Sombras do Passado

18 Capítulo 18 - Reencontros (+18)


Notas iniciais
A fanfic está sendo atualizada hoje porque não sei quando terei tempo de fazê-lo essa semana, pois estou atolada de trabalho. Desfrutem o capítulo e não se esqueçam de comentar, recomendar e favoritar! ;)

***

A chegada de Carlota à Teapa foi aparentemente calma e sem sobressaltos. Claro que o estado de espírito de felicidade plena do casal que parecia estar em lua-de-mel contribuiu para que eles não se alterassem com a nefasta presença da irmã de Cristina.

Entretanto, apesar da quantidade de bagagem trazida por eles, Federico e Cristina acreditaram que eles vinham de visita, mesmo conhecendo as dificuldades financeiras da família. Depois de 20 dias na fazenda, em uma refeição se deram conta que não ia ser assim.

_ Federico, você não conhece alguma casa para alugar em Teapa? — indagou Luciano

_ Vocês vão sair da Plantanal? — surpreendeu-se Cristina.

_Não é conveniente que sigamos aqui, temos que construir nossa própria vida, Cristina, estamos vindo para ficar. — afirmou Carlota

_ Eu gosto da Plantanal, mamãe. — Amanda se manifestou.

_ Essa é mais uma razão para que saiamos daqui! — afirmou Carlota intransigente — Eu não gosto que você passe o dia todo por aí com Cristina sem que eu saiba o que está acontecendo.

_ E por isso, por sua barreira comigo, você vai sair dessa casa que, mal ou bem também é sua, para submeter sua família à um desconfortável imóvel alugado na cidade, Carlota? — Cristina a enfrentou

_ Eu prezo pela moral e a boa educação de minha filha, Cristina. Na cidade estaremos mais próximos de Deus, da igreja e aqui... — Carlota se justificou

_ Aqui você não pode controlá-la. — Cristina completou com um sorriso um tanto cínico.

Carlota respondeu ao ataque de Cristina com uma gargalhada. O deboche era sua arma para tentar demonstrar que Cristina não a atingia, mas isso não era verdade, ela temia a força que Cristina demonstrava agora e, principalmente, a felicidade que ela emanava de onde, provavelmente, vinha sua força.

_ Não se ache tão inteligente e importante, Cristina, nem tudo o que acontece é por sua causa. Eu não preciso controlar à Amanda, ela não é como você!

_ Por favor! — Federico interveio percebendo o clima beligerante entre as irmãs — Não há razão para que discutam.

_ Sim, não briguem. — Pediu Amanda

_ Enquanto não encontramos o lugar ideal, seguimos aqui. — Determinou Luciano.

_ Mas Luciano! — contestou Carlota insatisfeita.

_ Sim, Carlota. Quando encontrar algo satisfatório para nós, nos mudamos, nos instalamos.

_ Sim! Aqui há vários carros disponíveis. Se você desejar ir à igreja, à missa, pode ir quando queira, todos os dias se desejar. – Federico apontou a solução.

_ Pois sim! Se não há outra alternativa... – Carlota concordou não muito satisfeita. – Não podemos nos afastar de Deus. Você irá comigo todos os dias, Amanda! – comunicou.

_ Claro que sim, mamãe. – Amanda concordou.

_ Eu também vou sempre à igreja, Carlota. Gosto muito de conversar com o padre Inácio. Ele sempre foi um importante apoio em momentos difíceis da minha vida. – Cristina se desarmou.

_ Isso sim me surpreende. – Carlota não pôde evitar o cinismo. – Você sempre foi tão... rebelde. Não tem o perfil de quem gosta muito de igreja. – deu um sorrisinho de cinismo.

_ Para você ver como não me conhece tão bem como acredita, Carlota. Ir à igreja e dedicar-me à obras de caridade é uma coisa que me agrada. E, sobretudo, conversar com Padre Inácio, ele é um ótimo conselheiro. – Cristina comentou.

***

A volta de Amanda deu à Cristina uma felicidade que ela sentiu que nada podia abalar, era indescritível ter a sobrinha por perto e ainda mais em um momento em que ela se sentia tão plena e realizada. A jovem passou a acompanhar Cristina na organização da escolinha, também estava em fase de descoberta de seu caminho, sua carreira. Carlota sempre se opunha, mas não é a mesma coisa dizer o que fazer a uma menina de 10 anos e a uma menina de 17 anos, Amanda não era tão frágil e manipulável como ela supunha e sempre encontrava uma maneira de fazer o que queria: estar com a tia.

