Sombras do Passado

19 Capítulo 19 - Entregaste a outro o coração


Notas iniciais
Acompanha o capítulo a canção Te Fuiste De Aquí - Reik

***

Hernán correu até Cristina ainda em choque. Não podia ser que ela não era uma aparição e, sim, real! Tomou-a em seus braços e a carregou, por alguns metros até a casa paroquial e colocou-a no sofá. Algumas pessoas viram quando ele entrou na casa com ela nos braços e se preocuparam. Olhava para a jovem trêmulo, confuso, tentando encontrar a confirmação de que ela era Cristina, sua Cristina, mas não havia dúvidas! Padre Inácio correu até lá ao ver a movimentação e se surpreendeu com a imagem de Hernán acomodando a esposa de Federico no sofá.

_ O que houve meu filho, o que aconteceu com Cristina? – indagou assustado.

_ Não sei... – ele disse perturbado. – ela desmaiou. – Acho que é melhor chamar um médico, não, Inácio?

_ Sim, vou fazer isso, fique com ela! Doutor Luis atende aqui perto, vou ver se ele está no consultório – disse Inácio saindo quase correndo.

Hernán ficou parado olhando para o rosto de Cristina, repousado sobre uma almofada do sofá. Deus, como estava linda! Era aquela mesma de anos antes, a mesma menina, a mesma expressão angelical, feliz. Não pôde conter os soluços que lhe assaltaram ao se dar conta daquilo: Tudo havia sido uma grande mentira, ela estava viva! Se Cristina não estava morta, toda sua vida era uma mentira! Por quê? Por quê? Era a pergunta que girava por sua mente. Por que Carlota havia inventado aquela mentira, isso era cruel demais mesmo partindo dela.

Ajoelhado ao lado do sofá, ele acariciava seus cabelos, aflito para que ela reagisse quando ela lentamente abriu os olhos. Ao ver Hernán ali, ajoelhado aos seus pés, levou um susto e se levantou rapidamente, sentando-se no sofá. Inevitavelmente começou a chorar, entre soluços levou as mãos à boca.

_ Calma, Cristina, calma! Você acabou de ter um desmaio, não se exalte. – ele pediu em vão.

Sabia que era em vão porque ele mesmo experimentava o mesmo assombramento, era impossível não se exaltar, não se alterar. Ditas essas palavras o silêncio interveio entre eles e, em meio à tantas lágrimas que escapavam por seus olhos, sem poder mais conter a emoção que lhes arrebentava o peito, lançaram-se em um abraço. Um abraço cheio de ternura, um sentimento de redenção. Tantos sentimentos, tantas culpas iam se desvanecendo naquele abraço.

O amor dos dois não tinha matado um ao outro como sempre acreditaram, como lhes fizeram acreditar, era como um milagre. Abraçada a Hernán, Cristina finalmente conseguiu fazer com que as palavras saíssem de sua boca:

_ Você está vivo? Vivo Hernán? – as palavras eram pouco compreensíveis em meio à tantos soluços.

_ Você está viva! Meu Deus, você está viva, Cristina! – afirmava Hernán acariciando seus cabelos negros

Ele permanecia abraçando-a sem nenhuma intenção de soltá-la, mas, ao mesmo tempo, desesperado por recuperar o contato visual com ela, olhar de novo para seus olhos, delinear de novo as finas linhas de seu rosto em sua mente. Quanta saudade havia sentido dela! Cristina, por sua vez sentia um desespero aflitivo em pensar no que tudo aquilo representava, em tudo que haviam tirado dela, em como Carlota havia jogado com sua vida, quão injusta era toda aquela situação. E pensou tudo isso naquela fração de tempo em que permaneceu abraçada a Hernán.

Logo foram diminuindo a emoção, não do peito, mas dos olhos e, lentamente se afastaram. Cristina olhou em volta, se deu conta que estava na casa paroquial. Mirou a Hernán que estava vestido com roupas comuns, mas, trazia no pescoço o colarinho romano que identifica os padres. Imediatamente se deu conta do que aquilo significava. Ele baixou os olhos ao ver como ela olhava para seu pescoço.

