Sombras do Passado

14 Capítulo 14 - Confrontando Verdades


Notas iniciais
Obrigada por toooooodos os comentários favoritos e recomendações. Essa foi a última grande passagem de tempo na história e os personagens que entram agora, permanecerão conforme a história peça. Prometo que a sequência da história não irá decepcioná-los e Federico e Cristina vão terminar agora de traçar um caminho necessário para descobrirem esse amor que, apesar de doloroso, é tão bonito. Depois... Bom, depois veremos como eles vão lidar com o passado que vai voltar para suas vidas. Desfrutem a leitura e não se esqueçam de continuar comentando, recomendando e favoritando a história!

7 anos depois

***

Vicenta bateu à porta do quarto de Cristina empolgada, trazendo o que alegraria a manhã das duas. Em sua mão, um envelope. Cristina, saía do banho de roupão e uma toalha envolta nos cabelos, nem sequer se vestiu, correu até a mão dela e pegou a carta.

_ É de quem eu estou pensando? – indagou com um sorriso.

_ Claro! Eu já estava estranhando que há quase um mês não chegava carta nenhuma. – Vicenta disse sentando-se na cadeira à frente dela.

Cristina rapidamente abriu o envelope e começou a ler a carta. Seu rosto se iluminava com as palavras que lia e o carinho que o simples fato de escreverem-lhe aquelas linhas significava. Era um dos raros momentos de sua vida em que se sentia completa, que nada lhe faltava. Uma de suas maiores satisfações receber uma carta como aquela.

_ E o que a menina diz? Ela está bem? Estão todos bem? – Vicenta perguntou.

_ Todos! Mas não é mais uma menina. Olha que linda está Amanda, Vicenta.

Disse tirando do envelope a fotografia que havia vindo como um anexo à carta. A imagem era de uma jovem lindíssima, um olhar esperto, matreiro de quem tem uma vivacidade e uma alegria puros. Cabelos castanhos claros, a tez alva e um ar de satisfação juvenil.

_ Sim, Cristina! – concordou Vicenta se atentando à foto – A menina está linda! E esses olhos? E se nota que é muito esperta. Em todos esses anos, Carlota não se deu conta que vocês se correspondiam?

_ Agora talvez sim. Mas quando ela era mais novinha ela escondeu bem. Era uma menina especial, eu pude ver desde o primeiro momento. Quando foi embora daqui eu lhe dei um presente. Uma caixa com uma joia e dentro, orientações para como ela me escrever sem que sua mãe notasse. Depois, foi ela mesma quem me mandou orientações para como escrever pra ela, que ela retiraria as cartas na caixa postal, sem Carlota se dar conta. Hoje, acho que ela não esconde mais de Carlota, mas, é claro que ela não gosta, como não gostou de nossa proximidade quando esteve aqui.

_ Isso foi tão estranho. A senhora Carlota nunca se agradou da aproximação de vocês. – observou Vicenta.

_ Estranho por que, Vicenta? – Cristina discordou – Você é que nunca se deu conta da amargura de minha irmã, sempre procura justifica-la, defende-la.

_ É que ela não é uma pessoa má, menina. Não é! – defendeu Vicenta ingênua.

_ Então por que ela é assim, Vicenta? Por que ela sempre faz tudo para que eu não seja feliz? Por que lhe desagrada tanto que Amanda goste de mim? Que justificativa pode haver para que ela me queira tanto mal? – Cristina não tinha nenhuma ilusão com relação ao caráter de Carlota.

_ Ela sempre quis controlar as coisas, minha filha. É isso. Ela quer controlar à filha, à você... como controla ao marido, mas nem todos são como aquele fraco.

_ Mas isso sim ela não vai poder. Amanda estará por muito pouco tempo sob seu jugo. Ela me disse agora na carta que não vê a hora de completar 18 anos. Que não aguenta mais a mãe decidindo tudo em sua vida. Quando eu falo com ela, eu tento acalmá-la, não trato de colocar uma filha contra sua mãe mesmo que essa mãe seja Carlota porque não me parece correto, ainda que eu discorde de todas asa atitudes de minha irmã. Mas como uma pessoa como eu, Vicenta, vai dizer pra uma menina de 17 anos que ela deve permitir que controlem sua vida? Que deixem fazer com ela o que queiram? – recordou Cristina.

