Somebody To You

10 O Caso de Juvia Lockser. - O meu gigolô.


Notas iniciais
Oi gente! Vou fazer anúncio oficial: as shortfics vão sair! Ebaaa! kkk Por unanimidade. Eu já vou começar a escrever o primeiro capítulo de uma delas. E fiquei muito feliz porque no último capítulo mais gente comentou ;3. Enfim, dessa vez não há muito a dizer então vamos logo ao que interessa. Boa leitura. ;)

Talvez por todos estarem perplexos demais ou pelo fato de que a cena se desenvolveu em uma velocidade incrível, nada conseguimos fazer enquanto Gajeel avançava em cima de Gray. Mas aquela situação não me era tão estranha.

Até alguns anos atrás Gajeel costumava se envolver em brigas constantemente. Ele nunca me dissera o verdadeiro motivo, mas eu acreditava ser um modo de liberar a tensão. Mesmo com as aulas e campeonatos de karatê, ele tinha de seguir regras. Jose sempre pegara no pé dele, e com sua altura e tamanho, ele sempre fora alvo dos briguentos. Como se os garotos gostassem de apostar quem conseguiria derrubar o “grandão”. E a partir de uma certa época, por volta da nossa sétima série, ele começara a aceitar tais desafios. Voltava para os dormitórios com machucados, e nos dias mais sérios, hematomas. Eu sempre fora a responsável por cuidar dele. E como em um pacto silencioso, eu nada contava aos professores e outros superiores a respeito de suas atividades extracurriculares. E, sem perceber, suas tendências irritadiças foram ficando mais fortes. Ele foi se afastando cada vez mais da vida social, e de mim.

Um dia, ao professor de luta pressioná-lo para melhorar a técnica e vencer o campeonato que estava por vir, ele reagira. Não fora nada tão sério, pois ele conseguira se conter antes de fazer algo mais além de dar um soco no professor. Mas isso fora o suficiente para ele ser retirado das estaduais. E então ele viera a mim, em busca de consolo e ajuda. Ele parou com as brigas. E nos meses seguintes treinamos sua tolerância, tanto a insultos diretos quanto às situações de pressão. E ele me ensinara a pará-lo, caso fosse necessário. E no momento era.

Por que mesmo depois de toda essa preparação, um traço em Gajeel se mantera: ele definitivamente protegeria aqueles com quem se importava. E eu era incluída nisso. Ele fazia isso em plena consciência, não por descontrole emocional ou nada mais. Assim como eu, Gajeel nunca tivera muitas pessoas importantes em sua vida. E isso nos fazia valorizá-las, quando apareciam.

Então desde garotos a assaltantes, o que quer que ele considerasse algum tipo de ameaça a mim, seja por me violentar ou por ter más intenções, ele buscava afastar. E seja lá o que ele pensara a respeito de Gray, ele o via como algo ruim. E mostrou esse desconforto ao empurrá-lo com força em direção a uma das paredes.

E com um baque alto e um olhar de surpresa, o Fullbuster tombou enquanto sentia o impacto. Mas, ao menos, Gajeel não o batera de primeira. Talvez ele estivesse esperando ou tivesse disposição para uma explicação. Eu ainda tinha uma chance. Mas tinha de ser rápida, considerando que Gray já assumia uma feição de raiva.

– Hein?! – questionou Gajeel.

Recuperando o tempo perdido e a minha incapacidade momentânea de me movimentar, me meti no meio dos dois. De frente para o meu até então ex-colega, que franziu as sobrancelhas. Senti Gray se ajeitar por trás de mim e se posicionar de forma rígida, como que também pronto para uma briga. Suspirei para liberar o nervosismo.

– Gajeel, acho que você interpretou algumas coisas errado.

– Como, Juvia? Eu realmente quero ouvir sua explicação. – ele disse exasperado. – Você está nessa cidade há pouco mais de duas semanas, e esse... garoto já está tomando banho na sua casa? Usando o seu sabonete? O que mais vocês tem feito?!

