modo estranho. Ao vê-lo, ela o analisara de cima a baixo, e, com uma expressão de aprovação, dissera:

– Isso é que é um homem! – e então segurara um de seus braços. – Está vendo, Gray?

Durante alguns segundos a expressão de todos fora do mais puro choque. Então caímos na gargalhada, Gray mandou-a calar a boca e Gajeel se encontrava em um estado de puro divertimento.

– Gostei dessa sua amiga, Juvia. – ele disse e então bateram as mãos em um gesto de camaradagem.

Depois disso Ur se sentara perto de mim e passamos a conversar, logo tendo Lucy junto a nós. Ela se mantinha calada, mas tentava participar em alguns momentos. Ultear ria das caretas que eu fazia e de como a garota parava no meio das frases toda vez que ela percebia meus olhares.

Algum tempo depois Erza também parou de jogar e se sentou ao meu lado. A porta já estava destrancada, e no momento ambas Lucy e Ultear estavam fora do quarto.

A ruiva suspirou.

– Não gosta de jogos? – perguntou.

– Está mais para um “eu tenho consciência de que sou péssima e isso tudo é ficção então por que me animar”.

Ela riu um pouco.

– Entendo. Mas você parece já estar bem confortável tanto aqui quanto na escola. Isso é bom. Mas se precisar de qualquer ajuda pode dizer.

Erza Scarlet podia ser qualquer outra coisa, mas antes de tudo ela era um exemplo de garota. Os professores, os alunos... todos recorriam a ela quando precisavam de ajuda. Ela poderia não ser a melhor em notas, como Levy, mas pelo que eu sabia não havia nada em que não fosse boa. Se mantinha sempre entre as melhores da sala.

– Obrigada, mas por enquanto estou me saindo bem. Acho. – ri nervosamente. – E obrigada também por ter me ajudado na adaptação à escola antes mesmo de conversarmos de verdade.

Erza apertou minhas bochechas, fazendo com que todo o meu rosto ficasse vermelho.

– É isso que eu acho mais fofo nas garotas tímidas. E você me pareceu uma boa pessoa. Principalmente considerando que Gray permitiu que você saísse com ele duas vezes seguidas.

Isso me animou automaticamente. Então isso significava que se Gray me odiasse eu já teria percebido. Ao que tudo indicava, ele era extremamente franco em suas relações de ódio. Enquanto eu sorria e observava ele jogar, Erza seguiu meu olhar e levantou as sobrancelhas.

– E como vão vocês dois?

Eu quase cuspi tudo o que bebia.

– Eles vão bem, ao que tudo parece. – disse Ul chagando em nosso grupo.

– Quer dizer que você já sabe de tudo? – indagou Erza. – A Juvia te contou? Eu tive de deduzir.

– Ela me contou sim, mas só por que eu perguntei. Mas estando tão óbvio é difícil não perceber.

A conversa continuava sem nenhuma participação minha. Chocada, eu apenas assistia enquanto elas discutiam a respeito da minha vida amorosa (inexistente).

– O que foi? – perguntou Lucy ao chegar.

A conversa parou no mesmo instante. As garotas me encaravam como as perguntando se poderiam ou não contar para a terceira sobre tudo. Observando Lucy com certo ódio, assenti. O melhor era que ela soubesse mesmo, por que então pararia de se fingir de inocente ao dar em cima dele ou, na melhor das hipóteses, pararia.

– A Juvia ama...

– O Gray? — perguntou como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Então até ela sabia? Minha raiva crescia ao perceber que ela agia como agia sabendo que havia alguém apaixonada por ele. O que só poderia significar que eu estava certa, e ela estava sim interessada nele.

Enquanto as garotas riam, eu me encolhi em desconforto. Eu definitivamente precisava melhorar a minha discrição a respeito dos meus sentimentos.

– Se você quisesse privacidade Juvia, tinha de aprender a disfarçar. – provocou Ur.

E ficamos conversando e “fofocando” até o final da tarde.

...

Com a chegada da noite, nossos amigos foram embora, e ficamos eu, Ultear e Gray, arrumando o quarto. Na verdade, Freed chegou, e, em um gesto de pura bondade (e que eu não sabia se eu seria capaz de ter), se ofereceu para nos ajudar. Estávamos todos muito cansados, então logo após acabarmos, a luta pelo banho nem teve tanta animação. Até por que eu não participei.

O horário que eu havia combinado com Lyon foi o de sete horas. Como não faltava muito para esse horário preferi só tomar banho depois. Me troquei e desci para a piscina. Chegando lá, não demorou muito para o garoto aparecer.