_ Sim, não faria sentido. – concordou Vicenta.

_ Você, melhor do que ninguém, sabe o quanto o que fizeram comigo aos 17 anos foi decisivo para o destino que eu tive. E, se algum dia, Carlota quiser me cobrar por influenciar Amanda a dirigir o próprio caminho, pois eu assumirei com muito orgulho essa culpa. Não vou permitir que Amanda tenha uma vida como a minha, que decidam por ela, não vou!

_ Menina, não procure problemas com sua irmã. – Implorou Vicenta.

_ Não procuro, Vicenta! Por mim ela permaneceria para sempre longe de minha vida. Mas não vou abrir mão de ter uma relação com Amanda, não é justo com ela! Sempre vou apoiá-la em tudo o que ela precisar e, se necessário, enfrento Carlota para isso! Por ela eu enfrento, Vicenta! – determinou Cristina.

***

Um pouco depois do almoço, Cristina foi avisada de que José Maria, seu capataz, estava no pátio, fora da sede para falar com ela. Correu para atender-lhe.

_ Boa tarde, José Maria! Que bom que você veio. Tudo bem? – cumprimentou atenciosa.

_ Tudo bem, sim, senhora! Só queria falar à respeito de um assunto que começamos outro dia.

_ Claro, vamos entrar, falaremos na sala. – convidou Cristina.

_ É melhor não. – desvencilhou-se o peão. – Aqui está ótimo.

Ele não explicou, mas Cristina sabia bem porque ele não queria entrar. Federico e ele não se davam bem. Nunca se deram e José Maria, prudente, preferia evitar o confronto.

_ Tudo bem. Vamos sentar ali naquela mesa. – apontou começando a caminhar. – É sobre as crianças, não, José Maria?

_ Sim, senhora, sobre elas. Pois, essa fazenda está cheia de peões e cheia de crianças com problemas na escola.

_ Eu sei bem. – ela disse sorrindo.

_ E como a senhora se propõe a ajudar-lhes durante algumas horas da semana, os peões estão cada dia mais satisfeitos com essa ideia, ainda mais depois que a senhora construiu a escolinha.

_ É eu sei. Cada dia são mais crianças. Eu queria mesmo era aparelhar essa escola daqui, ainda que fosse bem pequeninha, para que as crianças não precisassem ir para tão longe de casa. Elas têm que levantar muito cedo, mesmo que eu tenha disponibilizado transporte para eles.

_ Pois é disso que eu vim falar. Um jovem professor me procurou, ele soube desse seu trabalho com as crianças da fazenda.

_ Um professor? – animou-se Cristina.

_ Sim, ele quer falar com a senhora sobre a pequena escola. – José Maria explicou – É um rapaz cheio de sonhos, gosta muito do que faz e... Bom, o melhor é que ele te diga. Se chama Carlos.

_ Pois traga-o, José Maria, traga-o para falar comigo o quanto antes. Quem sabe eu possa realizar esse projeto que há tempos eu venho idealizando na minha cabeça? – comentou Cristina cheia de ilusões.

***

Federico saiu do escritório chamando por Cristina. Ela não respondeu na sala e ele já ia subir as escadas quando foi detido pela voz de Vicenta:

_ A senhora Cristina não está lá em cima, senhor. Está falando com José Maria, no pátio.

_ José Maria? – indagou Federico demonstrando descontentamento.

Ele odiava que Cristina falasse com José Maria. Não gostava de como ele a olhava e a tratava e, muito menos, da forma altiva como ele sempre o enfrentava. Diferente de praticamente todos os empregados da fazendo que se curvavam diante dele e lhe faziam continência, o capataz conhecia a confiança que Cristina depositava nele e não se deixava intimidar por Federico. Se por ele fora, José Maria já estaria longe da Plantanal há muito tempo. Como tinha a ousadia de ir até sua casa procurar sua esposa? – pensou Federico irritado. Direcionou seus passos até a porta da sede que dava para o pátio. De longe, observou como Cristina e José Maria conversavam sorrindo e íntimos. Não pôde se conter, aproximou-se dos dois e já chegou lançando sarcasmo:

_ Ora, ora... Veja só quem está na minha casa, sentado em uma das mesas do pátio, próximo da piscina como uma visita.

