Somebody To You

42 Extra 4. - Lollipop.


Notas iniciais
Oi pessoas! (Capas e capas e mais capas... Morri semana passada fazendo elas. Gostaria de começar esse capítulo anunciando que todas estão prontas. Gi-hi. E... Ah, o cosplay chegou, mas essa é outra longa história.) Eu descobri, com esse capítulo, que eu gosto bem mais desse shipp do que eu imaginava. Isso acontece constantemente, na verdade: eu me vejo escrevendo ou imaginando um casal e simplesmente "POW!", eles se tornam perfeitos um para o outro. O caso mais extremo foi o de Rogue e Ultear, ignoro completamente a quase impossibilidade da relação no mangá *v*. (Vai que, né? Ela pode rejuvenescer/reviver - não sei, não entendo até hoje o que aconteceu -, ir se desculpar por ter pensado em matá-lo e aí a coisa acontece. Magicamente. kkk) Não vou me prolongar muito... Obrigada a todos que comentaram, por favor continuem mandando as opiniões, críticas, elogios, etc, etc, etc. Ajudam bastante. A música do capítulo é "Lollipop", do cantor MIKA. Esqueçam Pitch Perfect 2, eu ouço ela desde que tinha dez anos! kkk Estava procurando uma com uma sonoridade mais "inocente", "alegre", e me lembrei dela... Ah, e gostaria de ressaltar que não necessariamente o especial significa que o casal está ou logo ficará junto... Irão entender. Boa leitura! ;)

Ninguém da turma se deu ao trabalho de prestar atenção nela, ainda que supostamente aquele fosse um encontro para comemorar as vitórias esportivas do nono ano. Eles haviam se encontrado no parque central da cidade para aproveitar o cenário primaveril, e ela estava sozinha, novamente, sob a sombra de uma sakura. Sentia-se deveras melancólica ao observar os pequenos e médios grupos de adolescentes que se formaram em seus arredores, porém não “à sua volta”. Bem, não que fosse lá muito comum ser dado destaque especial a alguém, ou que ela quisesse uma valorização excessiva dos colegas, só não gostava de se sentir e saber que era invisível.

Desde que ele tinha sido transferido para a turma A e por algum motivo diabólico a selecionara como o alvo de suas frustrações, as coisas tinham mudado drasticamente. Wendy nunca tivera muitos amigos – ou grandes amigos, em geral ­−, tudo graças aos seus problemas em se socializar. Porlyusica, sua avó e responsável legal, costumava dizer que a culpa era da garota, que gaguejava e tremia ao menor contato com um estranho. A Marvell sentia-se pressionada facilmente, chegando a quase hiperventilar, por isso ficava mais do que satisfeita ao deixar os holofortes pairarem sobre outros, como Romeo Conbolt. Aquele sim adorava virar notícia.

Isso se voltou contra ela no momento em que o garoto, após a assistir ser pressionada por algumas colegas nos fundos do colégio – sempre lhe questionavam sobre suas roupas supostamente muito longas ou o porquê dela mal conseguir se envolver com seres do gênero masculino −, pareceu revoltar-se ao aparentemente defendê-la e espantar as meninas. Isso poderia fazer com que fossem criados boatos estranhos, especialmente ao se considerar o modo como ele havia a abraçado de lado pelos ombros e a levado até um local em que pudesse se acalmar. Isso não ocorreu, no entanto, devido ao fato de que dias depois o garoto chegou a afirmar que “O único que pode importunar Wendy sou eu.”. Ela não compreendeu exatamente o que ele quis dizer com aquilo ou as razões para que desejasse tal “privilégio”, realmente deveria odiá-la bastante. Tudo o que sabia era que, depois de tal evento, ela havia se fechado ainda mais do mundo externo e todos (dessa vez, todos mesmo) a deixaram por si só.

Romeo era um verdadeiro projeto de Lúcifer: ele a perseguia nos intervalos, estudava só para superá-la nas notas e ainda insistia em criticar sua aparência “nada atrativa” e infantilizada – a última característica sendo uma referência desagradável à sua falta de seios. Ele tinha uma incrível “horda de seguidores” com os quais poderia interagir, mas grande parte do tempo ficava sozinho ou importunando Wendy, o que fazia com que para as garotas, em geral, fosse criada a impressão de que ele era solitário e misterioso. Se tivesse a chance, ou se as garotas não a odiassem por ela receber a atenção que desejavam, a azulada as informaria que não estavam perdendo absolutamente nada.

− Vai ficar parada aí o dia todo? – ela escutou uma voz masculina de trás do tronco da árvore. Não o via, mas sabia que ele estava ali.

− O que você quer, hein? – ela bufou. – Como se não fosse, em parte, culpa sua eu estar sozinha.

Fez-se o silêncio, mas não demorou muito até que Romeo respondesse: ele costumava tentar estender aquelas conversas/discussões ao máximo. Muitas das suas colegas diziam que era porque, tendo um afeto especial por Wendy, ele era o tipo de garoto que adorava irritar a garota pela qual se apaixonara. Ela duvidava que esse fosse o caso, mas, se estivesse errada – e se tivesse coragem −, levaria algumas boas horas explicando para ele o porquê aquele definitivamente não era o melhor jeito de conquistá-la.