– Pronta? – perguntou ele já tirando a camisa.

– Uhum. Mas Lyon-sama, de que modo esse treino vai ser diferente daqueles que eu tenho com a sua mãe?

Lyon pulou na água, espirrando respingos por todo lado, para depois apoiar os braços perto de onde eu me encontrava em pé, do lado de fora da piscina.

– Primeiro: você vai ter minha ilustre presença como o seu treinador, o que, é obvio, já é uma grande honra. – ri sarcasticamente. – É isso mesmo. Sinta-se honrada. – ele riu também. – E segundo: eu posso ser bem chato quando quero. E, pelo que eu sei, a treinadora da Fairy Tail não tem esse lado maternal da Ur. Ela não está nem aí para o seu lado emocional ou seus problemas pessoais. Para conseguir entrar, você vai ter de fazer os seus melhores tempos. Ela também avalia o nível de tensão do nadador: isso indica se você está preparado e o quanto se dedica enquanto nada.

– Então basicamente você vai dar uma de Ultear? – perguntei.

– Simplificando, é isso mesmo.

Então ele me puxou pelo pé, me fazendo cair na piscina com tudo. E nas horas seguintes, depois de algumas risadas, o treino foi todo voltado para a melhora do meu desempenho. Talvez por ter treinado fora também e ter adquirido maior independência, mas Lyon sabia onde e como consertar meu erros de postura, respiração, força nas braçadas. Ele adquiria uma expressão totalmente diferente ao me treinar, sério e totalmente profissional.

Não sei se cheguei a verdadeiramente melhorar de imediato, mas a noite com certeza valera a pena. No futuro eu já saberia, ao menos, meus pontos fracos e fortes. E além de tudo, eu gostava de nadar com Lyon. Era diferente de como era com Gray, mais... tranquilo. Não havia emoção, apenas técnica. Subindo as escadas, continuamos a conversa, tentando controlar o tom.

– E ele era incrível, não era? Pena que não foi para a carreira profissional. — comentou Lyon.

– Verdade. Ah, e qual é o seu estilo de nado favorito?

Ele pensou um pouco.

– Não por ser o meu melhor, mas eu adoro costas. Desde pequeno treinávamos com a Ur e eu sempre gostei. Por isso que eu acho que hoje eu e Gray nos destacamos nessa categoria. E você?

Não hesitei:

– Crawl mesmo. Eu gosto da velocidade e da leveza, ao mesmo tempo que vigor, dos movimentos.

E só paramos por que alcançamos o andar de cima. De certo modo, isso me lembrava a sua primeira noite após a sua volta ao Casarão.

– Boa noite, Lyon-sama. – eu me virei para entrar no quarto e pegar minhas coisas para o banho.

– Boa noite, Juvia. – disse ele com um sorriso sereno.

...

Depois de dois dias de treinos pesado e com o início de uma nova semana, meu nível de tensão havia chegado ao máximo. No caminho para o colégio, diversas vezes Gray tivera de me parar para que eu não me batesse em postes ou atravessasse ruas nos momentos errados.

– Preste mais atenção, Juvia! Eu sei que você está nervosa, mas...!

Baixei a cabeça em consentimento. Ele pareceu um pouco culpado por ter falado de tal modo, mas não disse nada.

Durante a manhã a maioria dos meus colegas veio me perguntar a respeito do teste: como eu estava, se estava confiante... Meredy foi uma delas. E veio com uma surpresa.

– Eu também vou participar! – ela disse animadamente.

– Como assim? – eu não ouvira nada a respeito de Meredy competir por parte de Ur.

Ela tentou me explicar:

– Eu nunca fui de nenhum clube, a não ser que você considere encola de natação um clube. – eu neguei. – Então... mas eu sempre gostei. E eu não podia desperdiçar a oportunidade de antrar em um clube considerando que eu vou estudar na Fairy Tail.

– Boa sorte então. – eu disse.

E eu verdadeiramente queria que ela passasse. Ela parecia verdadeiramente gostar de nadar. O segundo motivo já era mais pessoal: eu queria alguém que eu conhecesse para prestar o exame comigo.

– Mas você já está praticamente dentro do time. Estando no Casarão... Já eu, não sei.

E antes que eu pudesse dizer que não era bem assim, fui interrompida.

– Essa daqui é a pessoa mais convencida que se tem quando trata-se de nadar. – Gajeel colocou um de seus braços ao redor de meus ombros.

Imediatamente dei uma cotovelada em seu estômago. O garoto se dobrou ao meio e eu exibi um sorriso de satisfação. Meredy ria, chocada.