José Maria imediatamente se levantou e encarou-o firme. Fez menção de dar mais alguns passos em sua direção, mas não o fez, arrefeceu. Virou-se para Cristina que deu impressão que ia reclamar e procurou despedir-se rapidamente:

_ Eu o trago logo, senhora Cristina, como a senhora pediu. Aviso-lhe o mais breve possível. Tenho que ir supervisionar uma entrega. Boa tarde!

_ Boa tarde, José Maria. Não se preocupe com Federico. – Desdenhou a dona da Plantanal – Quero muito que esse projeto dê certo! – disse estendendo a mão direita para ele.

_ Vai dar! – ele concordou apertando sua mão.

Federico observou perplexo àqueles movimentos dos dois. Não podia acreditar na empáfia do peão de apertar a mão de Cristina, desafiante na frente dele. José Maria se virou, sem intimidar-se por sua presença e tomou a direção da saída. Federico começou a caminhar em sua direção, mas Cristina o segurou pelo braço e pediu:

_ Sente-se aqui, temos que conversar!

Federico procurou acalmar-se e sentou-se levando a mão aos cabelos, tentando encontrar alguma justificativa para seu comportamento.

_ O que foi isso, Federico? O que vem sendo isso? – ela inquiriu-o sem receio.

_ Cristina, você sabe que eu não gosto de José Maria! Não confio nele, é um insubordinado. Se dependesse de mim, você sabe que ele não trabalharia na sua fazenda! – disse irritado.

_ Isso mesmo, Federico! Na minha fazenda e não depende de você! José Maria não é insubordinado, ele simplesmente não aceita a atitude autoritária que você e outros têm com alguns empregados! – defendeu-o Cristina.

_ Por isso mesmo ele não pode ser capataz, Cristina, não pode! Por mim eu daria o cargo para outro como...

_ Como Martín! – ela completou conhecendo totalmente as ideias da cabeça de Federico com um sorriso de desaprovação.

_ Martín é mais preparado, Cristina! José Maria é um frouxo e os empregados fazem o que querem com ele porque ele não tem pulso firme.

_ Se não tivesse pulso firme não teria a hombridade de te enfrentar, você não acha? Mas você pode ver que ele não tem medo de você. Ele está longe de ser um frouxo como você o descreve.

_ Mas para lidar com os trabalhadores... – Federico não se dava por vencido.

_ Federico, José Maria lida perfeitamente com os trabalhadores. A produtividade está ótima e cresce à cada ano desde que José Maria se tornou capataz. Isso se deve, em parte, à satisfação dos empregados com a forma como são tratados aqui. Por que eu o demitiria somente para satisfazer à seu capricho?

_ Sim, a produtividade está boa, mas até quando, Cristina, até quando? José Maria não se impõe, os empregados não respeitam os horários e eu, não estranharia se soubesse que há funcionários vendendo frutas por fora sob a vista grossa dele.

_ Não faça esse tipo de acusações sem provas, Federico. Se José Maria é seu desafeto, aprenda a lidar com isso como um adulto! O fato de ele entender o lado dos trabalhadores não significa que ele não tenha pulso firme. Eu confio nele justamente porque acho que se tem que lidar com os trabalhadores com humanidade e não com terrorismo. Um homem como Martín com um cargo como esse poderia... Poderia ser violento com os trabalhadores. Um homem como ele não saberia lidar com o poder, Federico e, em minha fazenda, ele jamais vai ser capataz!

_ Tudo bem! – ele finalmente se deu por vencido. – Não discutamos sobre isso. É sua fazenda e você sabe o que faz.

_ E eu espero que isso esteja bem claro, Federico! – Cristina também tentou encerrar o assunto. – O que você queria falar comigo? Ou veio aqui apenas tentar intimidar ao José Maria?

_ É sobre sua irmã... – Federico se acalmou.

_ Carlota? O que tem ela? – surpreendeu-se Cristina.