_ Depois que você foi embora... Depois que você foi embora eu me desesperei, Cristina. – disse enxugando uma lágrima que escorreu pelo rosto dela. – Me desesperei, não sabia como te encontrar, não podia procurar seu pai, só havia Carlota.

Ele se levantou e caminhou até a parede perto da porta. Cristina acomodou-se corretamente no sofá, mas não conseguiu levantar-se. Aquilo era tão irreal, tão fora da realidade, tão fantasioso que nenhum dos dois sabia como reagir, como se comportar.

_ Eu já posso imaginar as coisas que ela te disse. Minha irmã é uma péssima pessoa e eu demorei muito a me dar conta disso. Por conta dessa demora fiquei à mercê de sua traição e perdi muita coisa com isso.

Hernán se voltou para ela nesse momento. Caminhou até perto dela e sentou-se na mesinha de centro de frente para o sofá. Perguntava-se se Cristina sentia o mesmo que ele, tanta confusão, tanto desespero, mas ouvindo-a e vendo-a tão desnorteada, tão perdida, sabia que sim.

_ Ela me disse que você morreu de tristeza! Me fez acreditar que eu era culpado de sua morte, meu Deus! Como alguém pode agir com tamanha perversidade por nada? – revoltou-se Hernán.

_ A mim ela disse que você se entregou à bebida por minha causa. – falou Cristina com os olhos baixos – Que se desesperou, não soube lidar com minha ausência, até que foi atropelado, uma noite que bebeu muito e... morreu. Eu devia ter questionado, não devia ter aceitado a palavra de Carlota como verdade, mas é que eu também estava tão desesperada.

_ De fato sua ausência foi desesperante para mim, Cristina. Sim eu me entreguei à bebida, cheguei ao fundo do poço, fui atropelado e não via mais sentido na vida. – confessou. – Eu não via nenhuma perspectiva na vida mais, até que conheci o padre Benito.

_ E foi aí que você decidiu se tornar padre? – ela perguntou sustentando o rosto no alto.

_ Não imediatamente. – ele ponderou caminhando até próximo dela. – Envolvi-me nas obras de caridade da Igreja até que vi que me dedicar à Deus podia ser a resposta à inquietude de minha alma. Era um vazio tão grande, parecia infinito. Eu sabia que não podia olhar para nenhuma outra mulher, amar à nenhuma outra mulher, então por que não dedicar-me à Deus? Se eu soubesse, se eu soubesse que você estava viva, minha vida teria sido tão diferente, Cristina. – disse fitando-a nos olhos provocando perturbação.

_ A minha também. – ela confessou baixando os olhos e levando o olhar à sua mão esquerda.

Hernán também olhou na mesma direção. Sentiu um desconforto agudo em seu peito ao ver de novo a aliança. Sabia o que significava e mesmo naquela situação era tão doloroso imaginar que ela era de outro. Se não fosse Carlota, se não os houvessem separado!

_ Eu sei. – ele disse. – Eu vi sua aliança quando você estava desacordada.

Cristina levantou o olhar e encontrou-se com seus olhos mais uma vez. O olhar dele era triste, reprovador. Baixou os olhos mais uma vez e mirou o chão.

🎵Te fuiste de aquí sin pensarlo

Dijiste que no me amabas más

Yo te suplique quédate aquí

Yo no sé que haría sin ti

No creo soportarlo🎵

_ Nunca foi um plano meu casar-me com Federico, Hernán. – justificou-se Cristina.

_ Federico? – ele indagou com um leve sorriso cínico na boca. – Então ele tanto fez que conseguiu. Você me dizia que nunca se casaria com ele mesmo contra a insistência dele e o autoritarismo de seu pai. Com tantas interferências, terminou tornando-se só palavras.