− A culpa é sua, não tente colocar a responsabilidade em mim. Não basta ficar toda “A-ai meus deuses, tenho medo de tudo.”, ainda perdeu sua única chance de fazer esses idiotas olharem você, Wendy.

Ela se sentiu incomodada pela crítica, era verdade: não havia conseguido nem ao menos passar da segunda fase eliminatória de tênis, e era meio óbvio que sua intenção ao desejar vencer era se tornar alguém aparentemente interessante de se conversar. Tinha sido muito presunçosa, se baseando nos resultados cada vez melhores dos seus colegas e colégio, acabando por esquecer-se de si mesma. Odiou-se por isso, por essa confiança esperançosa, porém sem reais argumentos para se manter. Ela nunca havia sido um às do tênis, se envergonhava da sua derrota e gostaria de ter feito tudo diferente. No entanto, não iria dividir nada disso com ele.

Ah, cala a boca, Romeo. Vá procurar o que fazer...

− Nossa! Cadê a garotinha tímida e educada de quem os professores sempre falam? – ele finalmente saiu de sua posição e foi para um local onde ela poderia observar sua face desagradável, logo à frente da Marvell. Ele tinha vontade de asfixiá-lo com a toalha que ele mantinha enrolada do pescoço. Infelizmente, novamente não conseguiu ignorar Romeo e como sempre acabou perdendo as estribeiras.

− No mesmo lugar que a sua inteligência. – ela proferiu a melhor frase agressiva que lhe veio à mente.

Ele caiu na gargalhada.

Isso era uma das coisas que mais incomodava Wendy: Romeo sempre parecia extremamente satisfeito quando ela revidava, insultando-o. Isso dava a impressão de que ela era previsível e de que ele havia conseguido exatamente o que desejara desde o princípio.

− Como é que você fica alegre com isso?! Eu estou aqui basicamente declarando que te odeio! – ela se levantou, revoltada. De frente para ele, batia um pouco acima da altura do seu queixo: Romeo não era alto.

− Você não me odeia. – ele afirmou, confiante, enquanto enxugava as lágrimas dos cantos dos olhos e tentava segurar a risada, respirando fundo. – Sou a única pessoa, que eu saiba, que consegue te deixar a vontade, não é?

− Você acha que suas provocações me deixam “à vontade”?! – ela fez aspas com as mãos, demonstrando que não concordava com tal mentira.

Era a vez dela de sentir vontade de rir. Ele estava sendo ridículo. Sua alegria zombeteira não durou muito, estranhamente, pois logo Romeu se aproximou e a segurou pelos ombros.

− Percebeu que desde o início dessa conversa você não gaguejou uma vez? – ele tinha uma feição vitoriosa. − Você reagiu e me insultou! Por mais que suas respostas sejam hilárias, você não tem medo de ser agressiva comigo. – ele explicou, a surpreendendo. Wendy, na verdade, se acostumara a odiá-lo tanto que não tinha, com ele, o menor senso de vergonha ou restrição. – Isso demonstra que, no fundo, confia em mim.

Ela ergueu uma sobrancelha, irônica. Ela poderia até concordar com a parte inicial da fala do garoto, mas imaginou que ele estava confundindo o tipo de relação que tinham ao completar seu discurso. Aparentemente, Romeo percebeu isso, uma vez que se corrigiu enquanto coçava a nuca:

− OK, você pode não confiar totalmente em mim, mas pelo menos sabe que não ligo para essas coisas idiotas e que não vou te ignorar ou abandonar só porque você é um pouco passiva demais com a vida.

− Tudo bem, verdade. Você está certo. – ela corou um pouco, percebendo que não era acostumada a conversar com ele em um tom de voz normal, colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha. Romeo acompanhou o movimento com os olhos. Ele odiava aquela insegurança, sabia que ela ficaria muito mais bonita se parasse de se importar tanto em colocar o cabelo “no lugar” (ser impecável) e tivesse coragem de vestir o que realmente gostava. A mudança, no entanto, vinha em um processo e Wendy não seria Wendy se não fosse certinha demais. – Mas você ainda não me disse porque se dá ao trabalho de fazer isso.

O Conbolt estalou a língua. Era então a sua vez de parecer desconfortável. Respondeu mantendo os olhos semiabertos:

− Não posso ser uma alma caridosa, apenas?

Ela negou. Na verdade, o conflito existia porque nem mesmo o garoto tinha uma explicação: ele simplesmente gostava de provocar pessoas introvertidas, e havia desenvolvido um apreço maior por importuná-la já que gostara de suas reações. Depois de perceber sua falta de amigos e de confiança, Romeo resolveu continuar por notar que a raiva a ajudava a melhorar nesse quesito. Ponto final. Talvez houvesse uma explicação melhor, mas ele não gostava de tentar entender as coisas antes de elas ficarem claras naturalmente, preferia esperar até o momento em que a resposta lhe viesse em um baque.