– Também dou pro gasto em defesa pessoal.

– Graças a mim. – Gajeel levantou uma das mãos enquanto se recuperava.

– Verdade. E eu fui treinada exatamente para saber os seus pontos fracos, não é mesmo? – eu dizia ironicamente. – Mas isso é muito útil hoje em dia.

O garoto se endireitou perto de mim. Como um bichinho acanhado, Levy estava atrás dele em silêncio. Ela parecia querer dizer algo, e puxou seu braço como que para pedir licença. Ele abriu caminho para ela, que veio até mim.

– Boa sorte. – falou ela. – Quero dizer, pelo que parece já está quase definido que você vai passar.

Ela riu e eu agradeci.

– Ah, amanhã é o teste do Gajeel, Levy. Ele ia gostar se você fosse.

As bochechas da garota coraram instantaneamente. Ela o observou de soslaio, e Gajeel fez questão de fingir que o teto estava muito interessante. Ela parecia não saber o que dizer, pois não ouvia uma palavra do mesmo. Por fim, Gajeel baixou o olhar e eu tapei a boca para não rir. Ele tentava parecer indiferente, apesar de estar envergonhado.

– Não tem como eu impedir, né?

Ela soltou um hunf de desapontamento e rumou para o outro lado da sala. Gajeel parecia mesmo confuso. Mas, como esperado, ele não demorou muito para perceber quem tinha provocado toda aquela situação.

– Qual é o seu problema, Juvia?

...

Com o fim da manhã eu finalmente me dirigi, com Gray, à piscina do clube. Imagine a minha surpresa ao, na porta da mesma, encontrar, junto com os outros participantes, um bilhete nos pedindo para ir à quadra de atletismo.

– Tem alguma chance de você me dizer como esse teste vai ser? – perguntei a Gray.

Talvez por todos saberem que ele era o capitão, mas os outros participantes nos observavam com um olhar diferenciado enquanto andávamos. Quando olhei para Meredy a chamando para andar conosco, ela me lançou uma piscadela. “Vocês ficam bem juntos”, balbuciou. Enrubesci.

– Nenhuma. E a treinadora é bem sigilosa quanto a isso. Principalmente quando temos atletas em potencial. – ele me deu uma olhadela e eu não pude evitar um sorriso amarelo. – Eu não participo dessa parte, nem na criação nem nas instruções. Mas eu ajudo a dar notas aos participantes e treiná-los.

Suspirei pesadamente. Meu coração batia forte.

– Mas não foi você que disse que tinha certeza que ia entrar no time? – ele parecia fazer um esforço para me animar. – Então, me surpreenda.

Concordei. Mas o problema é que falar é muito fácil. Avistando a pista ao longe, vi uma mulher de longos cabelos azuis. Aquarius com certeza tinha presença. Sua fama terrível entre as escolas conhecidas condiziam com o olhar que ela nos dirigiu. Só de encarar todos de perto, ao nos colocarmos em fila, já fez com que alguns tremessem de medo.

– Então... – disse ela. – Pra começar: 10 voltas no circuito inteiro.

“O que?”, eram o que todos pareciam se perguntar. Mas ninguém questionou-a quando o apito foi soprado e todos começaram a correr. O sol estava quente, e a blusa de malha que eu havia trazido grudava-se ao meu corpo. Mas isso não era o momento para me importar com isso. Acelerei, buscando ficar ao menos entre os cinco primeiros. Não via, inicialmente, Meredy. Para só depois descobrir que ela estava em primeiro. E com minhas notáveis dificuldades, consegui o mesmo por pouco: fiquei exatamente em quinto.

Isso na primeira atividade. Por que não se dando por satisfeita, a treinadora parecia querer que fizéssemos tudo que nos desviasse do nosso verdadeiro objetivo.

– Mas o que isso tem a ver com natação? – indaguei ofegante a Meredy enquanto fazíamos exercícios de salto.

A garota negou com a cabeça. Parecia tão confusa quanto eu. Tomamos um susto com o grito que cortou o ar:

– Só por que temos algumas pessoas de escolas famosas por aqui não significa que podemos nos dar ao luxo de relaxar, não é?! – Aquarius dirigira aquela exatamente para mim.

Até Cana parecia estar com pena de mim, ao fazer as anotações ditadas pela treinadora... Depois de tal evento agradável, eu nada mais falei. Nada durante os cem polichinelos. Nem nos jogos de futebol. Nem nos rolamentos que ela pedira para a gente fazer.

E, por fim, depois do que pareceu ser uma eternidade, ela disse:

– Pronto. Agora vamos para a piscina.