_ Meu pai planejou tudo, quando eu voltei à cidade já tinha data e tudo organizado. Eu não tive muita opção. Estava mortificada, desiludida, sem chão. Sem... Sem muito mais, sem meu eixo, meu equilíbrio. Permiti que ele direcionasse minha vida. – culpou-se – Depois meu pai morreu e Federico me fez uma promessa. Essa promessa foi o único elo que nos manteve unidos por muitos anos. – recordou aquele doloroso fato Cristina.

_ Uma promessa?

_ Sim.

_ E hoje? O que mantém vocês unidos? Você o ama, Cristina? – indagou Hernán desarmado olhando para ela.

Cristina emudeceu e teve medo de responder. Sim! Sim, era a resposta, amava a Federico, mas em um mundo em que Hernán não existia, estava morto! E mesmo morto ela permaneceu venerando-o por tanto tempo. Como saber se o amava ali, naquele momento? Como evitar que sua volta mexesse e revirasse todos os seus sentimentos?

_ Não sei se é o momento para falarmos sobre isso. – Foi a resposta que lhe ocorreu. – Temos tanto, mas tanto mais sobre o que falar. – Cristina recordou a filha que teve dele e que estava perdida.

Hernán considerou seu silêncio como um sim. E lhe feriu. Feriu-lhe imaginar que outro homem ocupava seu coração. Que ela não era mais a sua Cristina. Que a havia perdido. Nem se lembrava mais que era um padre e que também não era um homem livre para o amor. Só passava por sua mente que depois de tudo o que Carlota havia feito, depois daquela tão violenta interferência dela no destino dos dois, era agora uma parte do passado de Cristina. Só uma sombra de seu passado.

🎵Te fuiste de aquí y todo acabado

Y llora mi alma en soledad

La vida me puso junto a ti

Nunca pude predecir

Me convertiría en tu pasado🎵

_ Claro! – ele engoliu seco. – Temos muito de que falar.

Cristina percebeu que ele estava afetado, mas não podia mentir-lhe. Como ter alguma certeza de algo depois de tantas emoções? Não tinha respostas para Hernán, não tinha respostas para si mesma, precisava de tempo.

_ Sim, tem algo que eu preciso te dizer. Algo que você nunca soube. – iniciou a parte mais dolorosa de toda sua história.

_ Conte-me! Creio que é o momento da verdade para nós dois não? – Hernán indagou meio que afirmando. – Nesse momento você não está falando com um padre, Cristina! Você está falando com um homem...

Cristina recordou que ele era um padre com essas palavras. Como dizer-lhe que havia tido uma filha sua? Que ele era não só um homem que viveu com ela uma história de amor, que dessa história, uma filha havia sido gerada? Mas não tinha medo! Não era covarde como Carlota para fugir da verdade fosse ela qual fosse.

_ Sim, Hernán. – ela começou corajosa – E é para o homem e não para o padre que eu digo que nós dois...

Antes que ela pudesse completar a frase Federico irrompeu pela porta da casa paroquial claramente tenso, acompanhado de padre Inácio. Nem se deu conta do clima que estava no ar entre os dois, que ambos estavam chorando. Hernán enxugou suas lágrimas tentando disfarçar. Cristina não conseguiu fazer o mesmo. Federico correu até ela e a abraçou carinhoso, sentando-se ao seu lado no sofá.

_ Meu amor! – repetiu aflito – O que aconteceu? Eu fiquei tão preocupado.

Hernán se levantou da mesinha de centro frente a ela no exato momento em que Federico emoldurou o rosto de Cristina com suas mãos e lhe deu um beijo terno, cheio de amor. Era a imagem perfeita de um marido apaixonado preocupado com a mulher, não havia dúvidas que se amavam.

🎵Te fuiste de aquí encontraste otra vida

Te fuiste de aquí enterraste la mía

Y aunque no estés yo sigo respirando aquel amor🎵

_ Você está bem? Está bem de verdade? – indagava Federico tenso. – Padre Inácio disse que você desmaiou. Por que você não me disse que estava passando mal quando me ligou? – repetia acariciando seu rosto, seus cabelos como que conferindo a integridade física da esposa.