E mesmo que a situação fosse das mais sérias, não consegui não corar. Não por causa daquela vergonha aceitável, quando algo bom acontece e você tenta não revelar seus desejos e opiniões escondidos. Mas porque eu estava me sentindo verdadeiramente humilhada. Por que além de ele estar insinuando tudo aquilo, nós estávamos na frente de todos. Na frente de Gray.

– Gajeel, se acalme... Gray-sama e Juvia não fizeram nada de errado.

E quando eu fui tentar explicar a situação, me embolando um pouco por conta do constrangimento, ele mais uma vez me interrompeu:

– Mas é claro que você ia defender ele! Provavelmente está sendo enganada, Juvia! E por que diabos você o chama esse gigolô de Gray-sama?

E com essa declaração ele passara de todos os limites para mim. Pelo clima no local, eu percebia o quanto Gray estava ofendido e todos os outros confusos e assustados. Não sabia como iria encará-los depois de tal situação.

Bufando de raiva, fiz o que sempre havia feito quando necessário par parar Gajeel Redfox: fiquei na ponta dos pés, ergui uma das mãos e com bastante força segurei uma de suas orelhas. O arrastei enquanto ele reclamava para fora do estabelecimento, até a rua de trás, para um beco, e deixando um grupo de perplexos para trás.

– Qual é o seu problema?! – disse em baixo tom, porém extremamente ríspida. – O Gray-sama não é nenhum cafetão! Eu não sou nenhuma idiota, Gajeel! E mesmo que alguma coisa estivesse acontecendo, — ele parecia se encolher enquanto eu falava. – você não tem nada a ver com isso.

– Então o que está acontecendo?!

Escorreguei pela parede de tijolos enquanto o explicava:

– Gray-sama é um dos moradores do lugar que eu te falei que ia viver: o Casarão. Ele é filho adotado da dona.

Gajeel pareceu um pouco surpreso, como se não houvesse pensado em tal possibilidade. Bom, isso era meio óbvio.

– Então por que você o chama assim?

– E-ele pediu. – eu abaixei a cabeça.

– Está vendo?! Juvia...

Eu não aguentei mais:

– Gajeel! Não tem nada acontecendo, tá? – e me doía dizer isso, mas eu tinha de mostrar para ele a verdade. – Até por que o Gray-sama não tem o menor interesse em mim, ok?! Por que se ele tivesse, eu ia ser a primeira a sugerir alguma coisa. – ele levantou as sobrancelhas. – É isso aí! E pode deixar que você ia ser o primeiro a saber.

– Quer dizer que... – ele pareceu entender a situação, e cobriu a boca com uma das mãos em constrangimento.

– Eu... não quero falar muito agora. – antes de ir embora, dei-lhe um último aviso. – Se alguém perguntar, diga que podem ir para casa. Inclusive ao Gray-sama.

...

Por algum tempo vaguei entre as ruas, até que parei na porta de uma livraria e me sentei na fachada. Descansei colocando a cabeça entre as pernas. Aquela situação havia sido tão vergonhosa...

Para buscar esquecer os acontecimentos ao menos momentaneamente, comprei uma revista de caça-palavras e, com um lápis velho que achei no bolso, comecei a me envolver na atividade.

– Você ainda gosta disso? – disse Gajeel enquanto se sentava ao meu lado.

Eu não havia percebido a sua chegada.

– O que você... – eu não estava com paciência.

– Desculpe, ok?

Gajeel não gostava muito de pedir desculpas, mas ao menos quando o fazia era sincero. E pelo seu olhar era possível perceber o quão arrependido ele estava. Assenti.

– E parece que nenhum de seus amiguinhos vai embora antes de você voltar. Nem o seu amorzinho. – não consegui segurar a risada. – Parece que eles acham que eu te sequestrei e precisam de uma prova de que você está bem.

Me levantei do banco e o ajudei a fazer o mesmo.

– Ok, ok. E desculpe-me pelo que eu disse mais cedo, tá? Não é como se não fosse da sua conta... Ao menos não totalmente. Mas não dá para você ficar fazendo essas cenas.

– Eu sei. Mas... posso tocar no assunto? – concordei. – Como assim você gosta de um garoto, Juvia? Isso nunca aconteceu e agora, do nada...?