Nesse contexto, conheceu o professor Carlos, jovem idealista que, juntamente com Cristina, levava à cabo o projeto de implantação da escola que a esposa de Federico idealizara para a Plantanal. Em poucos dias os dois se aproximaram e Amanda sentiu uma grande identificação com o jovem professor. Cristina logo percebeu que eles tinham uma ligação que ia além da amizade e não houve maneira de não recordar sua própria história porque sabia, sabia que Carlota iria se opor quando soubesse. Uma tarde, na escola, depois da saída de Carlos, Cristina questionou a Amanda:

_ O que está acontecendo entre vocês dois? – foi logo direto ao ponto.

_ Ai tia, eu não sei. Nunca conheci um homem que eu admirasse tanto quanto admiro ao Carlos. Ele é tão sonhador, luta pelo que quer, quer mudar o mundo e é tão bonito! – Amanda falava com aquela empolgação que só a adolescência permite.

_ Ai filha... Isso me dá medo. Você fala como se... como se estivesse apaixonada. – Cristina ponderou.

_ Ai tia, eu acho que estou! Acho que estou! Ele... – deu uma pausa com um brilho no olhar – Ele me beijou, tia! E foi tão lindo! Nós temos tantas coisas em comum...

_ Amanda! Coisas em comum? O que você menos tem com o Carlos são coisas em comum. Você sabe que sua mãe não vai permitir e, filha será que realmente vale a pena se arriscar a conseguir um problema desse tamanho por ele? – Cristina via na sua frente seus próprios conflitos 17 anos antes.

_ Ai tia, eu já sei que minha mãe vai ser absolutamente contra, vai colocar todo o tipo de obstáculos, mas... é tão bom sentir — disse Amanda suspirando. — Não tenho vontade de desistir, tenho vontade de arriscar, arriscar tudo!

Cristina também suspirou e aproximou-se de Amanda olhando-a com muita ternura. Reconhecia-se tanto nela, sua identificação com ela que já era tão especial ficava ainda mais latente ao perceber como Amanda vivia seu primeiro amor em um contexto tão parecido com o dela com Hernán. E como censurá-la por estar se apaixonando? Não faria sentido!

_ Só tome cuidado, minha filha. — disse Cristina acariciando os cabelos de Amanda. — Na adolescência o amor parece ser a mais doce de todas as frutas, mas... mas às vezes pode rasgar a carne e deixar a alma marcada para sempre.

Enquanto falava seu olhar viajava no vazio recordando sua história e a atuação de Carlota nela. E estava vendo que tudo podia se repetir com Amanda, pois Carlota ainda era a mesma e, com ela, tinha um afã ainda maior de controlar tudo. Precisava ficar ao lado de Amanda, seu instinto a aventava a protegê-la.

***

Amanda passava quase todas as tardes com Cristina e Carlos organizando as coisas da escola que já estava quase pronta para funcionar como Cristina havia idealizado. Em uma tarde, Amanda convenceu Cristina a permitir que ela fosse à cidade com Carlos comprar alguns objetos que se faziam necessários ali. Claro que, sem que Carlota soubesse, porque ela jamais permitiria aquela proximidade entre a filha e um reles professor.

Sozinha ali, tão perto da cachoeira, Cristina não resistiu a um passeio por ali. Não queria voltar para casa e ter que se deparar com o mau humor de Carlota e ainda ter que lhe dar explicações sobre a ausência de Amanda e Federico estava totalmente envolvido no trabalho. Desde que se entendera com ele descuidara muito mais do trabalho na fazenda por confiar nele e por sentir segurança em se dedicar unicamente à escola. Como sempre prometia à ela, Federico evitava o conflito com José Maria. Não porque lhe agradava a presença e o cargo que ele ocupava na fazenda, mas porque Cristina ficaria feliz com isso e, para tanto, evitava sequer encontrar-se com o peão.