Cristina sentia-se atordoada em meio àquela situação. A efusiva demonstração de carinho e preocupação de Federico, o desconforto de Hernán, seu presente e seu passado! Hernán se virava quando Federico enchia Cristina de carinhos, sentia-se mortificado de ciúmes. Se com aquela aliança e as palavras de Cristina ele soube que ela era de outro, com as atitudes de Federico, ele percebia que os dois eram felizes. E apesar de não dever por sua ligação com a igreja não podia evitar, estava atormentado, tomado de ciúmes de uma mulher, de Cristina.

🎵Te fuiste aquí descubriste otros brazos

Borraste mis besos, me hiciste pedazos

Y duele ver que le entregaste a otro el corazón🎵

_ Eu não estava passando mal naquela hora, Federico! – ela disse tirando a mão dele do rosto dela e se levantando. – Não foi nada, foi só um mal estar, eu já estou bem.

_ Como não foi nada, meu amor? Um desmaio! Você tem que se cuidar. – Federico mostrava-se muito amoroso e preocupado.

_ Eu não encontrei o doutor Luís, mas vi quando Federico chegava na rua de baixo. Que bom ver que você já está melhor, filha. – disse Padre Inácio.

_ Obrigada, padre. Não... Não precisa de médico eu só... – Cristina agradeceu.

_ Você precisa descansar. – Federico voltou a abraçá-la – Vem eu vou te levar pra casa.

Ver a mão de Federico no ombro dela deixava a Hernán ainda mais confuso dentro daquela situação toda. Sentia uma raiva imensa de Federico, como se ele lhe estivesse arrebatando algo que fosse seu, mas, logo recordava que devia obedecer aos sacramentos de seu compromisso com Deus, 7 anos antes. Agora com Cristina viva tudo era diferente, estava perdido em um labirinto.

_ Federico, esse é o novo pároco. Hernán Gamboa. – padre Inácio apresentou. – Foi ele quem socorreu Cristina quando ela desmaiou na rua.

_ Muito prazer, senhor padre. – Federico estendeu a mão para o padre agradecido. – Obrigada por ter ajudado à minha esposa. Cristina é meu bem mais precioso, não quero nem pensar se algo tivesse lhe acontecido. Obrigado.

Hernán apertou a mão de Federico sentindo-se um miserável. Olhou o com desprezo como quem aperta a mão de um inimigo. Tantos sentimentos que não condiziam com a postura de um padre, mas ele não podia evitá-los.

_ Imagina, não foi nada. – Respondeu Hernán seco.

_ Sim, obrigada... padre. – Cristina disse com dificuldade.

_ Vem meu amor. Meu carro está aí na porta. Vamos para casa descansar. E, se você continuar a se sentir mal, te trago ao doutor Luís. – disse Federico conduzindo a Cristina com a mão em seu ombro.

Ela olhava para trás observando a figura de Hernán e tudo o que ele significava. Hernán sentia um impulso por detê-la e que terminassem aquela conversa da qual haviam sido interrompidos e... e muito mais. E era aquele “mais” que tanto o atormentava. Depois daquele dia sabia que seu mundo havia mudado, que não poderia mais ser o mesmo, que Cristina não sairia mais de sua mente.

🎵Te fuiste de aquí y todo es silencio

Quedaron las huellas de nuestro amor

Sueño que te abrazo una ves más

Me despierto y ya no estas

Me estoy ahogando en el vacio🎵

***

No caminho para a fazenda Cristina olhava pela janela do carro a estrada e pensava em tudo o que havia acontecido aquele dia. Sentia-se cansada, perdida, esgotada. Não conseguia olhar para Federico, sentia-se uma traidora se o fizesse. Tinha tanto, tanto o que fazer, mas não sabia a que dar prioridade. Reclamar a Carlota? Contar a verdade a Federico? Falar com Hernán sobre a filha? Falar com ele... Falar com ele.

