Somebody To You
9 O Caso de Juvia Lockser. - Perfume.
Notas iniciais
Imagine como é estar se transferindo para outra escola no meio do ensino médio? Agora imagine que a escola para a qual você está se transferindo é uma das maiores do país e, por acaso, a inimiga declarada do seu antigo colégio? Foi graças a esses sentimentos que não consegui me acalmar desde o momento em que levantei até o momento em que saí do Casarão na segunda.
Acordei precisamente às cinco da manhã, mesmo que o colégio só começasse às sete. Segundo Ur, eu poderia acordar às cinco e quarenta, como os outros.
– Isto é, — dissera ela na noite anterior. – se você for como esses daqui e valorizar cada minuto de sono. E se você tiver as super habilidades de tomar café, discutir na fila do banho em um volume acima do normal, tomar o banho e se trocar, tudo isso em trinta minutos. E, por fim, chegar ao metrô em dez minutos.
E como eu achava que não conseguiria, pretendi acordar mais cedo, mas nem tanto assim. Pelo menos eu teria tempo para conferir tudo, pensei. Enquanto eu tomava café — sozinha, já que ninguém havia acordado — , os pensamentos a respeito de Gajeel voltavam à minha cabeça. Ele não havia respondido à mensagem, e eu não sabia que dia ele viria. Poderia ser a qualquer momento. Perguntas como: “por que ele decidiu vir para cá?” e “é improvável que tenha sido apenas por minha causa, será que algo a mais ocorreu?”, brotavam em minha mente. Mas tudo isso eu só saberia ao vê-lo.
Corri para o banho antes que os outros acordassem, não queria participar de uma discussão acalorada logo de manhã. Não lavei o cabelo, mas passei um sabonete perfumado que eu tinha já havia algum tempo. Vesti o uniforme, que consistia em uma saia plissada azul que ia até a metade da coxa, uma camiseta feminina de botões, um suéter amarelo para colocar por cima, e, para completar, um laço listrado azul e branco para por no pescoço. Como não sabia o que fazer com o cabelo, deixei-o solto e então coloquei as meias e os sapatos.
Ao sair do banheiro me deparei com Gray esperando para entrar. Ele estava extremamente mal humorado e sonolento, com os cabelos amassados de um lado, os olhos semiabertos e ainda de pijama. Parecia uma criancinha.
Parei no lugar quando seus olhos grudaram-se em mim enquanto ele observava o meu uniforme. Ele olhou desde os mocassins até o laço no pescoço, para então dizer:
– Você fica bem de uniforme. – e então entrou no banheiro.
Um sorriso tomou conta do meu rosto quando ele fechou a porta, mesmo que Gray parecesse o mais desorientado e desinteressado possível. Mas ele havia me elogiado.
Saltitei, literalmente, até o meu quarto e peguei minha mochila. Esperei os outros ficarem prontos, ouvi algumas discussões (nesses momentos eu ouvia Ur os mandar calar a boca) e então descemos para ir embora.
Ur estava no andar abaixo, enquanto ajeitava a camisa do Lyon. Ele pareceu extremamente encabulado quando viu todos o esperando.
– Errr.... mãe...
Ur pareceu notar e situação, e só para provocar lhe deu um beijo estalado na bochecha. Ele enrubesceu enquanto se juntava a mim, Chelia, Gray e Freed na saída. Ur veio em minha direção e segurou meus ombros.
– Relaxe. Vai ser um bom dia e você vai adorar. – ela fez um carinho na minha cabeça.
Sorri e assenti para ela. Ur parecia sempre perceber quando eu estava tensa.
Saímos e fomos andando em direção ao metrô. Ultear só acordaria mais tarde, já que sua faculdade começava às nove. Eu caminhava ao lado dos garotos.
– Lyon-sama, vocês pegam o mesmo trem que nós?
– Na verdade não, nós só vamos juntos até o metrô mesmo, mas a partir daí vamos em diferentes direções.
– Nossas escolas são bem distantes uma da outra. – disse Chelia.
Me lembrei de algo que ouvira anteriormente.