Ele foi salvo por alguns de seus amigos que passaram lhe chamando, procurando-o. Wendy suou frio, sabia que se os encontrassem conversando as meninas voltariam a pegar no seu pé... Não se sentia nem um pouco orgulhosa de ficar acuada por essa razão, mas ainda não conseguia controlar completamente o seu lado covarde. A situação lhe serviu como um choque de realidade, e ela se afastou de Romeo em um salto instintivo. Não se importava se ele se aproximasse como sempre fazia, quando estavam sozinhos ou quando os outros não prestavam tanta atenção, mas não sabia o que ocorreria se fosse reconhecida abertamente como sua “amiga”.

Romeo divagava sobre uma coisa completamente diferente, mas também estava preocupado. Não gostava da ideia dos outros, sendo eles de qualquer um dos sexos, verem Wendy daquele modo mais aberto. Tinha consciência de que aquilo não passava de um tolo egoísmo, mas desejava que ela se aproximasse mais dele antes de interagir com grupos maiores. Sentia que, se por acaso todos notassem que ela não era como imaginavam e começassem a com a azulada interagir, ele poderia perder a diversão que era irritá-la e ser o único a ter a oportunidade de estar ao seu lado. Queria mantê-la em segredo por mais algum tempo, odiava quando os garotos os seguiam e diziam ter os mesmos interesses que ele − mesmo que ainda fosse agradável a bajulação.

Esse tipo de pensamento acabou o levando a ter a pior reação possível: agarrou a mão da garota e a puxou para sua direção, começando a correr. Isso, de modo algum, impediu que os adolescentes o vissem, mas pelo menos a explicação acerca do porque estarem sentados juntos, após sumirem por um considerável período, seria adiada. Romeo teve que decidir para onde iriam em questão de segundos, enquanto Wendy apenas se esforçava para manter o ritmo e não pensar muito no problema em que poderia se meter mais tarde.

Romeo os levou até uma lanchonete qualquer nos limites do parque, não vira ninguém conhecido ali. Não iria admitir, mas chegou a passar por sua mente o que Natsu faria em seu lugar, como ocorria em qualquer situação na qual ficava nervoso. Era verdade que o segundo anista constantemente fazia algumas idiotices, mas sabia se esquivar de problemas muito bem. Era um exemplo para o Conbolt.

Os dois, por sim, acabaram sentando-se em uma mesa qualquer, parando para rir e descansar.

Conseguimos... – ele ofegou, de apoiando na mesa redonda. Foi surpreendido por uma risada doce, inédita. Era baixinha e melodiosa, quase tímida.

Os risos foram minguando com o passar dos segundos, ainda que ele desejasse que o momento durasse mais. Não saberia dizer a razão, mas sentiu-se energizado e trêmulo ao imaginar eles rindo em outras situações, no futuro.

Errr... Você pode soltar a minha mão agora, Romeo. – Wendy comentou, passado certo tempo, com a voz baixinha. O garoto estava tão afobado que nem olhara na sua cara desde que haviam parado. – Agora você pode voltar para lá e ficar com seus amigos.

Romeo, que começara a ficar corado ao perceber que estivera segurando a palma da azulada com muita força, se voltou para ela subitamente. Se havia uma característica irritante em Wendy, era que a garota era certamente lenta.

Sério? Tudo bem Wendy, vou voltar para lá... – ele fingiu que iria soltar sua mão, apenas para agarrá-la novamente. – Mas você vai comigo.

− O que?! Não! – ela gritou quando começou a ser arrastada pelo mesmo caminho que tinha vindo. Tentou se soltar, mas não tinha força nos braços, um dos motivos pelos quais não era tão boa assim no seu esporte favorito.

­− Vou apresentá-la aos “meus amigos”. – ele ameaçou.

Enquanto a garota lamentava, parecendo uma criança, Romeo sorriu. Não iria começar a introduzi-la de cara, era notável não estava pronta para isso ainda – teria que ser gradual. Ele deveria esquecer aquelas idiotices egocêntricas que vinham passando por sua cabeça e simplesmente tentar manter aquela risada viva. Acabaram passando por diversos alunos, conhecidos e colegas, e, por mais que a garota reclamasse, ele não a soltava e acenava para todos. Quando alguém se aproximava, simplesmente escondia suas mãos unidas atrás das costas e tentava fazer a menina vacilante pronunciar algumas palavras.

Notas finais
Comentários???? É como disse, eles ainda estão despertando os sentimentos... Vão levar bastante tempo ainda, mas acho que isso é o mais fofo sobre esse casal. P.S.: Falta apenas um especial, vou fazer um pedido para vocês: pretendo postar o especial "no mesmo momento" que o primeiro capítulo da segunda temporada, mas peço que leiam o especial primeiro. É importante, e vai ter um "capítulo" de agradecimentos com alguns anúncios... E contextualização da segunda temporada. Ah, se quiserem, posso fazer um trivia também! Perguntas sobre os personagens, como: "O que realmente Gray estava pensando quando ele disse...", coisas assim.