_ Eu tive uma conversa bem estranha com ela agora há pouco. Tenho ouvido coisas na cidade entre os amigos e familiares de seu cunhado... Cristina, acredito que Carlota e Luciano estão falidos!

_ Falidos? – Cristina indagou sem evitar esbugalhar os olhos de surpresa.

_ Você está muito bem. Os bens que seu pai te deixou foram bem administrados por seu advogado e por você e te renderam muito dinheiro ao longo desses anos. Sem contar a Plantanal.

_ Mas a Plantanal também pertence à Carlota. Mesmo que ela tenha me vendido 20% de sua parte há 7 anos, a fazenda não deixou de ser dela e de lhe render lucro.

_ Por isso mesmo é que acredito que os dois estejam falidos. Enquanto você seguiu administrando seus bens depois da morte de seu pai, se desfez de poucas coisas, as direcionou para que rendessem lucro, Carlota vendeu tudo o que ela tinha naquela visita que fez à Teapa. Aparentemente, já tinham problemas financeiros nessa ocasião. Seu cunhado parece não ter tato para administrar os negócios e o modo como Carlota falou comigo hoje...

_ O que ela disse? – interessou-se Cristina.

_ Ela estava desesperada para que eu adiantasse os rendimentos da fazenda da próxima colheita. Como fazemos isso? Sempre lhe enviamos uma quantia equivalente aos rendimentos a cada três meses, mas Carlota, aparentemente não quer ou não pode entender que não é possível ter regularidade e precisão nas retiradas. Não podemos contar com um dinheiro de um produto que não vendemos ainda!

_ E o que você lhe respondeu? – indagou-lhe Cristina.

_ Que ia ver com você e logo lhe daria a resposta. Você tem que ter claro que se lhe enviamos o dinheiro que ela pede, será praticamente dinheiro do seu lucro para ela, como um presente ou um empréstimo. Porque o que equivale à ela são apenas 30%.

_ Envie-lhe o dinheiro! – autorizou Cristina.

_ Está bem! – confirmou Federico.

_ Mas deixe-lhe claro que, recebendo esse dinheiro ela não terá direito à qualquer retirada pelos próximos 6 meses. Que ela não poderá contar com dinheiro da Plantanal para socorrer-lhe por um bom tempo.

_ Sim, lhe direi. É o correto. – concordou Federico.

_ E Carlota com sua atitude impiedosa não merece que eu tire do meu dinheiro para ela. Nem que facilite sua vida enquanto ela maldiz a minha. Se ela e Luciano estão com problemas financeiros, pois que eles os enfrentem e os solucionem com suas próprias mãos! – sentenciou. – Com licença, Federico – retirou-se seca.

***

Quando desceu as escadas para o jantar, Cristina se deu conta que a porta do escritório estava entreaberta. Aproximou-se calmamente dela para fechá-la, mas, antes de chegar percebeu que Federico estava lá, com Joaquim. Estranhou o tema da conversa e não resistiu à curiosidade de ficar ali escutando:

_ Ela já deixou claro, Federico! Raquel está voltando para Teapa e eu não poderei mais impedir. – contava Joaquim.

Cristina reconheceu imediatamente o tema e sentiu algo estranho. Por que lhe incomodava a presença de Raquel e depois de tanto tempo? Mesmo com sua ausência, as coisas entre ela e Federico permaneceram inalteradas. Ela nunca aceitaria nada com Federico sabendo o quão mulherengo ele era. Se não era Raquel, eram visitas esporádicas à casa de dona Estelita, um antigo e falado prostíbulo da região, seriam outras, estava em sua natureza ser sedutor, ele não era o homem correto. E o que ele fez com Raquel no dia em que ela estava decidida, ela jamais pôde perdoar. Mesmo que não tenha discutido com ele, guardou para sempre no coração a imoralidade e traição de Federico.

_ Talvez ela não venha com nenhuma intenção de reatar nada comigo, Joaquim. – Federico comentou – Já faz tanto tempo.