– Hoje também é o seu primeiro dia, não é, Chelia? – tentei puxar assunto.
Ela suspirou.
– Uhum. Mas eu não estou tão nervosa já que o Lyon vai me mostrar tudo. – ela se aproximou e agarrou-se ao braço dele.
Sorri. Eu também não conhecia muito o terreno da Fairy Tail, teria de pedir ajuda aos outros. Automaticamente olhei para Gray, mas ele estava com os fones de ouvido e não prestava atenção na conversa. Ao notar que eu o observava, ele tirou os fones.
– O que foi?
– Na-nada. – relembrei quando o encontrara no início da manhã. – Ah, e obrigada pelo... elogio de mais cedo. – sussurrei.
Ele franziu o cenho, parecendo verdadeiramente confuso. E como eu imaginava, aquilo havia sido bom de mais para ser verdade.
– Que elogio?
...
Depois de chegarmos à estação e nos dividirmos, cada grupo para um lado da cidade, passamos a ficar em silêncio. Enquanto Freed lia algo, Gray ouvia música e eu batia o pé nervosamente no chão do vagão.
Já na chegada da estação próxima à escola, encontramos Cana, que veio em nossa direção e passou a caminhar conosco. O caminho até a escola foi repleto de encontros entre amigos de Freed, Gray e Cana que eu não reconhecia, e por isso me afastei um pouco. Não queria interromper, ou ficar meio deslocada.
A entrada da escola estava repleta de alunos, todos com o mesmo uniforme que nós, exceto as diferenças no laço/gravata de acordo com o ano. Passando pelo portão, avistamos Natsu embaixo de uma árvore, junto a Lucy e Erza. Fomos até eles, e eu fiz questão de, como Chelia, tentar marcar território. Se eu o agarrasse pelo braço, era capaz dele me rejeitar se afastando, então simplesmente me aproximei e encarei a loura enquanto ela se caminhava.
– E aí? –disse Natsu. – Animados em terem de acordar cedo agora?
Gray o lançou o melhor dos olhares sarcásticos. As garotas se juntaram a nós dando risada. Erza, eu notei, se destacava no meio dos outros alunos por trajar, ao invés do suéter, um blazer vinho com o emblema da Fairy Tail no peito. Perguntei a respeito disso, e ela me informou que como fora a líder do conselho estudantil no ano anterior, teria essa função até as eleições seguintes.
– Vocês já deram uma olhada no quadro de avisos para verem em que sala estão? – perguntou.
Negamos com a cabeça, e eles nos conduziram até o corredor principal do prédio onde estudaríamos. Procurei na lista dos alunos do segundo ano.
– Lockser, Lockser...
– Turma B. – disse Gray por trás de mim.
– A mesma que a nossa. – falou Lucy.
Foi como se um peso tivesse sido retirado dos meus ombros. Pelo menos eu não estaria completamente sozinha na sala. Enquanto os outros se dirigiam à sala, avisei que tinha de passar na sala do diretor, e Natsu se ofereceu para me levar lá, arrastando Gray junto.
– Eu tinha me esquecido de que você tinha se transferido esse ano. – Natsu caminhava de um modo diferente do normal, meio saltitante, meio correndo, como se não conseguisse ficar parado ou seguir meu ritmo lento. – Provavelmente vai ter de fazer aquela apresentação para a sala toda...
Suei frio. Eu odiava ser o centro das atenções. Em tudo: discursos, palestras, festas, apresentações. A natação era uma exceção, em que eu me mantinha confortável mesmo tendo todos os olhares sobre mim.
Entrando pela secretaria que eu visitara no dia anterior, paramos em frente à porta da sala do diretor. As iniciais “M.D.” brilhavam em dourado. A lembrança da fisionomia de Laxus veio à minha mente. Bati na porta.
– Está aberta. – ouvi uma voz feminina que me era familiar.
Entrei com os dois garotos, me deparando com Mirajane em uma das cadeiras para visitas, enquanto servia chá para o diretor. Procurei tal figura, avistando apenas um anão idoso sentado na cadeira principal.
– Olá, Juvia Lockser. – disse ele.
– Errr... Olá. Eu gostaria de falar com o diretor...