– Não é exatamente do nada. Aconteceram algumas coisas. – comecei a saltitar enquanto ele me lançava um olhar desconfiado.

– Coisas? Juvia... E esse garoto não é um pervertido não? Te mandando chama-lo desse jeito...

– Mas é divertido. – eu afirmei.

– Ah, é. – Gajeel colocou uma das mãos na testa. – Esqueci que estou falando com uma sadomasoquista.

Lhe dei alguns tapas e tentei explicar a origem do apelido, e como Gray ficava fofo quando eu o chamava dessa maneira, e... Não deu muito certo.

– E você? Onde vai trabalhar e viver a partir de agora? A Fairy Tail oferece dormitórios, mas você tem de pagar, e eu sei que seus pais não lhe deixaram muita coisa.

– Nada, especificamente. – disse ele. – Mas eu não vou precisar morar nos dormitórios. Arranjei um emprego como caseiro em uma casa de riquinhos por aí. Eles oferecem comida e acomodações. E o salário é razoável. Trabalho cuidando do jardim, piscina, e mantendo a casa segura enquanto eles viajam. Já deixei minhas coisas lá durante a manhã. E você?

A conversa iria durar, percebi.

– Bem, já no meu caso...

...

Gajeel demorou a acreditar que meu emprego era real. E quando conseguiu, assim como os outros riu da minha cara.

Voltando ao restaurante, a maioria do grupo ainda estava ali. Gray, Levy, Mira, Elfman, Natsu, Lucy, Erza, Lisanna, Jet, Droy... todos me esperando. Ao verem Gajeel ao meu lado, a maioria do grupo se afastou um pouco, e Gray se manteve em um dos cantos calado. Jet automaticamente se postou à frente de Levy.

– Gente...

– Me desculpem. –disse Gajeel. – E se não desculpem, não há nada mais que eu possa fazer, mas não descontem na Juvia. Você também – ele apontou para Gray. – mesmo que eu ainda não confie em você...

Natsu, que estava do outro lado da sala, veio em direção à Gajeel e colocou um dos braços em volta dos ombros do moreno.

– Estão vendo? Eu disse que ele não podia ser tão ruim. Não depois de ele ter passado aqui e se desculpado com você, Gray.

–Como? – indaguei.

– Antes de eu ir atrás de você eu dei uma passada aqui, como você pediu.

– O abacaxi já se explicou. – disse Natsu.

Sorri levemente. Se Natsu já estava brincando com ele, então, ao menos por parte da maioria Gajeel já estava desculpado. Eu notava apenas algumas exceções, que ainda se mantinham afastadas. Mas acreditava que com o tempo eles relaxariam.

– Alguém já te disse que você é extremamente inconveniente? – perguntou Gajeel.

– Como assim?

– Abacaxi, sério?

E como eu não queria ouvir mais uma de suas discussões, mesmo que dessa vez eu soubesse que ao menos não daria em briga, me dirigi a um dos cantos do cômodo. O canto em que Gray estava. Ele não havia dito muito desde que nós voltamos. Não parecia irado nem nada, mas evitou conversar. Alguma coisa, além do já aparente, o havia incomodado. E quando Cana veio falar conosco, isso ficou evidente.

– E aí, Gray? Feliz com o novo apelido?

O moreno desviou o rosto em desagrado.

– Apelido?

Cana nos dirigiu um olhar sarcástico.

– Como assim, Juvia? Você não conhece o seu próprio gigolô?

...

Depois de muitas discussões e risadas, e, por fim, uma reclamação do dono do restaurante, nós fomos embora. Como o trabalho de Gajeel era do outro lado da cidade, nos despedimos na estação de metrô.

E mesmo estando muito cansadas, Mira, eu e Laxus fomos para o trabalho. Chegamos um pouco atrasados, e talvez essa fosse a vantagem de estar com eles: se você chegava junto com as autoridades do estabelecimento, não havia ninguém para reclamar de você. E o dia foi cheio, com mais clientes do que o normal.

Ás seis e meia eu estava voltando para o Casarão. Do início da rua já se ouviam risadas, do onde eu imaginava ser o jardim da frente da minha casa. Ao me aproximar, Ur gritou meu nome, dizendo para eu vir logo.