_ E qual seria sua intenção? Raquel não tem filhos, não tem família na cidade. Por que ela estaria ameaçando até de se demitir de seu emprego em minha transportadora se eu não aceitar sua transferência para Teapa? – Joaquim explicou

_ Não pode ser, Joaquim, não pode ser! Raquel é completamente louca. Naquela ocasião, ela ficou totalmente transtornada quando eu lhe disse que não voltaria a vê-la. – recordou Federico.

Cristina não entendia porque Federico parecia incomodado com a notícia da volta de Raquel. Durante muito tempo se perguntou se eles não permaneciam juntos, se ele não ia visitá-la em Villahermosa, se mantinham aquela relação que tanto lhe magoara. Agora, escutando furtivamente aquela conversa, se dava conta que não. Que Federico lhe havia dito a verdade sobre cortar relações com ela. Pensava em sair dali, da saída do escritório, que podia ser surpreendida, mas, agora, ao contrário de anos antes, queria saber, queria escutar de Federico o que havia acontecido naquela ocasião. E não haveria outra oportunidade como aquela.

_ E eu não sei? – zombou Joaquim. – Você deixou a mulher totalmente apaixonada. Não foi fácil convencê-la a ir para Villahermosa, ela só aceitou depois que você não só deixou de ir vê-la, mas passou a evitá-la e eu a ameacei de demissão, como você pediu. – Deu uma gargalhada.

_ Não ria, Joaquim, não ria! Você não sabe as coisas que ela fez. – disse Federico. – Você acredita que ela veio se insinuar para mim aqui? – Federico baixou a voz.

_ Aqui na sua casa? – indagou Joaquim perplexo.

_ Não! – negou Federico. – Na fazenda. Ela me procurou no escritório do armazém, tirou a calcinha, deitou-se na mesa e quando eu fui tirá-la de lá...

Cristina levou a mão à boca. O modo como ele contava os fatos não condiziam com o que ela imaginou ver. Estaria Federico dizendo a verdade? Devia ser uma mentira mais... uma mentira mais de Federico. Mas, por que ele mentiria para Joaquim? Não teria razão.

_ O que ela fez? Ou melhor, o que você fez? Você a possuiu no armazém da fazenda? Porque aquela ali se nota que é insaciável, uma leoa na cama! – Indagou Joaquim interessado.

_ Não, nada disso! Você está louco? – Federico negou rotundamente. – Eu jamais faria isso com Cristina, Joaquim! São as terras dela, a fazenda dela, eu a respeito! Ela é minha esposa. E aconteça o que acontecer entre nós dois, jamais poderia traí-la. Não com tamanha gravidade, aqui, na Plantanal.

_ Você está me dizendo... Está me dizendo que Federico Rivero negou fogo à uma mulher tão bonita como Raquel, ‘sem calcinha’ deitada sobre a mesa se oferecendo à ele? – zombou Joaquim descrente.

Cristina não podia acreditar no que ouvia. Teria Federico lhe dito a verdade? Ele estava encerrando sua história com Raquel quando ela achou que os dois estavam ridicularizando-a em sua própria fazenda? Se isso fosse verdade... Se aquilo fosse verdade quanto tempo haveriam perdido.

_ Pois sim, Joaquim, eu não nego, não me envergonho. Cheguei num estágio, numa fase em que nenhuma mulher pode me satisfazer me oferecendo qualquer coisa...

_ Isso tudo por sua mulher? – Joaquim finalmente ficou sério.

_ Sim, por ela, Joaquim, por ela.

_ Então Cristina te ganhou. O grande Federico Rivero realmente está na lona por uma única mulher, é isso?

_ Não, Joaquim, ela não me ganhou. Cristina me destruiu. Me destruiu!

Uma iminente lágrima escorreu pelos olhos de Cristina naquele momento e ela começou a caminhar em direção à escada. Já havia escutado o que precisava, desistiu de jantar. Ao mesmo tempo, Federico abriu a porta e, passou por ela, acompanhando Joaquim até a porta de saída. Cristina nem sequer respondeu ao boa noite do empresário, de tão perdida que estava em seus pensamentos com a mão sobre o corrimão sem sair do lugar ainda que tivesse intenção. Federico voltou da porta de entrada e encarou-a. Ela olhou em seus olhos interrogativa quando ele finalmente proferiu algumas palavras:

_ O que você tem, Cristina?

***