– Sou eu mesmo.
– Esse é Mackarov Dreyar, Juvia, o avô do Laxus.
Enquanto eu tentava disfarçar minha cara de espanto, vi que Gray e Natsu se esforçavam para segurarem a risada. Ignorei a raiva que eu tinha em relação a eles naquele momento e dei um passo à frente.
– É um prazer. – eu disse, me curvando.
O velhinho então soltou uma gargalhada.
– Gostei de você, Juvia Lockser. Bem formal, e com o devido respeito. – ele falou com uma então expressão séria.
– Deixe de fingir, vovô, a Juvia vai acabar acreditando que você é assim de verdade. – comentou Natsu.
O modo informal como ele se dirigira ao diretor me espantou, não era acostumada a isso.
– Verdade, desculpe-me Juvia. Espero que se sinta confortável aqui. Tentamos sempre ser bem acolhedores, não precisa se preocupar com essa questão de superioridade e autoridade tanto assim. E espero que você goste do colégio.
– Obrigada mesmo assim. Quero dizer, considerando de onde eu...
– Você não parece se encaixar no perfil de aluno do Jose. Isso para mim já é o suficiente. – ele deu um sorriso gentil.
No meio de tudo aquilo, apenas Natsu parecia confuso. Gray e Mira já sabiam da minha história, mas ele não. E pareceu se tocar quando Gray o puxou para um canto e sussurrou algo em seu ouvido. Porém, mais do que tudo, as palavras seguintes do diretor me chocaram:
– Soube que você está trabalhando no café, não é? – perguntou ele e então se voltou para Mirajane. – Você sempre escolhe as melhores.
...
Depois da visita à sala do diretor, Mira e os garotos me levaram até a sala. Segundo eles, haveriam cerca de trinta alunos e não havia mapa. A sala era simples, com várias carteiras enfileiradas em cinco fileiras, um quadro de avisos ao fundo, um quadro branco e a mesa do professor. Havia também um armarinho para os materiais da sala e de limpeza e duas janelas que davam a vista para o pátio.
Me sentei atrás de Gray e ao lado de Erza. Atrás de mim havia uma garota de cabelos brancos e curtos, que eu descobri se chamar Lisanna, quando cumprimentou aos outros. Automaticamente fiz a ligação entre ela e Mira, considerando o nome e a aparência. Acabei por ser a presentada a outros alunos, como Evergreen, Jet, Droy, Levy, Elfman (o outro irmão da Mira) e Bixlow. Todos foram bastante simpáticos.
O primeiro professor chegou minutos mais tarde, e se apresentou como Macao, de química. Ele fez a introdução dos nossos objetivos durante o ano letivo e, ao notar meu nome na caderneta, me chamou para a tão vergonhosa apresentação.
Me apressei para logo terminar, falando apenas o básico. E, claro, ao falar da minha escola anterior recebi alguns olhares estranhos e o espanto esperados. Mas não me deixei abalar muito, e logo me sentei.
O dia foi seguindo tranquilamente com a passar das aulas, interrompido apenas por alguns acontecimentos ilustres, como a chegada atrasada de Laxus, que gerou uma pequena comoção. Freed, ao vê-lo, se animou automaticamente, e juntamente com Bixlow e Evergreen, foram em cima do mesmo, ignorando a aula em curso. Ao vê-lo me cumprimentar, Freed, então, pareceu surpreso, e eu o expliquei sobre o trabalho. A aula acabou por virar uma sessão de conversas, com direito à participação dos professores, que permitiram tudo aquilo, pois era o primeiro dia de aula.
Eu acabei por conversar com Cana, que me contou que o tal café da amiga dela era o que eu trabalhava, e deu risada quando eu lhe contei como fora uma surpresa descobrir que era um café de maids.
Na hora do intervalo, fui à cantina do colégio e com o pouco dinheiro que tinha comprei um sanduíche. Não sabendo onde me sentar, me dirigi a uma das mesas vazias no pátio interno. Me acomodei e comecei a comer. Não muito tempo depois, e como se fosse natural, meus colegas de sala começaram a se sentar na mesma mesa.