A solidão daquele lugar era convidativa e com tanto calor... Cristina não resistiu e tirou grande parte de suas roupas para entrar no rio. Há muito não tomava um banho de cachoeira e ela sabia, sempre soubera, que as águas eram revigorantes, sobretudo aquelas. Inicialmente nadou próximo da margem, depois aproximou-se mais da cascata onde se entregou à ação poderosa daquelas águas. Precisava de um refresco de tanto calor. Federico passava pelo rio naquele momento, cavalgando à galope. Cristina estava muito distraída recebendo a energia do rio, nem percebeu a presença dele.

Inicialmente ele ficou bestificado com a imagem dela seminua, deslizando pelas águas do rio, próxima à cascata e se deteve a observar. Ela estava linda. Seus cabelos negros caídos para trás, recebendo despejos constantes daquela água azulada que vinha da cascata. Sua pele que ele conhecia tão bem, sedosa, molhada. Cristina se levantou e passava as mãos pelos cabelos sob a queda d’água, com as pernas imersas até os joelhos. Usava apenas uma composição branca. O tecido molhado grudava em sua pele, revelava sua beleza por sob ele, e dançava deixando seus seios tão atraentes.

Não foi muito o tempo que Federico ficou ali, observando Cristina tão bela como uma sereia naquelas águas, mas para ele parecia uma eternidade tamanho o desejo que aquela imagem provocou nele, sentiu que ia explodir. Queria tocar à sua pele sem importar nada mais no mundo, invadi-la, fazê-la sua. Fazê-la sua ali, na cama, em todos os lugares, por toda a vida. Aproximou-se da margem e gritou por Cristina que sorriu ao vê-lo.

Da cascata ela saiu e voltou para o rio nadando sedutoramente e parou a alguns metros da margem de onde ficou jogando água em Federico como uma menina que estava com uma expressão grave:

_ Por que você está tão sério? – indagou Cristina. – Vem nadar comigo! – convidou.

_ Cristina, você está louca? – ele reclamou alterado. – Você aí, quase nua, já imaginou que outras pessoas podem te ver? Imagina se não sou eu que estou passando por aqui?

_ Estava fazendo muito calor. – ela respondeu sem desfazer seu olhar malicioso. – Não tinha ninguém aqui...

_ Vem, Cristina, saia daí, vista-se! Alguém pode te ver e... – ele continuou sério.

_ E o quê? – ela indagou sorrindo. – Nem todo mundo vai me olhar e ter pensamentos tão impronunciáveis como você. – disse jogando água nele provocando-o.

Federico estava chateado, enciumado, mas ao mesmo tempo tão maravilhado em vê-la ali, nadando, feliz como uma adolescente. Feliz como ele sempre quis que ela fosse. Feliz como ele sempre quis fazê-la. E, para não falar de seu corpo... Tão linda, tão ainda cheio de vivacidade e juventude misturado a uma maturidade que os trinta e poucos anos trazem à mulher e a deixam tão mais sensual.

_ Isso é o que você pensa! – ele abandonou um pouco a postura rígida que tinha desde que começou a falar com ela. – Aquele imbecil do José Maria, se te vê aí... os outros peões. Cristina, você é uma mulher lindíssima. Acha mesmo que os homens não vão te olhar e ter pensamentos... – o desejo se misturava com os ciúmes.

_ Impronunciáveis? – ela completou matreira. – Deixa de bobagem, Federico! Tire suas roupas e vem aqui nadar comigo! Do que adianta termos um paraíso como esse em nossas terras se não podemos aproveitar?

_ Nossas terras? – ele indagou sorrindo.

_ Nossas! – ela respondeu com um sorriso e um olhar convidativos. – A Plantanal é sua também e... tem mais coisas nessa fazenda que são suas. É só você deixar de bobagem. – insinuou sensual.

Federico não precisou ouvir mais nada. Em segundos tirou toda sua roupa e pulou no rio completamente nu. Cristina sorrindo começou a nadar até as pedras que demarcavam a cascata, mas ele, rapidamente, a alcançou e a encurralou ali.

_ Então você pode nadar completamente nu sem o risco de ninguém ver? – ela indagou olhando-o nos olhos, tão leve. – Também há mulheres na Plantanal.

_ Você me provocou... Agora vai ter que aguentar. – disse com uma gargalhada beijando-a no pescoço.