Quanta ironia que a vida lhe fizesse aquilo. No exato momento em que se entendera com Federico, se sentia tão bem e completa com ele, Hernán reaparecia para movimentar seu mundo. O que Deus queria mostrar-lhe com aquilo? Qual a finalidade? Não é com Deus que eu tenho que reclamar, pensou Cristina, não foi ele quem interferiu assim na minha vida!

_ Federico, quando eu estive fora... Quando meu pai me levou para fora da cidade, você falou com Carlota alguma vez? – rompeu o silêncio pela primeira vez no carro.

_ Sim, claro que sim! – ele confirmou.

_ O que ela te dizia? – ela falava com ele, mas sem olhá-lo, não tinha coragem de fazê-lo.

_ O mesmo que seu pai. Que você estava doente. Que quando voltasse se casaria comigo, que estava tudo bem! – recordou Federico. – Por que você pergunta isso?

_ É que quando eu penso que já descobri o suficiente de traições da minha irmã, aparecem outras. E as pessoas não sabem, não sabem o quanto uma mentira podem ter consequências em uma vida ou... Ou em várias! – virou-se para ele pela primeira vez, percebeu como ele também era parte de tudo aquilo e como foi e poderia ser afetado.

Federico tirou a mão direita do volante e colocou sobre a mão dela, carinhoso, segurando-a. Ela olhou para ele e para sua mão sobre a dela recordando seu apoio e seu amor sempre presente. Em toda e qualquer situação, jamais se esquecia daquilo.

_ Por mais que sua irmã tenha feito, meu amor, por mais que sua irmã tenha tratado de te sabotar, olhe para você: você é feliz, muito mais feliz que ela, feliz como ela jamais vai conseguir ser.

***

Federico levou Cristina até em casa e se ofereceu para passar a tarde com ela. Ela recusou. Sentia-se incômoda na presença dele, como uma traidora, uma hipócrita, uma mentirosa. Era assim que estava se sentindo. E também tinha algo a fazer. Convenceu-o a voltar ao trabalho, que ela ficaria bem. Observou quando Carlota descia a escada e chamou-a.

_ Ah, Cristina, não tenho tempo para suas bobagens. – Recusou-se Carlota com cinismo.

_ Carlota, para seu bem, é melhor que você entre nesse escritório se não quiser que todas as pessoas que estão nessa casa saibam o tipo de pessoa amarga e perversa que você é! – Cristina disse sem muita paciência.

_ Ora, minha irmãzinha está valente. – espezinhou Carlota. – Mas vamos, vamos ao escritório que eu estou curiosa para saber o que você tem a dizer. Tem algo em você que está diferente. Só recorde que se há alguém que esconde segredos nessa casa não sou eu, não é mesmo? Você tem segredos e pecados ocultos e acha que todos têm as mesmas culpas que você?

Cristina ouviu calada até que entraram no escritório. Quando Carlota passou pela porta ela voou para cima da irmã encurralando-a contra uma estante.

_ Você está louca? – indagou Carlota furiosa.

_ Você vai me dizer e vai me dizer agora o que foi que você ganhou mentindo para mim e para Hernán sobre nossas mortes!

Carlota esbugalhou os olhos surpresa. Como ela havia descoberto a verdade? Teria Hernán voltado para a cidade?

_ Do que você está falando? – tratou de dissimular.

_ Eu sempre soube que você queria que eu fosse infeliz. Soube quando você mentiu que me ajudaria a ir com ele e me fez beber sonífero para que nosso pai me levasse para longe daqui. Sabendo que eu estava grávida! Esperava um filho dele! Mas você não se deteve! – disse Cristina soltando-a e se afastando. – Foi pouco para você! Você inventou para mim e para ele que os dois havíamos morrido por culpa um do outro. Qual a razão para isso, Carlota? Por que você sabota tanto a minha vida? Em que é que tanto te atinge a minha felicidade?

***