Inicialmente foram apenas Erza, Gray, Mira, Natsu e Lucy, mas então os outros vieram. O clima da conversa era animado. Era estranho como, mesmo que eu não me sentisse do grupo ainda, eles me incluíram automaticamente em tudo aquilo.
E o dia continuou de tal modo. Com o fim da manhã, Levy Mcgarden se ofereceu para me mostrar a escola. Ela era uma garota baixinha, de cabelos de um azul um pouco mais claro que o meu, que eu notara ser sempre seguida por Jet e Droy, seus amigos de infância. Ela os dispensou em tal momento.
– E você pretende entrar no clube de natação. – afirmou enquanto me mostrava a enorme biblioteca, seu espaço favorito na escola.
– Sim. Eu quero competir e acho que não tenho muitas outras habilidades de todo modo.
Ela deu uma risadinha.
– É... eu participo só do clube de leitura mesmo. Queria saber escrever, mas não sou lá grandes coisas nisso, como a Lucy.
– Mas pelo que disseram você é uma ótima aluna, não?
– Bem... sim. Eu gosto de estudar, de saber novas coisas. – disse, corando. – Mas acho que eu queria algo para mudar a rotina, sabe? Algo que me trouxesse um pouco mais de emoção.
Concordei com a cabeça enquanto ela me levava em direção aos ginásios. Me encantei com o tamanho e a estrutura dos mesmos, com diversas arquibancadas. O dirigido ao clube de natação tinha uma piscina aquecida, como a de Ur, e chuveiros nos vestiários.
Acabamos o tour em cerca de uma hora, agradeci a Levy e então tive de correr para não chegar atrasada no treino, que começava às duas e meia. Os outros já haviam ido embora, pois não haviam atividades à tarde na primeira semana de aulas.
Graças à força maior, consegui chegar a tempo, evitando morte por estrangulamento realizado por Gray.
...
Os primeiros dias da semana me prepararam para o ritmo que eu seguiria pelo resto do ano: acordar, escola, almoço, treino (nos dias de segunda e quarta), trabalho, jantar, deveres e dormir. Não havia muito tempo para lazer, mas estava consideravelmente confortável. E de acordo com o que ficara sabendo, eu não era a única a trabalhar. Freed se sustentava através de um emprego no cinema de um shopping no centro de cidade, e Chelia logo começaria meio período em uma confeitaria.
Na quinta feira de manhã, eu acordara com um cansaço diferente do habitual, ficando distraída. Tomei meu banho antes dos outros, como de costume, e já saí do banheiro esperando por Gray, que acordava um pouco mais cedo também. Me vesti e só fui reparar no acidente mais tarde.
Enquanto andávamos em direção ao metrô, eu sentia o cheiro, mais forte do que o habitual, do meu sabonete. Lyon, notando, me elogiou pela fragrância, como já havia feito em outros dias. Mas com o tempo passei a notar que aquele cheiro não vinha apenas de mim. Ele vinha do meu lado, mais precisamente de... Gray.
– Gray-sama... – o chamei. – Tem alguma chance de você tem achado um sabonete diferente do normal no banheiro e usado ele?
– Sim. Eu gostei do cheiro. Por quê?
Eu não sabia se comemorava pelo elogio indireto ou se me escondia de vergonha.
– O sabonete era meu.
– Ahh.
E a consciência pareceu chegar a ele alguns segundos depois, quando corou enquanto encarava o lago do outro lado da rua.
...
Os comentários foram inevitáveis no início da manhã. Mas como a maioria dos alunos sabiam que eu também morava no Casarão, fora fácil explicar o por que. O único momento em que me senti feliz de verdade pelo acontecido foi quando a Heartphilia veio ouvir a tal da explicação. A minha vontade era de deixar para a mente dela imaginar o que havia ocorrido.
E o dia continuou tranquilo, eu já nem me lembrava as razões de minhas preocupações no fim de semana anterior. Naquele dia, a turma havia decidido almoçar junto. Enquanto saíamos do colégio, algo chamou a atenção de alguns dos garotos.