_ E quem disse que vai ser algum sacrifício? – ela respondeu com os olhos fechados com as carícias que recebia dele.

_ Cristina você é deliciosa, maravilhosa! Como eu te desejo. – murmurava entre beijos cálidos que dava na esposa.

Ela sorria enquanto era beijada e tocada contra as pedras com parte do corpo submerso no rio. A água que descia da cascata e batia nas pedras ao lado do casal apaixonado deixava agradáveis gotículas espirrando nos rostos dos dois, mas eles pouco as sentiam. Ele desceu a alça da composição que Cristina utilizava e alcançou seu mamilo, primeiro com uma das mãos e, depois, com a boca, movimentando ali sua língua e deixando a esposa com tanto desejo que sentia que o descontrole de seu corpo era parecido com a insanidade.

Federico, que provocado, estava louco por possuir Cristina torridamente, passava suas mãos por todo o corpo dela, sem grandes barreiras e ela gemia agarrada ao pescoço dele, sobretudo quando ele detinha suas mãos em sua feminilidade que queimava de desejo por ele. Ali ele movimentava os dedos e ela, com os olhos fechados a, razão perdida, o corpo trêmulo, molhado, descontrolado, baixinho murmurava em seu ouvido com dificuldade:

_ Eu te amo Federico! Minha vida com você é maravilhosa, eu nunca pensei que pudesse ser tão feliz.

Emocionado pela declaração de Cristina, Federico, que já estava no pico da excitação desde que a vira banhar-se nas águas do rio, levou seu membro a abscindir por sua feminilidade que o esperava, provocando um grito de paixão de Cristina. Ela não soltava seu pescoço, cravava suas unhas nas costas do marido e, às vezes, quando a paixão era muito grande, chegava a morder a orelha de Federico cheia de prazer. Ele sentia a respiração arfante dela sobre sua pele e, segurando-a firme pela cintura, acariciava-a com delicadeza e selvageria, como de costume enquanto investia seu corpo contra ela, apoiada naquela grande pedra da cascata.

Ela gemia e dizia coisas incompreensíveis em seu ouvido, tomada pela libido e pela paixão que ela insistia em não controlar mais. Beijavam-se muitas vezes enquanto faziam amor, sentindo nas línguas um do outro um complemento do prazer que suas intimidades lhe proporcionavam nos movimentos acoplados. Em poucos minutos, em movimentos ritmados, ambos chegaram ao orgasmo e permaneceram juntinhos, com ela apoiada na pedra, olhando-o enquanto tentava retomar o ritmo de sua respiração.

Federico olhou-a, apaixonado, sequer conseguia acreditar que haviam feito amor em meio à natureza, dentro daquele rio tão bonito. Cristina também não disse nada. Sentia-se tão plena sempre que fazia amor com Federico, tão completa, tão viva que sentia até que as palavras sobravam. Ao menos por um tempo. Como se tivessem que assimilar a emoção tão forte que haviam vivido.

_ Você me faz o homem mais feliz do mundo. Te amo, Cristina! – depois de alguns minutos ele murmurou baixinho, abraçando-a.

_ Te amo, Federico! – ela correspondeu ao seu abraço protetor, onde se sentia tão segura. – Você me faz tão feliz como eu jamais imaginei ser.

***

Terminavam de se vestir, quando Federico, abobado, aproximou-se dela e lhe deu um beijo. Leve, mordiscando seus lábios, apreendendo-os, completando o beijo úmido e cálido com selinhos. Acariciando seus cabelos molhados pediu:

_ Quando você estiver com calor de novo, e quiser nadar no rio... Me avise para vir com você.

_ Não precisa ter ciúmes, Federico. Você é o único homem que eu convidei e convidaria para nadar comigo. – ela respondeu sorrindo pícara.

_ Eu amei o convite! – ele sussurrou em seu ouvido. – Mas tenho que trabalhar. Era isso que eu estava fazendo quando passei por aqui.

_ Vá, vá meu amor! E não demore a chegar em casa. Estarei lá te esperando. – voltou a falar maliciosa no seu ouvido.

_ Nem que eu estivesse louco eu demoraria! – despediu-se sorrindo.

***

Carlos e Amanda chegaram de Teapa com novidades.