– O que foi? – perguntei ao chegar e me deparar com uma segunda figura.

Meredy, provavelmente. A garota era de acordo com as descrições de Ultear: cabelos longos e rosas, e olhos verdes. Ela usava uma passadeira de veludo vermelho.

– Como, ao que parece, vocês não tiveram a oportunidade de se verem na escola, eu chamei a Meredy para vir aqui. Só que você demorou, então resolvemos tentar dar uma melhorada nesse jardim.

Olhei em volta. Notavam-se as tentativas de plantar mudas de orquídeas.

– Bom, prazer. – disse a rosada.

Cumprimentei-a e elas me convidaram a ajudar. Preferi ficar só assistindo.

– E de onde vocês se conhecem? – indaguei. – Digo, com essa diferença de idade.

– Ah, lembra-se que o Lyon estava em intercâmbio de férias?

– Quando éramos mais novas, ambas vivemos e estudamos no exterior: eu durante dois anos do ensino médio e ela durante o fundamental.

– E como éramos umas da poucas que nascemos em Fiore por lá, acabamos por ficarmos amigas. Nós morávamos na mesma rua, também. – completou Meredy. – Quando a Ur voltou, eu fiquei um pouco sozinha, então esse ano resolvi retornar de vez.

– Entendi. E você está no primeiro ano? – perguntei.

Ela concordou e disse que, apesar de ter começado a frequentar a escola na segunda, também não me vira. Elas me perguntaram o porquê de Gray ter chegado tão revoltado, e, apesar de inicialmente preocupadas, elas também riram um pouco no final. Algum tempo depois jantamos, me lembrei que ainda teria de falar com Gray, para desculpar-me. Ele, logo após terminar de comer, subira para o andar de cima pesadamente.

– Ur, você acha que tem problema se eu for ao quarto dele?

– Bom, acho que não. Pedir desculpas?

– É.

Eu então me dirigi à escada e me despedi de todos. Ignorei a vergonha e, ao chegar ao andar de cima, parei em frente à porta. Seria a segunda vez em que eu entraria no quanto de Gray.

Bati algumas vezes. Sem resposta.

– Gray-sama...

A porta foi aberta de súbito. E, seguindo minhas previsões, ele não parecia estar lá muito a fim de me ver. Fez sinal para que eu entrasse no quarto. Como não havia onde me sentar além de sua cama e a cadeira onde ele estava, preferi ficar de pé. A TV ligada exibia o menu do jogo Call of Duty.

– Gray-sama... Desculpe-me por toda essa situação. O Gajeel, ele não sabia que...

Ele suspirou.

– Não, tudo bem. E além do mais, se o seu amigo é um descontrolado, isso envolve ele, você não tem de se culpar. Mas ele já explicou tudo. — ele afirmou e ficou calado.

Eu me senti reconfortada pelas palavras dele. Ao menos ele compreendia. Quando pensei em me retirar do cômodo, Gray perguntou-me se eu gostaria de jogar.

– Eu?

– É. Eu sei que a maioria das meninas não gosta, mas... Talvez você seja diferente da Lucy.

E tudo que eu queria era mostrar que eu era diferente dela. Então aceitei.

Em meia hora, notei que isso era impossível. Além de péssima, eu não havia gostado muito do jogo. Apesar da história ser legal, eu não me animava como Gray.

– Se você quiser, eu e o Natsu te ensinamos, quando ele vier aqui. – ofereceu Gray depois de eu dar um tiro no meu companheiro de equipe.

Ele dera muita risada ao observar minhas tentativas, e só isso fazia daquela experiência agradável. Aceitei a oferta, e ele prometera que o outro viria em breve.

– Ah, eu me esqueci de avisar, mas se prepare para segunda.

– Por quê?

– Os testes para o clube de natação vão começar. E a nossa treinadora é muito rígida.

Notas finais
Gostaram? Será que o Gray vai ficar com um trauma eterno por causa desse apelido? kkk O capítulo não foi dos mais longos (no sentido de desenvolver a história), mas isso foi de propósito.