Ao longe, se via uma figura ilustre: um garoto alto, musculoso e de cabelos longos. Mau encarado, ele se destacava graças aos inúmeros piercings. E apesar de usar a gravata azul e todo o uniforme que identificava os alunos do segundo ano da Fairy Tail, ele não havia comparecido a nenhum dos dias de aula até aquele momento.
Eu soube quem ele era no exato momento em que o olhei. E ele pareceu me identificar também. O garoto acelerou o passo enquanto vinha em nossa direção. Me postei à frente do grupo, nervosa mas ao mesmo tempo ansiosa. E ninguém fora eu e ele parecia entender o que ocorria quando ele parou à minha frente, colocou a mochila que segurava no chão, me abraçou pela cintura e me levantou do chão.
– Finalmente te achei. – disse ele.
Eu ri um pouco, o abracei de volta, e ao ser colocada no chão, me deparei com os olhares dos meus colegas.
– Bom, esse daqui é um ex-colega meu, Gajeel Redfox. – apontei para ele.
Todos os olhares voltaram-se para ele, que voltou a habitual feição séria. Antes de se apresentar, ele voltou-se para mim. Tendo nos conhecido e sido a única companhia um do outro por tanto tempo, aprendemos a muitas vezes não precisarmos de palavras. Os corredores, pátios, telhados da Phantom eram os únicos lugares em que podíamos dizer tudo o que queríamos, e muitas vezes passávamos muito tempo sem ir nesses lugares. Como morávamos nos dormitórios, não haviam muitas outras opções. Então passamos a conseguir passar mensagens simples apenas com o olhar.
E naquele momento, as perguntas eram claras: “eles foram legais com você?” , “eles são confiáveis?”, “posso ser gentil?”. E para todas eu respondi com um meneio de cabeça. E ele, relaxado, abandonou mais uma vez a pose de durão.
– Ge-he, é um prazer.
...
Tendo se apresentado e deixado de lado todas as desconfianças, o grupo acabou por chamar Gajeel para sair conosco. E mesmo que eu quisesse falar com ele naquele momento, sabia que era melhor esperar até estarmos à sós.
O restaurante era simples, com mesas de metal e sendo seu espaço pequeno. Eu me sentei ao lado de Gray em silêncio. Desde o nosso encontro com Gajeel ele havia ficado quieto. Como não haviam cadeiras suficientes, alguns haviam ido buscar mais com o dono do estabelecimento.
– Quem... era ele? – perguntou Gray.
– Ahh, Gray-sama, ele é de quem eu falei com você daquela vez...
Gray pareceu se lembrar da nossa conversa no parque.
– Mas eu não sabia que você estava falando de um garoto. Namorado? Ex? – indagou com o olhar torto.
– Não, Gray-sama...
– E se for? – falou Gajeel enquanto metia uma cadeira no meio de nós dois, se sentando.
– Gajeel, pare com isso.
Ele deu seu riso estranho e Gray pareceu relaxar um pouco.
– Eu sou só amigo dela. Não que isso tenha a ver com você, senhor-sama.
Gray corou, e tentou se recompor.
– E você vai participar de algum esporte? – perguntou Levy do outro lado da mesa.
A garota parecia ter feito questão de se sentar o mais longe possível dele e era vacilante ao perguntar.
– Karatê, baixinha. – disse ele.
Levy pareceu se sentir um pouco ofendida. Gajeel às vezes pegava prazer por provocar algumas pessoas, e pareceu adorar a feição de reprovação da garota.
O almoço seguiu tranquilo, e não houve muito problema para Gajeel se enturmar. Mas, quando a bomba vem, é de vez. Enquanto pedíamos a conta e todos já estavam mais quietos, Gajeel pareceu parar por um momento farejando o ar.
– Juvia, vamos. – disse Gray para que eu me levantasse e fossemos embora.
Enquanto eu fazia isso, me virei para chamar Gajeel e o observei que ele tinha a mesma cara que quando recebia as broncas de Jose. Como se quisesse bater em alguém.
– Ah, não.
Ele se levantou bruscamente me separou de Gray.
– Juvia, por que esse babaca está cheirando que nem você?!
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