_ Tia, encontramos padre Inácio e falamos com ele sobre o projeto. – Amanda contou.

_ Ai, sim, eu já falei com ele várias vezes sobre como idealizava essa escola aqui. – Cristina recordou.

_ Foi isso mesmo que ele disse, senhora Cristina. – Carlos comentou. – E disse que o novo padre que chegou à cidade tocava um projeto com crianças em Tapachula, ele é envolvido com a educação. Ele pediu para que a senhora fosse falar com ele.

_ E por que não? – concordou Cristina. – Amanhã de manhã vou até a igreja. Falo com Padre Inácio e posso tratar com o novo padre. Quem sabe ele também não faça parte da escolinha aqui da Plantanal? Educadores nunca serão demais, não é mesmo?

_ Claro! – Amanda disse sorrindo. – Eu vou com você!

_ Será um prazer! – concordou Cristina.

***

Desde que havia chegado à Teapa, Hernán evitou andar pelas ruas da cidade porque era tão difícil evitar as lembranças. Tudo ali o recordaria Cristina. Com Inácio não ousou tocar no nome de seu amor do passado, como o fazia com poucas pessoas, apenas Benito conhecia seu segredo.

Naquela manhã sentiu uma inquietação diferente, algo que lhe pedia para que ele saísse da paróquia e percorresse as ruas da cidade, desse lugar à suas lembranças. Durante alguns minutos caminhou até se deter na frente daquela construção antiga, com ar abandonado, onde ele havia vivido tantas emoções. Ficou parado ali, olhando para a casa, lembrando-se de quando Cristina ia vê-lo ao fim das aulas, da felicidade que era sair e, pela porta, avistar a bela jovem feliz e sorridente que havia encontrado uma maneira furtiva de estar com ele. Saíam dali e se encaminhavam para o quartinho simples onde ele vivia e faziam amor. Eram tão felizes, o mundo era tão simples. Como as coisas haviam mudado.

***

Pela manhã, Cristina dirigiu-se à Teapa para falar com padre Inácio sobre o projeto da escola da Plantanal. Amanda acabou não podendo acompanhá-la porque amanheceu um pouco indisposta. Chegando à Teapa, o carro de Cristina parou de funcionar um pouco longe da igreja. Ela desceu do veículo e se encaminhou para uma oficina que havia na rua em que o carro emperrou. Deixou o carro ali, e se desanimou com o prognóstico dos mecânicos. Tirou o celular da bolsa e ligou para Federico.

_ Federico!? – ela ficou feliz quando ele atendeu. – Que bom que você está em uma área que tem sinal, preciso de você.

_ Oi, meu amor, o que aconteceu? – ele se mostrou prestativo.

_ Vim à Teapa para falar com padre Inácio, mas meu carro emperrou, o mecânico disse que pode precisar de uma peça que não tem aqui e o conserto demorar. – Ela explicou.

_ Não se preocupe, eu vou te buscar.

_ Sim, era exatamente disso que eu precisava! – ela agradeceu sorrindo.

_ Só vou resolver um assunto aqui na fazenda, mas é coisa rápida, logo estarei aí!

_ Beijo, meu amor! Te amo! – ela se despediu feliz.

_ Também te amo muito!

Logo que desligou o telefone, andou algumas poucas quadras pelo caminho que daria à igreja até que se deu conta que estava de frente àquela casa onde funcionava a escola em que Hernán trabalhava quando os dois namoravam. Não pôde evitar recordar aquele passado, a felicidade dos dois, aquele amor juvenil tão puro, tão grande, que ficou por tanto tempo dentro dela como se fosse indestrutível, como se fosse durar para sempre.

De repente, ao virar-se para o lado esquerdo percebeu que um homem estava parado diante da construção e surpreendeu-se. Não podia ser. Ele era igual a Hernán! Ele lentamente se virou e os olhos dos dois se encontraram. Era ele! Era ela! O susto e o assombro tomou conta de ambos, por um minuto, acreditaram estar diante de um fantasma. Cristina levou as mãos à boca, seus olhos arregalados, não conseguiu dizer nada. Logo tudo ficou escuro e ela sentiu suas forças se desvanecerem. Hernán, descrente e sem controlar a emoção correu até ela que havia esmorecido e estava desacordada no chão.

***