A marcha de corpos mortos foi lenta. Ninguém entendia como aquilo poderia servir de algum modo para avaliar a capacidade de alguém como nadador. Ao entrarmos na área da piscina, porém, todos os membros do clube começaram a se despir, ficando apenas de roupa de banho.

– E é agora que o teste de verdade começa. – anunciou Aquarius com um sorriso.

Que maravilha. Me apressei para tirar a roupa e pulei em uma das raias. Cada uma delas tinha um membro do clube. Coincidentemente, a minha era a mesma de Freed. Ele me explicou o que eu teria de fazer:

– Escolha o estilo que quiser, mas nade o mais rápido possível. São quatro voltas. Os dez primeiros entram para o time. – ele mantinha uma de suas mãos em meus ombros. – Estaremos cronometrando.

E com o soar de um novo apito, empurrei com força a parede. A primeira opção que me viera à mente, e a que eu escolhera, fora o crawl. E fiz tudo o que pude. Nessas horas, o melhor é tentar estar o mais tranquilo possível, mas eu fui só emoção. Segui os conselhos de Lyon, porém: respire, cheque a posição, bata com força e repita tudo.

Por mais idiota que tudo aquilo pudesse ter me parecido, eu então entendia o sentido de tudo o que fizéramos antes. Isso por que, eu percebera, vários foram ficando para trás durante a segunda e terceira volta. Os mesmos que no início tinham uma imensa vantagem. Ela estava testando a nossa resistência.

E mesmo que não soubesse muito bem a minha posição, na última volta gastei todas as energias que me sobravam. Em uma explosão, atingi minha velocidade máxima, aquela que só se mostrava presente em momentos de extrema dedicação.

Com um baque surdo, bati minhas mãos contra a parede. Imediatamente levantei a cabeça para me permitir respirar. E mantive os olhos fechados, com medo do que poderia ver caso os abrisse. Talvez eu tivesse sido a última, ou não conseguira me classificar. Experiência não valia muito quando se dava lugar à emoção. Meredy poderia ter me ultrapassado.

Mas o que eu vi ao abri-los, foi de certo modo mais chocante do que tudo isso junto. Não havia ninguém. E não por que todos já haviam saído, mas por que, olhando para trás, aquele que seria segundo colocado ainda tinha um longo caminho a percorrer. E todos os membros haviam parado de observar seus respectivos competidores para me encararem. Freed foi o primeiro a se mover, vindo em minha direção com um sorriso no rosto.

– Meus parabéns. – disse, me estendendo uma de suas mãos.

Aceitei sua ajuda e saí da piscina, imediatamente me envolvendo com uma toalha e indo para o canto que me fora indicado. Eu estava desconfortável com todos aqueles olhares. Mas não poderia estar mais feliz.

...

Depois de alguns minutos de “apuração” dos resultados, Aquarius se dirigiu à frente de todos nós.

– É com muito prazer que anunciamos os novos membros do nosso time. Aqui é um lugar de esforço e comprometimento, como acredito que já perceberam. E para aqueles que não passaram, pensem nos motivos para isso. Há sempre o que melhorar. Enfim...capitão.

Gray se posicionou ao seu lado com uma prancheta em mãos. Meu coração batia descontrolado. A lista começou a ser lida. Décimo, nono, oitavo lugar...

– Em sétimo nós temos a Meredy. – ele deu um sorrisinho para ela.

Nós, que estávamos sentadas juntas, comemoramos em um berro silencioso. E, gradativamente, a lista foi chegando ao fim.

– E, em primeiro lugar e com um... tempo impressionante. – disse Gray com um sorriso torto.

– E tendo garantida sua posição na equipe das regionais. — acrescentou Aquarius, com um misto de sorriso e ironia.

– Nós temos Juvia Lockser.

Todos os olhares, então, estavam novamente sobre mim.

– Meus parabéns. – disse a treinadora.

E esquecendo do mundo todo ao redor, eu só conseguia me concentrar no sorriso de alegria que Gray lançava para mim por cima dos ombros dela.

– Mas enfim. – completou Cana. – Chegando ao que interessa...

– A folga acaba agora. Para aqueles que não sabem, – e a Aquarius fez questão de ironizar. – as competições começam no mês que vem.

Notas finais
E agora, meus queridos, que eu anuncio o início da verdadeira trama de Soty. E que o circo vai pegar fogo ;). E aí? Gostaram? Fui desculpada? Deu um trabalhão escrever um capítulo tão grande, então por favor comentem! E lembrem da capa!